05 novembro, 2008

Que inveja da América!

Eu sinto uma inveja imensa dos Estados Unidos! Não estou me referindo exatamente à vitória de Obama que que vai produzir mais calor do que luz, podem apostar. Mas à maneira como o povo e sobretudo o adversário do democrata, o republicano Jonh MacCain, reagiu diante da derrota. Foi um exemplo de civilidade democrática.

Pesquisem por aí como Lula reagiu nas três eleições em que foi derrotado. Em todas elas, saiu cuspindo seu rancor contra a mídia, os empresários, a classe média, até contra o povo. Em nenhuma teve a dignidade e o senso democrático de aceitar a vontade das urnas.

Mesmo nas eleições de 2008, vimos e lemos petistas, petralhas e jornatralhas culpando a sociedade, os preconceitos, os machismo, o elitismo e o conservadorismo dos paulistanos pela derrota de Marta Suplicy. Eles nunca admitirão uma derrota como o resultado natural de uma eleição democrática. Não sabem perder porque se acham ungidos para a vitória e se ela não vem, a culpa certamente é da mídia, do empresário, da classe média, quiçá da Cuca.

Quando em 2002 o candidato José Serra reconheceu a derrota para Lula, alguns correligionários ensaiaram uma vaia que foi duramente criticada pelo candidato tucano. Conhece-se um caráter de um homem, e, claro, de um político, em momentos assim. Lula sempre demonstrou pouco espírito democrático. Não é à toa que sempre que pode, tenta, junto com seus acólitos, solapar os valores democráticos. Com Lula e o PT não existe honra, decência, dignidade na derrota. Mais uma vez o povo dos Estados Unidos e o candidato MacCain provam a superioridade desse país.

Abaixo, o discurso da derrota que a história deverá conferir a mesma importância que o discurso da vitória.



"Obrigado. Obrigado, meus amigos. Obrigado por virem aqui, nesta bela noite do Arizona.

Meus amigos, nós --nós chegamos ao fim de uma longa jornada. O povo americano falou, e falou claramente.

Há pouco, tive a honra de telefonar para o senador Barack Obama para parabenizá-lo.

Em uma disputa tão longa e difícil quanto foi a dessa campanha, o sucesso dele demanda meu respeito por sua habilidade e perseverança. Mas, que ele tenha obtido sucesso ao inspirar as esperanças de tantos milhões de americanos que acreditaram erroneamente que tinham pouco em jogo ou pouca influência na eleição de um presidente americano, é algo que admiro profundamente e o elogio por alcançar.

Carolyn Kaster/AP
Republicano John McCain, 72, disse que vitória de Obama deixa negros "muito orgulhosos", ao reconhecer derrota na disputa
Republicano John McCain, 72, disse que vitória de Obama deixa negros "muito orgulhosos", ao reconhecer derrota na disputa

Esta é uma eleição histórica, e reconheço o significado especial que ela tem para os afro-americanos e para o orgulho todo especial, que deve ser deles nesta noite.

Sempre acreditei que os Estados Unidos oferecem oportunidades para todos os que são trabalhadores e que tem vontade de trabalhar. O senador Obama acredita nisso também.

Mas ambos reconhecemos que, embora tenhamos avançado muito desde as velhas injustiças que já mancharam a reputação de nosso país e negaram a alguns americanos as plenas benesses da cidadania americana, as lembranças delas ainda têm poder para machucar.

Um século atrás, o convite do presidente Theodore Roosevelt a Booker T. Washington para jantar na Casa Branca foi visto como um ultraje em muitos lugares.

A América está hoje a um mundo de distância do fanatismo cruel e apavorante daqueles tempos. Não há melhor prova disso do que a eleição de um afro-americano para a presidência dos Estados Unidos.

Que não haja razão agora para que qualquer americano deixe de celebrar sua cidadania nesta que é a maior nação da Terra.

O senador Obama alcançou um grande feito para si mesmo e para este país. Eu o aplaudo por isso, e ofereço a ele meus sinceros sentimentos, por sua avó não ter vivido para ver este dia. Embora nossa fé nos assegure que ela repousa na presença do Criador e está muito orgulhosa do bom homem que ela ajudou a criar.

O senador Obama e eu tivemos e discutimos sobre nossas diferenças, e ele prevaleceu. Sem dúvida muitas dessas diferenças permanecem.

Estes são tempos difíceis para o nosso país. E eu prometo a ele esta noite fazer tudo em meu poder para ajudá-lo a nos liderar através dos muitos desafios que vamos encarar.

Peço a todos os americanos que me apoiaram que se juntem a mim não apenas para parabenizá-lo, mas para oferecer ao nosso próximo presidente nossa boa vontade e nossos esforços mais honestos para encontrar modos de nos unirmos a fim de efetuarmos os compromissos necessários para superar nossas diferenças e ajudar a restaurar nossa prosperidade, defender nossa segurança em um mundo perigoso, e deixar para nossos filhos e netos um país melhor e mais forte do que o que herdamos.

Sejam quais forem nossas diferenças, somos todos americanos. E por favor acreditem em mim quando digo que nenhuma ligação jamais significou mais para mim do que essa.

É natural. É natural, nesta noite, sentir algum desapontamento. Mas amanhã teremos de seguir adiante e trabalhar em conjunto para colocar nosso país em movimento de novo.

Lutamos --lutamos tão duro quanto pudemos. E embora tenhamos chegado perto, a falha foi minha, não de vocês.

Estou tão profundamente grato a todos vocês pela grande honra do seu apoio e por tudo que vocês fizeram por mim. Eu gostaria que o resultado tivesse sido diferente, meus amigos.

A estrada foi difícil desde o começo, mas o seu apoio e amizade nunca se abalaram. Não posso expressar de modo adequado o quanto estou profundamente em débito com vocês.

Estou especialmente grato a minha mulher, Cindy, a meus filhos, a minha querida mãe e a toda a minha família, e aos muitos velhos e caros amigos que ficaram ao meu lado através dos muitos altos e baixos desta longa campanha.

Eu sempre fui um homem de sorte, e muito mais ainda pelo amor e encorajamento que vocês me deram.

Vocês sabem, campanhas freqüentemente são mais duras para a família do candidato, e isso foi verdadeiro nessa campanha.

Tudo que posso oferecer para compensar é meu amor e gratidão e a promessa de anos mais pacíficos à frente.

Também estou --também estou, é claro, muito grato à governadora Sarah Palin, uma das melhores companheiras de campanha que já vi, e uma voz nova e impressionante em nosso partido por reforma e pelos princípios que sempre foram nossa maior força, a seu marido Todd e a seus cinco lindos filhos por sua incansável dedicação à nossa causa, e à coragem e graça que mostraram nos percalços de uma campanha presidencial.

Podemos todos esperar com grande interesse por seus próximos serviços no Alasca, no Partido Republicano e em nosso país.

A todos os meus companheiros de campanha, de Rick Davis e Steve Schmidt e Mark Salter até o último voluntário que lutou dura e bravamente, mês após mês, no que às vezes pareceu a mais disputada campanha nos tempos modernos, muito obrigado. Uma eleição perdida nunca vai significar mais para mim do que o privilégio de sua fé e amizade.

Eu não sei --eu não sei o que mais eu poderia ter feito para tentar vencer essa eleição. Deixarei isso a outros para determinar. Todo candidato comete erros, e tenho certeza de que cometi minha parcela deles. Mas não vou gastar um minuto do futuro lamentando o que poderia ter sido.

Essa campanha foi e vai permanecer como a grande honra da minha vida, e meu coração está cheio de nada menos que gratidão pela experiência e pelo povo americano por me conceder uma oportunidade justa antes de decidir que o senador Obama e meu velho amigo, o senador Joe Biden, deveriam ter a honra de nos liderar pelos próximos quatro anos.

Eu não seria --eu não seria um americano digno desse nome se lamentasse um destino que me permitiu ter o privilégio extraordinário de servir a esse país por meio século.

Hoje, fui um candidato ao posto mais alto do país que amo tanto. E esta noite permaneço um servo. Isso é benção suficiente para qualquer um, e eu agradeço ao povo do Arizona por isso.

Esta noite --esta noite, mais do que em qualquer outra noite, tenho em meu coração nada mais que amor por esse país e por todos os seus cidadãos, tenham apoiado a mim ou ao senador Obama.

Desejo boa sorte ao homem que foi meu oponente e será meu presidente. E peço a todos os americanos, como fiz freqüentemente nesta campanha, que não se desesperem diante das atuais dificuldades, mas que acreditem, sempre, na promessa e na grandeza dos Estados Unidos, porque nada é inevitável aqui.

Americanos nunca desistem. Americanos nunca se rendem.

Nunca nos escondemos da história. Nós fazemos história.

Obrigado, e Deus os abençoe, e Deus abençoe os Estados Unidos. Obrigado a todos."




2 comentários:

Anônimo disse...

Zé, aí vai trechos de uma entrevista que o sociólogo e jornalista peruano Rafael Roncagliolo deu ao jornal argentino La Nación. Vale pena ler a entrevista completa aqui: http://www.lanacion.com.ar/nota.asp?nota_id=1050621.

“Os partidos políticos se converteram em máquinas eleitorais que só funcionam quando há eleições. Isso é parte de uma mudança, na qual a relação cara a cara foi transformada em relações midiáticas. Ao congressista não interessa a repercussão do que diz no Parlamento. O que interessa é a repercussão do que diz no espaço midiático. Isso é uma deterioração da ação do Congresso. Desapareceu a relação cara a cara com a célula partidária.”

“Os partidos funcionam como garagens, porque apenas se retira o carro do estacionamento para competir e, depois, volta-se a guardá-lo..."

“As transformações tecnológicas dos últimos tempos determinaram que os eleitores não fossem considerados cidadãos, mas sim consumidores. A diferença é que, quanto aos cidadãos, é preciso convencê-los e, quanto aos consumidores, é preciso seduzi-los. Neste cenário, as ofertas dos políticos deixam de ser propostas e passam a ser mecanismos publicitários de sedução do eleitor. Isso destrói o pressuposto básico da democracia.”

“É óbvio que os candidatos não mais têm interesse sobre os temas a debater. Interessa a eles os aspectos formais do debate, como a luz, a ordem da exposição, os tempos e a disposição das câmeras. Ou seja, a vida política passou a ser controlada por novos especialistas.”

“Hoje, é preciso estar nos meios de comunicação de massa para existir. Os meios não têm êxito no momento de dizer quem ganha, mas sim ao estabelecer quais os que estão na competição. Pode-se dizer que os meios substituíram os políticos no papel de fixar a agenda. Então, não são mais dirigentes, voltados para oferecer uma direção aos cidadãos, mas sim dirigidos, no sentido de que o bom político é o que melhor interpreta as pesquisas e que faz o que o público pede.”

“Isso não significa que os meios de comunicação possam fazer o que quiser com a opinião pública, mas sim que alguns deles têm um papel desmedido. Os legisladores foram substituídos por líderes midiáticos em sua influência sobre a opinião pública.”
Líder carismático, Obama o é,usou a juventude, a família, a inexperiência e a questão racial com o poucos.Vejamos se ele é Messias que a mídia anunciou.

Flávia.

Lelec disse...

Não dá mesmo para comparar a democracia norte-americana com a nossa, Zé Costa. Ainda estamos engatinhando na História. Há pouco, ainda estávamos na ditadura. Ainda não criamos uma cultura democrática. Um dia, a gente chega lá...

Abraço,

Lelec