16 outubro, 2008

Cuidado com o neoliberalismo que ele te pega!

Estive ausente todos estes dias por causa de negócios. Não, meus leitores apressados, não estava negociando ações. O meu negócio é educação, dar aula, essas coisas que com crise ou sem crise, nunca se ganha dinheiro.

Acabei de chegar de um encontro promovido por uma das duas escolas católicas que leciono aqui em Brasília. Nesse encontro, que, por questões óbvias, não darei muitos detalhes, duas coisas chamaram minha atenção: a comparação de uma santa com Paulo Freire e o discurso beócio contra o neoliberalismo. Sobre o primeiro ponto, prometo, escreverei um texto mais longo. Quero, contudo, neste post destacar o que a metafísica apedeuta anda ensinando por aí aos pobres alunos.

Depois de ouvir uma série de propostas de como melhorar a situação financeira de escolas em dificuldades - foi proposto por vários grupos de trabalho um marketing mais eficaz dessas escolas e a divulgação de resultados positivos dos alunos de tais colégios - duas vozes se levantaram cheias de boas intenções como a nos precaver contra o diabo que, sorrateiro, poderia nos pôr a perder. Que diabo é esse? o neoliberalismo, ora!

Pois é, meus caros! Uma dessas vozes enxergou nas propostas - o marketing e a divulgação dos resultados elogiáveis dessas escolas - uma política neoliberal, e, se é neoliberal, não serve. Eu tenho absoluta certeza de que essas vozes ao vociferarem os termos neoliberal e neoliberalismo não têm a menor idéia do que dizem. Aposto o mindinho que a maioria dos professores quando demonizam o neoliberalismo em sala de aula contaminando a moçada com o veneno ideológico do marxismo, eles não sabem o que dizem. Vejam o caso em questão: qual a relação das propostas apresentadas com o dito cujo?, o neoliberalismo, lembram? Nenhuma, ora!

A segunda voz foi ainda mais histriônica. Afirmou que a sociedade neoliberal é repugnante. Eu , hein! Que troço é esse? Talvez essa voz esteja sonhando com uma sociedade socialista, daquelas que existiram na URSS, China e existe em Cuba ou no Camboja. Vejam como foi a implantação desse regime nesses países e depois me digam onde está a sociedade repugnante.

O termo neoliberalismo virou um insulto na boca dos esquerdistas. Ser neoliberal é ser do mal. O bom, o legal, é ser progressista e bater no neoliberalismo. Eita gente tola, meu Deus!

Mas para o desencanto dos néscios, o neoliberalismo é uma invenção. Uma mentira! Não existe nem uma sociedade neoliberal, nem uma política econômica neoliberal. Continuem a leitura e vocês terão a prova disso. Ora, se o neoliberalismo não existe, ele é apenas um moinho de vento que os Don Quixotes marxistas inventaram para justificar suas alucinações ideológicas.

Abaixo, um trecho de um artigo do professor Demétrio Magnolli com link para a íntegra.

"Quando o Lehman Brothers entrou em bancarrota, provocando a implosão de Wall Street, os filhos órfãos de Karl Marx começaram a disseminar uma narrativa ideológica da crise que é tão desonesta quanto reacionária. Essencialmente, eles dizem que o neoliberalismo faliu e que a causa da catástrofe é a desregulamentação do mercado financeiro. Neste mantra, convertido em senso comum, uma mentira factual fica protegida atrás da paliçada conceitual de uma fraude.

O neoliberalismo não faliu porque não existe. A fraude conceitual ampara-se no ocultamento dos dados empíricos. Nos anos 20, tempos do liberalismo, os gastos públicos sociais nos EUA (pensões, educação, saúde e welfare) não alcançavam 5% do PIB. Depois, com o New Deal e os "30 anos gloriosos" do pós-guerra, criou-se o Estado de Bem-Estar e os gastos sociais cresceram até perto da linha de 20% do PIB. Segundo o teorema histórico que emoldura a noção de neoliberalismo, o Estado de Bem-Estar ruiu sob os golpes hayekianos de Ronald Reagan. Mas - surpresa! - os números contam outra história. A "era Reagan" não provocou contração dos gastos sociais, conseguindo apenas estabilizá-los temporariamente. Hoje, eles ultrapassam os 20% do PIB (veja o gráfico no blog http://www.terra.com.br/economia/blog/iconomia/index.htm, de Gilson Schwartz)."

Veja, abaixo, os gastos do governo americano desde 1902, em saúde, educação, pensões... e me digam se está correto chamar os Estados Unidos da pátria do neoliberalismo.




4 comentários:

Anônimo disse...

Ah,Zé

Coitada da Santa (seja ela como fôr)...Paulo Freire?Urgh!

Flávia.

Lelec disse...

Olá Zé,

Sua ausência no blog deixa desapontados seus leitores assíduos, como eu. Mas a causa é nobre e a gente até gosta de ver que seu comprometimento com uma educação ideologicamente honesta tome parte importante do seu tempo.

Ah, se todos os professores fossem assim. Não haveria essa legião de neo-bobos que vociferam contra o "neoliberalismo".

Abraço,

Lelec

Anônimo disse...

O problema é que certos termos e difinições cairam no vocabulário do povo como jargões. Por mais que muitos não entendam o real significado, usam tais palavras para endossar suas falas a outros do mesmo nível intelectual como se fossem politizados ou "entendidos" em alguma coisa. Quanto à comparação da santa com Paulo Freire, não é novidade que este último tem sido posto mesmo num altar. Não defendo sua santidade, (por motivos muito óbvios)mas também não afirmo sua "diabolice", pois cada um que tenta levantar uma bandeira pela educação, estando pautado ou não em algo sólido, é um movimento à mais (ainda que bem pequeno e furado) para mexer nesta estagnação geral... Acho que os professores buscam em quem acreditar e acreditam nos nomes que se repetem como as idéias que vc citou (sobre neoliberalistmo...), tal qual estas idéias ou o famoso Freire fossem atestados de algum saber em que os apresenta. Talvez Santa Paula tenha se remexido lá no céu, mas ela perdoa a ignorância de seu povo! Afinal, também ela era professora. E se tem uma qualidade imprescindível desta profissão, é a paciência!

Anônimo disse...

O problema é que certos termos e difinições cairam no vocabulário do povo como jargões. Por mais que muitos não entendam o real significado, usam tais palavras para endossar suas falas a outros do mesmo nível intelectual como se fossem politizados ou "entendidos" em alguma coisa. Quanto à comparação da santa com Paulo Freire, não é novidade que este último tem sido posto mesmo num altar. Não defendo sua santidade, (por motivos muito óbvios)mas também não afirmo sua "diabolice", pois cada um que tenta levantar uma bandeira pela educação, estando pautado ou não em algo sólido, é um movimento à mais (ainda que bem pequeno e furado) para mexer nesta estagnação geral... Acho que os professores buscam em quem acreditar e acreditam nos nomes que se repetem como as idéias que vc citou (sobre neoliberalistmo...), tal qual estas idéias ou o famoso Freire fossem atestados de algum saber em que os apresenta. Talvez Santa Paula tenha se remexido lá no céu, mas ela perdoa a ignorância de seu povo! Afinal, também ela era professora. E se tem uma qualidade imprescindível desta profissão, é a paciência!