26 julho, 2008

Sem reduzir os gastos, só aumentando os juros.

O real problema: aumento dos gastos públicos.
De empresários a sindicalistas, passando por partidos da oposição e até aliados do Governo, as críticas ao aumento da taxa Selic foram uníssonas. Muitas dessas críticas, principalmente da área sindical, foram apenas retórica chinfrim. Uma maneira de marcar posição e jogar para a platéia. Outras, no entanto, tocaram no âmago da questão e lembraram o óbvio: sem cortes de gastos do governo e a persistir a pressão inflacionária, novos aumentos de juros serão inevitáveis para conter a inflação.

O aumento da taxa Selic é uma das medidas que ninguém gosta, mas que se tornam necessárias num ambiente de pressão inflacionária. O aumento dos juros não só infla a dívida pública, como desestimula novos investimentos, desencoraja o consumo e reduz a perspectiva de diminuição da taxa de desemprego. É um remédio amargo, mas necessário.

O que é preciso lembrar, contudo, é que a pancada que o Copom deu na taxa Selic poderia ter sido muito menor se o Governo Lula adotasse uma severa redução nos gastos do governo. A contratação excessiva de servidores públicos, a ampliação de programas sociais e a facilidade do crédito - esta última começa a ser contida - são hoje as causas internas para essa nova e perigosa pressão inflacionária. Incapaz de combater as pressões externas - inflação das commodities agrícolas e o petróleo - e sem convencer o Planalto da importância de reduzir gastos, o Banco Central, como guardião da saúde monetária, só tinha uma alternativa: aumentar duramente, em 0,75% a taxa básica de juros.

Entre as críticas que li sobre a decisão do Copom, a mais racional foi uma nota do PSDB que tocou no ponto central do problema. Diz a nota:

"O governo Lula faz hoje uma política econômica esquizofrênica: expande a taxa de juros real para conter a demanda da economia e eleva a despesa fiscal com o aumento dos juros, além de ampliar de maneira irresponsável os gastos federais com avalanches de contratações e aumentos de salários.

Só neste ano foram 56 mil novas contratações entre carreiras e funções comissionadas. Esses aumentos vão resultar numa expansão de 53% da folha do Tesouro Nacional até 2012. Essa é a verdadeira política antiinflacionária do governo Lula, que deixa de fazer o que seria certo: primeiro, conter o vertiginoso aumento dos gastos correntes, uma verdadeira farra fiscal, comprometendo o futuro do Brasil e jogando o peso da gastança para os próximos governos; segundo, limitar a expansão do crédito.

Ambas as medidas tirariam o pretexto para elevar os juros, a supervalorização do câmbio e o aumento do déficit fiscal. A adoção delas implica o funcionamento de um governo austero e competente do ponto de vista gerencial, capaz de se controlar e trabalhar com responsabilidade."

As críticas, portanto, não devem ser dirigidas ao Copom, ao Banco Central, à política econômica neoliberal que enriquece os banqueiros, como costumam dizer os bucéfalos de sempre. As críticas devem ser dirigidas a uma política populista que para ganhar votos ameaça, a médio prazo, os fundamentos macroeconômicos do país, comprometendo o desenvolvimento econômico e social dos brasileiros.

Um comentário:

Carlos Emerson Jr. disse...

O mais curioso é que essa gastança é feita sem nenhuma preocupação com um futuro governo, que pode muito bem ser petista ou aliado...
Quer dizer, os caras assumidamente não estão preocupados com o futuro.
Ou não tem noção...
Um abraço e bom domingo.