13 dezembro, 2008

O gabarito do CESPE - I Etapa

O Cespe já publicou em sua página na internet o gabarito, ainda preliminar, das provas do PAS da I, II e III etapas realizadas na semana passada.


Lembram que havia dois itens, na prova da I etapa, em que "minha equipe" discordou das respostas encontradas por outras equipes bem mais famosas e numerosas que a minha? Pois é... Vou destacar meus acertos nesses dois itens e, para não ser acusado de arrogante, um erro, no item 25; causado não pela ignorância, mas por uma leitura desatenta - basta conferir como justifiquei o item 25 - embora não menos indesculpável.

Comecemos pelos acertos.


Item 18: a maioria afirmava que o item estava errado. Na ocasião, comentei:


"As civilizações antigas, como a chinesa e a egípcia, diante do desafio do cultivo agrícola precisavam conhecer melhor uma série de varáveis que impactavam diretamente na produção agrícola. Dessa forma, saber o período chuvoso e o de estiagem, por exemplo, levaram muitos a uma observação dos fenômenos naturais e astronômicos. A necessidade de dividir os lotes, de mensurá-los de modo a obter uma melhor produtividade, ajudou no desenvolvimento da matemática, sobretudo da geometria. Portanto, a “ciência” dos antigos, como bem diz o item, atendia à necessidades do dia-a-dia.

Sociedades de cultura milenar, como a chinesa e a egípcia, foram pródigas em matéria de conhecimento matemático, astronômico e arquitetônico. É notória e reconhecida pelos próprios gregos antigos, a dívida que os seus geômetras tinham com os matemáticos egípcios. Enfim, o item, para mim, está certo.


Item 92 : Mais uma vez, os reis da floresta diziam: "está errado! Está errado!" E a manada seguiu repetindo o mantra. De novo, segui na contramão. Vejam como justifiquei minha resposta:


"Houve uma polêmica nesse item. Como de praxe, não fui seduzido pela manada. A reforma agrária esteve em pauta no Brasil desde o século XIX, mas foi no século XX que ganhou um viés mais político. A idéia de distribuir terras às famílias pobres como solução para a superação da miséria e das desigualdades esteve presente em trabalhos acadêmicos e em movimentos sociais.


A Guerra de Canudos (1896 – 1897), embora motivada por fatores políticos e com características messiânicas, teve, na sua origem, o problema da concentração de terra nas mãos dos coronéis da Bahia que exploravam os camponeses sem terra e a situação de abandono em que vivia a população sertaneja. Cansados da exploração e muito religiosos, homens e mulheres pobres seguiram o beato Antônio Conselheiro em suas andanças pelo sertão nordestino e com ele fundaram a comunidade de Belo Monte, em Canudos. Em certo sentido, a origem do movimento de canudos é o latifúndio improdutivo, causa das desigualdades e das tensões sociais nos sertões, principalmente em períodos de estiagem. O que os sertanejos desejavam era um pedaço de terra para plantar e uma vida digna. A proposta de Canudos, eles acreditavam, atendia aos seus interesses. Eu marcaria o item como correto. (A maioria dos professores considerou o item errado, lembrando que os canudenses não tinham uma pauta política definida e organizada. Afirmaram que embora rural, o movimento não indicava necessariamente a luta pela terra e, portanto, pela reforma agrária)


Lembro que o conteúdo Guerra de Canudos é do 3° ano do ensino médio. Ainda que os alunos do primeiro ano tenham visto esse conteúdo no 9° ano do ensino fundamental, isso não justifica o erro e o desrespeito da banca em cobrar um conteúdo da 3ª etapa, na primeira."

Agora, a desatenção que provocou o erro.

Para não dizer que acertei tudo, o item 25 da prova do PAS da I etapa está, no gabarito preliminar do Cespe, com uma resposta diferente da minha. Poderia argumentar a meu favor afirmando que nas escolas de Brasília onde pesquisei e que divulgaram seus gabaritos, elas também marcaram o item como correto. Estávamos todos enganados.


Leiam, abaixo, o item 25 e confiram onde errei.


"A conquista do Mediterrâneo foi essencial ao projeto expansionista de Roma, inclusive por lhe ter permitido controlar o comércio de trigo. Incapaz de garantir suficiente mão-de-obra escrava que sustentasse sua economia, o império romano entrou em crise pela ação dos invasores bárbaros que pressionaram suas fronteiras ocidentais"


A parte em negrito torna o item errado. Foi um engano de minha parte. Embora outros tantos professores também tenham incorrido no mesmo erro, não me sinto menos contrangido por isso. Contudo, meu erro não foi tão vexatório quanto o comentário que o ALUB fez sobre esse item. Leiam: "Item 25 C - A fragmentação do Ocidente Romano culminaria na montagem do feudalismo." Um comentário desses não é fruto de uma leitura desatenta, mas de analfabetismo funcional mesmo.


Não vou me esconder na multidão ou posar de vítima. Errei sim e me desculpo. O meu erro , reitero, foi mais pela leitura desatenta do item do que pela ignorância.


A crise do império não foi causada pela "ação dos invasores bárbaros", mas por uma conjuntura ( a partir do século III da era Cristã) marcada pela crise do escravismo, pela perda de prestígio do imperador, pela decadência econômica e etc. Enfim, quando os bárbaros começaram a pressionar as fronteiras ocidentais do império (por volta do século V), o mesmo já estava em crise, sendo, portanto, errado afirmar que o império entrou em crise pela ação dos invasores bárbaros.


Arrematando


Lembram como o ALUB justificou o famoso item 123? Não? Então, eu repito: "A crase em “à ruptura” dá a entender que os Estados Modernos sobrepuseram-se às Reformas Protestantes, o que é incorreto." Na ocasião, comentei: "Hummm... desconfio que o pessoal não saiba nem a função da crase nem o significado do verbo sobrepor. O item está correto. Mas ainda que estivesse errado, digam aí, o comentário esclareceu alguma coisa?" Agora, confiram a resposta do item 123 segundo o gabarito do Cespe.

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