11 fevereiro, 2009

Até onde chega a cretinice!

(Leia antes, por favor, o post abaixo.)

Alguns especialistas da Unb me dão engulho quando falam ou quando escrevem. Marcos Bagno, Ricardo Caldas e Pedro Demo são alguns exemplos. Agora um tal de Vicente Faleiros vem se juntar à confraria dos beldroegas.

Quando leio ou escuto o que esses especialistas escrevem ou dizem, sinto, com toda sinceridade, um misto de angústia e culpa por preparar e incentivar os meus alunos a ingressarem na Unb. Debaixo da influência de certos professores é bem provável que eles não progridam intelectualmente.

Vicente Faleiros, professor do Departamento de Serviço Social da Unb, colega de departamento de Pedro Demo - aquele que odeia sala de aula - acredita piamente que as escolas particulares são as culpadas pelas cenas de violência que alguns adolescentes protagonizaram na última sexta-feira no Parque da Cidade. Em quê ele se baseia para acusar com tanta convicção as escolas privadas? Ora, é simples: essas escolas só pensam em ganhar dinheiro, o que para o especialista deve ser um crime. Como só tem visão mercadológica, as escolas privadas, diz o especialista sobre violência contra a criança e o adolescente, não discutem o tema da violência em sala de aula. Pior: escondem dos pais casos de violência porque temem, vejam só, que os pais optem por cancelar ou evitar as matrículas dos seus filhos na escola. Leiam uma vez mais esse trecho da matéria:

“A rede privada de ensino escamoteia essa realidade, tem um tipo de cegueira para discutir o problema. Mas ela precisa abrir a conversa com os adolescentes sobre a problemática”, afirma o especialista em violência contra a criança e o adolescente. A omissão, diz, está relacionada à lógica de mercado dos estabelecimentos privados que se preocupam em conquistar cada vez mais clientelas.

Para alcançarem esses objetivos, declara Faleiros, elas [as escolas privadas, não esqueçam] tentam vender imagem de harmonia e paz às famílias.“Se eles apresentarem qualquer sinal de violência, os pais podem recusar em matricular seus filhos. Por isso elas resolvem os problemas escondendo ou expulsando os meninos quando praticam algum ato considerado violento”, analisa.

Por outro lado, afirma o professor, as escolas públicas estão mais abertas ao tipo de discussão, embora sejam palco de atos violentos de adolescentes. "É preciso impor limites. Eles estão no momento de construção da identidade e a escola tem que dar uma atenção especial para essa fase da vida", diz.



Que eu, Zé Paulo, escreva de forma tosca, é plausível. Afinal, não tenho mestrado, pós-graduação ou doutorado. Sou um vira-lata. Meu único título é o diploma de licenciatura em História e nem é o mais importante. O título que mais me orgulho é o de vice-campeão do Torneio de Futebol da Praça Almeida Belo em Olinda quando eu tinha 13 anos. Agora, um professor universitário, um especialista que escreve ou fala o que vai acima, é um sinal dos tempos!

Sabe o que está por trás das declarações desse especialista? O esquerdismo de miolo mole. Isso mesmo. O que esse professor odeia, mas não confessa por pudor, é o sistema privado de ensino. Para ele, o ideal é que as escolas fossem todas públicas. Ele odeia o livre-mercado. Por isso, quando teve a chance de comentar o caso dos adolescentes que se envolveram em confusão ao saírem da escola, tachou a rede privada de ensino, de responsável, porque omissa, pela ação desses meninos. Faleiros, com despudor, declarou, só para eu corar de vergonha, que apesar da escola pública também apresentar casos semelhantes envolvendo alunos, nela a discussão sobre violência é mais, como é mesmo Faleiros?, aberta. É isso? A contradição é evidente ou eu preciso desenhar?

Algumas perguntas básicas, professor: se o seu argumento for verdadeiro, como o senhor explica que pouco mais de 10 alunos num universo de 1600 que estão matriculados na colégio La Salle tenham participado desses atos vergonhosos? Não deveriam ter sido todos ou pelo menos a maioria? Como o senhor explica os exemplos semelhantes e às vezes mais graves de atos violentos entre alunos de escola pública? Afinal, nessas escolas não há razões mercadológicas, há? Nessas escolas o tema da violência não é escamoteado, é? Não seria mais honesto explicar que ações desse tipo decorrem mais da carência de valores morais, familiares, éticos e religiosos? Que a ausência da família na vida de muitos adolescentes e até de uma certa atração pelo mal e pela destruição que alguns jovens sentem, contribuem para atos dessa natureza? Estou dividindo a culpa das escolas com a família e com outras instituições? Não. Estou afirmando que as escolas não tem culpa. Nem a da omissão.

Mais adiante, a professora de Psicologia, Ângela Branco, também da Unb, concorda que as escolas não promovem no ambiente escolar uma "cultura da paz". Embora a professora Ângela não esqueça da responsabilidade familiar ou mesmo da espetacularização da violência na imprensa - eu também diria da banalização do mal - na sua análise do caso que envolveu alguns alunos de escolas privadas em atos violentos - ela não exime as instituições privadas da responsabilidade no problema, afinal, segundo a psicológa, a "cultura da paz" é relegada a segundo plano nos colégios particulares.

Eu fico aqui pensando em que mundo esses acadêmicos de gabinete vivem. Será que eles pensam que nas escolas privadas os professores, entre um conteúdo e outro, incentivam os alunos a atos violentos? Que não discutem em sala, valores? Se esses especialistas descessem do pedestal onde se colocam e visitassem as escolas cristãs em Brasília, veriam que a realidade é bem diferente. No La Salle, por exemplo, os valores cristãos, a dimensão espiritual do aluno, os temas da violência, a valorização da família, os programas de voluntariado, tudo isso faz parte de nossa realidade pedagógica desde o ensino infantil até o ensino médio. Como no La Salle, aposto que nas demais escolas cristãs não é diferente. Agora, não se pode ter a pretensão de que todos os alunos aceitarão a proposta. Mesmo assim, não custa lembrar: os alunos que estavam com o uniforme da escola e que participaram mais diretamente da confusão, matricularam-se no colégio este ano. Portanto, não eram alunos lassalistas. Mas ainda que fossem, será que por causa de alguns, a escola como um todo deveria ser responsabilizada? Acusada de promover a violência ou de não incentivar a paz? É óbvio que não.

O chique, hoje em dia, é compartilhar a culpa. Se o aluno para quem eu dou aula comete um crime, faz arruaça, agride ou é agredido, tenho, para atender a metafísica influente, que reconhecer que sou culpado também? Comigo isso não cola! Não sou! Eu aceitaria a culpa se em sala de aula esse aluno fosse incentivado por mim a agir dessa forma. Não é. Nunca será. Nem por mim, nem por qualquer outro colega de trabalho, garanto.

Quem é ou foi meu aluno sabe que sou um dos maiores críticos do consumo de bebida alcoólica entre os jovens. Não houve uma turma nos dez anos que dou aula, onde não expus os perigos do consumo de álcool. Isso evita que alguns bebam até cair? Claro que não. Repito: as escolas cristãs da rede privada, professor Faleiros, não são formadas por cúpidos, não senhor. Nelas não há desonestos nem amorais que escamoteiam o tema da violência nas salas de aula, mesmo porquê é IMPOSSÍVEL esconder esse assunto infelizmente tão presente nos noticiários. Muito menos, somos levianos a ponto de "vender" ilusões para as famílias. Venha conhecer o colégio La Salle, professor e o senhor verá que falou uma enorme bobagem. É isso que dá se enterrar em gabinetes e misturar ideologia com análise.

Estamos bem de especialistas na Unb, hein!





9 comentários:

Everton Alves disse...

Excelente colocação professor José Paulo. Gostatia ainda de lembrar que não foram pouco mais de 10 alunos e sim 4 alunos, já identificados pela direção onde sequer os pais tiveram a dignidade de comparecer por conta própria a escola para justificar o ocorrido. Mostra realmente a ausência( ou omissão) por conta da família.

Sergio disse...

Zé como já havia conversado com vc, na quarta-feira iremos elaborar uma resposta ao artigo publicado pelo professor da UnB. Sua indignação/artigo/resposta a publicação é pertinente, porém vamos dar um outra roupagem e enviar. Valeu Sérgio

Kênia Pessoa disse...

É, Zé Paulo... Vamos torcer para que o professor [especialista] assista aos noticiários diariamente, e não somente em momentos extraordinários. Será que ele está acompanhando, também, o julgamento dos "alunos públicos", acusados de matar o diretor de uma escola [PÚBLICA], por denunciar o tráfico de drogas no estabelecimento de ensino??? E o caso (talvez já esquecido)do professor agredido por "alunos públicos", por impedir a entrada de tais elementos na escola [PÚBLICA], uma vez que ameaçavam perigo aos demais alunos? Isso é fato! É NOTÍCIA DIÁRIA! É alerta!

Ricardo Rayol disse...

Meu amigo, além de tudo o que escreveu faltou dizer que a responsabilidade de ensinar o caminho certo é dos pais, a escola é apenas um auxiliar na formação do aluno.

Mandou bem.

Igor Otero disse...

É muito fácil colocar a culpa de tudo na escola.
Eu acho que o Faleiros ficou especialista demais e até suas explicações estão muito especializadas - ele só conseguiu enxergar a escola como a responsável única e total por esse ato de vandalismo.
Eu faço uma análise muito mais ampla... Acho que existe uma genética da violência em nós, seres humanos - especialmente os machos, pois, muitas vezes, nossos ancestrais biológicos no passado tinham que lutar e vencer outros fisicamente mesmo para se reproduzir.
O fato da grande a maioria de nós tenha se civilizado e continuar se civilizando (por meio da família, da escola, da religião, do policiamento, da mudança dos costumes) não significa que não existam exceções.
Para mim, esse episódio da briga no parque foi uma explosão grosseira de juventude toscamente masculina e inconsequente de minorias que ainda não conserguiram enxergar o quanto a violência e a falta de civilidade pode ser prejudicial para eles e para os outros...
A escola não é a única a educar e a civilizar e, infelizmente, mesmo quando o faz, ela nem sempre atinge a todos. Assim como alguns alunos necessitam de mais tempo para aprender certos conteúdos científicos, esses alunos talvez precisem de mais tempo para amadurecer emocionalmente e moralmente.

Abraços,
Igor

Larissa M. disse...

é, realmente é fácil colocar a culpa na escola.
Mais também nao acho correto afirmar que só as escolas particulares não tem culpa das violências que acontecem, porque mesmo nas escolas públicas não tem culpa do que acontece. Um aluno que passa a vida toda vendo violência pela cidade, a mídia toda hora colocando principalmente na televisão, pessoas brigando, batendo, matando, não é difícil entrar em uma briga dessas.
Uma coisa tenho certeza, que no La salle tem muitas palestras sobre violência, drogas e bebidas. Ninguém omite nada sobre isso, todos os alunos assistem todas essas palestras.
Então concluimos que não devemos culpar nenhum colégio disso, e sim a base de um aluno que comete esses atos de violência, que com certeza nao começou no La Salle.


abraço.

Vinicius disse...

Boa noite Zé, acho sim que o professor da UnB exagerou na sua colocação, porém discordo desta sua frase: "Mesmo assim, não custa lembrar: os alunos que estavam com o uniforme da escola e que participaram mais diretamente da confusão, matricularam-se no colégio este ano."
Afinal, se a culpa não era das escolas, pq ressaltar que os alunos eram recem matriculados no nosso ensino cristão lasalista?
Talvez, a culpa tenha sido de outras escolas, que tiveram maior quantidade de alunos no caso, estas omitem os ensinamentos sobre cidadania e humanidade?
Que a culpa não é toda da escola todos sabem, afinal, a base da eduação vem da familia, e é apenas polida na escola, o que afirmo: o La Salle faz muito bem, então não devemos tirar da reta e afirmar que os alunos eram novos, recem chegados e não eram alunos do La Salle, eles eram alunos do La Salle sim, novos, mas alunos do La Salle.Podemos é conversar com os alunos e lhes mostrar a verdadeira postura Lasalista.

Abraço,
Vinicius Ribas

Zé Costa disse...

Vinicius, mesmo que os alunos envolvidos estudassem no La Salle desde pequenininhos, mesmo assim, penso, a escola não poderia ser responsbilizada.

Afirmar que os alunos eram novos, não é tirar o corpo fora não. É constatar um fato. Fato que desmoraliza, diga-se, a opinião do especialista.

Não custa lembrar também que vestir o uniforme da escola não torna o aluno um lassalista, formado no carisma de Joao Batista de La Salle. Esse carisma vem com o tempo, o que, infelizmente, esses meninos não tiveram tempo de conhecer.

Faith disse...

Concordo plenamente com o senhor, Zé Paulo! É um absurdo esses "especialistas" que vivem em um mundinho completamente alheio ao nosso e se acham com razão. Por que eles não decem de seu pedestal antes de falar algo? Atenciosamente, uma também lassalista.