07 dezembro, 2008

I ETAPA DO PAS 2008

Item 11 : Aletrnativa C

Item 13: C

Item 14: E

Item 18: C

Item 24: C

Item 25: C

Item 26 : discursiva

Item 33: E

Item 42: C

Item 47: E

Item 49: E

Item 91: C

Item 92: C

Item 98: E

Item 121: C

Item 122: C

Item 123: C

Item 124: C


O gabarito dos itens em cores divergem do gabarito de outras instituições de ensino.


Ano passado, fiz uma dura crítica à prova da I etapa do PAS, sobretudo à falta de coerência entre os conteúdos vistos na 1ª série do ensino médio e aqueles que foram cobrados na prova do ano passado. Dessa vez, porém, a realidade foi bem diferente. À exceção do item 92 da prova deste sábado,dia 06, que cobrou um conteúdo de 3° ano, os demais itens respeitaram os conteúdos trabalhados no 1° ano.


Alguns itens, principalmente aqueles que pediram respostas discursivas, exigiram dos alunos concatenação de idéias, clareza, coesão e poder síntese. Em suma, habilidades e competências indispensáveis, mas ainda muito incipientes, quando não, deficientes em muitos alunos. Questões assim costumam separar o joio do trigo. Gostei.


Como é de praxe, passo agora ao gabarito dos itens de história e filosofia com os respectivos comentários.


Os erros e os acertos desse gabarito é responsabilidade minha.


Item 11 – Eu marcaria a alternativa C. O texto que dá suporte ao item reflete sobre a importância do domínio da natureza para o advento do sedentarismo. Lembra, porém, que apesar desse domínio ter muito da “vontade” dos primitivos grupos humanos, a natureza, com seus caprichos, também participou desse processo. Baseado nisso, considerei a alternativa C como a resposta correta. Ademais, as outras alternativas contêm enganos evidentes.


Item 13 – A imagem reproduz um típico manso feudal. Ao fundo, o castelo; no plano central, o servo e o seu arado puxado por um cavalo. O castelo medieval, como afirma o item, constituía-se no grande símbolo do poder da nobreza que era senhora das terras, dos servos a da atividade bélica. Não esqueça que na nomenclatura medieval, os nobres eram conhecidos como bellatores. Eu marcaria o item como correto.


Item 14 – Apesar do item não deixar claro se fala da Alta ou da Baixa Idade Média, por ele falar em “inovações técnicas”, associei-o à Segunda Idade Feudal. Ainda assim, marcaria o item como errado.


A agricultura medieval, ainda que pese as inovações agrícolas da segunda idade feudal, não atingiu o dinamismo que o item sugere ter havido. Por essa época e me apoiando em Marc Bloch, muito mais que a atividade agrícola, foi a atividade comercial o grande motor da economia do período e a grande responsável pela crise do feudalismo que caracterizou o fim da Baixa Idade Média. O aumento da produção agrícola e mesmo da produtividade dos campos, causadas pelas inovações técnicas, embora inegáveis, não impediram cenários de escassez nem foram capazes de alimentar a população européia que crescia de maneira significativa na época.

O item ficaria mais claro se a banca tivesse especificado qual dos dois períodos da Idade Média estava se referindo. No entanto, pelas razões expostas, eu marcaria errado.


Item 18 – É preciso decompor esse item em duas partes e comentá-las em separado:


I – As civilizações antigas, como a chinesa e a egípcia, diante do desafio do cultivo agrícola precisavam conhecer melhor uma série de varáveis que impactavam diretamente na produção agrícola. Dessa forma, saber o período chuvoso e o de estiagem, por exemplo, levaram muitos a uma observação dos fenômenos naturais e astronômicos. A necessidade de dividir os lotes, de mensurá-los de modo a obter uma melhor produtividade, ajudou no desenvolvimento da matemática, sobretudo da geometria. Portanto, a “ciência” dos antigos, como bem diz o item, atendia à necessidades do dia-a-dia.


II – Sociedades de cultura milenar, como a chinesa e a egípcia, foram pródigas em matéria de conhecimento matemático, astronômico e arquitetônico. É notória e reconhecida pelos próprios gregos antigos, a dívida que os seus geômetras tinham com os matemáticos egípcios. Enfim, o item, para mim, está certo.


Questão 24 – “Somos todos gregos”. Esse aforismo sintetiza a importância da civilização grega para a formação do mundo ocidental europeu e, logo, para todo o ocidente. Como síntese dessa civilização, a cidade de Atenas pelo seu dinamismo econômico e cultural – foi lá que os sofistas e Sócrates mudam o objeto da especulação filosófica, passando fenômenos físicos para a especulação de assuntos ligados à moral, à ética e à justiça.

Atenas também foi o berço do originalíssimo sistema político da época, a democracia. Todos esses fatores tornam Atenas o símbolo da pujança, isto é, a força dessa civilização. Eu marcaria o item como certo.


Item 25 – Após as Guerras Púnicas onde os romanos derrotaram os cartagineses, Roma se torna a maior potência do mar mediterrâneo, o Mare Nostrum, em latim. Expulsando os cartagineses da Sicilia e da Sardenha, os romanos ocuparam essas áreas quem eram grandes produtoras de trigo. Mais tarde com o domínio do Egito, a produção de trigo no império será fabulosa.


Por volta do século III da era cristã, contudo, atingindo a expansão territorial máxima, o império convive com a escassez de mão-de-obra escrava o que provoca o colapso de sua economia e dá início à decadência do império. Enfraquecida, a parte ocidental do império romano sucumbe às investidas dos povos germânicos, a quem os romanos chamavam de bárbaros. Eu marcaria o item como certo.


Item 26 – Nesse item, a banca expõe um quadro com diversas informações. Nele estão dispostas as etapas de domínio da natureza pelo homem, as formas de organização social, econômica, do espaço e o impacto dessas formas de organização no ambiente natural. A partir dessas informações, a banca pede ao aluno que elabore um texto em no máximo 15 linhas falando da evolução das etapas de conquista do ambiente natural pelos grupos humanos, desde a coleta até a agricultura moderna.


O importante aqui era o aluno conhecer, basicamente, o processo que levou os grupos humanos primitivos da fase da caça e da coleta à fase de domínio agrícola. Concatenar idéias, conceitos e expô-los de forma clara e coerente me parecem ter sido as habilidades e as competências exigidas nesse item.


O item 33 – Um lado do encontro entre europeus e ameríndios a partir do século XVI , geralmente ignorado, refere-se à introdução na dieta européia, de produtos tipicamente americanos Nas terras altas (cordilheira dos Andes e altiplano mexicano) o milho foi o principal produto agrícola. Nas terras baixas, essa primazia coube à mandioca. Portanto, essa raiz não foi trazida pelos africanos, ao contrário, era bastante conhecida dos indígenas. É um produto tipicamente americano. Eu marcaria como errado.


Item 42 - Bem diferente do que se imaginava na época do renascimento e do iluminismo, a Idade Média não foi uma época de treva e de atraso cultural. Nas bibliotecas dos mosteiros, os monges copistas preservavam muito do saber clássico. Ao lado disso, o domínio islâmico na península ibérica também contribuiu para o saber cultural medieval, e, claro, para a formação da civilização ocidental. Na literatura, no idioma, na medicina, na matemática e na filosofia, a contribuição muçulmana foi inestimável. Eu marcaria o item como certo.


O item 47 – O texto em que o item se baseia procura demonstrar a interação dos três grupos étnicos que formaram o povo brasileiro, a partir da culinária. O exemplo culinário dado no item, porém, exlcui a contribuição afriacana, tornando o item falso. Eu marcaria o item como errado.


Item 49 – Neste item, o que se exige é compreensão de texto. A introdução do azeite em nossa culinária é contribuição européia, enquanto o milho e a castanha de caju é contribuição americana. Eu marcaria o item como errado.


Item 91 – É tradicional a leitura que se faz – Manuel Correia de Andrade já falava sobre isso na década de 60 em A Terra e o homem do nordeste – a interpretação que busca no sistema de capitanias hereditárias e na distribuição das sesmarias feitas pelos donatários aos colonos, a origem do latifúndio e da concentração de terras no Brasil. Eu marcaria o item como correto.


Item 92 – Houve uma polêmica nesse item. Como de praxe, não fui seduzido pela manada. A reforma agrária esteve em pauta no Brasil desde o século XIX, mas foi no século XX que ganhou um viés mais político. A idéia de distribuir terras às famílias pobres como solução para a superação da miséria e das desigualdades esteve presente em trabalhos acadêmicos e em movimentos sociais.


A Guerra de Canudos (1896 – 1897), embora motivada por fatores políticos e com características messiânicas, teve, na sua origem, o problema da concentração de terra nas mãos dos coronéis da Bahia que exploravam os camponeses sem terra e a situação de abandono em que vivia a população sertaneja. Cansados da exploração e muito religiosos, homens e mulheres pobres seguiram o beato Antônio Conselheiro em suas andanças pelo sertão nordestino e com ele fundaram a comunidade de Belo Monte, em Canudos. Em certo sentido, a origem do movimento de canudos é o latifúndio improdutivo, causa das desigualdades e das tensões sociais nos sertões, principalmente em períodos de estiagem. O que os sertanejos desejavam era um pedaço de terra para plantar e uma vida digna. A proposta de Canudos, eles acreditavam, atendia aos seus interesses. Eu marcaria o item como correto. (A maioria dos professores considerou o item errado, lembrando que os canudenses não tinham uma pauta política definida e organizada. Afirmaram que embora rural, o movimento não indicava necessariamente a luta pela terra e, portanto, pela reforma agrária)


Lembro que o conteúdo Guerra de Canudos é do 3° ano do ensino médio. Ainda que os alunos do primeiro ano tenham visto esse conteúdo no 9° ano do ensino fundamental, isso não justifica o erro e o desrespeito da banca em cobrar um conteúdo da 3ª etapa, na primeira.


Item 98 – O autor do aforismo que inicia o item foi o famoso sofista Protágoras de Abdera. Como todo sofista, Protágoras rejeitava a idéia de uma verdade absoluta. Os sofistas eram os defensores de que a verdade é uma questão de opinião e, nesse sentido, minha verdade é tão correta quanto à sua. Os sofistas, portanto, eram relativistas.


Na Idade Média, a filosofia ficou sob o domínio da Igreja. Segundo Bertrand Russel, o período medieval subordinou a filosofia à teologia. Nesse aspecto, valores absolutos marcam a filosofia medieval, pois não se concebe relativismo em matéria de fé. Eu marcaria o item como errado.


Item 121 - As cidades de Veneza e Gênova destacaram-se no comércio europeu na Baixa Idade Média, sobretudo na venda de especiarias que elas compravam nos mercados de Constantinopla e Alexandria. O monopólio desse comércio e o acordo com os comerciantes árabes do oriente impediam que mercadores de outras cidades tivessem acesso diretamente e pelo mar mediterrâneo às mesmas fontes de produtos orientais, tendo que comprá-los dos mercadores de Veneza ou Gênova. Eu marcaria o item como correto.


Item 122 - A riqueza produzida pelo ativo comércio das cidades da península itálica além de enriquecer e fortalecer uma nova classe, a burguesia, contribuiu para o advento de uma nova forma de enxergar o mundo e de produzir arte. Nesse processo, a figura do mecenas, um patrocinador das artes, um protetor dos artistas, foi fundamental para a eclosão do movimento renascentista. Eu marcaria o item como correto.


Item 123 – A expansão Marítima européia iniciada pelo reino de Portugal no século XV e seguida por outros reinos no século seguinte, desenvolveu-se no contexto histórico do humanismo, do antropocentrismo e da renascença. Por essa época, as monarquias nacionais estavam se consolidando na Europa superando a fragmentação política que marcou, politicamente, a Idade Média. Também por essa época, a Reforma Protestante colabora para o quadro de profundas transformações pela qual passava a Europa. Eu marcaria o item como certo.


Item 124 – Um grupo de professores de filosofia argumentou na Sala dos Professores que este item peca pela falta de precisão. De fato, em se tratando de filosofia, a falta de proposições claras e inequívocas é um erro imperdoável. Iniciando o item “ Um filósofo inglês da primeira metade do século XX...” é um pouco demais, não é? Que filósofo, cara pálida? Seria o F H Bradley (1846 -1924)? Mas quem fala dele em sala de aula, sobretudo numa sala de aula de 1° ano?


Contudo, infere-se da sentença que o ser - humano pela sua capacidade de amar (por que não de odiar, também?) comparado aos seres inanimados – no caso aos grandes corpos celestes – é único e inigualável. Eu marcaria o item como correto, mas entraria com recurso também.

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