30 setembro, 2008

Bem feito para vocês!

No dia 27 de setembro escrevi o seguinte sobre os elogios que José Múcio e Armando Monteiro Neto fizeram ao Governo Lula e ao candidato João da Costa no último grande comício do candidato do PT à prefeitura do Recife:

"É impossível olhar para José Múcio ou para Armando Monteiro Neto, que fizeram carreira política em outros palanques, tecerem, sem constrangimento, loas a um governo corrupto e a um candidato impugnado pela justiça, sem sentir ânsia de vômito. A Força do petismo e do lulismo vem desse adesismo oportunista. Vem da pachorra de homens públicos que maculam sua herança liberal e democrática por causa de alguns caraminguás e rapapés, porque não duvidem, no politburo petista eles nunca serão admitidos como iguais. Serão como os judeus da corte de Stálin, sempre olhados pelos russos e georgianos com desconfiança ou tentando a todo custo, e sem sucesso, esconder suas origens judaicas".

Agora, vejam o que saiu publicado na Folha on line e que foi colhido por mim do blog do Noblat:

Seis diretórios municipais do PT em Pernambuco formalizaram uma denúncia contra o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro (PTB), que vem usando o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para promover aliados políticos que disputam prefeituras contra o partido.

A queixa formal foi feita para presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, na quarta passada. O petista recebeu do presidente estadual do partido, Jorge Perez, uma gravação em áudio de um discurso feito por Múcio neste mês em São João (240 km de Recife).

Sob aplausos, o ministro diz no palanque que Pedro Antonio (PTB), coligado ao DEM, "é o candidato de Lula" e que a coligação adversária, formada por Antonio de Pádua (PSB) e Hugo Cabral (PT), não tem a preferência do presidente.

Na gravação, divulgada ontem pelo PT, o ministro afirma que seu candidato é quem "pode falar do Bolsa Família e do Fome Zero" na cidade. "Se Lula estivesse aqui, estaria no meio de vocês, no nosso palanque." Múcio diz ainda que, naquele momento, falava "como ministro". O discurso foi levado ao ar pelo próprio candidato petebista na sua propaganda eleitoral de rádio e o presidente estadual do PT pediu a Berzoini que comunicasse Lula sobre o caso

Os 80% de aprovação do Governo Lula vem provocando nas hostes da Igreja petista alguns fatos curiosos. A petralhada pernambucana, ao que parece, acredita que Lula seja uma espécie de ser divino, a ponto de formalizar uma reclamação, quase uma fatwa, pela blasfêmia que foi citar o nome de Lula em vão feita pelo ministro das relações institucionais do governo... Lula, José Múcio.

Como eu já avisava, Múcio e Monteiro são oportunistas e nunca serão aceitos - pelo passado liberal que desprezaram - como iguais na seita que por oportinismo, abraçaram.

28 setembro, 2008

João, o anão ou a lei, a lei, a lei!


O candidato que dança e que festeja com a sua militância é João da Costa, o anão. Em carta aberta à população do Recife, ele tenta explicar o imbróglio em que se meteu nos últimos dias. Como um bom petista ele usa a retórica dos cínicos. Mente sobre os fatos e diz que não tinha controle sobre os funcionários da prefeitura que estavam sob às suas ordens. Abaixo, um vermelho e azul com ele.

CARTA ABERTA À POPULAÇÃO DO RECIFE

''Continuo candidato e serei o prefeito do Recife''

Neste momento decisivo da campanha eleitoral, gostaria de alertar o eleitorado do Recife para não se deixar levar por ondas de boatos e pelo jogo sujo da oposição. Minha candidatura segue normalmente e continuamos nas ruas – agora com mais disposição do que nunca para vencer a eleição no dia 5 de outubro.

Uma decisão judicial, João da Costa, não é um boato. O Estado de Direito dá ao senhor e a todos os cidadãos, o direito de recorrer de qualquer decisão judicial em primeira instância. Contudo, é inegável que as acusações feitas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal - não houve, por exemplo, participação de qualquer partido da oposição nas acusações de uso da máquina - são tão graves, que bastaram para que o juiz eleitoral Nilson Nery as considerasse suficientes para decidir sobre a impugnação de sua candidatura. Você pode até vencer as eleições e isso apenas confirmará a degenerescência das instituições e dos valores que regem uma sociedade livre e democrática.

Na verdade, nossos adversários exploraram, de forma criminosa, uma decisão de primeira instância baseada em dois e-mails enviados por funcionários da Prefeitura por seus endereços eletrônicos particulares e na publicação de uma revista do Orçamento Participativo. No primeiro caso, eu não tinha como controlar o que fazia cada um dos 30 mil funcionários da Prefeitura. Já a revista foi publicada em março, quando eu nem era oficialmente candidato.

Eis aqui a argumentação de um petralha típico. Quem comete crime são os adversários. Apesar do Ministério Público denunciá-los, das provas os incriminar e da Justiça puni-los, os criminosos são os outros.

João, o anão, cria uma variante do "eu não sabia". Afirma que não podia controlar o que fizeram seus subalternos. Na prática, equivale a dizer que não sabia de nada. Quando João, o anão, diz que em março deste ano, quando foi lançada a revista do Orçamento Participativo enaltecendo as ações da secretaria que chefiava, ele sequer era candidato; João, o anão, está apenas sendo cínico e conta com a desídia e com a ignorância de boa parte dos eleitores para fazer prosperar mais essa desculpa fajuta. Quem não sabe que o prefeito João Paulo, desde o ano passado, como um trator, impôs ao petista Humberto Costa e ao próprio partido,o nome de João, o anão, com candidato do partido? A revista foi sim - não adianta desviar o foco - uma peça de campanha feita com o dinheiro público dos recifenses. Isso é crime! Criminoso, portanto, foi o senhor e o seu partido.

Mas a partir daí os adversários apelaram para todo tipo de propaganda mentirosa, por meio de panfletos, anúncios em carros som e até telemarketing. Mesmo depois de o TRE ter assegurado, em despacho, que permaneço regularmente como candidato e posso realizar todos os atos inerentes à campanha eleitoral.

É comovente vendo um petista pedindo moderação e civilidade numa campanha eleitoral. Logo o PT que se especializou em demolir reputações e fez toda a sua história partidária na denúncia vazia, achincalhando e demonizando os adversários. O que João, o anão, pede, é que os adversários escondessem da população o FATO de que a candidatura dele havia sido impugnada pela justiça. Muito fofo esse João.

Mentem, portanto, quando dizem que não sou candidato, que fui cassado, que estou fora da campanha. Nada disso é verdadeiro. Trata-se de um expediente terrorista de quem quer ganhar no tapetão e às custas da boataria.

Seguimos em frente rumo à vitória. Agora, a palavra de ordem é aquela que os militantes gritam nos quatro cantos do Recife: "É rua, é rua, é rua".

João da Costa

Um mentiroso contumaz é também um cínico incorrigível. Os adversários não mentem quando afirmam que sua candidatura foi impugnada. Porque ela foi. Esse tom de perseguição política, de vítima, é típico dos canalhas. A rua, meu caro, não está acima da lei. A rua, na maioria das vezes, opta por criminosos, não pelos decentes. O caso emblemático aconteceu na Palestina há dois mil anos. Chamado para decidir sobre a vida de um criminoso e de um salvador, a rua, optou pelo criminoso. Infelizmente, vivemos uma espécie de letargia da moral. As instituições estão catalépticas.

O grito que deveria ecoar - não só pelos quatro cantos do Recife, mas do país - deveria ser: "É a lei, a lei, a lei"!




27 setembro, 2008

A canalhice de e em Recife.

A corja vermelha e Armando Monteiro neto, em pé, mas bem que poderia está em outra posição.

Fuja. Sinta asco. Não dê um minuto de conversa para quem adora exercer o discurso da vitimização. São, antes de tudo, canalhas! Quantas vezes escuto a acusação de que porque não comungo da metafísica influente e cometo a heresia de criticar Lula, estou do lado dos ricos, da elite branca, das pessoas que apoiaram a ditadura, enfim, daqueles que desde Cabral governam o Brasil. Muitos, apressados, me vêem como um riquinho, alguém que sempre teve boa vida. Sinto nojo dessa gente!


Essa gente torpe conta com a preguiça das pessoas. Essa gente nefasta conta com a ignorância das pessoas. Essa malta conta com a desfaçatez, com o cinismo, com a falta de valores democráticos e liberais. Essa súcia conta com o fanatismo para fazer prosperar suas bobagens. E o pior é que vem dando certo.


Hoje, no Recife, o politburo petista – mesmo com a ausência de Lulóvski Apedeutakoba – foi em peso prestigiar a candidatura do petista João da Costa, cassado por uso da máquina pública. Além da corja vermelha, havia outros patifes da mesma espécie e mais alguns por quem eu passei a ter vergonha. É impossível olhar para José Múcio ou para Armando Monteiro Neto, que fizeram carreira política em outros palanques, tecerem, sem constrangimento, loas a um governo corrupto e a um candidato impugnado pela justiça, sem sentir ânsia de vômito. A Força do petismo e do lulismo vem desse adesismo oportunista. Vem da pachorra de homens públicos que maculam sua herança liberal e democrática por causa de alguns caraminguás e rapapés, porque não duvidem, no politburo petista eles nunca serão admitidos como iguais. Serão como os judeus da corte de Stálin, sempre olhados pelos russos e georgianos com desconfiança ou tentando a todo custo, e sem sucesso, esconder suas origens judaicas.


Hoje, o que digo, desde a chegada de Lula ao poder; a Lei, as instituições democráticas vêm sendo, dia sim, dia sim, solapadas. Houve, em 2005, uma chance das instituições vencerem o cinismo e o roubo, mas pela covardia da oposição, Lula derrotou as instituições. O exemplo frutificou. Ninguém mais se acanha de compactuar com a mentira, com o crime provado. Tudo, mesmo o crime evidente, passou a ser encarado como uma questão de gosto ou opinião ou por outra, como algo comum ao processo. Nos três casos, a hombridade cedeu lugar ao cinismo. A seriedade perdeu espaço para a desfaçatez. A legalidade foi derrotada pela ilegalidade.


Imaginem que um governador, um prefeito, ministros, deputados, todos sem pejo, apoiaram vivamente um candidato que teve sua candidatura impugnada por ter cometido um crime. A Lei não existe para eles.

O fenômeno Lula de 2006, temo, deve se repetir em Recife. O povo de minha cidade, ao que parece, vai eleger o cinismo, o crime, a desonra. O povo do Recife vai colocar na prefeitura os canalhas. Quem elege canalhas de algum modo compactua com a canalhice. De algum modo, é também canalha!


25 setembro, 2008

Como todo aloprado, ela ri da Lei.


Do blog do Noblat

Elcyene Carvalho, a moça da foto acima, é o pivô da denúncia do uso da máquina pública que provocou a impugnação da candidatura de João da Costa (PT) a prefeito do Recife.

Ela era coordenadora do programa Escola Aberta, vinculado à Secretaria Municipal de Educação. E continua no cargo apesar da lambança cometida nas suas vizinhanças.

As provas do uso da máquina para beneficiar o candidato saíram de 10 computadores da secretaria. A fotografia do Diário de Pernambuco flagrou Elcyene quando se preparava para para depor diante do juiz Nilson Nery.

Estava bem-humorada, pois não? Relaxada. Pachorrenta. Quase diria feliz.

Não lembro da fotografia de algum dos aloprados de Lula que em 2006 forjaram um dossiê para prejudicar candidatos do PSDB. Na ocasião, a Polícia Federal apreendeu uma mala entupida de dinheiro, mas não permitiu que ela fosse fotografada.

Guardem a foto de Elcyene. É raro um aloprado se deixar fotografar.

Comento:

Não sei não, acho que já estão arrumando uma pereba para purgar o crime do candidato a prefeito João da Costa e do atual prefeito do Recife, João Paulo. Ambos petistas. Dentro em pouco, acho, João da Costa e João Paulo devem aparecer com aquela cara cínica e dizer: "pôxa, nós não sabíamos dos e-mails, dos convites coagindo os funcionaŕios a participar de nossa campanha. A companheira, muito zelosa, acabou metendo os pés pelas mãos, mas nós de nada sabíamos".

O que vai acontecer à aloprada? Ora, quando a poeira baixar e essa estória for mais uma piada de salão, ela será promovida, ganhado um gordo salário, pago, é claro, pelo contribuinte mané da cidade do Recife.

Nunca, nunca mesmo, a falta de honra, de senso de legalidade foi tão nefasta na história do país quanto nesse momento. Dudu beleza, governador de Pernambuco, ratificou a tese canalha de que as urnas é quem deve julgar o candidato. Nessa lógica, um político com altos índices de aprovação e popularidade pode cometer o crime que for que será inimputável! Uma vergonha!

E pensar que o Recife já contou entre seus cidadãos com o padre Frei Caneca, que em nome da honra e da lei não se curvou ao imperador D Pedro I , e no seu Tiphys Pernambucano denunciou o abuso e o autoritarismo do monarca que governo o Brasil até 1831.

A honra e a altivez dos recifenses é mesmo coisa do passado.
Panfleto da oposição, horas depois que foi anunciada a impugnação em primeira instância, da candidatura do petralha João da Costa.


23 setembro, 2008

Alto lá! Em nome da Lei!

A única salvação contra o PT e por conseguinte, contra tudo o que representa o atraso, o esbulho das instituições, a indecência e o cinismo sem medidas, é a Lei.

O candidato do PT à prefeitura do Recife, João da Costa, imposto pelo atual prefeito da cidade, o também petista João Paulo, teve seu registro de candidato cassado pelo juiz eleitoral Nilson Nery por abuso de poder econômico e uso da estrutura da prefeitura para a campanha, o que, é claro, configura-se crime eleitoral; passível, como foi, de cassação do registro da candidatura. Em sua sentença o juiz também tornou o candidato do PT inelegível por 3 anos!

João da Costa nas últimas pesquisas deu uma arrancada, ultrapassando o candidato da oposição, o democrata José Mendonça Filho. Aliás, as recentes pesquisas indicavam a possibilidade real do petista vencer logo no primeiro turno. Todavia, uma investigação do Ministério Público de Pernambuco e da Polícia Federal encontrou um claro uso da máquina pública da cidade em favor do candidato João da Costa que por isso, teve seu registro cassado.

Há muito tempo, o jornalista Reinaldo Azevedo, cujo blog e livros são para mim como um farol - há quem prefira outros - escreveu num artigo em Veja - aproveito para recomendar vivamente o seu mais recente livro O País dos Petralhas - que urna não é tribunal. Nenhum político que cometeu crimes pode ser inocentado pela vontade soberana das urnas. A vontade soberana não está nas urnas, mas na LEI! A vontade soberana não está no desejo da maioria, mas na CONSTITUIÇÃO elaborada e promulgada por deputados eleitos pelo povo. O povo, esse ente da razão que a petralhada vive querendo tutelar e em nome do qual procura justificar todos os seus crimes, mesmo o povo está subordinado à LEI!!!

A decisão do juiz Nilson Nery ainda cabe recurso e não é um bom augúrio que o magistrado tenha inocentado o prefeito João Paulo do mesmo crime, mas isso é assunto da Justiça. O que interessa é o impacto político da decisão. Depois de mensaleiros, aloprados, sanguessugas, arapongas, ladrões, finalmente um petista pego com a mão na massa ou como diria o ator e militante petista Paulo Betti, com a mão na merda, conhece o valor e a força da Lei!

Petista foge da Lei como o diabo foge da cruz ou como os vampiros - daqueles filmes B de terror - fogem da luz! Contra o PT, só a LEI.

Entenda o caso

INVESTIGAÇÃO

O anúncio oficial da cassação da candidatura aconteceu no final da tarde da quinta-feira, durante entrevista coletiva no cartório eleitoral da 8ª Zona, no Recife. O juiz julgou procedente a denúncia de uso da máquina pública da Prefeitura do Recife, que o PT comanda atualmente, em favor do candidato. A denúncia foi encaminhada ao Ministério Público de forma anônima, no dia 12 de agosto, e desde então vem sendo investigada.

A investigação sobre o uso da máquina pública, feita pela Polícia Federal e supervisionada pelo Ministério Público de Pernambuco, incluiu dez laudos periciais emitidos pela PF, a partir da apreensão e análise de computadores da Secretaria de Educação do Recife. Nos micros, foram encontrados jingles da campanha e convocações feitas a pessoas com cargos comissionados para participação em eventos da campanha de Costa em horário de expediente.

Nos computadores, havia também listas com nomes e dados de eleitores do Estado, arquivos com nomes de mais de 100 filiados ao PT que trabalham na secretaria e um cronograma pedindo que os servidores comparececem a caminhadas e panfletagens da campanha de João da Costa, mesmo em horário do expediente.

A promotora Andrea Nunes, que supervisionou as investigações, já havia pedido a impugnação da candidatura do PT. A avaliação dela é de que o uso da máquina pública em favor do candidato fica comprovada pelos dados obtidos nas investigações.

CRONOLOGIA

A investigação sobre o uso da máquina pública da Prefeitura do Recife na campanha de João da Costa começou no dia 22 de agosto, quando a promotora Andrea Nunes recebeu denúnic anônima, informando que funcionários da Secretaria de Educação do Recife estavam usando os computadores da instituição para enviar e-mails com de caráter eleitoral, o que é proibido por lei.

No dia 22, a Polícia Federal realizou uma busca autorizada pela Justiça no prédio da Secretaria, apreendendo arquivos de dez computadores. Este material forneceu a maioria dos dados que o juiz Nilson Nery interpretou como provas contra João da Costa.

O magistrado recebeu o pedido de cassação da candidatura, enviado pela promotora, no dia 16 de setembro. O processo também solicitava punição, em forma de um período de inelegibilidade forçada, para o prefeito do Recife, João Paulo (PT).
Da Redação do pe360graus.com


18 setembro, 2008

A Crise de hoje e a de ontem 1

A crise imobiliária americana - não digo estadunidense porque isso é coisa de professor ressentido e picareta - vem provocando por essas plagas, por enquanto, uma reação que nada têm a ver com a economia. Os prestidigitadores, os embusteiros, os beócios e os falastrões, vêem na crise e na ajuda do governo americano ao sistema financeiro de lá, uma prova cabal de que não só o neoliberalismo é uma falácia, como o próprio sistema capitalista é uma desgraça e só provoca crises. Tivesse eu agora mais tempo, mostraria o engodo de tais assertivas, mas no momento, quero apenas atender a um pedido de alguns alunos e explicar um pouco sobre a crise americana e, sendo possível, fazer algumas alusões à famosíssima Crise de 29.

Ontem, por exemplo, no Programa do Jô, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comparou, um tanto hiperbólico, a crise atual com a Crise de 29; afirmando que o potencial da atual crise pode ter efeitos semelhantes aos que foram provocados pelo crash da Bolsa de Nova Iorque naquela quinta-feira negra.

Nesse primeiro momento, sugiro que vocês assistam a uma matéria veiculada na última terça-feira no Jornal Nacional da TV Globo e leiam o que foi publicado na revista Veja, desta semana.

Antevejo os beócios, os embusteiros, os prestidigitadores e os falastrões rasgando as próprias vestes porque recomendei como fontes o JN e a Revista Veja. À diferença dessa gente torpe, que se esconde por trás de um falso bom mocismo e que prega o bem de todos - desde que todos pensem como eles pensam - não cobro dos meus alunos atestado ideológico, muito menos exijo deles que concordem com as minhas opiniões. Previno-os – e isto faço com destemor – dos discursos bocós, quase sempre simplistas e não raras vezes mentirosos dessa gente que mesmo se tivesse uma câmera na mão, seria incapaz de ter uma idéia na cabeça. Enfim, tento prevenir e proteger os meus alunos de explicações que procuram transformá-los em seres que têm dois dois pés no chão e duas mãos também.

Na matéria do JN há a explicação, bem didática, da origem da crise imobiliária americana. Na reportagem de Veja a relação desta Crise com a Grande Depressão.

Apreciem e se possível, perguntem aqui ou em sala de aula.

Matéria do JN

Matéria publicada em Veja.

Ensaio sobre a cegueira

As comparações entre a crise atual e a de 1930
ignoram o novo papel dos países emergentes e o
desastre social de outros períodos de turbulência

Marcio Aith

O filósofo americano Thomas Kuhn definiu o "paradigma da cegueira" em seu livro A Estrutura das Revoluções Científicas, de 1962. Trata-se de um processo pelo qual análises consolidadas impedem que se enxerguem, com nitidez, situações novas. Algo semelhante parece estar ocorrendo ao se interpretarem a gravidade e a extensão da atual crise financeira mundial. Ela é grave, ninguém duvida – só neste ano, onze bancos quebraram em razão dos abalos financeiros iniciados em agosto do ano passado, e as estimativas de perdas com o crédito podre na economia americana giram entre 500 bilhões e 3 trilhões de dólares. Esses números levaram o investidor George Soros a compará-la, sem as reservas feitas pelos especialistas abaixo, ouvidos por VEJA, à Grande Depressão de 1930. A comparação gratuita impressiona, mas embute uma cegueira que, com cinismo, pode-se dizer que beira a esperteza. Quem propala perigos demais está, no fundo, pedindo confete, ou ajuda, dos governos. Abaixo, relatos do que foram crises profundas:

• Na Grande Depressão, a taxa de desemprego nos Estados Unidos saltou para 25%. Metade dos bancos fechou as portas e 90 000 empresas desapareceram.

• No período posterior à II Guerra Mundial, a população européia, 10% maior, alimentava-se com apenas quatro quintos da comida disponível na década de 30.

• Os choques do petróleo de 1973 e 1979 provocaram uma retração de 13% no comércio internacional e fizeram o desemprego na Europa quase triplicar. Na Inglaterra, o governo determinou que a indústria funcionasse apenas três dias na semana.

• O Japão passou a década de 90 arrastando a vergonhosa taxa de crescimento do PIB de 1% ao ano, em média, por causa do estouro da bolha que havia se formado nos mercados imobiliário e financeiro.

O que chama atenção na crise atual é o fato de a economia real, que envolve a indústria, o consumo e as exportações, estar indo bem, como se houvesse isolado a ameaça do setor financeiro. Mais importante, as autoridades financeiras das principais economias do planeta souberam tirar lições das hecatombes econômicas ocorridas no passado. O Tesouro americano e o Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos), aliados a seus congêneres europeus, foram rápidos em injetar toda a liquidez necessária para que os mercados financeiros não sucumbissem. A mais recente ação nesse sentido foi a intervenção estatal nas duas gigantes hipotecárias americanas na semana passada. Esse trabalho coordenado impediu que houvesse um estiolamento completo nas linhas de crédito – como aconteceu no crash de 29, exacerbando a crise. Não se deve esquecer também que o mundo possui hoje pólos diversos de consumo e crescimento, principalmente na Ásia.

O capitalismo americano terá de se purgar de seus excessos, notadamente a bolha no preço dos imóveis – um desequilíbrio que vinha sendo apontado desde 2005 por dezenas de observadores, dos quais o mais enfático é o respeitado professor Robert Shiller, da Universidade Yale. As bolhas criam riqueza quando se inflam e destroem riqueza quando estouram. Desde a bolha de internet que se inflou nos anos 90 e estourou em 2000, o capitalismo turbinado pela hegemonia e pela globalização vem produzindo megacrises. Agora é a vez da bolha imobiliária. Ela será metabolizada, pois, como toda crise do capitalismo, essa traz em si o germe de sua própria solução.


16 setembro, 2008

Reflexões sobre a profissão


Eu vim para Brasília para fazer mestrado em Ciência Política na Unb. Sem conhecer ninguém na universidade, aconselharam-me a solicitar uma vaga como aluno especial. Assim o fiz. No primeiro mês de aula, depois de relutar bastante, cheguei à conclusão frustrante de que o que se estava ensinando ali, não era exatamente o que eu esperava aprender, pior: a doutrinação ideológica, que se passava por ciência política, era evidente e eu estava cansado dela; afinal, fui aluno da UFPE.


Além da frustração com o curso, as dificuldades econômicas que marcaram o primeiro ano em que eu e minha mulher passamos em Brasília obrigaram-me a fazer bicos em vários lugares. Dei aulas em cursinhos de pouca ou nenhuma expressão. Ganhava pouco, mas o suficiente para atenuar os apertos financeiros, agravados pelo furto de cartões de que fomos vítimas. Pensei em voltar várias vezes, mas nem isso podia.


O fato é que não fiz o que me propus quando deixei Recife e vim para Brasília. Nunca deixei, no entanto, de me aprimorar. Se o mestrado e os professores da Unb não provocaram em mim o que Aristóteles chamava de thauma, passei a comprar e a ler, compulsivamente, livros que ampliaram o meu conhecimento. Hoje, sei, fiz muito melhor do que teria feito se tivesse persistido no mestrado apenas para ostentar um título e arrotar um saber enlatado.


O ponto onde quero chegar, no entanto, é outro. Nunca tive base científica para provar o que vou afirmar, mas sempre tive cá comigo a impressão que um título de mestre ou de doutor não qualifica, necessariamente, uma pessoa a ser um excelente professor. Quero dizer com isso que não se deva investir na carreira acadêmica? Não! Quero apenas lembrar que há por aí muitos mestres e doutores que podem ser sumidades na academia, nas escolas, mas que em sala de aula se revelam medíocres. Muitos mal sabem escrever ou falar. Quantos mestres e doutores, porque têm um título, não se consideram acima do bem e do mal e não admitem, por exemplo, rever práticas pedagógicas comprovadamente ineficazes, por pura vaidade ou teimosia? Se o aluno não aprende, dizem alguns, azar do aluno! Um professor medíocre, enfim, não se torna uma excelência do ensino porque conseguiu um título. “Ah, Zé Paulo”, diriam os céticos, “então não há doutores e mestres que sejam excelentes professores?” Claro que há! Na UFPE tive alguns. Infelizmente , pode-se contá-los nos dedos de uma mão. A realidade, porém, é que a maioria dos professores na universidade que ostentavam seus títulos de doutores e pós-doutores – com raríssimas exceções – eram os piores em sala de aula. Havia doutores que eram excelentes professores? Sim, mas isso não era a regra, infelizmente.


O que faz de um professor um bom professor, finalmente, não é a quantidade de títulos ou especializações que ele ostenta, como se fossem estrelas na farda de um general. Um bom professor é aquele que no fim de um período fez seu aluno avançar no conhecimento. Por isso, há algum tempo, defendo que as escolas públicas e privadas deveriam medir a excelência do seu quadro docente não apenas nas pesquisas que fazem com os alunos e os pais mas, PRINCIPALMENTE, com uma avaliação independente, que meça o desempenho dos alunos e o quanto eles avançaram em cada componente curricular.


Para a minha grata surpresa, na entrevista concedida à Veja desta semana, o economista norte-americano que se tornou um especialista em avaliar a educação de forma científica e estatística, responde assim à duas perguntas da revista:

As salas de aula estão repletas de experiências pedagógicas. O senhor chegou a alguma conclusão sobre qual o melhor caminho para alcançar a qualidade acadêmica?

De todos os fatores numa escola, certamente o que mais explica a excelência na sala de aula diz respeito à capacidade dos professores de despertar a curiosidade intelectual dos alunos e lhes transmitir conhecimento. É algo básico, mas freqüentemente ignorado. Veja o que revelam os números. Tendo um ótimo professor durante cinco anos seguidos, uma criança egressa de um ambiente de pobreza e analfabetismo poderá alcançar o mesmo nível de conhecimento de outra vinda de uma casa em que os pais têm diploma de ensino superior e boa situação financeira. A questão é que os diretores das escolas raramente aplicam os critérios certos para rastrear os bons profissionais.

Por que eles erram tanto?

Valorizam tempo de experiência e cursos de especialização, quando esses são fatores sem nenhuma relação relevante com a qualidade das aulas. Os educadores resistem a aceitar essa idéia, mas as pesquisas não deixam dúvidas: os Ph.Ds. não apenas não são necessariamente os melhores professores, como muitas vezes figuram entre os piores. Já se conhecem, portanto, algumas das características que não definem um bom professor. O que não se sabe até hoje é o que, de fato, faz um profissional sobressair na sala de aula.



13 setembro, 2008

Vai com Deus, Irmã!


É assim que devemos lembrar da Irmã Mariana.


Hoje, às duas da madrugada, a Irmã Mariana, após dez dias na UTI do hospital Santa Helena, na Asa Norte, faleceu. Se hoje eu estou em Brasília, se hoje não me imagino trabalhando em outra cidade, se minha vida e a de minha família mudaram radicalmente a partir de janeiro de 2004, foi porque a Irmã Mariana - diretora do colégio Santa Dorotéia, atendendo a um pedido da supervisora Valéria Calmon - sem me conhecer, sem qualquer referência sobre mim e sobre o meu trabalho, contratou-me para ser o professor de história do colégio. E lá estou até hoje.

Ainda profundamente comovido, preciso deixar aqui, de público, minha gratidão a esta freira que sempre combinou firmeza e suavidade e foi um dos maiores exemplos de tolerância e generosidade que tive a oportunidade de conhecer.

Sempre que alguém amado e querido nos deixa fica comprovado que Deus sempre se apressa a chamar para junto de si as almas boas e generosas. Apesar da consternação que toma conta de todos que conheceram e conviveram com a Irmã Mariana, conforta-nos a certeza de que ela, agora, está na glória do Reino de Deus.

Vai com Deus, Irmã! Muito obrigado por tudo.

Abaixo, uma música que fala de gente que se foi cedo demais!

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Love In The Afternoon

Legião Urbana

Composição: Renato Russo

É tão estranho, os bons morrem jovens
Assim parece ser quando me lembro de você
Que acabou indo embora, cedo demais

Quando eu lhe dizia: - me apaixono todo dia
E é sempre a pessoa errada
Você sorriu e disse: - eu gosto de você também
Só que você foi embora cedo demais
Eu continuo aqui, meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você em dias assim
dia de chuva, dia de sol
E o que sinto eu não sei dizer

- Vai com os anjos, vai em paz
Era assim todo dia de tarde, a descoberta da amizade
Até a próxima vez, é tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você e de tanta gente
Que se foi cedo demais

E cedo demais eu aprendi a ter tudo que sempre quis
Só não aprendi a perder
E eu, que tive um começo feliz
Do resto eu não sei dizer

Lembro das tardes que passamos juntos
Não é sempre, mas eu sei
Que você está bem agora

Só que este ano o verão acabou
Cedo demais.


03 setembro, 2008

Mais capitalismo = Menos Excluídos.

Na semana em que a esquerdopatia e a esquerdofrenia fazem suas litanias nas paróquias, nas escolas e nas ruas com a bobagem de nome pomposo: O Grito dos Excluídos! Sugiro, como profilaxia, a leitura deste post.


Onde quer que vocês estejam, não tem jeito, sempre haverá alguém cheio de “consciência política” para lhe dizer que o maldito, o desgraçado, o famigerado capitalismo é o causador de todas as desigualdades que assolam os países pobres ou em desenvolvimento. Se você é um pobre aluno indefeso, que acredita piamente no que diz seu professor bonzinho, aquele tipo que prega mais do que ensina, certamente já foi ou será enganado sobre a situação de Cuba - cantada como um paraíso socialista - ou sobre o “heroísmo” de um Che Guevara que segundo a lenda picareta, morreu em nome dos oprimidos e da revolução. Meu caro, não caia nessas esparrelas! Uma marca dessa gente é torcer, distorcer, mentir, esconder as VERDADES FACTUAIS!


Uma simples análise lógica desmonta a tese de professores mitômanos ou beócios de que o capitalismo só gera desigualdade e que, claro, o socialismo só engendra bem-estar geral.

Diga-me, aí: quantos países de economia socialista estão entre os mais ricos do mundo? Quantos países socialistas conseguiram, em 15 anos, retirar da pobreza tantos miseráveis? Se você é um esquerdopatinho, não vale citar a China. Os manda-chuvas do PC chinês já introduziram, ao seu modo, um sistema capitalista, embora ainda muito controlado pelo estado, talvez para não perder o costume.

Algumas almas ingênuas tentariam redargüir: “oh, Zé Paulo, se o capitalismo é assim tão bom, por que na América Latina ou na África, há tanta pobreza? Tanta miséria?” Porque falta a esses países - incluindo o Brasil - mais capitalismo, ou seja, mais liberdade econômica, queridos!

Os países que têm mais liberdade econômica são os que mais conseguiram reduzir a pobreza. Isso não é ideologia, é fato. Facilitem a vida dos empreendedores, diminuam a burocracia e os impostos e vocês verão, sem dúvida, a situação econômica de TODOS, melhorarem significativamente.

Infelizmente, o que existe nos países pobres, mesmo o Brasil - que não é rico, mas está longe de ser pobre - é que o capitalismo que empregam é, na definição do diplomata e economista norte-americano James Robert, um "capitalismo de comparsas". O que vem a ser isto? Nesse sistema, poucas empresas, privadas ou estatais, controlam a economia, encarecendo o produto e /ou os serviços. Para piorar,
têm no governo um poderoso aliado que cria empecilhos burocráticos e fiscais para minar o empreendedorismo, ou seja, a livre concorrência e a liberdade de investimentos. Por isso, meus caros, para atingirmos um nível de prosperidade

econômica e condições sociais dignas, não precisamos de um sistema socialista, muito pelo contrário! Precisamos é sermos, verdadeiramente, capitalistas e liberais.

O socialismo, dizem os mitômanos ou os beócios, é a única maneira concreta e eficaz de se chegar à igualdade! É mesmo? A igualdade que existe em Cuba ou na Coréia do Norte? Então, o socialismo produz igualdade, como provaram a União Soviética ou China de Mao Tsé Tung, não é mesmo? Aproveito o ensejo para sugerir a leitura deste artigo publicado domingo em O Estado de São Paulo e escrito pelo professor Demétrio Magnoli. Vale a pena conhecer o que o socialismo produziu em Cuba.

Abaixo, trechos que considerei reveladores na entrevista de Robert James concedida à Veja desta semana. Leiam!

A liberdade econômica é capaz de diminuir a desigualdade social de um país?

Em primeiro lugar, é preciso definir o que vem a ser igualdade social. Esse conceito pressupõe que todos sejam forçados a viver em casas idênticas, ganhar os mesmos salários, comer as mesmas comidas e acreditar nos mesmos valores? Essa abordagem totalitária já foi tentada na União Soviética e está em pleno vigor em Cuba. Os resultados foram e são desastrosos, para não dizer trágicos. Como os fundadores dos Estados Unidos sabiam muito bem, é impossível para um governo arcar com a missão de assegurar igualdade para todos os cidadãos. As pessoas não nascem iguais. Elas possuem habilidades e talentos próprios. Cada uma deve decidir sozinha o que quer fazer da vida: se prefere trabalhar duro ou levar uma existência mansa e tranqüila. O principal papel de um governo não é ir contra essa realidade e forçar algo que não existe nem existirá. O bom governante é aquele que oferece oportunidades iguais para todos buscarem a própria felicidade. O capitalismo promove níveis desiguais de prosperidade. Como diria o estadista Winston Churchill, isso é muito melhor do que produzir miséria igual para todos, como faz o socialismo.

A pobreza diminui nos países com liberdade econômica?

Ao dar oportunidades para que a população mais pobre prospere, a liberdade econômica é boa para todos. Quando esse conceito é implementado, a elite política fica impossibilitada de usar a máquina estatal para ganhar vantagens econômicas, o que sempre ocorre em prejuízo dos mais fracos. Essa situação terrível é o que chamamos de "capitalismo de comparsas". Nos países onde essa prática é institucionalizada, os governantes e seus amigos sobrecarregam a população com burocracia e pesados impostos com o objetivo de massacrar os empreendedores, que vêem como uma ameaça. Quando, por outro lado, existe liberdade, o poder econômico não está sujeito a forças políticas e sociais. Pequenas e médias companhias privadas, que são a espinha dorsal de uma economia e produzem a maior parcela dos impostos, têm melhores chances de crescer. A liberdade econômica é uma doutrina revolucionária que desafia o status quo e os que querem usar o poder em proveito próprio. No longo prazo, sua aplicação produz mais prosperidade, mais igualdade de renda, mais emprego e reduz os níveis de pobreza.

É possível medir esses benefícios?

Se dividimos os países do mundo em cinco grupos, usando o grau de liberdade econômica como parâmetro, vemos que o grupo de países mais livres tem uma renda per capita cinco vezes maior que a do grupo de nações que consideramos repressoras. O desemprego nos países livres é de 6%, enquanto nos economicamente repressores é de 19%. As nações mais livres também possuem menor inflação, que sabidamente corrói o salário dos mais pobres (...)