27 novembro, 2008

Educação: diagnóstico preciso!

Lendo a entrevista da pesquisadora Eunice Durham, em Veja desta semana, tive aquela sensação agradável que se tem quando percebemos nas palavras de uma especialista, idéias e opiniões muito semelhantes as nossas. Vejam o que escrevi em 18 de maio deste ano sobre a formação de professores:

Alguns docentes, ainda mais nocivos, formam-se nas faculdades sabendo tudo sobre Paulo Freire, sobre a pedagogia do oprimido, da autonomia, enfim, sonhando em tornarem-se educadores que libertam; quando, na verdade, são apenas professores que reproduzem a ignorância. Acham que a sua missão é formar "alunos críticos" - entendam como "alunos críticos" aqueles que deploram o capitalismo e sonham com o socialismo ideal - e não se ocupam de ensinar geografia política ou análise sintática, mas em incentivar os alunos a militar em movimentos sociais organizados. Formam, não alunos para o mercado de trabalho, mas militantes de utopias que a história provou serem cerceadoras das liberdades individuais e assassinas!

A ignorância daqueles que deveriam ensinar, mas que por preguiça, comodismo e falta de iniciativa não o fazem; explica a ignorância daqueles que também por preguiça, comodismo e falta de iniciativa, deveriam aprender, mas não aprendem.

Abaixo, trechos da entrevista da pesqisadora. Aqui, a entrevista na íntegra.

"As faculdades de pedagogia formam professores incapazes de fazer o básico, entrar na sala de aula e ensinar a matéria. Mais grave ainda, muitos desses profissionais revelam limitações elementares: não conseguem escrever sem cometer erros de ortografia simples nem expor conceitos científicos de média complexidade. Chegam aos cursos de pedagogia com deficiências pedestres e saem de lá sem ter se livrado delas"

"Eles [os professores dos cursos de pedagogia] confundem pensamento crítico com falar mal do governo ou do capitalismo. Não passam de manuais com uma visão simplificada, e por vezes preconceituosa, do mundo. O mesmo tom aparece nos programas dos cursos, que eu ajudo a analisar no Conselho Nacional de Educação. Perdi as contas de quantas vezes estive diante da palavra dialética, que, não há dúvida, a maioria das pessoas inclui sem saber do que se trata. Em vez de aprenderem a dar aula, os aspirantes a professor são expostos a uma coleção de jargões. Tudo precisa ser democrático, participativo, dialógico e, naturalmente, decidido em assembléia."

"Acho que elas [as faculdades de pedagogia] precisam ser inteiramente reformuladas. Repensadas do zero mesmo. Não é preciso ir tão longe para entender por quê. Basta consultar os rankings internacionais de ensino. Neles, o Brasil chama atenção por uma razão para lá de negativa. Está sempre entre os piores países do mundo em educação."

Abaixo, trechos de um texto saído de minha pena, desta vez, em 14 de dezembro de 2007

"...boa parte de nosso fracasso em leitura, ciências e matemática é culpa da pedagogia da estupidez que tem em Paulo Freire o seu Papa e em Rubem Alves e Tião Rocha, seus bispos. Claro, que na base da pirâmide estão pedagogos e professores, todos libertários e avessos aos conteúdos formais.
No dia que, à semelhança da Suíça no século XVI ou mesmo do império bizantino nos séculos VII a IX, fizermos um movimento iconoclasta contra essas figuras que são santificadas nos cursos de formação de professores, garanto: nossa educação dará um salto gigantesco de qualidade.

"Quem é professor ou pedagogo e já freqüentou aquelas aulas das disciplinas de Educação em qualquer universidade, sabe que do jeito que as coisas são ensinadas é um verdadeiro engodo. O aluno que está se preparando para ser professor percebe a falácia e entra no jogo do faz de conta. Somos chateados com um monte de teorias pedagógicas e psicológicas que não têm efeito prático algum. Se tivessem, desconfio, talvez estivéssemos em situação pior na educação."

O primeiro passo para melhorar a educação no Brasil é enterrar Paulo Freire. Ou lembrá-lo como uma piada sem graça.

Há muitos entulhos teórico-metodológicos e jurídicos que atravancam o desenvolvimento de nossa educação. Antes de aumentar os recursos – quase sempre roubados, como no Piauí e Maranhão, recentemente – é preciso demover Paulo Freire do altar, melhorar os cursos que formam os professores, exigir dos professores e dos alunos resultados e reavaliar o ECA, assim poderemos começar a pensar em melhorar a educação no Brasil."

Um comentário:

Lelec disse...

Olá Zé,

É bom quando encontramos alguém de grande reputação que valida as nossas próprias idéias. Parabéns!

A única coisa que lamento é que os professores que deveriam ler a entrevista e o seu blog não o fazem, e continuam doutrinando jovens, ao invés de lecionar.

Abraço,

Lelec