15 janeiro, 2009

Mãe e filho


O resultado do exame de DNA comprovou que o bebê Gabriel é mesmo filho de Alexandre Maciel e Alexsandra Santos de Oliveira. Qual a relevância da informação? Ora, os pais de Gabriel têm a pele preta e o bebezinho não só tem a pele branca como os olhos azuis. A mãe, de 25 anos, desconfiou de troca de bebês e exigiu que o hospital Azevedo Lima, em Niterói, fizesse um exame de DNA.

Em tempos de cotas, melhor sorte teria o pequeno Gabriel se tivesse nascido com bem mais melanina, não acham?

Eis mais uma prova cabal de que essa idéia racialista de dividir a população brasileira pela cor da pele é uma estupidez. "Ah, você fala isso porque tem a pele branca e nunca sofreu discriminação", atacam-me alguns bocós. Beócios! Minha mãe tem a pele preta e os meus beiços denunciam logo minha ascendência africana. Já fui discriminado por ser pobre, por não saber comer de garfo, por ser do nordeste e nunca me abati com isso. Eu canto e ando para quem me discrimina seja por qual motivo for. Ademais, racismo é crime. Encontre um racista e o denuncie.

Imaginem Gabriel com 18 anos prestando vestibular na Unb:

- Você tá louco, rapaz? Inscrever-se por cotas?

- Por que não? Meus pais são negros e aqui está meu exame de DNA para comprovar minha origem.

- Que é isso, rapá? Você branquinho do olho azul querendo cotas, cai fora!

- Maldita genética!

14 janeiro, 2009

Antes de condenar Israel, leia isto! 2

O POVO É RESPONSÁVEL POR SUAS ESCOLHAS

Ali Kamel, editor executivo de Jornalismo da Globo e colunista de O Globo, escreve hoje sobre o conflito em Gaza. E, para não variar, vai ao ponto. Segue seu texto.*


Eu acredito em eleições. E acredito que o povo sempre tem a capacidade de julgar o que considera bom para si. Isso não quer dizer que o povo acerte sempre: não são poucas as vezes em que a decisão mostra-se errada no futuro. Não importa, no momento em que comparece às urnas, certo ou errado, o povo é responsável por suas escolhas.

Por que essa conversa? Porque isso não me sai da mente quando vejo, chocado, os bombardeios em Gaza. Em 2006, houve eleições para escolha do primeiro-ministro palestino. Era um contexto em que os EUA clamavam pela democratização do mundo árabe. Quando o Hamas saiu-se vitorioso, muita gente, diante dos lamentos dos americanos, riu, dizendo algo assim: “Ora, não queriam democracia? Agora o povo vota, escolhe o Hamas e os EUA lamentam? Então democracia só vale quando ganham os aliados?” Na época, escrevi que a simples presença do Hamas nas eleições mostrava que aquilo não era uma democracia: porque democracia não é o regime em que todas as tendências disputam o voto; democracia é o regime em que todas as tendências que aceitam a democracia disputam o voto. Como o Hamas prega uma teocracia, um sistema político que o aceita como legítimo aspirante ao poder não pode ser chamado de democracia. Seja como for, tendo sido democráticas ou não, aquelas eleições expressaram a vontade do povo: observadores internacionais atestaram que o pleito transcorreu sem fraudes.

E o que pregava o Hamas na campanha de 2006? Antes, para entender o linguajar, é importante lembrar que o Hamas não aceita a existência do Estado de Israel, chamado de “Entidade Sionista”. Assim, quando se refere à “Palestina”, o Hamas engloba tudo, inclusive Israel. Destaco aqui três pontos do programa eleitoral (na disputa, o grupo deu-se o nome de “Mudança e Reforma”): “A Palestina é uma terra árabe e muçulmana”; “O povo palestino ainda está em processo de libertação nacional e tem o direito de usar todos os meios para alcançar esse objetivo, inclusive a luta armada”; “Entre outras coisas, nosso programa defende a “Resistência” e o reforço de seu papel para resistir à Ocupação e alcançar a liberação. A ‘Mudança e Reforma’ vai também construir um cidadão palestino orgulhoso de sua religião, terra, liberdade e dignidade; e que, por elas, esteja pronto para o sacrifício.”.

Deu para entender? O Hamas propôs um programa segundo o qual não há lugar para judeus na “Palestina”, o uso da luta armada deve ser reforçado para se livrar deles e os cidadãos comuns devem estar preparados para se sacrificar (morrer) pela religião, pela terra, pela liberdade e pela dignidade.

Havia alternativa? Sim, apesar da ambigüidade eterna, o Fatah do presidente Mahmoud Abbas (e, antes, de Yasser Arafat), na mesma eleição pregava a saída de Israel dos territórios ocupados em 1967, a criação de um Estado Palestino com sua capital em Jerusalém e uma solução para os refugiados de 1948 com base em resoluções da ONU, uma agenda que só parece moderada porque é comparada à do Hamas. Embora estimulasse e declarasse legítima a resistência à ocupação, a novos assentamentos judaicos e à construção do muro de proteção que Israel ergue entre a Cisjordânia e seu território, o Fatah declarava expressamente: “Quando o imortal presidente Arafat anunciou em 1988 a decisão do Conselho Nacional Palestino, reunido naquele ano, de adotar a ‘solução histórica’, que se baseia no estabelecimento de um Estado independente Palestino lado a lado com Israel, ele estava de fato declarando que o povo palestino e suas lideranças tinham adotado a paz como um opção estratégica.”

E qual foi a decisão dos palestinos? Num sistema eleitoral que adota o voto distrital misto, o Hamas ganhou tanto no voto proporcional quando nos distritos, abocanhando 74 dos 132 assentos do parlamento. Ou seja, diante do desgaste de 40 anos do Fatah, e das denúncias de corrupção que pairavam sobre o movimento, os palestinos deixaram a paz de lado e optaram pela promessa de pureza divina e dos foguetes do Hamas. Meses depois, uma luta interna feroz entre os dois grupos teve lugar e resultou numa divisão territorial: o Fatah ficou com a Cisjordânia, onde a situação é de calma, e o Hamas ficou com Gaza, de onde continuou pregando o programa aprovado pelos eleitores: enfrentamento armado, mesmo tendo consciência do que isso acarretaria.

Diante disso, dá para dizer que os palestinos de Gaza são inocentes vítimas do jugo do Hamas e de uma reação desproporcional dos israelenses?

Olha, eu deploro a guerra, lamento profundamente a morte de tanta gente, especialmente de crianças, vítimas de uma guerra de adultos. Vejo as bombas, e fico prostrado, temendo que o bom senso nunca chegue. Mas isso não me impede de ver que a guerra, com suas consequências, foi uma escolha consciente também dos palestinos de Gaza. Retratá-los como despossuídos de todo poder de influir em seus destinos não é mais uma verdade desde 2006.

Parecerá sempre simplificação qualquer coisa que se diga num espaço tão curto, em que é preciso deixar de lado as raízes desse conflito e a trama tão complicada que distribuiu culpa e vítimas por todos os lados. Mas não consigo terminar este artigo sem dizer: para que haja paz, os dois lados têm de ceder em questões tidas como inegociáveis, o apelo às armas têm de ser abandonado, o Estado Palestino deve ser criado ao lado de Israel, cujo direito a existir não deve ser questionado. Se isso acontecer, muitos árabes e israelenses daquela região não se amarão, terão antipatias mútuas, mas viverão lado a lado.

Utopia?

* Extraído do blog do Reinaldo Azevedo.

12 janeiro, 2009

O fim do capitalismo. Será?

A ganância do bem.

Por Ferreira Gular, ontem, na Ilustrada

HOJE EM dia, quando os apressados falam do fim do capitalismo, eu, na minha condição de "especialista em ideias gerais" (Otto Lara Resende), lembro que isso dificilmente acontecerá pelo simples fato de que o capitalismo, ao contrário do socialismo, não foi inventado por ninguém.

Não praticaria a blasfêmia de afirmar que foi criado por Deus, conquanto há quem garanta que o foi pelo Diabo. Como sou pouco afeito a questões teológicas, prefiro acreditar que ele nasceu espontaneamente do processo econômico, ao longo do tempo.

Costumo dizer que o capitalismo é quase como um fenômeno natural e, de fato, parece-me ter da natureza a vitalidade, a amoralidade e o esbanjamento perdulário, dizendo melhor: cria sem cessar e, com a mesma naturalidade, destrói o que criou.

Por exemplo, a natureza faz nascer milhões de seres e, de repente, inunda tudo e mata quase todos. Mas, ao fazê-lo, gera outras vidas. E parece dizer: "Que se danem", como faz e diz o capitalismo, mantidas as devidas proporções.

Já o socialismo foi inventado pelos homens, para corrigir o capitalismo, para introduzir nele a justiça. Os inventores do socialismo, em face da ferocidade do capitalismo nascente, em meados do século 19, sonharam com uma sociedade em que todos teriam os mesmos direitos e as mesmas oportunidades. Entendiam que a chamada democracia burguesa era, na verdade, uma ditadura da burguesia e que deveria ser substituída pela ditadura do proletariado.

Seria esta uma ditadura justa porque exercida, não pelos que usufruem do trabalho alheio e, sim, pelos que trabalham e produzem a riqueza da sociedade. O resultado final dessa revolução seria a criação da sociedade sem classes. É verdade que ninguém nunca soube o que seria essa sociedade e nem Karl Marx, o seu inventor, chegou a defini-la.

Como se sabe, na segunda década do século 20, a revolução socialista deixou de ser mero sonho para se tornar realidade, assustando os capitalistas e levando-os a atender muitas das reivindicações dos trabalhadores. Quatro décadas depois, boa parte da Europa e da Ásia vivia sob regime socialista. No entanto, antes que o século terminasse, o socialismo real desmoronou, para o espanto, sobretudo, das pessoas que nele viam o futuro da humanidade.

Ao contrário do que muitos temiam, não foram os exércitos capitalistas que o derrotaram, não foram foguetes norte-americanos com bombas nucleares que deram fim ao poder do Kremlin. Não, na verdade, ele foi liquidado por uma espécie de colapso interno fulminante, que não foi militar, mas econômico. O socialismo perdeu a disputa econômica com o capitalismo.

Em visita à Ucrânia, em 1972, ouvi um dirigente do partido comunista ucraniano dizer que tudo o que aquela república soviética produzia se devia à ação do partido, o verdadeiro motor de sua economia. Pois essa afirmação talvez explique o fracasso do socialismo: como poderia meia dúzia de burocratas fazer funcionar a economia de um país?

E explica também por que o capitalismo não morre e por que não foi preciso inventá-lo: vive da ambição de cada um, da iniciativa de cada pessoa que quer melhorar de vida, produzir, vender, comprar, revender, lucrar, enriquecer, sem que ninguém a obrigue a isso, muito pelo contrário.

Em lugar de um comitê dirigente que determine o que deve ser feito, no capitalismo milhões fazem o que conseguem fazer, atendendo às necessidades do possível comprador, no afã de ganhar dinheiro. Isso explica a vitalidade do regime e, ao mesmo tempo, muitas vezes, o vale-tudo para alcançar o lucro máximo.

O planejamento socialista, se evitava o desperdício, inibia a produção, o que resultava em outro tipo de desperdício, sendo o maior de todos, o dos talentos empreendedores que não encontravam campo para se realizar. Uma visão equivocada do capitalismo ignorava o papel fundamental do empresário, cujo investimento em ideias e dinheiro gera empregos e riqueza.

Se o socialismo nasceu do que há de melhor no ser humano -o senso de justiça e a fraternidade-, o capitalismo, se não surgiu do que há de pior em nós, é, não obstante, a cada momento, movido por ele, ou seja, pela ganância sem limites e sem escrúpulos. No entanto, essa ganância é que o faz gerador de riqueza.

Admitindo-se como verdade que o capitalismo não morrerá -mesmo porque as crises, em vez de matá-lo, o renovam-, a solução é encontrar um meio de torná-lo bom, incutindo-lhe a "ganância do bem". Isso, bem entendido, se o Diabo deixar.

Antes de condenar Israel, leia este post!


Extremismo é o pior inimigo palestino Por Bernard-Henry Lévy, na Folha:

1. Nenhum outro governo, nenhum país -a não ser o vilipendiado Israel, sempre demonizado- toleraria ter suas cidades como alvo de milhares de obuses a cada ano. A coisa mais notável nisso tudo, a verdadeira surpresa, não é a "brutalidade" de Israel, mas sim, literalmente, sua paciência.

2. O fato de que os mísseis Qassam e agora Grad do Hamas tenham causado tão poucas mortes não prova que são artesanais, inofensivos nem nada assim, mas sim que os israelenses se protegem, que vivem emparedados nas cavernas de seus edifícios, em abrigos: uma experiência fantasmagórica, suspensa, em meio ao som das sirenes e explosões. Já estive em Sderot; sei do que falo.

3. O fato de que, inversamente, o bombardeio israelense tenha causado tantas vítimas não significa, como proclamam zangadamente os oponentes, que Israel esteja envolvido em um "massacre" deliberado, mas que os líderes de Gaza optaram pela atitude oposta e estão expondo sua população, confiando na velha tática do "escudo humano". O que significa que o Hamas, como o Hizbollah dois anos atrás, está instalando seus postos de comando, suas casamatas, seus arsenais, nos porões de edifícios residenciais, hospitais, escolas, mesquitas. Eficiente, mas repugnante.

4. Há uma diferença crucial entre os combatentes que aqueles que desejam ter uma ideia "correta" sobre a tragédia e sobre as maneiras de pôr fim a ela precisam admitir. Os palestinos abrem fogo contra cidades, ou, em outras palavras contra civis (o que a lei internacional define como "crime de guerra"); os israelenses tomam por alvo objetivos militares e causam, sem que o desejem, baixas civis horríveis (o que a linguagem da guerra define como "dano colateral" e, embora terrível, indica uma verdadeira assimetria estratégica e moral).

5. Porque precisamos colocar os pingos nos is, recordemos uma vez mais um fato que a imprensa pouco citou e do qual não conheço precedente em qualquer outra guerra ou da parte de qualquer outro exército. Durante a ofensiva aérea, o Exército israelense apelou constantemente a moradores de Gaza que vivem perto de alvos militares para que deixassem essas áreas. Um ministro israelense disse que 100 mil pessoas foram contatadas. Isso não altera o desespero de famílias cujas vidas foram dilaceradas pela carnificina, mas não se trata de um detalhe totalmente desprovido de sentido.

6. Por fim, quanto ao famoso bloqueio total imposto a um povo faminto ao qual falta tudo nesta crise humanitária "sem precedentes": uma vez mais, a definição não é factualmente correta. Desde o começo da ofensiva terrestre, os comboios de assistência humanitária vêm cruzando incessantemente a passagem de Kerem Shalom. Segundo o "New York Times", em 31 de dezembro cerca de cem caminhões transportando suprimentos de comida e remédios entraram no território. E aproveito para invocar, nem que seja apenas para preservar a lembrança dessa verdade (pois creio que seria desnecessário dizê-lo, ou talvez seja melhor dizê-lo de vez), o fato de que os hospitais israelenses continuam a receber e tratar palestinos feridos, a cada dia.



06 janeiro, 2009

Uma fábula atual

Sou mesmo um escritor de meia tigela. Minhas idéias, um misto de confusão e devaneios. Ainda bem que existem escritores como o lusitano João Pereira Coutinho, colunista da Folha, que de maneira ddática, bem pueril, explica não só este, mas a história de todos os conflitos entre Israel e seus vizinhos hostis. Chega de minha prosa capenga. Fiquem com Pereira Coutinho.

Mudar as palavras

Israel está novamente em guerra com os terroristas do Hamas, e não existe comediante na face da Terra que não tenha opinião a respeito. Engraçado. Faz lembrar a última vez que estive em Israel e ouvi, quase sem acreditar, um colega meu, acadêmico, que em pleno Ministério da Defesa, em Jerusalém, começou a "ensinar" os analistas do sítio sobre a melhor forma de acabarem com o conflito. Israel luta há 60 anos por reconhecimento e paz.
Mas ele, professor em Coimbra, acreditava que tinha a chave do problema. Recordo a cara dos israelenses quando ele começou o seu delírio. Uma mistura de incredulidade e compaixão.

Não vou gastar o meu latim a tentar convencer os leitores desta Folha sobre quem tem, ou não tem, razão na guerra em curso. Prefiro contar uma história.

Imaginem os leitores que, em 1967, o Brasil era atacado por três potências da América Latina. As potências desejavam destruir o país e aniquilar cada um dos brasileiros. O Brasil venceria essa guerra e, por motivos de segurança, ocupava, digamos, o Uruguai, um dos agressores derrotados.

Os anos passavam. A situação no ocupado Uruguai era intolerável: a presença brasileira no país recebia a condenação da esmagadora maioria do mundo e, além disso, a ocupação brasileira fizera despertar um grupo terrorista uruguaio que atacava indiscriminadamente civis brasileiros no Rio de Janeiro ou em São Paulo.

Perante esse cenário, o Brasil chegaria à conclusão de que só existiria verdadeira paz quando os uruguaios tivessem o seu Estado, o que implicava a retirada das tropas e dos colonos brasileiros da região. Dito e feito: em 2005, o Brasil se retira do Uruguai convencido de que essa concessão é o primeiro passo para a existência de dois Estados soberanos: o Brasil e o Uruguai.

Acontece que os uruguaios não pensam da mesma forma e, chamados às urnas, eles resolvem eleger um grupo terrorista ainda mais radical do que o anterior. Um grupo terrorista que não tem como objetivo a existência de dois Estados, mas a existência de um único Estado pela eliminação total do Brasil e do seu povo.

É assim que, nos três anos seguintes à retirada, os terroristas uruguaios lançam mais de 6.000 foguetes contra o Sul do Brasil, atingindo as povoações fronteiriças e matando indiscriminadamente civis brasileiros. A morte dos brasileiros não provoca nenhuma comoção internacional.

Subitamente, surge um período de trégua, mediado por um país da América Latina interessado em promover a paz e regressar ao paradigma dos "dois Estados". O Brasil respeita a trégua de seis meses; mas o grupo terrorista uruguaio decide quebrá-la, lançando 300 mísseis, matando civis brasileiros e aterrorizando as populações do Sul.
Pergunta: o que faz o presidente do Brasil?

Esqueçam o presidente real, que pelos vistos jamais defenderia o seu povo da agressão.

Na minha história imaginária, o presidente brasileiro entenderia que era seu dever proteger os brasileiros e começaria a bombardear as posições dos terroristas uruguaios. Os bombardeios, ao contrário dos foguetes lançados pelos terroristas, não se fazem contra alvos civis -mas contra alvos terroristas. Infelizmente, os terroristas têm por hábito usar as populações civis do Uruguai como escudos humanos, o que provoca baixas civis.

Perante a resposta do Brasil, o mundo inteiro, com a exceção dos Estados Unidos, condena veementemente o Brasil e exige o fim dos ataques ao Uruguai.

Sem sucesso. O Brasil, apostado em neutralizar a estrutura terrorista uruguaia, não atende aos apelos da comunidade internacional por entender que é a sua sobrevivência que está em causa. E invade o Uruguai de forma a terminar, de um vez por todas, com a agressão de que é vítima desde que retirou voluntariamente da região em 2005.

Além disso, o Brasil também sabe que os terroristas uruguaios não estão sós; eles são treinados e financiados por uma grande potência da América Latina (a Argentina, por exemplo). A Argentina, liderada por um genocida, deseja ter capacidade nuclear para "riscar o Brasil do mapa".

Fim da história? Quase, leitores, quase. Agora, por favor, mudem os nomes. Onde está "Brasil", leiam "Israel". Onde está "Uruguai", leiam "Gaza". Onde está "Argentina", leiam "Irã". Onde está "América Latina", leiam "Oriente Médio". E tirem as suas conclusões. A ignorância tem cura. A estupidez é que não.

04 janeiro, 2009

Direto da Faixa de Gaza

Abdulah e Hamas, conversando em Jabalia, norte de Gaza.

O blog Typhis Pernambucano, seguindo a sugestão do amantíssimo presidente Lula, abriu dois novos postos de trabalho, dinamizando a economia do país e gerando receita para a Receita. Depois de meses negociando com o inescrupuloso sistema financeiro internacional, conseguiu, a juros módicos de 45% ao mês, um empréstimo subprime no Citibank. O dono do blog, nacionalista integralista de linha monetarista, tentou um empréstimo junto à Caixa Econômica Federal, mas a mesma emprestou tudo o que tinha à Petrobrás.


Àqueles que querem seguir o exemplo, o blog informa que empenhou o vira-lata Saci – cachorro simpático que anda sem pressa desde que perdeu a perna traseira num atropelamento na W3 Sul, declarando o mesmo como um fila brasileiro campeão de inteligência animal num concurso promovido pelo Gugu Liberato. Também empenhou todo o seu acervo literário composto de 5 livros didáticos de português e 3 gramáticas ainda fechadas e no plástico e sem as mudanças do novo acordo ortográfico da língua portuguesa que deve estender os erros de ortografia da nossa língua para países que sempre se gabaram de ter um baixíssimo percentual de erros ortográficos, como o Timor Leste que até há pouco sequer existia como país e São Tomé e Príncipe, que o dono do blog, o cúpido Zé Paulo, enganando a todos, dizia tratar-se do título do mais novo filme da Leila Lopes.


Com parte dinheiro do empréstimo, o blog enviou para a Faixa de Gaza, com passagem só de ida, o cunhado do dono do blog, que por motivo de segurança será chamado aqui de Ali Omar Abdulha, libanês recém chegado do Paraguai. Com roupas típicas de um domingo no Parque da Cidade, nosso enviado especial conseguiu uma entrevista exclusiva com os nativos do lugar, mas por conta da força desproporcional israelense, só conseguiu enviar uma, das mais de 200 entrevistas que fez nas três horas que ficou na cidade de Jabalia, norte de Gaza. Fiquem com a entrevista.


Queridos leitores do Blog. Aqui quem fala é Ali Omar Abdulah, direto da Faixa de Gaza. A ideia era fazer um podcast, mas o sistema do blog é Windows Vista que não aceita essa ferramenta, por isso vai assim mesmo, escrito.


TP: Bom dia, Hamas, como está sua célula terrorista... Quer dizer... Não... Tudo bem, pode virar essa pistola para lá. Quis dizer como está sua célula de resistência, após os ataques amaldiçoados da Força Aérea Israelense?


Hamas: Alah seja louvado e Mohammad, nosso Profeta, abençoado. A imprensa ocidental judaico-cristã está registrando tudo e se não houver censura, o mundo vai ver que os malditos judeus, essa raça de víboras, está matando crianças, velhos, velhas, nem os camelos eles estão poupando com esses ataques. Queremos paz, mas enquanto Israel existir, a paz será impossível.


TP: Nosso blog, não se preocupe, vai contar a história toda e sem censura. Essa prática infame de não mostrar o que o povo quer ver só existe na TV Brasil e em democracias populares como Cuba, China e Coréia do Norte. Nos países ocidentais, onde reina o perverso sistema capitalista e os valores dissolutos do liberalismo, a censura, graças a Deus, digo, a Alah, ainda não existe. O ocidente, esse lugar de gente ruim, acusa os grupos terroristas... Ai! Calma! Não precisa rasgar minha mão com esse punhal! Acusa os grupos de resistência pela libertação da Palestina de castigar Israel com centenas de foguetes russos, iranianos, dizem que até foguetes brasileiros, provocando a morte de muitos israelenses. Só no último ano, seis judeus morreram vítimas desses ataques.


Hamas: Chegou um carregamento do Brasil, mas os foguetes não funcionaram, não todos. Os que conseguiram ser lançados eram, na verdade, luzes de Bengala, sobra das festas de réveillon de 2007, em Copacabana. Se esse povo do Livro lesse as escrituras, saberia que essa luta assemelha-se àquela travada entre David e Elias, onde nós, o glorioso povo palestino, desempenha o papel de Davi e eles, o de Elias.


TP: Não seria David e Golias, Hamas? Aprendi nas aulas de ensino religioso da escola, por isso o corrigi, desculpe. Não precisa amarrar esse cinturão de granadas no meu corpo só por causa de uma questão de nomes, rapá. continuando: o jornalismo marrom de revistas como Veja e telejornais tendeciosos como aquele que não ouso dizer o nome sob pena de cair sobre mim terríveis maldições e processos, dizem que o heróico grupo Hamas usa a população civil da Faixa de Gaza como escudo, é verdade?


Hamas: O acento de heroico caiu, seu ignorante ocidental.


TP: Caiu não. Só da palavra heroi. Pára de ler o que estou escrevendo. Assim não me concentro.


Hamas: Não existe mais acento diferencial no para, imbecil! Além do mais, os ditongos formados por oi e ei, nas palavras paroxítonas, não devem ter mais acento agudo.


TP: Obrigado, vou corrigir. Sua espada é muito bonita, Hamas!


Hamas: Agora vou responder a sua pergunta. Não é escudo. O povo palestino cede de bom grado as suas casas em troca de remédio e comida que o Hamas entrega gratuitamente para eles, tudo pago por homens bons como Bin Laden e até por ONG’s européias, além da CIR, que de Ronraima envia diamantes garimpados pelos valorosos povos indígenas da Reserva Raposa Serra do Sol. O governo de vocês não tem o Bolsa-Família, ora! Saiba que para causa palestina, não podemos prescindir de toda casa e de todo palestino, até a vitória final, que é fazer com os judeus o que o incompetente do Hitler não fez na década de 40 ou mesmo os cristãos bocós do século XIV, que queimaram um monte de judeus, acusando-os de serem os causadores da Peste Negra. Eles estavam errados quanto à origem da peste, mas não é um ditado de vocês, ocidentais, que Deus escreve certo por linhas tortas? (Aqui ele ri e solta uma rajada de metralhadora em direção ao céu)


TP: As cenas são tristes, Hamas, não há chance para o diálogo, a negociação, um mero cessar-fogo?


Hamas: Os judeus são carniceiros, pois eles negaram os apelos de todos por uma trégua, indispensável para que nós reagrupemos nossas forças e voltemos a ter o poder de fogo que tínhamos antes dos ataques. Enquanto isso, continuaremos lançando foguetes e já convocamos o povo para um dia de fúria, assim que os soldados israelenses invadirem nossa terra.


TP: Vi muita gente fugindo com medo dessa invasão...


Hamas: É que o som da TV Al Jazeera não estava bom e muito pensaram que estávamos convocando a população para um dia de fuga. Por isso muitos tomaram o caminho para o Egito.


Bum! Bum! Bum!


A entrevista precisou ser encerrada, aviões israelenses estão atacando a cidade, precisamos nos esconder, desculpem!