10 outubro, 2008

Contra a mentira, a verdade. Bem aventurados os que aprendem com Zé Paulo

Um aluno de ensino fundamental ou médio muitas vezes esbarra em algumas dificuldades na disciplina de História que não são propriamente do conteúdo em si. Seja porque o vocabulário dele é ainda parco, seja porque sua concatenação de idéias é ainda frouxa, esse aluno não compreende certos conteúdos porque lhe falta essas filigranas. A tarefa do professor, portanto, é fornecer-lhe bagagem intelectual e definições precisas de conceitos.

Todavia, faz-se mister acrescentar mais uma dificuldade que um aluno precisa enfrentar para compreender certos processos históricos: a ideologização da disciplina. Acho que sei ou pelo menos desconfio porque os alunos preferem professores que se alinham à esquerda na sua prática pedagógica. Quase sempre eles – os professores de esquerda – optam pelo discurso simples, genérico e sempre equivocado, e nos casos mais graves, mentiroso.

Eu, por exemplo, não me incomodo que um colega de profissão ensine em sala de aula que o socialismo é um modelo mais humano e socialmente mais justo que o capitalismo. O que ele não pode é distorcer e esconder dados e fatos que, se bem analisados, inevitavelmente vão levar os alunos a outra conclusão.

E daí se o professor é antiamericano? E daí que ele creia que os Estados Unidos representam o Grande Satã? Mas na sala de aula, no momento de explicar os processos históricos, se ele for honesto, terá que reconhecer que foram os Estados Unidos – mais do que a URSS – que salvaram a Europa do pesadelo nazista. Foram os Estados Unidos que recuperaram a economia da Europa e do Japão. Isso não é ideologia ou questão de gosto, é história.

Outro dia, na sala de aula, mostrei a capa vexatória de uma edição do Correio Braziliense. A capa, de uma edição de terça-feira, dia 30 de setembro, trazia a foto de George W. Bush com a seguinte manchete: “O homem que derreteu o mundo”. A culpa, segundo a manchete, pela crise econômica, claro, só podia ser do presidente americano. A esquerdopatia deve ter gasto suas economias para comprar o jornal. Aposto que disseram: “é, dessa vez o Correio não foi parcial”. Entendam que tudo o que for contra o que a esquerda acredita ser o certo, é parcial. O pior, porém, estava nas informações que vinham abaixo da foto. Vou reproduzir abaixo:

“George W Bush é o presidente mais impopular da história dos Estados Unidos. Truculento na política extern, despertou o ódio dos inimigos a ponto de instigá-los a praticar o mais cruel ato terrorista da história. Despreparado, jogou fora o crédito moral dos americanos depois dos atentados de 11 de setembro, ao levá-los a guerras ilegítimas, como a do Iraque. Imprudente, gerou déficits fiscais enormes para financiar campanhas bélicas, desequilibrando as finanças públicas da superpotência. Ontem, a falta de liderança do comandante afetou todo o Globo: em meio a disputas políticas paroquiais, e com votos de parlamentares de seu próprio partido, o Congresso rejeitou o pacote de socorro de 700 bilhões de dólares aos falidos bancos locais. Assim, o sistema financeiro passou a correr o risco de quebradeira. Como reflexo, o valor da empresas derreteu em todos os continentes. O índice da Bolsa de Nova York caiu 6,9 %, maior perda de pontos desde sempre. Em São Paulo, O PREGÃO PRECISOU ser interrompido no meio da tarde, quando o Ibovespa perdia 10% de seu valor – ao fim a queda ficou em 9,3%. Ainda no Brasil, a taxa de câmbio subiu 6% e fechou cotada a R$ 1,96 por dólar. O presidente Lula acusou os Estados Unidos de transformarem a mais pujante economia do planeta num cassino.”

Correio Braziliense, dia 30 de setembro de 2008.

Olhem que curioso: Bush é o presidente mais impopular da história, certo? Bem, vamos com calma. Os índices de impopularidade do governo Bush, sobretudo no segundo mandato são, de fato, muito altos. Mas ao contrário do que está na informação do jornal, não é a Guerra contra o terror – chamada de “política externa truculenta” - a causa dessa impopularidade; mas a crise econômica que se abate sobre o país desde 2006 e que, agora, ganha um aspecto bem mais dramático. A Guerra contra o Terror, ao contrário, foi responsável pelos altos índices de popularidade do presidente Bush durante o primeiro mandato (2001 -2004). Tanto, que ele se reelegeu em 2004 com o argumento de que era mais preparado para enfrentar os grupos terroristas do que o adversário Democrata, John Kerry. Finalmente, apesar dos expressivos índices de insatisfação do eleitor americano com o segundo mandato de George W Bush, o candidato republicano, John MaCcain, segundo pesquisas recentes, está, no máximo, apenas 10% atrás do seu rival Democrata, Barack Obama. Do jeito que as coisas são noticiadas por aqui ou ensinadas em sala de aula, esperava-se uma vantagem bem mais folgada do candidato democrata, não acham?

Mais o que me deixou chateado na “informação” que o Correio noticiou foi o trecho em que levava o leitor a concluir que os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 foram uma conseqüência da política externa “truculenta” do presidente Bush. Primeiro vamos nos ater a um detalhe: George Bush venceu a polêmica eleição de 2000, em novembro. Foram semanas de contagem e recontagem de votos até a Suprema Corte decretar o republicano vencedor das eleições. Bush assumiu o governo em 20 de janeiro de 2001. Ora, acreditando no que o jornal informou, teríamos que admitir que os ataques da Al Qaeda levaram 8 meses do planejamento até a execução. Uma mentira escandalosa! Todos sabem que foram necessários pelo menos 4 anos de planejamento para executar o pior ataque terrorista da história. Foi, portanto, no governo do democrata Bill Clinton que os terroristas planejaram o ataque. A informação do correio foi apenas antiamericanismo bocó, atendendo a uma metafísica influente que diz que, à falta de um culpado, culpem o presidente Bush.

O segundo dado refere-se a tese esquerdocínica, defendida por aí com afinco, de que a culpa pelos ataques é da política externa – truculenta, lembram? - americana. Se os Estados Unidos não fossem o que são, não adotassem as políticas que adotam, esses ataques - dizem os humanistas politizados - não ocorreriam. São, na visão dessa gente, contra-ataques. Coisa mais atrasada, sô! Eles não dizem abertamente, acho que por pudor, mas no fundo crêem que os terroristas são uns pobres coitados que não podendo reagir de outro modo, acabam matando milhares de vítimas inocentes para atingir o império. Mais um pouco deveríamos lamentar, chorar mesmo, pela morte dos terroristas e não pela morte de suas vítimas inocentes.

Eu sei que sou um professor de história que caminha na contramão da metafísica influente. Não me importo. Não me incomodo de não ter companhia. Se preferirem podem ir para o diabo ou me deixem ir para o diabo sozinho. O que nunca permitirei, não enquanto me deixarem dar aula para os jovens é deixar prevalecer a mentira, a falsidade, a distorção dos fatos e da realidade.

Sejam antiamericanos. Sejam socialistas. Condenem o capitalismo ou o liberalismo, mas não mintam, meus caros. Não mintam!

3 comentários:

Anônimo disse...

Caro Zé,a lógica comunista tupiniquim: Todo e qualquer erro deverá ser atribuído aos malditos capitalistas yankees,com política externa truculenta,ou não.E se algo der errado aqui feito por seus "cumpanheiros",a culpa é do "Buxi".Affe.
Flávia.

Anônimo disse...

"A crise financeira não é a crise do capitalismo. É a crise de um sistema que se afastou dos valores fundamentais do capitalismo, que traiu o espírito do capitalismo. O anticapitalismo não oferece qualquer solução à crise atual. Regressar ao coletivismo, que tantos desastres provocou no passado, seria um erro histórico".

NICOLAS SARKOZY

Lelec disse...

Excelente texto, Zé. Culpar os EUA por tudo de ruim que acontece no mundo e no Brasil é um escapismo para fugir das nossas responsabilidades. Dizer que a pobreza terceiro-mundista é causada pelas multinacionais ianques é fechar os olhos à corrupção endêmica, ao mau uso do dinheiro público, etc. O Grande Satã está dentro do nosso país. Resta-nos exconjurá-lo.

Abraço,

Lelec