20 outubro, 2008

Eu estive na TV Câmara e foi um saco!

Minha expressão de satisfação com o programa

Valentes leitores que ainda suportam este blog, vocês não vão acreditar no que eu tenho para contar. No último dia 17, à tarde, levei, com mais dois colegas, alguns alunos da escola para participarem de um programa produzido pela TV Câmara. O tema do programa era: Proteção ao adolescente – Direitos e Deveres. Segundo soube, o programa faz parte das festividades pelos 18 anos do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).


Ao chegar ao estúdio, alunos de outras instituições de ensino já estavam acomodados, prontos, assim como os nossos, para serem platéia. Quando vi os convidados que discutiriam o assunto, confirmei a suspeita: esquerdopatia em estado puro.


Os convidados


Um dos convidados, coitado, era o vocalista de uma banda alagoana chamada Wado. O camarada mal conseguia articular uma frase inteira. Não era petista porque mesmo com dificuldade sabia colocar o s nos plurais e conjugava corretamente os verbos. Porém, como boa parte dos petistas, não escondia sua ignorância. Lá pelas tantas, ele, falando línguas estranhas para explicar a dificuldade que bandas nacionais têm para mostrar o trabalho às massas, desenterra o imperialismo da... Grã Bretanha


Uma menina de 22 anos, militante da juventude, cheia de idéias revolucionárias na cabeça – com certeza uma pobre vítima de professores progressistas que devem ter ensinado para ela que lutar e reclamar são mais importantes que estudar - vez por outra soltava uma dessas frases de efeito que eu dizia quando tinha 15 anos e participava dessa bobagem chamada Movimento Estudantil. Perdi muito tempo da minha vida e aumentei minha burrice quando participei desses movimentos. Graças a Deus fui curado e procuro prevenir os meninos e as meninas dessas drogas esquerdistas.


A terceira convidada era uma representante do Unicef no Brasil. Bem articulada, era a única de todos os debatedores, talvez, que conseguia ser um pouco mais clara. Como uma militante experiente, ela estava ali a defender os direitos da criança e do adolescente procurando esquivar-se de qualquer termo que denunciasse sua opção ideológica. Apertada, porém, por uma pergunta da platéia, entregou o ouro e revelou-se uma porta-voz do esquerdismo bocó. Ela declarou que os pais ou familiares que expõe seus filhos ao risco da prostituição infantil não deveriam ser punidos devido a situação de extrema miséria em que geralmente vivem. Para ela os maiores culpados são os aliciadores e os clientes. Penso diferente. Para mim os pais ou os responsáveis são tão ou até mais culpados que os aliciadores e os clientes. Punição para todos! Talvez assim, essas famílias carentes pensassem antes de vender ou negociar seus filhos no comércio do sexo.


Num outro momento do programa, ela declarou que baixar a maioridade penal não resolve o problema da delinqüência juvenil e usou uma comparação curiosa: segundo ela, o número de adolescentes e crianças que são vítimas da violência é muito superior ao número de adolescentes que são protagonistas de crimes violentos. Seguindo essa aritmética perturbada, a ongueira defendeu a manutenção da idade de 18 anos para efeito penal. Pergunto: o que uma coisa tem a ver com a outra? Em quê a redução da idade penal poria em mais risco a integridade de um adolescente? Essa redução evitaria, isso sim, que o marginal abaixo de 18 anos não pagasse com penas brandas e ridículas por um crime bárbaro!


Apostei com um colega que o deputado, anunciado momentos antes de iniciar o programa, mas sem dizer qual seria o partido, era do PT. Ganhei a aposta, claro. Luiz Couto, deputado federal pelo PT da Paraíba, como bom representante do Partido da Tramóia, esquecia do s nos plurais e nunca flexionava os verbos quando estes se apresentavam na 3ª pessoa do plural. Mas o seu DNA petista e petralha revelou-se mesmo foi na defesa sub-reptícia do controle do Estado sobre dados sigilosos eletrônicos. Para tanto, argumentou que os crimes de pedofilia na internet são acobertados e, portanto, tornam-se difíceis de combater porque as operadorea se negam a fornecer dados à polícia. Falando assim, até parece que as operadoras são coniventes com o crime, como deixou no ar o ilustre deputado. A verdade, porém, é outra. As operadoras não podem, sem autorização da justiça, fornecer dados sigilosos dos seus clientes. O que o petista quer e escondeu por trás de um discurso cheio de preocupação com os adolescentes, é que o sigilo eletrônico e telefônico – direitos individuais fundamentais num Estado Democrático e de Direito pois protege a privacidade da pessoa – sejam controlados pelo governo. É totalitarismo em estado puro.


O cineasta italiano Bernardo Bertolucci declarou certa vez que os fascistas começam caçando tarados. Apoiar essa medida ao arrepio da lei pode levar muitos tarados para a cadeia, mas no fim, nosso direito também acaba ameaçado. Num filme de 1966, O Homem que não vendeu a sua alma, há um diálogo revelador: sabendo que o professor Bruce era um espião do bispo de Canterbury, Thomas More permite que ele parta em paz, sob protesto de todos em sua casa. Na discussão, o seu genro diz que Bruce era um diabo e deveria ser contido. Thomas argumenta que nada o professor fizera contra a lei da Inglaterra que justificasse a sua prisão. Seu genro insiste e pergunta a More se ele daria ao diabo o benefício da lei. Thomas arremata brilhantemente ao dizer que sim. Se o diabo nada tivesse feito contra lei não poderia ser punido. O humanista inglês continua dizendo que não fazia isso para proteger o diabo, mas a si mesmo. Num país em que a lei é desrespeitada mesmo que seja para punir um tarado ou o próprio diabo, são os cidadãos de bem que correm mais riscos. Assim, o deputado do PT insinua que as operadoras dificultam o trabalho da polícia porque querem ou porque acoitam o pedófilo. Não é verdade. Elas estão apenas seguindo a lei. Aliás, justiça seja feita, quem tem um projeto de lei que ameaça o sigilo na internet é o senador tucano Eduardo Azeredo. Eles querem caçar os tarados passando por cima de nossos direitos fundamentais.


Enfim, foi um festival de esquerdocinismo com sintomas de esquerdopatia. Uma perda de tempo atroz. Os meninos, pelo menos, tiveram a oportunidade de conhecer como é produzido um programa de TV gravado. Uma aluna, Natasha, confidenciou que os programas quando vistos na TV têm um quê de espontaneidade que ela comprovou ser falso.

2 comentários:

Anônimo disse...

O que acho engraçado é que, enquanto o foco da discussão beira a possibilidade de modificar a maioridade penal ou não, as pessoas esquecem de casos como o da nadadora Joana Maranhão que, passado por um trauma forte de abuso na infância, enterrou o fato no inconsciente para suportar a dor psíquica (como geralmente ocorre nos casos de trauma), mas que tendo sintomas surgindo desconexos em sua vida se viu obrigada a procurar terapia, na qual suas memórias vieram à tona. Os resultados desta terapia (que são muito comuns em adultos que foram violentados quando criança e procuram acompanhamento especializado somente muito tempo depois por puro medo e sofrimento) geraram para ela reconhecimento de questões que assombram sua vida atual, porém não puderam ser levadas à sério porque o crime prescreveu (tendo se passado mais de 10 anos, o culpado já não pode ser penalizado, como se a memória e o aparelho psíquico soubessem disso!!!).
Não nego a relevância de se discutir a questão da maioridade penal, mas faço apenas um alerta para uma abertura que deveria ser feita na lei, quanto aos adultos que se valem dos efeitos do trauma por eles causados em pequenos para livrarem-se de punições posteriores. Sem dúvida, a infância e a adolescência deveriam ser mais consideradas em nosso país!!!

Zé Costa disse...

O caso da nadadora Joanna Maranhão foi assombroso. Tratei disso no mês de julho, aqui mesmo no blog.

O grande problema é que para efeito de lei, o depoimento dela não é suficiente para punir o meliante.

De qualquer forma, a repercussão do caso trouxe uma punição que se não é a justa, dá, ao menos, uma certa sensação de justiça. Ele, o treinador malvado, foi afastado e nunca mais trabalhará com crianças de novo!