24 julho, 2008

Os idiotas da Força

No século XVII, quando o Sistema Colonial ainda não estava em crise, mas a economia portuguesa capengava a olhos vistos, sua Majestade, o rei de Portugal, D João IV e mais tarde, D José I, adotaram medidas que visavam, primeiramente, aumentar a arrecadação de impostos, dando às finanças do Estado português um certo alívio. Entre essas medidas estavam a criação de Companhias de Comércio, que em troca do monopólio concedido pelo Estado, pagavam altas somas de ouro ao governo, e uma maior fiscalização na arrecadação de impostos. Pode-se citar, como exemplo dessa medida, a criação das Casas de Fundição nas regiões mineradoras, o que impedia o contrabando de ouro e aumentava os impostos arrecadados pela fisco real. Essas medidas, em maior ou menor grau, desagradavam os colonos que se sentiam prejudicados, ora porque teriam mais dificuldades em driblar o fisco, ora porque o monopólio das companhias de comércio tornavam as relações comerciais com os colonos assimétricas, favorecendo sempre as companhias e a Coroa.

Num quadro desses, você leitor, poderia imaginar que as insatisfações dos colonos miravam o Pacto Colonial e o próprio rei, uma vez que nada no Antigo Regime acontecia sem a concordância do monarca. Que nada! Os colonos reclamavam das medidas, mas absolviam o rei! Os colonos acreditavam que o pobre rei era ludibriado pelos conselheiros, pelos burocratas, pelos sanguessugas que o rodeavam. O rei não podia pensar em fazer o mal para os súditos. Isso era coisa de assessores que pensavam antes em enriquecer do que em beneficiar o povo.

Por que todo esse intróito? Para dizer que as Centrais Sindicais, sobretudo a CUT e a Força Sindical que são meras correias de transmissão do Governo Lula, afinal quem paga o almoço não pode ser contrariado, não é mesmo?, protestaram com veemência contra o aumento de 0,75% na taxa Selic. Dirigiram seus protestos ao Banco Central, mas como os colonos do século XVII faziam ao relação ao rei, absolveram Lula de tal medida.

Acho que o BC agiu corretamente. Tenho a convicção que o único mérito de Lula é ter a sagacidade de não "inventar" na política macroeconômica, por isso, os resultados de nossa economia vêm aparecendo. Enfim, o maior mérito do presidente é ter afastado o PT e os petistas da economia.

Agora passemos para os argumentos dos valentes sindicalistas. Eles em vermelho e eu em azul

Diz a Força Sindical em nota:

"Para a Força Sindical, se o governo quer combater a inflação, tem de incentivar o aumento da produção de alimentos e reduzir os impostos dos produtos da cesta básica."

Os gênios da Força imaginam que aumentando o consumo – o que inevitavelmente ocorreria com as medidas propostas - a inflação cairia. Desconhecem, é claro, que um dos fatores da inflação é uma maior quantidade de dinheiro circulante. Reduzir impostos para combater a inflação é só estupidez. Reduz-se imposto para estimular o crescimento, não para combater inflação.


Dizem os sindicalistas da Força que aumentando a produção de alimentos, a inflação nesses itens cairá. É mesmo? E cairá quando? Quanto tempo levará entre uma safra e outra para esse aumento na produção de alimentos derrubar os preços? E até lá, o que fazer? Deixar a inflação subir?

O que essa gente tosca não entende é que num ambiente inflacionário o mais importante é evitar um clima generalizado de desconfiança. Caso isso ocorra, pronto, a inflação voltará com força. Por isso, apesar de reconhecer os efeitos negativos da alta dos juros, aplaudo a decisão do Copom. O mercado entendeu que manter a inflação sobre controle é mais que um desejo, é um compromisso do governo.

Como as causas da aceleração da inflação estão relacionadas à conjuntura internacional, a iniciativa do Copom terá pouco efeito prático nos preços das mercadorias — alimentos, petróleo e minerais.

Eles acertam ao dizer que as causas da inflação estão relacionadas à conjuntura internacional. Contudo, essa razão, ao invés de desabonar a medida do Copom, justifica o aumento dos juros de forma mais incisiva. A decisão indica, por exemplo, que este surto não desaparecerá rapidamente e precaver-se contra ele, com fez o Copom, reforça para o mercado a disposição de não dar trégua para a inflação.

Os gênios da Força acham que as medidas serão inúteis. Até concordo que alguém conteste a dose do remédio, mas daí a dizer que ele terá efeito nulo ou é ignorância ou má-fé. Torçamos, meus caros valentes, para a inflação não voltar mais forte, caso contrário, creiam, os juros atingirão valores ainda mais altos, como os de 1998 e 1999.

Um comentário:

Ricardo Rayol disse...

mas demitir aspones ninguém quer