31 dezembro, 2008

O fim do Repórter Esso

Há exatos 40 anos era transmitido pela última vez o programa radiofônico de maior sucesso do Brasil, o “Repórter Esso”. Durante 27 anos (o programa estreou em 1941, na Rádio Nacional), as notícias do Brasil e do mundo chegavam às casas das pessoas pelas ondas do rádio.



A partir de 1 de abril de 1952, às 19:45, também passou a ser transmitido pela TV Tupi e suas afiliadas no Brasil. Contudo, nessa época, a TV estava longe de ser o veículo de massa que é nos dias atuais, de modo que a maior audiência ficava a cargo do programa de rádio.


Não havia, nos primórdios da TV, transmissão em rede nacional. Por isso, o “Repórter Esso” na TV era regionalizado, isto é, em cada cidade onde houvesse uma emissora de televisão afiliada a Tupi, havia um “Repórter Esso” com seu locutor específico. Em São Paulo, pela TV Tupi, teve Kalil Filho com o primeiro Repórter Esso. Na TV Tupi do Rio, Luis Jatobá esteve a frente do jornal por pouco tempo e depois Gontijo Teodoro o assumiu. Em Porto Alegre, na TV Piratini, Helmar Hugo; na TV Rádio Clube do Recife, Edson Almeida; e na TV Itacolomi, de Belo Horizonte, Luiz Cordeiro na apresentação.


Abaixo, duas relevantes fontes históricas sobre o fim do “Repórter Esso”. A primeira foi extraída da edição de 8 de janeiro de 1969 da revista Veja, página 57. Leia!


E atenção: acabou o Repórter Esso*


Vinte e quatro de agosto de 1954. Uma ambulância atravessa a toda velocidade a Rua do Catete, no Rio de Janeiro. Cinco minutos depois ouvia-se, pela Rádio Nacional: “Em edição extraordinária, alô, alô, Repórter Esso, alô!” Rufar de tambores, fanfarras. “Aqui fala o Repórter Esso, porta-voz radiofônico dos revendedores Esso e testemunha ocular da história. Atenção, atenção. Acaba de suicidar-se, com um tiro no peito, o presidente Getúlio Dorneles Vargas”. Durante 27 anos, o Repórter Esso deu em primeira mão as principais notícias do Brasil e do Mundo. Sua característica musical ( de autoria da dupla Haroldo Lobo - Maestro Carioca, satirizada pelos tropicalistas no LP “Panem ET circenses”), seus slogans ( “ O petróleo do Brasil pertencerá sempre ao Brasil, não importa quem o explore ou industrialize”) e principalmente a voz modulada e grave de Heron Domingues ( que fez fama e fortuna graças ao “Repórter Esso”, do qual foi locutor exclusivo durante dezoito anos), tornaram-se populares em todo o Brasil. O programa começou em 1941, na Rádio Nacional.


Preparado pela UPI (United Press International), seguia as normas rígidas e funcionais dos noticiários radiofônicos americanos. Mais de dez emissoras de rádio e TV do País vinham transmitindo regularmente o “Repórter Esso”, quando, no último dia de 1968, a Esso decidiu extingui-lo por “medida de economia”. Manterá, apenas, uma única edição diária, pela TV Tupi (Rio), onde é um dos dez programas de maior IBOPE, apresentado por Gontijo Teodoro. Pontual – muita gente costumava acertar o relógio ao ouvir suas fanfarras -, o “Repórter Esso” emprestou sua legenda para um dos mais famosos apelidos cariocas: Sérgio Porto chamava o jornalista Bricio de Abreu, especialista em reportagens de arquivo sobre o Rio antigo, de “testemunha ocular da história”


A segunda fonte é o áudio do último programa. Ouça-o e passe pela experiência de saber como, há 40 anos, as pessoas ouviam o noticioso mais famoso do Brasil. É particularmente emocionante ouvir a voz embargada do locutor Heron Domingues que com muito esforço anuncia a última transmissão radiofônica do “Repórter Esso.


Reporter Esso - A Ultima Edição - 31/12/1968 - Emocionante




A explicação oficial para o fim do programa dada pela patrocinadora, a multinacional de petróleo, Esso, foi por razões econômicas. É consenso entre os estudiosos que o crescimento da TV no Brasil está entre as razões para o fim do “Repórter Esso”. Da mesma forma, o crescimento da TV Globo e o sucesso do Jornal Nacional que estreou no dia primeiro de setembro de 1969, em rede nacional (fato inédito!) - cujos apresentadores eram Léo Batista e o famosíssimo, por causa do “Repórter Esso”, Heron Domingues - foi uma das razões para o fim do programa também na TV, em 31 de dezembro de 1970.


* Em 1969 as regras de acentuação gráfica eram diferentes das atuais, mas decidi, ao transcrever a matéria, não manter o texto como foi publicado na revista, à época. Aqui você pode conferir a matéria que está na página 57 da edição de 08 de janeiro de 1969.

Um comentário:

Lelec disse...

Muito bacana esse texto sobre o Repórter Esso, Zé. Engraçado é que sinto uma espécie de nostalgia dele, mesmo não tendo sido contemporâneo. Certamente, é por causa das estórias que meu pai conta, sobre o Repórter Esso, o Canal 100... Saudade do que não vi. Êta coração bobo!

Abração e feliz 2009, mon ami!

Lelec