22 fevereiro, 2009

Mesmo sem dinastia, Joaninha confirma sua hegemonia.

Hoje pela manhã, assistindo ao Esporte Espetacular da TV Globo, deparei-me com um caso clássico da ignorância que grassa sobre a formação de muitos profissionais. Um repórter, cujo nome não me lembro, mas que narrava um evento de motocross na Barra da Tijuca, por várias vezes provou que não sabia o significado da palavra dinastia.

O piloto de motocross Gilmar Flores, mais conhecido como "joaninha", era, desde antes do evento, aclamado como a principal atração da prova e favoritíssimo à conquista do título da competição que tem o nome de Copa Brasil de Motocross estilo livre. O dito repórter, eufórico, com piadas sem graça, tasca logo de cara a seguinte pérola: "Joaninha já tem uma dinastia nessa prova..." Aí pensei que antes dele outros pilotos da mesma família, quem sabe da mesma cidade perdida do Mato Grosso, Sinop, já tivessem sido campeões na mesma arena. Foi o próprio repórter que me fez pôr as duas mãos no rosto, de vexame: "Joaninha já ganhou duas vezes a competição". Pronto. O jornalista confundiu o termo dinastia com hegemonia.

Tolerante, considerei que uma transmissão ao vivo é dada a esses equívocos e não demoraria muito para o jornalista ou alguém da produção corrigir o lapso e assim evitar que milhares de jovens que assitiam àquela transmissão não reproduzissem por aí o vexame.

Não demorou mesmo. Em pouco tempo, e com uma frequência que aumentava a minha vergonha, o repórter repetiu que o piloto de Sinop tinha uma dinastia na competição, afinal, já a tinha conquistado uma pá de vezes. Não era lapso. Era só ignorância.

Gimar Flores, o piloto do Mato Grosso, de alcunha um tanto singela, ainda não produziu uma dinastia na competição ou no esporte, mas confirmou sua hegemonia e sagrou-se tricampeão da Copa Brasil de Motocross estilo livre, para delírio do repórter que precisa urgente consultar um dicionário da língua portuguesa.

Não é a primeira vez que um repórter prova sua, digamos, deficiência de formação. Numa das gafes mais notórias de nosso jornalismo, um repórter da TV Bandeirantes, junto com uma Dra. da USP produziram um vexame ainda maior numa matéria de julho de 2007 sobre o Pan-americano do Rio de Janeiro. Confiram aqui e aqui.

3 comentários:

Ricardo Rayol disse...

Pelo menos o sujeito não disse desinteria... risos. Pegou na veia

Lelec disse...

Sabe, Zé, fico impressionado com o fato de que o ensino brasileiro faça tão pouca diferença na vida das pessoas que por ele passam. Não é apenas o português que sofre: falta capacidade de análise crítica, de compreensão da realidade, de amor à cultura. E não estamos falando dos analfabetos, mas dos que foram à universidade...
Grave, muito grave nosso panorama educacional...

Abraço,

Lelec

flávia disse...

Se nem nosso presidente sabe o que fala....