21 agosto, 2008

Que mentira que lorota boa!

(leia primeiro o post abaixo)

Essa conversa mole do Júlio Severo de que a campanha de vacinação contra a rubéola faz parte de um plano do governo e do unicef para esterilizar a população brasileira para efeito de controle da natalidade me fez lembrar de duas coisas: a primeira, foi do livro O Presidente Negro, de Monteiro Lobato, onde os raios ômega que alisavam o cabelo pixaim dos negros, na verdade era um ardil dos brancos para esterilizá-los. Como os negros do romance, todos eles, queriam cabelos lisos, todos ficaram estéreis e assim, a ameaça da população negra não se abateria sobre os Estados Unidos. Que Lobato pensasse isso em 1926, entende-se. Afinal, na época, a eugenia estava em voga, contudo, não se pode negar, embora se possa compreender, a visão racista de Monteiro Lobato.

Em 1904, na cidade do Rio de Janeiro, houve um levante popular contra a obrigatoriedade da vacina contra a febre amarela e um dos argumentos era de que o governo estava tentando, com a vacina, exterminar a população pobre da cidade. Embora absurda, a idéia ganhava verossimilhança por conta da política do Bota Abaixo, empreendida pelo prefeito Pereira Passos. Que jornais, na época, desconfiassem da ação profilática da vacina, compreende-se, afinal, esse tipo de ação dava seus primeiros passos no mundo.

Como se estivéssemos nos primórdios do século XX, Julio Severo conclama a todos os brasileiros a não tomarem a vacina contra a rubéola porque ele não confia no governo Lula e porque ele desconfia que por trás disso tudo há a intenção de esterilizar a população. Diante de tanto delírio, só ouvindo um velho clássico de Luiz Gonzaga, cujo refrão, dá título a esse post




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Um comentário:

Lelec disse...

Ô Xente!

Só mesmo um baião para nos fazer rir... Porque, diante da ignorância empedernida, a primeira reação é de chorar e de ficar deprimido com a espécie humana.

Abraço,

Lelec