28 agosto, 2008

Ei, seu branquelo! Perdeu, perdeu....

O Senador Paim, do PT gaúcho, continua sua cruzada em favor do racialismo. O que é isso? É dividir a sociedade brasileira em raças. Que a estupidez chegue às universidades públicas, já é um absurdo, mas se criar cotas para negros nas empresas privadas é uma intromissão descabida do poder público num ente privado.

A proposta prevê que as empresas reservem 46% das vagas para negros! Isso mesmo, cor da pele se transformou em critério para a contratação. Isso é uma violência! Uma estupidez! Querem, com afinco, criar o ódio racial no Brasil.

Da AE - "A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado (CDH) aprovou hoje o projeto de lei do senador Paulo Paim (PT-RS) que estabelece cotas para negros nas empresas públicas e privadas. O texto reserva 20% dos cargos em comissão do grupo de Direção e Assessoramento Superiores (DAS) da administração pública, "que será ampliada gradativamente até que a ocupação desses cargos por afro-brasileiros seja equivalente à proporção dessas pessoas na população brasileira". Quanto às empresas privadas, as que tiverem mais de 200 empregados, deverão reservar 46% delas para negros.

O projeto estabelece ainda que os empregadores não poderão pedir fotografia ou declaração de raça ou cor dos candidatos a emprego. A tramitação do projeto está apenas começando. Terá ainda de ser examinado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, antes de ser encaminhada à Câmara dos Deputados.

No seu parecer, Paim afirma que a discriminação por motivo de raça, cor, ascendência ou origem racial ou étnica ainda persiste no mercado de trabalho brasileiro. Ele diz que a sua intenção é a de promover a inclusão nos setores público e privado. Para o senador, seria ingênuo, em boa fé, ou cínicos, em má-fé, se não reconhecesse o preconceito na sociedade brasileira. Daí porque entende que contra "essas regras não escritas, a Constituição de 1988 oferece remédios das ações afirmativas".

Reproduzo, abaixo, um pequeno poema de Manuel Bandeira, chamado Irene no Céu.

Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor


Imagino Irene entrando no céu:
- Licença, meu branco!

E São Pedro, bonachão:

- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

Irene no céu pelos próprios méritos!


PS: Nos arquivos, mês de maio 2008, há três posts em que trato do mesmo tema.

26 agosto, 2008

"VAMU RI"


Aqui, no DF, não terá eleição. Isso, em parte, é bom. Ao invés do chato e autoritário Guia Eleitoral, a gente, que mora em Brasília, fica com o chato e ufanista JK, minissérie da Globo exibida há dois anos, acho.

Então, para divertir os leitores fiéis, os infiéis e os desavisados, publico a charge do Amarildo, colhida no blog do Noblat. Afinal, se não tivermos um pouco de humor, fica difícil suportar tanta asneira!

24 agosto, 2008

A Cobra fumou!

E participação do Brasil na II Guerra, hein? Como será que nos saímos no mais importante e sangrento conflito de todos os tempos? Confira uma abordagem que apesar de não ser inédita, ainda é bastante desconhecida por muita gente, sobretudo para quem não é especialista. Leia aqui.

A participação dos nossos pracinhas nos combates em Monte Castelo, na Itália, contra as forças totalitárias do nazi-fascismo serviram para desmoralizar o regime do Estado Novo, comandado por Getúlio Vargas desde 1937. Apesar de vexatória sob muitos aspectos, a atuação de nossos pracinhas na Europa, lutando pela democracia liberal, contribuiu para restaurar, mesmo que provisoriamente, um governo liberal e democrático em nosso país.

21 agosto, 2008

Que mentira que lorota boa!

(leia primeiro o post abaixo)

Essa conversa mole do Júlio Severo de que a campanha de vacinação contra a rubéola faz parte de um plano do governo e do unicef para esterilizar a população brasileira para efeito de controle da natalidade me fez lembrar de duas coisas: a primeira, foi do livro O Presidente Negro, de Monteiro Lobato, onde os raios ômega que alisavam o cabelo pixaim dos negros, na verdade era um ardil dos brancos para esterilizá-los. Como os negros do romance, todos eles, queriam cabelos lisos, todos ficaram estéreis e assim, a ameaça da população negra não se abateria sobre os Estados Unidos. Que Lobato pensasse isso em 1926, entende-se. Afinal, na época, a eugenia estava em voga, contudo, não se pode negar, embora se possa compreender, a visão racista de Monteiro Lobato.

Em 1904, na cidade do Rio de Janeiro, houve um levante popular contra a obrigatoriedade da vacina contra a febre amarela e um dos argumentos era de que o governo estava tentando, com a vacina, exterminar a população pobre da cidade. Embora absurda, a idéia ganhava verossimilhança por conta da política do Bota Abaixo, empreendida pelo prefeito Pereira Passos. Que jornais, na época, desconfiassem da ação profilática da vacina, compreende-se, afinal, esse tipo de ação dava seus primeiros passos no mundo.

Como se estivéssemos nos primórdios do século XX, Julio Severo conclama a todos os brasileiros a não tomarem a vacina contra a rubéola porque ele não confia no governo Lula e porque ele desconfia que por trás disso tudo há a intenção de esterilizar a população. Diante de tanto delírio, só ouvindo um velho clássico de Luiz Gonzaga, cujo refrão, dá título a esse post




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Contra a direitite e a esquerdopatia, só se vacinando com a verdade e a lógica!

A internet é o último refúgio da liberdade. O aforismo não é meu, mas de um ministro de STF. A internet também é um terreno fértil para espalhar mentiras e fazer sensacionalismos. Quantas patetices encontramos todos os dias em blogs, e-mails, homepages, enfim, no ambiente virtual? Há muito tempo, escrevi que a esquerda sempre conta com a preguiça e a ignorância dos internautas para disseminar suas esparrelas e mistificações pela internet com o objetivo claro de demolir reputações ou achincalhar propostas, idéias e valores que não rezam pelo seu catecismo.

Até então, essas mentiras que circulam pela rede tinham origem esquerdopata e pegavam os ingênuos, os crédulos, os ignorantes e os preguiçosos. Hoje, contudo, recebi por e-mail um aviso alarmante, supostamente científico e com uma lógica fajuta. O que me surpreendeu não foi a informação mentirosa, mas a pessoa que me repassou. Sempre a tive e ainda a tenho em alta conta, por isso, causou-me espanto que ela tenha caído nessa esparrela, que, suspeito, tem origem numa doenç
a chamada direitite.


A informação falsa.

No e-mail que que recebi, há a seguinte denúncia, assinada por um tal de Júlio Severo, contra o ministério da saúde:

"Por causa de somente 17 casos de rubéola em bebês em gestação por ano, ministro pró-aborto do Brasil quer a vacinação forçada de 70 milhões de brasileiros, mesmo em quem já teve a doença e em que já foi vacinado. Quais os reais interesses por trás de tal atitude?"


"De 9 de agosto a 12 de setembro de 2008, toda a população de homens e mulheres na faixa etária dos 12 aos 39 anos no Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte será obrigada a ser vacinada. Será a maior vacinação na história do mundo. Qual o motivo de uma vacinação tão grande contra uma doença que não é mortal nem representa risco para a vasta maioria da população do Brasil"?

Oficialmente, foram registrados, ano passado, 8407 casos da rubéola no Brasil. 70% desses casos foram em pacientes homens. Ora, afirmar que no ano de 2008 só foram registrados 17 casos, é uma mentira estatística.

A rubéola é muito perigosa para mulheres que estão no início da gestação pois compromete o desenvolvimento do feto e pode causar malformações ou algum tipo de deficiência na criança, por exemplo. Vacinar homens e mulheres é uma medida profilática e só foi tomada por causa do recrudescimento de surtos da doença no país. Simples assim.


O articulista expõe seus delírios estapafúrdios acusando até a ONU e o Unicef. É uma típica teoria conspiratória. O governo brasileiro, mancomunado com a ONU e o Unicef, estariam enganando a população, pois essa vacina é um estratagema para o controle da natalidade no Brasil, pois traz, como efeito colateral, a esterilidade, acusa Julio Severo.

No Brasil, Severo? Acaso você não leu que a taxa de fecundidade da mulher brasileira atingiu a marca de 1,8 filhos por mulher, desativando a nossa "bomba" demográfica? Chegamos a esses números, oh bocó, sem a interferência direta do governo, nem com vacina (hehehehe).

De forma capciosa e revelando traços de prestidigitação, Júlio Severo induz o leitor a acreditar que em 2008 apenas 17 casos de rubéola foram confirmados no Brasil. Mentira! Os números já passam dos 1000, isso oficialmente. Os 17 casos, deturpados por ele, foram de bebês que nasceram com a SCR (Síndrome da Rubéola Congênita) e mesmo assim, só no Estado de São Paulo. Manipulando os números, ele pergunta se por causa de 17 casos justifica-se a vacinação em massa. É um tolo! Um estúpido! Há quanto tempo se promove a vacinação contra a poliomielite? Há quanto tempo não se registra um único caso dessa doença no Brasil? Eu digo, há quase 20 anos! E por que a campanha continua? Porque em outros países o vírus da pólio ainda atua e se ainda atua, não se pode interromper as campanhas de imunização. A rubéola, Mané, precisa ser controlada, porque ela pode espalhar-se e aí sim, os bebês - que você diz defender, quando nascerem, se vierem a nascer, é que terão problemas sérios.

Em seu artigo, o cerne do argumento dele é a desconfiança que ele tem de José Gomes Temporão, taxado de ministro pró-aborto. Na cabeça perturbada de Júlio Severo, cujas madeixas volumosas dão um ar meio juvenil ao moço, o ministro Temporão, que é a favor da descriminalização do aborto - o que é muito diferente de ser a favor do aborto - não pode, de verdade, estar preocupado com fetos que sofrerão conseqüências graves por causa da rubéola, uma vez que ele não gosta dos bebês. Eis a tese de Júlio Severo! Esse moço é um mimo! Conheço muita gente que é favorável ao aborto e que tenho certeza absoluta que não apóiam ou apoiariam qualquer medida de esterilização em massa.

Em
seu artigo ele exibe alguns links em português, em inglês e em espanhol, todos muito longos, pois ele conta com a preguiça dos leitores bobocas. Num deles, ele tenta provar que em 2006 numa campanha de vacinação na Argentina, havia, na vacina aplicada na população, componentes que impediam a gravidez. A fonte? Um estudo sem nomes, endereços ou detalhamentos dos testes, enfim, uma falsificação.


A história é toda rídicula e não valeria muito a pena perder tempo com ela não fosse pelo potencial letal que um boato dessa natureza pode causar nas pessoas. O sucesso de uma mentira, por mais estúpida que ela seja, é justamente não ser confrontada com a verdade. Quando se dá conta, ela - a mentira - já ganhou status de verdade e aí, todos perdem.

16 agosto, 2008

Eu voltei, mas porque foi preciso.


Sei bem que eu disse que ficaria afastado por uns tempos. Eu sei que esta não foi a primeira nem será a última vez que não cumpro o que prometo. Porém, minha volta será breve, quase relâmpago.

Há muito tempo venho dizendo que a doutrinação ideológica nas nossas escolas é um mal que de tão antigo não sei se será curado sem um tratamento amargo. O caminho é longo, mas os dois primeiros passos são simples de dar: tirem o picareta do Paulo Freire do altar e exijam que os professores, vejam que coisa, ensinem a matéria, os conteúdos e não fiquem nessa bobajada de que a escola tem que formar o cidadão. A escola tem é que ensinar português e matemática direito, pronto.

Que o profesor de português ensine a gramática e não apenas a interpretação de texto. Muitos "zé paulos" deixarão de existir com essa medida. Que o professor de matemática desenvolva o raciocínio lógico e não o "raciosímio" com continhas esquerdopatas. Que os professores de História e de Geografia ensinem o que aconteceu e o que acontece sem manipular números, sem apelar para falsificações e simplismos. Que parem de repetir que a Vale do Rio Doce foi vendida a preço de banana; que os EUA invadiram o Iraque por causa do petróleo; que Che Guevera é como Jesus Cristo. Tudo isso são mistificações tolas, quando não, ignorância pura e simples! Enfim, que os professores ensinem e não, doutrinem!

Abaixo, reproduzo uma parte da matéria de capa da revista Veja. Ela está ainda mais instigante esta semana. São muitos os temas a discutir, péssima hora para acumular trabalho.

Pais aprovam as escolas, apesar da má qualidade
16 de Agosto de 2008

Uma pesquisa encomendada por VEJA à CNT/Sensus revela que, apesar da péssima colocação das escolas brasileiras em rankings internacionais de educação, pais e professores aprovam o ensino ministrado no país. Para 89% dos pais com filhos em escolas particulares, o dinheiro é bem gasto e tem bom retorno. No outro campo, 90% dos professores se consideram bem preparados para a tarefa de ensinar. Como mostra a reportagem de capa da edição desta semana da revista, baseada no levantamento, essa satisfação esconde o abismo da dura realidade – o ensino no Brasil é péssimo, está formando alunos despreparados para o mundo atual, competitivo, mutante e globalizado.

Em comparações internacionais, os melhores alunos brasileiros ficam nas últimas colocações. No último ranking internacional mais respeitado, os estudantes do Brasil aparecem em situações vexaminosas – 53º lugar em matemática e 52º em ciências em uma lista de 57 países. Isso significa que os sistemas educacionais público e privado continuam produzindo estudantes incapazes de compreender um texto e de realizar com destreza as operações aritméticas, portais de uma vida profissional e pessoal plena.

Esquerdização – Além de mascarar o fato de que nossa educação vai de mal a pior, a aprovação quase generalizada das escolas – especialmente por parte dos pais – não os permite enxergar outro problema grave que ocorre hoje nas salas de aula: a tendência prevalente entre os professores brasileiros de esquerdizar a cabeça das crianças. A doutrinação esquerdista é predominante em todo o sistema escolar privado e particular. É algo que os professores levam mais a sério do que o ensino das matérias em classe, conforme revela a pesquisa CNT/Sensus encomendada por VEJA.

O levantamento ouviu 3.000 pessoas de 24 estados brasileiros, entre pais, alunos e professores de escolas públicas e particulares. Sua conclusão nesse particular é espantosa. Os pais (61%) sabem que os professores fazem discursos politicamente engajados em sala de aula e acham isso normal. Os professores, em maior proporção, reconhecem que doutrinam mesmo as crianças e acham que isso é sua missão principal – algo muito mais vital do que ensinar a interpretar um texto ou ser um bamba em matemática.

Para 78% dos professores, o discurso engajado faz sentido, uma vez que atribuem à escola, antes de tudo, a função de "formar cidadãos" – à frente de "ensinar a matéria" ou "preparar as crianças para o futuro". Adversária do exercício intelectual, a ideologização do ensino pode ser resultado em parte também do despreparo dos professores para o desempenho da função. No ensino básico, 52% lecionam matérias para as quais não receberam formação específica – 22% deles nunca freqüentaram faculdade.

Che Guevara – Está claro, e a própria experiência mostra isso, que o viés político retira da escola aquilo que deveria, afinal, ser seu atributo número 1: ensinar a pensar – verbo cuja origem, do latim, significa justamente pesar. Diz o sociólogo Simon Schwartzman: "O verdadeiro exercício intelectual se faz ao colocar as idéias e os juízos numa balança, algo que só é possível com uma ampla liberdade de investigação e de crítica".

Não é o caso na maioria das salas de aula. Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Descubra quais conseqüências nefastas essa visão pode ter sobre os alunos, e o que o Brasil precisa fazer para melhorar a sua educação, na íntegra da reportagem de capa (exclusiva para assinantes).


12 agosto, 2008

Vou mergulhar... no trabalho!

Caríssimos!

Estarei ausente por tempo indeterminado. Entre uma e duas semanas. As razões? Uma série de obrigações que tomarão um tempo grande. Enquanto isso, se quiserem ,leiam um post antigo clicando no link abaixo.

O começo é sempre difícil

Isso dá um trabalho dos diabos, por favor, procurem nos arquivos os posts de janeiro de 2008 ou outro qualquer.

Vou, mas volto, embora não saiba ao certo quando.

06 agosto, 2008

Que homenagem

do blog do Lelec

Zé Costa, uma voz rara


Ele se chamava Gonzaga. Pouco sabíamos daquele professor corpulento, introspectivo, de braços grossos, voz forte e de grande autoridade na sala de aula.

O mais importante que conhecíamos daquele homem era um caso marcante de sua biografia. O Gonzaga havia sido lutador de boxe. Um dia, enfrentou um boxeador que atendia pela alcunha de Boiaps. Isso mesmo: Boiaps. O Gonzaga não teve sorte contra o tal Boiaps: levou um socão que lhe quebrou a articulação da mandíbula. Teve que abandonar a carreira de boxeador. Foi aí que resolveu estudar História e tornar-se professor.

A máxima ofensa que se podia fazer ao Gonzaga era chamá-lo de Boiaps. Certa vez, um colega meu o fez e ficou alguns dias suspenso. Ninguém brincava com o Gonzaga, nem tripudiava da sua dificuldade de dicção, certamente resultado do enorme caroço que ficara ali amontoado onde houve a fratura da articulação mandibular esquerda.

Mas o Gonzaga tinha outra particularidade: ele não era de esquerda. Foi o único professor de História que tive que não era esquerdista. O único. Nada contra alguém ser de esquerda (desde que da esquerda inteligente). Nada contra alguém votar em bons candidatos do PT (já votei muitas vezes, inclusive nos ruins, confesso).

Mas o intolerável eram os professores que raivosamente doutrinavam alunos com uma visão marxista da história, pregando ódio aos EUA e à economia de mercado. Muitos o faziam com a estrela do PT no peito, em plena sala de aula. Lembro-me de um que tirou um recesso para ir a Cuba, junto com outros docentes. Ao voltar, pintou-nos um lindo panorama da “democracia” cubana. Nós, “povo marcado, povo feliz”, acreditávamos. Aliás, nunca nenhum deles nos falava das atrocidades dos regimes comunistas. Só fui sabê-las depois que saí da escola.

Hoje, não admitiria mais isso. Dentro da sala de aula, o professor não pode usar um distintivo do partido que for, nem vestir um símbolo religioso, pois ele está em situação de poder em relação aos alunos, muito mais jovens e com menor capacidade de argumentação.

O segundo professor de História que eu conheci e que não é esquerdopata é o Zé Costa. É sempre surpreendente lê-lo e ver que ele escapou da doutrinação vermelha que se faz nas universidades públicas brasileiras. É fato raro, raríssimo, algo que denota grande capacidade de crítica intelectual.

O Zé Costa tem dois blogs: um (Histórias) é dedicado exclusivamente à História e, outro (O Typhis Pernambucano), a discussões variadas: política, religião, etc. A leitura desses blogs nos mostra, além de um blogueiro zeloso pela língua pátria (outra característica incomum nos docentes atuais), um professor com visão crítica dos processos históricos, que não chama de herói quem é vilão, que não faz “releituras” históricas malabarísticas para acobertar as deficiências de uma ideologia capenga.

Enfim, se não tive a sorte de ter tido um professor assim, ao menos é lendo o Zé Costa que vou corrigindo a distorção dos fatos históricos que recebi nos colégios por onde passei. Para esses doutrinadores que pululam aos montes no ensino brasileiro, as idéias do Zé Costa são mais potentes que o soco do Boiaps. Que ele continue boxeando contra essa farsa!

04 agosto, 2008

Um absurdo

Estou absolutamente surpreso com a ação que PF desenvolveu em abril deste ano na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. Vejam aqui e tenham uma aula de 10 minutos de autoritarismo, abuso de poder e desrespeito à constituição.

A fonte é esta.

Leia, abaixo, o post escrito pelo jornalista Reinaldo Azevedo

Conhecem Tarso Genro, o ministro da Justiça que quer rever a Lei da Anistia para punir apenas aqueles que ele considera seus adversários? Pois bem. Ele é também o chefe da Polícia Federal e comandou pessoalmente a operação para expulsar os arrozeiros da reserva Raposa Serra do Sol, como todos sabem. Sim, são aqueles fazendeiros que ocupam apenas 0,7% da área, onde produzem, anualmente, 152 mil toneladas de arroz, consideradas vitais para o abastecimento da Região Norte do país, segundo o próprio Ministério da Agricultura.

Tarso, fica claro a cada dia, é um perigo para a democracia. Resta evidente que ele se aproveita das licenças concedidas pelo estado de direito para transgredi-lo e para turvar a democracia. Não conhecíamos, até agora, detalhes da ação da PF em Raposa Serra do Sol. Vimos apenas o que publicou uma imprensa notavelmente bem-comportada (com o governo), que já tinha elegido (é o certo no caso, não “eleito’) os seus bandidos e os seus mocinhos. Como é usual no Brasil, quem produz um alfinete que seja corre o risco de ir parar atrás das grades.

Pois bem. Peço a vocês que vejam o vídeo que está neste endereço (tentei postar o código HTML, mas não funcionou). Vocês verão aí índios indignados com a ação cinematográfica da Polícia Federal. Uma indígena pede até a presença de Lula no local para poder comê-lo “assado”. Não faça isso, minha boa silvícola... Se você não quiser ver o vídeo inteiro, essa passagem está entre 2min43s e 3min38s. Outra mulher, também índia, deixa claro que a PF usa como base de operação a “missão” (3min57s-4min35s). A “missão” é um dos aparelhos do Conselho Indigenista Missionário que há na região, financiado por ONGs e ligado à CIR — Conselho Indígena de Roraima, entidade que recebe dinheiro, entre outros, da Fundação Ford e que representa a minoria dos índios locais. Adiante.

Até aí, nenhuma novidade. Vale a pena ver o vídeo todo para ressaltar o ridículo de Tarso Genro e de seus homens de preto. Mas uma passagem, em especial, merece ser apreciada: a invasão da Fazenda Canadá, a partir de 6min31s. Os agentes chegam, e se trava, então, o seguinte diálogo:

PROPRIETARIO – Tem mandado judicial?
POLICIAL – Negativo.
PROPRIETÁRIO – Não tem mandado judicial?
POLICIAL – Não temos mandado judicial.
PROPRIETÁRIO – Então eu não vou permitir vocês entrarem sem mandado judicial.
POLICIAL – Então nós vamos entrar à força.
PROPRIETÁRIO – Perfeitamente.
POLICIAL – Como está sendo feito em outras propriedades também.
SEGUNDO POLICIAL POLICIAL – O sr. pode esclarecer como o sr. vai resistir a isso?
PROPRIETÁRIO – Posso, posso, eu vou resistir...
SEGUNDO POLICIAL – Como?
PROPRIETÁRIO – Eu vou resistir dentro da legalidade, na Justiça.
SEGUNDO POLICIAL – O sr. vai resistir de alguma outra forma?
PROPRIETÁRIO – Eu vou resistir dentro da legalidade, na Justiça.
SEGUNDO POLICIAL – Ok. Tudo bem.
E os meganhas cortam o cadeado e invadem a fazenda. Sem mandado judicial.

O diálogo acima é por demais eloqüente. Dispensa grandes considerações Observem, se vocês quiserem um motivo adicional para indignação, que, mesmo depois de o proprietário ter deixado claro que vai resistir na Justiça, há uma espécie de provocação, tentando induzi-lo a dizer algo que caracterize resistência ativa à ação policial — o que, certamente, levaria a PF a fazer o que fez com outro fazendeiro: meter-lhe algemas nos braços.

Este é o estado policial de Tarso Genro, o trotskista surtado. Como vocês bem sabem, a questão tramitava e tramita na Justiça, e os agentes federais jamais poderiam ter invadido uma propriedade sem mandado judicial. Como? “Não é propriedade”? “É tudo dos índios”? A questão, reitero, está sub judice. É mais um abuso de autoridade patrocinado pelo ministro da Justiça.

03 agosto, 2008

QUO VADIS?

A tradição da Igreja nos ensina que os primeiros cristãos quando eram presos por autoridades do império romano tinham como destino servirem de diversão na arena para o povo e o imperador, que ficavam eufóricos com o espetáculo macabro de leões comendo cristãos.

Embora muitos cristãos, como qualquer pessoa normal, ficassem apavorados diante de um leão faminto, não eram raros os casos em que os seguidores de Jesus de Nazaré entoavam cânticos de louvor, felizes por estarem morrendo em nome do Salvador. Ainda segundo a Tradição, os imperadores romanos ficavam entre surpresos e decepcionados com aquelas atitudes. Esperavam medo, revolta, gritos, choros de desespero, mas encontravam nos cristãos: alegria, fé, lágrimas de júbilo. A certeza da recompensa futura confortava aquelas pessoas prestes a serem devoradas pelas feras.

Ainda bem que o espetáculo das antigas arenas romanas chegou ao fim. Muitos dizem que aquele modelo de fé e de cristianismo também ficou para trás.

Comparo a surpresa e a decepção que muitos homens instruídos e sábios têm diante de uma família que, por causa de sua fé, decide não seguir o que pensa a ciência e os sábios, com a supresa e a decepção que marcavam os imperadores romanos diante da demonstração de fé dos primeiros cristãos. Não me refiro aqui, é lógico, a atitude fanática que enxerga numa vacina ou numa transfusão de sangue, algo pecaminoso. Mas à decisão de manter uma gravidez mesmo sabendo que o feto é anencefalo ou apresenta outras deficiências congênitas.

Não faz muito tempo, uma auxiliar de enfermagem aqui de Brasília descobriu que esperava seu primeiro filho. As primeiras ultrassonografias, contudo, constataram que a criança apresentava uma série de malformações, a mais grave era a ausência dos rins. A criança nasceria morta ou viveria poucos instantes após o parto. A mãe estava no terceiro mês de gestação.

Contrariando as expectativas, a corajosa auxiliar de enfermagem decidiu prosseguir com a gravidez. Deu nome à filha e desenvolveu toda uma relação afetiva com ela. Não estou romantizando. A mulher sofreu, chorou, desesperou-se até. Mas no fim, sua fé cristã lhe deu forças não só para manter a gravidez como para amar aquela filha que, enquanto estivesse em seu ventre, estaria viva.

Depois de 8 meses, houve a cesariana e a pequena menina, horas depois, faleceu. A mãe chorou, mas disse que a maior alegria dela foi ver por poucas horas o rosto da sua filha. Toda a equipe ficou comovida quando a mãe, ainda sob forte emoção, olhou para o corpo já sem vida de seu bebê, e disse: “eu nunca iria abortar você, meu amor”

Imagino que para as pessoas sem fé ou sem filhos e que, claro, pensam nos custos de se manter viva uma criança “inviável”, o exemplo real, citado acima, não faça sentido; seja até, piegas. Afinal, por que manter por meses uma gravidez inviável? Por que dedicar um amor a um ser que nunca poderá falar ou interagir? Por que lesar o contribuinte ou ocupar leitos de UTI com um bebê que não sobreviverá por muito tempo?

Essas perguntas assombrosas são comuns em pessoas que, como os primeiros césares que perseguiam os cristãos, nada entendem de fé, e, talvez por isso, fiquem entre indignados e perplexos com a atitude de mulheres como a auxiliar de enfermagem ou mesmo a mãe da menina Marcela de Jesus.

PS: Assitam ao filme Quo Vadis, vale a pena, garanto!

02 agosto, 2008

"A cada enxadada, uma minhoca"




Que os militantes de esquerda em geral e os petistas em particular sempre tiveram simpatia, quando não, uma especial admiração pelas Farc, é indubitável. Que muitos professores, pesquisadores, doutores, pessoas sempre cheias de boas intenções, defendiam em suas aulas, artigos, entrevistas e palestras, as ações das Farc, é outro ponto do qual ninguém duvida. Que políticos expressivos do PT defendiam os bandoleiros da Colômbia, é público e notório. Mas o que surpreende é que eles mantivessem um contato estreito, de colaboração, com a narcoguerrilha.

A revista colombiana Câmbio, desnuda o que chamou de dossiê brasileiro e revela e-mails de dirigentes das Farc onde se constata a aproximação de altos funcionários da República com os terroristas

A linha de defesa do governo já começou, como de praxe, nos setores da imprensa que estão sempre prontos a endossar, por mais inverossímeis que sejam, a versão do governo. Veja como um jornalista comenta a revelação da revista colombiana:

“A partir do conteúdo dessas mensagens eletrônicas, a revista construiu o que batizou de “O dossiê brasileiro.” Quem lê a introdução fica de cabelos hirtos. Começa assim: “O computador de Raúl Reyes revela que os vínculos das Farc com altos funcionários do governo do Brasil, entre eles cinco ministros, chegaram a níveis escandalosos.” Avançando-se na leitura, percebe-se que a reportagem, que ecoou nas agências internacionais, não chega a justificar o estrépito da introdução.”

Calma lá, sr. Jornalista. Então, a proximidade de autoridades do governo brasileiro com um grupo, vá lá, guerrilheiro, que seqüestra, trafica, mata e que prega a luta armada contra um governo democrático e constitucional, não é um escândalo? Então, meu Deus! O que será um escândalo para o jornalista?

Os e-mails relatam uma proximidade com gente do PT ou que mantém uma grande simpatia pelo partido. Leiam esse trecho:

No texto, um “Cura Camilo” ainda inquieto com a possibilidade de ser extraditado para a Colômbia relata encontro que mantivera com o procurador da República Luiz Francisco de Souza. Personagem conhecido. Algo folclórico. Simpático ao PT, infernizou a gestão FHC com um sem-número de ações. “Cura Camilo” contou: O Luiz Francisco “me deu o seguinte conselho: andar com uma máquina fotográfica e, se possível, com uma filmadora, para, em caso de voltar a ser parado por um agente de informação, fotografá-lo e gravá-lo, tendo o cuidado de não permitir que o agente agarre a máquina ou a filmadora. Que, em relação com o sucedido, façamos uma denúncia dirigida a ele, como procurador, para fazê-la chefe da PF e à Abin.”


Veja outros e-mails divulgados pela revista Câmbio:

1 - “É possível que me visite um assessor especial de Lula chamado Selvino Hech, que, junto com Gilberto Carvalho, foi outro que nos ajudou bastante.”

2 - "Estive conversando com a deputada federal Maria José Maninha [PT-DF]. Combinamos que vai me abrir caminho rumo ao presidente via Marco Aurelio García."


3 – "Por intermédio do lendário líder do PT Plínio Arruda Sampaio [hoje no PSOL], chegamos a Celso Amorim...”
“...Plínio mandou nos dizer [...] que o ministro está disposto a receber-nos. Que tão logo tenha um espaço em sua agenda nos recebe em Brasília.”

4 “Chegou um jovem de uns 30 anos e se apresentou como Breno Altman (dirigente do PT), me disse que vinha da parte do ministro da presidência José Dirceu...”

Disse “que, por motivos de segurança, eles haviam combinado que as relações não passariam pela secretaria de Relações Internacionais, se dariam diretamente, através do ministro, com a representação de Breno."

comento:

É inverídica a atuação pessoal da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, na contratação da mulher de Olivério Medina, um “embaixador” das Farc no Brasil? Por que a ministra mais poderosa do governo se empenharia tanto para empregar uma "desconhecida" no terceiro escalão do governo?

Os ingênuos e os cínicos, retrucam: "há algum e-mail desses assessores, ministros, políticos, procuradores para os dirigentes das Farc"? Não. Petista só deixa rastro em se tratando de grana. Mas a verossimilhança é impressionante. Ademais, não custa solicitar dos personagens citados na reportagem se confirmam ou não os relatos dos e-mails. É provável que neguem, mas aí, basta aparecer uma prova de que os e-mails são verdadeiros e os relatos também, para os personagens terem que se desdizer.

Aliás, o governo já sabia dessa bomba, desde que os computadores de Raúl Reyes foram apreendidos quando da ação do exército colombiano no Equador, que gerou todo aquele incidente diplomático. Tanto, que o chefe do gabinete presidencial, Gilberto Carvalho, sugeriu que a história fosse divulgada, aos poucos, sob o controle do governo; mas Marco Aurélio Garcia, aquele do Top, Top, foi contra e conseguiu convencer o governo a evitar a divulgação da história.

Soou estranho que nas últimas semanas, o presidente Lula, o ministro Celso Amorim e o nefasto Marco Aurélio Garcia procuraram, com declarações, afastar-se das Farc. Pois é, agora se sabe porquê.

ps: O post estava nos arquivos. Aos poucos, alguns personagens citados nos e-mails, como Breno Altman e Gilberto Carvalho, confirmam que mantiveram contato com as Farc, mas apnas para ajuda humanitária, nada de política. O único, até agora, que nega a colaboração e insinua que os e-mails são uma armação, é o Top, Top, Marco Aurélio Garcia.