16 agosto, 2008

Eu voltei, mas porque foi preciso.


Sei bem que eu disse que ficaria afastado por uns tempos. Eu sei que esta não foi a primeira nem será a última vez que não cumpro o que prometo. Porém, minha volta será breve, quase relâmpago.

Há muito tempo venho dizendo que a doutrinação ideológica nas nossas escolas é um mal que de tão antigo não sei se será curado sem um tratamento amargo. O caminho é longo, mas os dois primeiros passos são simples de dar: tirem o picareta do Paulo Freire do altar e exijam que os professores, vejam que coisa, ensinem a matéria, os conteúdos e não fiquem nessa bobajada de que a escola tem que formar o cidadão. A escola tem é que ensinar português e matemática direito, pronto.

Que o profesor de português ensine a gramática e não apenas a interpretação de texto. Muitos "zé paulos" deixarão de existir com essa medida. Que o professor de matemática desenvolva o raciocínio lógico e não o "raciosímio" com continhas esquerdopatas. Que os professores de História e de Geografia ensinem o que aconteceu e o que acontece sem manipular números, sem apelar para falsificações e simplismos. Que parem de repetir que a Vale do Rio Doce foi vendida a preço de banana; que os EUA invadiram o Iraque por causa do petróleo; que Che Guevera é como Jesus Cristo. Tudo isso são mistificações tolas, quando não, ignorância pura e simples! Enfim, que os professores ensinem e não, doutrinem!

Abaixo, reproduzo uma parte da matéria de capa da revista Veja. Ela está ainda mais instigante esta semana. São muitos os temas a discutir, péssima hora para acumular trabalho.

Pais aprovam as escolas, apesar da má qualidade
16 de Agosto de 2008

Uma pesquisa encomendada por VEJA à CNT/Sensus revela que, apesar da péssima colocação das escolas brasileiras em rankings internacionais de educação, pais e professores aprovam o ensino ministrado no país. Para 89% dos pais com filhos em escolas particulares, o dinheiro é bem gasto e tem bom retorno. No outro campo, 90% dos professores se consideram bem preparados para a tarefa de ensinar. Como mostra a reportagem de capa da edição desta semana da revista, baseada no levantamento, essa satisfação esconde o abismo da dura realidade – o ensino no Brasil é péssimo, está formando alunos despreparados para o mundo atual, competitivo, mutante e globalizado.

Em comparações internacionais, os melhores alunos brasileiros ficam nas últimas colocações. No último ranking internacional mais respeitado, os estudantes do Brasil aparecem em situações vexaminosas – 53º lugar em matemática e 52º em ciências em uma lista de 57 países. Isso significa que os sistemas educacionais público e privado continuam produzindo estudantes incapazes de compreender um texto e de realizar com destreza as operações aritméticas, portais de uma vida profissional e pessoal plena.

Esquerdização – Além de mascarar o fato de que nossa educação vai de mal a pior, a aprovação quase generalizada das escolas – especialmente por parte dos pais – não os permite enxergar outro problema grave que ocorre hoje nas salas de aula: a tendência prevalente entre os professores brasileiros de esquerdizar a cabeça das crianças. A doutrinação esquerdista é predominante em todo o sistema escolar privado e particular. É algo que os professores levam mais a sério do que o ensino das matérias em classe, conforme revela a pesquisa CNT/Sensus encomendada por VEJA.

O levantamento ouviu 3.000 pessoas de 24 estados brasileiros, entre pais, alunos e professores de escolas públicas e particulares. Sua conclusão nesse particular é espantosa. Os pais (61%) sabem que os professores fazem discursos politicamente engajados em sala de aula e acham isso normal. Os professores, em maior proporção, reconhecem que doutrinam mesmo as crianças e acham que isso é sua missão principal – algo muito mais vital do que ensinar a interpretar um texto ou ser um bamba em matemática.

Para 78% dos professores, o discurso engajado faz sentido, uma vez que atribuem à escola, antes de tudo, a função de "formar cidadãos" – à frente de "ensinar a matéria" ou "preparar as crianças para o futuro". Adversária do exercício intelectual, a ideologização do ensino pode ser resultado em parte também do despreparo dos professores para o desempenho da função. No ensino básico, 52% lecionam matérias para as quais não receberam formação específica – 22% deles nunca freqüentaram faculdade.

Che Guevara – Está claro, e a própria experiência mostra isso, que o viés político retira da escola aquilo que deveria, afinal, ser seu atributo número 1: ensinar a pensar – verbo cuja origem, do latim, significa justamente pesar. Diz o sociólogo Simon Schwartzman: "O verdadeiro exercício intelectual se faz ao colocar as idéias e os juízos numa balança, algo que só é possível com uma ampla liberdade de investigação e de crítica".

Não é o caso na maioria das salas de aula. Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Descubra quais conseqüências nefastas essa visão pode ter sobre os alunos, e o que o Brasil precisa fazer para melhorar a sua educação, na íntegra da reportagem de capa (exclusiva para assinantes).


3 comentários:

Anônimo disse...

A resposta positiva dos pais, creio, pode estar levando em conta a educação pública (neste sentido, consideram o dinheiro com a escola particular bem empregado, pois lhe faltam opções no país). Não olham para além disto, na verdade, nem sei se consideram mesmo que uma boa educação possa dar aos filhos algo melhor (nem eles se preocupam, muitas vezes, em dar boa educação a estes!).
Contudo, é bem verdade que, de outro lado, os professores se contentam com frases prontas como "educar para o futuro" (que futuro? Quem é capaz de predizer o futuro do aluno ou ainda determinar como este será a partir do que leciona?), ou "educar cidadãos" (é muita carga para a escola e a fuga da responsabilidade por parte de ontras intituições). Só se pode educar para o imprevisível. Contudo, meu caro, acredito sim que se deva ir além de ensinar bem a matéria. Não nego que ensiná-la bem é uma realidade rara no país, mas olhe, o homem que inventou a a bomba atômica aprendeu conteúdos aprofundadamente, o professor lhe ensinou muito bem. E como este conhecimento foi usado? Não como deveria... Creio que além de fazer bem esta tarefa (Ensinar, com letra maiúscula), cabe ao professor também trabalhar com a construção de valores, de criticidade, do encaminhamento do saber. São estas questões que tantos autores defendem e, Freire, à sua moda, tentou dizer. Também acho que ele está num altar que não deveria estar, mas tentar criar caminhos para melhorar a educação (seja com teorias, metodologias, discussões...) ainda é oficialmente a primeira e mais importante missão de quem se considera professor.

Lelec disse...

É Zé,

Pensei muito em você quando li a reportagem da Veja. É bom saber que há gente nadando contra corrente da boçalização do ensino brasileiro. Continue firme, mon ami, aqui no blog, na sala de aula e em todo lugar!

Abração,

Lelec

Ricardo Rayol disse...

ensinar a pensar? uma escola pública? só esperando sentado.

quanto a não cumprir promessas não esqueça dos 10 mil que prometeu me pagar fim do mês.