O que mais me espanta no Brasil não é exatamente a popularidade de Lula, mas a coragem de certos jornalistas de defender o indefensável. Sei, há os que escrevem para garantir a marmita, esses "clientes" do poder não fazem jornalismo, fazem outra coisa. São proxenetas das fontes oficiais. Todavia, há gente de bem que para não parecer tendecioso, insiste que o dossiê não merece toda a celeuma que está provocando.
Eu sinto uma enorme vergonha - e confesso isso porque se não confessasse essa culpa me acompanharia e me martirizaria para sempre - de um dia ter acreditado e votado no PT. De todos os erros que cometi na vida, estes - o voto e a crença no PT - foram os mais desastrosos, ao menos para a minha consciência.
Quando vejo na TV Ideli Salvati e Luís Sérgio, lembro na hora do verso de Augusto dos Anjos que diz: "Que ventre produziu tão feio parto?" Quando essas figuras falam na CPI dos cartões corporativos, os meus instintos mais primitivos afloram e sinto gana de cometer uma loucura. O farsante, o canalha, o pau mandado de Zé Dirceu, o deputado carioca Luís Sérgio, relator da CPMI dos cartões corporativos, diante das provas - provas! - de que fora a secretária executiva da ministra Dilma, a responsável pelo "levantamento de dados", vulgo dossiê; declarou que não vê fato suficiente para pedir a convocação da ministra para esclarecer o caso na CPMI. Diz o meliante: "Não vejo motivos de convocar. Qual a razão para isso a não ser o processo da disputa política? A oposição, ao longo do processo, tem uma estratégia em curso de atacar todos os nomes de figuras públicas do PT que ganham notoriedade nacional. A ministra Dilma está sendo atacada porque ela, no Gabinete Civil, deu uma demonstração clara de que é a gerente que o Lula estava precisando. Ganhou credibilidade interna no governo, externa da população." Há como ser civilizado com um canalha dessa natureza?
Em Alagoas, depois de se superar nas bobagens ditas em Pernambuco, o aloprado-mor voltou a atacar a oposição como se ela tivesse esbulhado as instituições. Como se ela fosse a culpada pelo estado policial que esse governo inaugurou. Num palanque, finalmente, ele pagou pelo silêncio de Renan Calheiros, fazendo ao priápico senador alagoano, elogios rasgados. E como acredita que é um ungido, o presidente Lula decretou a inocência de Severino Cavalcanti e de Renan Calheiros. Lula é assim: basta ele dizer que alguém é inocente, é probo, pronto, as provas em contrários são inutéis. Um acinte! Na moral do presidente, o valor de uma acusação não são as provas, mas a dita moral do acusador. Lula declarou em Alagoas que sentiria vergonha de ser acusado por uma mulher ou por um homem honesto, mas ser acusado por quem não tem autoridade moral, isso não! Com essa lógica esquisita, o presidente deu tiro no próprio pé. Quando ele acusar alguém de desonesto, que autoridade moral ele terá? Lula é hoje o mais imoral de todos os presidentes imorais que nós tivemos!
Derrubar Dilma resolve o problema? Não. Já caíram Palocci, Dirceu, Genoíno, já foram pegos com a mão na merda o Marco Aurélio Garcia, o Ricardo Berzoini, a Marta Suplicy e de nada adiantou. Eles continuam serelepes a dar as cartas. O que eles precisam, todos eles, é serem exemplarmente punidos! Os crimes que eles cometeram não foram só contra o estado de direito e a democracia, mas crimes previstos no código penal e sujeitos à penas de reclusão. Cadeia para todos eles! Contudo, ainda que eles fossem punidos, acreditem, esses crimes voltariam a acontecer porque é da natureza do partido.
Sinto vergonha de minha crença pretérita, mas sinto ainda mais vergonha de gente instruída que como um fiel fanático, reconhece que o governo errou, mas justifica o crime dizendo que os outros também erravam. Esse argumento não é de quem pensa ou de quem assumiu a postura ereta e caminha sobre duas pernas, muito pelo contrário.







