06 agosto, 2008

Que homenagem

do blog do Lelec

Zé Costa, uma voz rara


Ele se chamava Gonzaga. Pouco sabíamos daquele professor corpulento, introspectivo, de braços grossos, voz forte e de grande autoridade na sala de aula.

O mais importante que conhecíamos daquele homem era um caso marcante de sua biografia. O Gonzaga havia sido lutador de boxe. Um dia, enfrentou um boxeador que atendia pela alcunha de Boiaps. Isso mesmo: Boiaps. O Gonzaga não teve sorte contra o tal Boiaps: levou um socão que lhe quebrou a articulação da mandíbula. Teve que abandonar a carreira de boxeador. Foi aí que resolveu estudar História e tornar-se professor.

A máxima ofensa que se podia fazer ao Gonzaga era chamá-lo de Boiaps. Certa vez, um colega meu o fez e ficou alguns dias suspenso. Ninguém brincava com o Gonzaga, nem tripudiava da sua dificuldade de dicção, certamente resultado do enorme caroço que ficara ali amontoado onde houve a fratura da articulação mandibular esquerda.

Mas o Gonzaga tinha outra particularidade: ele não era de esquerda. Foi o único professor de História que tive que não era esquerdista. O único. Nada contra alguém ser de esquerda (desde que da esquerda inteligente). Nada contra alguém votar em bons candidatos do PT (já votei muitas vezes, inclusive nos ruins, confesso).

Mas o intolerável eram os professores que raivosamente doutrinavam alunos com uma visão marxista da história, pregando ódio aos EUA e à economia de mercado. Muitos o faziam com a estrela do PT no peito, em plena sala de aula. Lembro-me de um que tirou um recesso para ir a Cuba, junto com outros docentes. Ao voltar, pintou-nos um lindo panorama da “democracia” cubana. Nós, “povo marcado, povo feliz”, acreditávamos. Aliás, nunca nenhum deles nos falava das atrocidades dos regimes comunistas. Só fui sabê-las depois que saí da escola.

Hoje, não admitiria mais isso. Dentro da sala de aula, o professor não pode usar um distintivo do partido que for, nem vestir um símbolo religioso, pois ele está em situação de poder em relação aos alunos, muito mais jovens e com menor capacidade de argumentação.

O segundo professor de História que eu conheci e que não é esquerdopata é o Zé Costa. É sempre surpreendente lê-lo e ver que ele escapou da doutrinação vermelha que se faz nas universidades públicas brasileiras. É fato raro, raríssimo, algo que denota grande capacidade de crítica intelectual.

O Zé Costa tem dois blogs: um (Histórias) é dedicado exclusivamente à História e, outro (O Typhis Pernambucano), a discussões variadas: política, religião, etc. A leitura desses blogs nos mostra, além de um blogueiro zeloso pela língua pátria (outra característica incomum nos docentes atuais), um professor com visão crítica dos processos históricos, que não chama de herói quem é vilão, que não faz “releituras” históricas malabarísticas para acobertar as deficiências de uma ideologia capenga.

Enfim, se não tive a sorte de ter tido um professor assim, ao menos é lendo o Zé Costa que vou corrigindo a distorção dos fatos históricos que recebi nos colégios por onde passei. Para esses doutrinadores que pululam aos montes no ensino brasileiro, as idéias do Zé Costa são mais potentes que o soco do Boiaps. Que ele continue boxeando contra essa farsa!

8 comentários:

Anônimo disse...

Sem dúvida, ele nos mostra a verdadeira face do governo petista.
Continue Zé.

Abraços,
Flávia.

Lelec disse...

Olá Zé,

Fico feliz que você tenha gostado do texto, você merece.

Mas tenha certeza de que eu gostei muito mais da mensagem que você me deu do que você gostou da que eu lhe dei.

Grande abraço,

Lelec

Sandra Leite disse...

Vim te ver, conhecer...

bjs

Bruna disse...

Oi Zé,

Parabéns por não ter caido na esparrela do petismo desvairante ..rs. Eu tive uma professora de História que não era engajada nessas roubadas, mas tinha mania de me perseguir nunca soube bem por que.

Beijos

Zé Costa disse...

Não, Bruna! Não me julgue tão apressadamente. EU caí sim, mas fui resgatado a tempo. O que me salvou? O repúdio à ignorância e à burrice

Magui disse...

Excelente texto, ainda mais quando diz das reeleituras da nossa história recente.Vou lá visitar o mestre.

Magui disse...

Uai, é vc mesmo homenageado por terceiros.Então, parabéns.Valeu a homenagem.Desculpe a falha de atenção.

Anônimo disse...

Para se ver que nem toda sala de aula tem quatro paredes e que nem todo professor é acomodado!!!
Parabéns, Zé! Palavras assim fazem valer qualquer pedra encontrada nesta profissão e dá sentido à tudo o que você tem construído!
Se aqui no blog você já consegue tornar um pedacinho do mundo melhor, mais crítico, reflexivo, imagina o que faz em sala de aula!
Quem sabe um dia, se não for sua aluna, consigo ao menos a honra de que meu filho o seja!
Parabéns!