31 julho, 2008

Estrela


Eu não sei exatamente quantos anos eu tinha, mas me lembro que eu estava sentado junto à porta da cozinha observando minha mãe lavando os pratos. Na nossa casa havia um quintal grande, com muitas árvores frutíferas e que à noite, por falta de iluminação, o céu ficava imensamento belo, cheio de estrelas. Observando as estrelas, lembro que uma delas piscava muito,à vezes parecia azul, outras vezes vermelha. Aquele espetáculo no céu noturno prendia minha atenção de maneira especial.

Minha mãe, intrigada com o meu interesse pelas estrelas, perguntou-me o que eu queria ser quando crescer: "Astronauta ou astrofísico", respondi sem saber o que exatamente essas palavras significavam...

Um pouco depois, deparei-me com a poesia A estrela, de Manuel Bandeira. Foi um dos primeiros versos que consegui decorar - os primeiros foram os versos de Tragédia no lar, de Castro Alves - e que me marcou profundamente. Compartilho com vocês, espero que gostem:

A Estrela

Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alto luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.


Recomendo também estes versos de Bandeira. Abaixo, uma canção de Oswaldo Montenegro.


Um comentário:

Lelec disse...

Olá Zé Costa,

É lindo mesmo esse poema do pernambucano Manoel Bandeira.

O garoto que nunca se encantou com as estrelas e que nunca pensou em ser astronauta ou astrofísico não teve infância! Até hoje, quando olho para o céu estrelado, me dá uma vontade de entrar em um foguete espacial...

Abraço,

Lelec