31 julho, 2008

Estrela


Eu não sei exatamente quantos anos eu tinha, mas me lembro que eu estava sentado junto à porta da cozinha observando minha mãe lavando os pratos. Na nossa casa havia um quintal grande, com muitas árvores frutíferas e que à noite, por falta de iluminação, o céu ficava imensamento belo, cheio de estrelas. Observando as estrelas, lembro que uma delas piscava muito,à vezes parecia azul, outras vezes vermelha. Aquele espetáculo no céu noturno prendia minha atenção de maneira especial.

Minha mãe, intrigada com o meu interesse pelas estrelas, perguntou-me o que eu queria ser quando crescer: "Astronauta ou astrofísico", respondi sem saber o que exatamente essas palavras significavam...

Um pouco depois, deparei-me com a poesia A estrela, de Manuel Bandeira. Foi um dos primeiros versos que consegui decorar - os primeiros foram os versos de Tragédia no lar, de Castro Alves - e que me marcou profundamente. Compartilho com vocês, espero que gostem:

A Estrela

Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alto luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.


Recomendo também estes versos de Bandeira. Abaixo, uma canção de Oswaldo Montenegro.


27 julho, 2008

Nasceu Peri, mas quer ser Ceci.

Numa declaração que se tornou antológica e profética, Falcão, não o ex-jogador gaúcho, mas o cantor cearense, disse há algum tempo no programa do Jô: “Eu comecei a observar essa história da grande proliferação da viadagem no Brasil e no mundo. Eu tenho uma teoria que daqui a cinco anos, no máximo, o cara que não for gay vai ser vaiado na rua. Não arranja mais emprego, não entra nem em casa”. Pois essa “proliferação” já chegou às florestas.

Será que a Funai vai permitir que os ticunas discriminem os meninos que tinham tudo para ser um Peri, mas preferiram ser Iracema? Não seria uma interferência dos brancos na cultura dos ticuna? Não sei. Tenho cá para mim que os antropólogos da Funai tentarão convencer os índios ticuna a reverem seus preconceitos, pois matar uma criança que os índios julgam não merecer viver, faz parte da cultura, não é? Mas rechaçar índios que saíram da oca e assumiram seu lado Ceci, não dá, né? Ou dá?

Com a lei que tramita no congresso, considerada uma arma contra a homofobia, acho que as palavras de Falcão vão se tornar uma realidade. Em breve, assumir a heterossexualidade será um vexame! "O quê? Você é heterossexual? Que coisa!" O pobre rapaz ou a pobre moça que cometeu o disparate de amar o sexo oposto, para tentar ser aceito na nova metafísica, dirá: "Sou hetero, quer dizer, de repente, quem sabe eu não possa me descobrir total flex?" E os politicamente corretos, aliviados, dirão: "Ah bom! Agora sim você está provando que não é um reacionário direitista conservador neoliberal! Parabéns!"


26 julho, 2008

Sem reduzir os gastos, só aumentando os juros.

O real problema: aumento dos gastos públicos.
De empresários a sindicalistas, passando por partidos da oposição e até aliados do Governo, as críticas ao aumento da taxa Selic foram uníssonas. Muitas dessas críticas, principalmente da área sindical, foram apenas retórica chinfrim. Uma maneira de marcar posição e jogar para a platéia. Outras, no entanto, tocaram no âmago da questão e lembraram o óbvio: sem cortes de gastos do governo e a persistir a pressão inflacionária, novos aumentos de juros serão inevitáveis para conter a inflação.

O aumento da taxa Selic é uma das medidas que ninguém gosta, mas que se tornam necessárias num ambiente de pressão inflacionária. O aumento dos juros não só infla a dívida pública, como desestimula novos investimentos, desencoraja o consumo e reduz a perspectiva de diminuição da taxa de desemprego. É um remédio amargo, mas necessário.

O que é preciso lembrar, contudo, é que a pancada que o Copom deu na taxa Selic poderia ter sido muito menor se o Governo Lula adotasse uma severa redução nos gastos do governo. A contratação excessiva de servidores públicos, a ampliação de programas sociais e a facilidade do crédito - esta última começa a ser contida - são hoje as causas internas para essa nova e perigosa pressão inflacionária. Incapaz de combater as pressões externas - inflação das commodities agrícolas e o petróleo - e sem convencer o Planalto da importância de reduzir gastos, o Banco Central, como guardião da saúde monetária, só tinha uma alternativa: aumentar duramente, em 0,75% a taxa básica de juros.

Entre as críticas que li sobre a decisão do Copom, a mais racional foi uma nota do PSDB que tocou no ponto central do problema. Diz a nota:

"O governo Lula faz hoje uma política econômica esquizofrênica: expande a taxa de juros real para conter a demanda da economia e eleva a despesa fiscal com o aumento dos juros, além de ampliar de maneira irresponsável os gastos federais com avalanches de contratações e aumentos de salários.

Só neste ano foram 56 mil novas contratações entre carreiras e funções comissionadas. Esses aumentos vão resultar numa expansão de 53% da folha do Tesouro Nacional até 2012. Essa é a verdadeira política antiinflacionária do governo Lula, que deixa de fazer o que seria certo: primeiro, conter o vertiginoso aumento dos gastos correntes, uma verdadeira farra fiscal, comprometendo o futuro do Brasil e jogando o peso da gastança para os próximos governos; segundo, limitar a expansão do crédito.

Ambas as medidas tirariam o pretexto para elevar os juros, a supervalorização do câmbio e o aumento do déficit fiscal. A adoção delas implica o funcionamento de um governo austero e competente do ponto de vista gerencial, capaz de se controlar e trabalhar com responsabilidade."

As críticas, portanto, não devem ser dirigidas ao Copom, ao Banco Central, à política econômica neoliberal que enriquece os banqueiros, como costumam dizer os bucéfalos de sempre. As críticas devem ser dirigidas a uma política populista que para ganhar votos ameaça, a médio prazo, os fundamentos macroeconômicos do país, comprometendo o desenvolvimento econômico e social dos brasileiros.

24 julho, 2008

Os idiotas da CUT

E a CUT ? O que disse à mais pelega das atuais centrais sindicais sobre o aumento dos juros?

Em estrevista ao portal da CUT, o atual presidente da entidade, o sindicalista Artur Henrique expele toda sua retórica estúpida e incoerente. Vejam o que ele diz:

"Aumentar a taxa básica de juros para conter a inflação é um absurdo."

Hummm. Aumentar os juros para combater a inflação é um absurdo. Talvez por isso países pouco sérios, como Estados Unidos, ou mesmo a União Européia reccoram a esse estratagema para conter seus processos inflacionários, não? Todo preocupado com os gastos do governo ele vem com a argumentação cínica dizendo que esse aumento fará crescer a dívida pública. É mesmo? Então porque os juros não caem para 2% e assim diminui-la? Porque não é assim que as coisas funcionam. E sabe por quê? Porque num ambiente de inflação sem controle, não só a dívida pública aumenta como toda a economia entra em colapso. Nas duas vezes que o Brasil decretou moratória da dívida, a inflação estava sem controle. Na primeira vez que passamos de devedores a credores, a inflação estava controlada.

Que mágica existe para conter a inflação sem desacelerar a economia? O que é pior para um assalariado? Que a inflação reduza o poder de compra de seu salário, como já vem acontecendo, ou diminuir a atividade econômica, mesmo sob pena do aumento do desemprego? Além do mais, em ambiente de descontrole generalizado dos preços, quem disse que os empregos são mantidos ou mesmo a dinamismo econômico. Quem mais perde com o descontrole dos preços é justamente o assalariado.

O que me tranqüiliza, por enquanto, é que o sindicalista que está no poder, em matéria de economia, dá uma banana para esses sindicalistas que mamam nas tetas do estado.


Se a estupidez do presidente da CUT ficasse apenas na retórica contra a decisão do Copom, seria apenas risível, mas a oligofrenia do presidente da CUT tem certos requintes que antes de fazer rir, provoca o constrangimento que se sente diante de um asno querendo parecer inteligente. Vejam mais esse trecho:

"Como as pressões inflacionárias se dão especialmente sobre os alimentos, temos de exigir alternativas imediatas para fortalecer desde já o poder de compra do salário mínimo frente à cesta básica. Tem de haver a adoção de políticas de desoneração de impostos sobre os alimentos e medidas de controle para que se reflitam nos preços ao consumidor. Isso tem de ser feito já. Vamos cobrar a diminuição das exportações de alimentos se necessário for, para garantir abundância no mercado interno."


Em plena era da liberação econômica, onde nossas principais divisas vêm do agronegócio, o gênio da CUT defende que o governo interfira na economia para diminuir as exportações, é mole? E os contratos assinados? E a livre iniciativa do setor privado? Ah, para essa gente que sobrevive do imposto sindical, isso é balela. Eles atacam o fundamento de uma economia liberal e competitiva e por isso mesmo, moderna, sempre com aquele discurso bonitinho de que querem o bem do trabalhador, mas – Deus nos livre! – caso essas idéias fossem colocadas em prática, seria o caos para o setor primário da economia, que perderia competitividade, motivação para continuar produzindo e na ponta, o desabastecimento. Querem uma prova? Vejam as medidas do Governo Chávez para conter a inflação na Venezuela. Nem derrubaram os preços e ainda por cima, condenaram a população a enfrentar filas enormes para comprar leite, por exemplo. É assim que a esquerda e os sindicalistas entendem de economia. São uns idiotas!



Os idiotas da Força

No século XVII, quando o Sistema Colonial ainda não estava em crise, mas a economia portuguesa capengava a olhos vistos, sua Majestade, o rei de Portugal, D João IV e mais tarde, D José I, adotaram medidas que visavam, primeiramente, aumentar a arrecadação de impostos, dando às finanças do Estado português um certo alívio. Entre essas medidas estavam a criação de Companhias de Comércio, que em troca do monopólio concedido pelo Estado, pagavam altas somas de ouro ao governo, e uma maior fiscalização na arrecadação de impostos. Pode-se citar, como exemplo dessa medida, a criação das Casas de Fundição nas regiões mineradoras, o que impedia o contrabando de ouro e aumentava os impostos arrecadados pela fisco real. Essas medidas, em maior ou menor grau, desagradavam os colonos que se sentiam prejudicados, ora porque teriam mais dificuldades em driblar o fisco, ora porque o monopólio das companhias de comércio tornavam as relações comerciais com os colonos assimétricas, favorecendo sempre as companhias e a Coroa.

Num quadro desses, você leitor, poderia imaginar que as insatisfações dos colonos miravam o Pacto Colonial e o próprio rei, uma vez que nada no Antigo Regime acontecia sem a concordância do monarca. Que nada! Os colonos reclamavam das medidas, mas absolviam o rei! Os colonos acreditavam que o pobre rei era ludibriado pelos conselheiros, pelos burocratas, pelos sanguessugas que o rodeavam. O rei não podia pensar em fazer o mal para os súditos. Isso era coisa de assessores que pensavam antes em enriquecer do que em beneficiar o povo.

Por que todo esse intróito? Para dizer que as Centrais Sindicais, sobretudo a CUT e a Força Sindical que são meras correias de transmissão do Governo Lula, afinal quem paga o almoço não pode ser contrariado, não é mesmo?, protestaram com veemência contra o aumento de 0,75% na taxa Selic. Dirigiram seus protestos ao Banco Central, mas como os colonos do século XVII faziam ao relação ao rei, absolveram Lula de tal medida.

Acho que o BC agiu corretamente. Tenho a convicção que o único mérito de Lula é ter a sagacidade de não "inventar" na política macroeconômica, por isso, os resultados de nossa economia vêm aparecendo. Enfim, o maior mérito do presidente é ter afastado o PT e os petistas da economia.

Agora passemos para os argumentos dos valentes sindicalistas. Eles em vermelho e eu em azul

Diz a Força Sindical em nota:

"Para a Força Sindical, se o governo quer combater a inflação, tem de incentivar o aumento da produção de alimentos e reduzir os impostos dos produtos da cesta básica."

Os gênios da Força imaginam que aumentando o consumo – o que inevitavelmente ocorreria com as medidas propostas - a inflação cairia. Desconhecem, é claro, que um dos fatores da inflação é uma maior quantidade de dinheiro circulante. Reduzir impostos para combater a inflação é só estupidez. Reduz-se imposto para estimular o crescimento, não para combater inflação.


Dizem os sindicalistas da Força que aumentando a produção de alimentos, a inflação nesses itens cairá. É mesmo? E cairá quando? Quanto tempo levará entre uma safra e outra para esse aumento na produção de alimentos derrubar os preços? E até lá, o que fazer? Deixar a inflação subir?

O que essa gente tosca não entende é que num ambiente inflacionário o mais importante é evitar um clima generalizado de desconfiança. Caso isso ocorra, pronto, a inflação voltará com força. Por isso, apesar de reconhecer os efeitos negativos da alta dos juros, aplaudo a decisão do Copom. O mercado entendeu que manter a inflação sobre controle é mais que um desejo, é um compromisso do governo.

Como as causas da aceleração da inflação estão relacionadas à conjuntura internacional, a iniciativa do Copom terá pouco efeito prático nos preços das mercadorias — alimentos, petróleo e minerais.

Eles acertam ao dizer que as causas da inflação estão relacionadas à conjuntura internacional. Contudo, essa razão, ao invés de desabonar a medida do Copom, justifica o aumento dos juros de forma mais incisiva. A decisão indica, por exemplo, que este surto não desaparecerá rapidamente e precaver-se contra ele, com fez o Copom, reforça para o mercado a disposição de não dar trégua para a inflação.

Os gênios da Força acham que as medidas serão inúteis. Até concordo que alguém conteste a dose do remédio, mas daí a dizer que ele terá efeito nulo ou é ignorância ou má-fé. Torçamos, meus caros valentes, para a inflação não voltar mais forte, caso contrário, creiam, os juros atingirão valores ainda mais altos, como os de 1998 e 1999.

23 julho, 2008

Inflação é isso!3

O gráfico abaixo mostra a trajetória da taxa básica de juros, a famosa selic. Depois de um longo período de queda, o temor da inflação inverteu a trajetória da curva que deverá ser ascendente até o fim do ano.


Os gráficos abaixo, corroboram os temores das autoridades monetárias (Banco Central) com a inflação. O primeiro mostra a elevação do preço do traseiro bovino (carne) entre julho de 2007 e julho de 2008. A carne deve ser a principal vilã do aumento da inflação nos alimentos. O segundo mostra a quantidade de cestas básicas que eram compradas com 1 salário mínimo entre janeiro de 1997 e janeiro de 2008. Observe que o número de cestas básicas que um salário mínimo pode comprar vem diminuindo o que configura a perda de poder de compra do salário, um dos efeitos mais devastadores da inflação.

Gráfico 1

Gráfico 2

Inflação é isso! 2

Sobre certos assuntos, um político com cargo executivo deveria adotar aquela atitude blasé de diplomatas que costumam falar muito e não dizer nada. Em assuntos espinhosos, onde uma declaração atabalhoada ou frívola pode ameaçar esforços da área técnica do governo, um político com cargo executivo deveria limitar-se a prestigiar sua equipe, dando provas inequívocas de que confia no trabalho que está sendo feito.

Hoje, a taxa selic deve subir 0,5%. Alguns analistas prevêem uma subida maior, mas poucos arriscam que o Comitê de Política Econômica manterá a taxa selic nos atuais 12,25% a.a. Diante dessa nova alta dos juros (essencial para mostrar ao mercado que o Banco Central tem como prioridade o controle da inflação) o presidente Lula deitou falação, e como de hábito, falou um monte de bobagens. Vejam o que ele declarou esta tarde, segundo o jornal O GLOBO.

"Não vou diminuir o consumo no país. Vamos garantir custe o que custar. Tá na hora dos pobres ocuparem um lugar de destaque" Mais adiante, as tolices continuam: "Combater a inflação é quase uma questão de honra do governo. Se alguém acha que a inflação vai voltar, que nem já aconteceu, pode tirar o cavalo da chuva."

Em primeiro lugar vamos analisar o discurso em si. Lula se acha tão soberano que afirma ser ele o detentor do poder de aumentar ou diminuir o consumo dos brasileiros. Assim, é ele que não vai deixar a inflação subir. É ele que vai impedir a queda nos investimentos.

O preocupante, contudo, é a abslotua ignorância do presidente sobre a origem desse surto inflacionário. O Presidente não tem a menor idéia das causas da inflação, porque se tivesse não falaria a estupidez que está acima.

Existem duas causas básicas para a inflação: inflação de demanda e inflação de custo. Quando houve uma elevação dos preços dos alimentos no mundo, tinha-se claramente uma inflação de demanda( a procura por alimentos era maior que a aoferta de alimentos). Ao lado disso, os sucessivos recordes no preço do barril de petróleo contribuíram para a elevação dos preços, configurando-se uma inflação de custos. Esses fatores independem da vontade do presidente Lula ou de qualquer governo. cabe ao governo, isso sim, adotar políticas que minimizem esses fatores inflacionários combatendo-os com seriedade e transparência não com discursos idiotas como o desta tarde.

Se é verdade que uma maior demanda por alimentos e o alto preço do barril de petróleo contribuem para esse efeito inflacionário no mundo, não é menos verdadeiro que os excessivos gastos do governo Lula e a ampla oferta de crédito - medidas responsáveis pelo aquecimento da economia - estão no cerne desse atual processo inflacionário pelo qual passamos. Por isso, uma das medidas mais óbvias para conter a persistente elevação dos preços é encarecer o dinheiro, isto é, aumentar os juros e assim desestimular o consumo, diminuindo o papel-moeda circulante e debelando a inflação.

Quando o presidente Lula afirma que o consumo não vai diminuir, custe o que custar; ou está sendo mentiroso ou apenas ignorante. É IMPOSSÍVEL controlar a inflação mantendo o nível de consumo alto. E por isso, a Taxa Selic vai subir mais um pouco após a reunião de hoje. Ao fazer declarações como essa, o presidente Lula corre dois riscos: o de ser levado a sério e mostrar para o mercado que o governo não está tão empenhado assim no controle da inflação; ou o de não ser levado a sério e assim assumir o papel de um presidente patético, cujas declarações não merecem crédito.

Atualização (19:35)

Segundo a Folha, o Comitê de Política Econômica elevou a taxa selic em 0,75%. Portanto para esse mês a taxa básica de juros será de 13%. O recado ao mercado foi dado.

22 julho, 2008

Inflação é isso!


Contra a inflação, Zimbábue lança nota de 100 bilhões de dólares

Nova nota é forma de compensar a falta de dinheiro em circulação no país.
Como os preços sobem muito, cédulas perdem a validade rapidamente.

Em março deste ano, a revista Veja já informava dos problemas enfrentados por esse país africano por conta da hiperinflação. O curioso e o espantoso é que em 1990 o Brasil, por muito pouco, não apresentou índices de inflação semelhantes aos do Zimbábue. Naquele ano, tivemos uma inflação anual de 135 mil por cento. Era uma verdadeira esbórnia a nossa economia. Os preços subiam tão rápido que se deixássemos para gastar o dinheiro no dia seguinte, ele compraria muito menos do que se fosse gasto no mesmo dia.

Daí a importância que o Plano Real, em 1994, teve para a estabilidade econômica de hoje. O maior legado do Plano Real, contudo, não foi a estabilidade de preços, mas a cultura política de que ter a inflação sob controle é uma prioridade dos governos, independente do partido que esteja no poder.

Todo esforço é válido para não repetirmos a época dos descontrole dos preços. Tudo, menos voltar a ser, em índices de inflação, um Zimbábue.

Vou desenvolver com meus alunos do 9° ano um projeto chamado: O que é inflação? A depender dos resultados, quem sabe não os disponiblizo aqui?


21 julho, 2008

7 anos ou Bodas de lã

Há muito, muito tempo, quando eu era um mero operário da Brahma, ganhei de presente daquela que encheu de sentido minha vida,um Cd de Zizi Possi em italiano. Havia uma dedicatória lindíssima que, infelizmente, se perdeu quando o dito Cd foi emprestado sem a minha autorização e o canalha nunca o devolveu.

Hoje, 21 de julho, comemoramos 7 anos de casamento e 15 anos de relacionamento. Decidi, portanto, nesse dia, registrar essa data festiva com uma das músicas que eu mais gostava do referido cd.

Escutem!





Ho Capito Che Ti Amo

Zizi Possi

Composição: Luigi Tenco

Ho capito che ti amo
Quando ho visto che bastava un tuo ritardo
Per sentir svanire in me l'indifferenza
Per temere che tu non venissi più

Ho capito che ti amo
Quando ho visto che bastava una tua frase
Per far sì che una serata come un'altra
Cominciasse per incanto a illuminarsi

E pensare che poco tempo prima
Parlando con qualcuno
Mi ero messo a dire
Che oramai non sarei più tornato
A credere all'amore
A illudermi e sognare
Ed ecco che poi
Ho capito che ti amo
E già era troppo tardi per tornare
Per un po'ho cercato in me
L'indifferenza
Poi mi son
Lasciato andare nell'amore

"A pureza, a honestidade e o amor"

Vejam como eles são puros, honestos e amorosos.

Os Fulni-ô querem "dindin"

Certa vez, um grupo de professores que iria para um congresso em Campos do Jordão, estava reunido para discutir um livro, cujo autor, seria a estrela do tal encontro. Lá pelas tantas, um professor, com enfado, declarou: "O autor é muito profundo, muito filosófico." O autor, meus poucos leitores, era apenas um patife. Sua redação tão canhestra como a de Paulo Freire. Por que, então, o meu colega o havia considerado um "autor profundo"? Porque, penso, quando nos deparamos com um texto ininteligível, ruim, sem pé nem cabeça, com tolices escritas de forma pomposa, procuramos a formação teórica do autor e constatamos que o valente tem mestrado, doutorado, nem sei quantos diplomas e especializações; então, nossa humildade rapidamente concorda em chamá-lo de profundo, porque não conseguimos entender nada do que ele escreve. Recusamo-nos a admitir que uma pena tão cheia de títulos seja capaz de escrever bobagens.

Veja o exemplo do juiz da 6a Vara Federal de São Paulo, Fausto De Sanctis. No dia 16 de Julho, o juiz escreveu no Estadão um artigo tão estúpido, tão cheio de idéias vazias, que a princípio me recusei a acreditar que havia sido escrito por um juiz federal. Num trecho particularmente oligofrênico, o juiz afirma:

"Lamentavelmente, não se tem notícia de sociedade que tivesse chegado a tamanho grau de evolução, salvo raras intactas tribos indígenas que, de primitivo, pode-se tão-somente invocar alguns instrumentos e objetos inerentes, mas que em verdade representam grandeza do ser: pureza, honestidade e amor. Quanta sofisticação!"

O magistrado acredita piamente que os índios são seres bons e angelicais por natureza. Leiam como o Reinaldo Azevedo comentou o trecho acima:

"Meu Deus! Estamos perdidos!
- Quando penso na pureza e no amor dos ianomâmis que matam recém-nascidos enfiando-lhes mato nas narinas, meu ser amoroso treme da cabeça aos pés.
- Quando penso nas tribos que enterram vivas as crianças deficientes, penso: “Quanta honestidade! Quanta pureza! Quanto amor! Quanta sofisticação!" Eu, o idiota antropológico.
- E se penso, então, na harmonia edênica dos povos pré-colombianos, violentados pelos europeus?! Aquilo, sim, é que era vida!
Uma pergunta ao juiz De Sanctis: ele não acha “primitivo” nem mesmo o direito das tribos “intactas”?

Já falei algumas vezes do pensamento bocó que alardeia a bondade natural dos aborígines. Que romantiza a figura do indígena, resumida nas três palavrinhas mágicas escrita pelo magistrado Fausto de Sanctis: "pureza, honestidade e amor."

Aqui em Brasília, índios de três etnias que ocupam uma área pública que será destinada à criação de um novo bairro, o noroeste, mostraram toda a sua pureza, honestidade e amor. Algumas famílias arrancaram das autoridades públicas o direito de permanecerem numa área do Parque Burle Marx com casas novas, escolas, posto de saúde, infra-estrura de primeira. Todavia, os puros, os honestos e amorosos índios Fulni-ô, recusaram a proposta e pedem a módica quantia de 74 milhões de reais para deixarem a área que invadiram há mais de 30 anos. Como vêem, a pureza, a honestidade e o amor dessas famílias indígenas é de fazer chorar. Talvez o índios Fulni-ô queiram a grana para proteger a mata, os rios, a sua cultura, não é?




20 julho, 2008

Notas no ócio

Deveria ter havido, no dia 18 de julho, uma celebração com pompa e circunstância que marcasse os dois anos do blog. Não houve. Uma pena, não é? Mas para não passar em branco tão importante efeméride, registro, nesse post curto, o fato.

Este blog nasceu com o nome de Notícias do Planalto. No começo deste ano decidi alterar o nome para O Typhis Pernambucano, numa homenagem ao semanário de Recife, escrito pelo padre Frei Caneca e que atuava na defesa dos valores liberais, no século XIX; mais precisamente, entre dezembro de 1824 e abril de 1825.

Ainda não voltei de férias. Ainda curto o frio cortante e a baixa umidade do cerrado. Aproveito os dias de descanso para me entreter com as traquinagens do pequeno, bravo e agora carnívoro, Estêvão!

Dercy Gonçalves

Para meu espanto, digo isso com vergonha, soube que Dercy Gonçalves morreu. Não, leitor maldoso, eu não faço parte do grupo que acreditava que ela jamais morreria - essa propriedade é exclusiva da Hebe - é que eu pensei que ela já tivesse morrido.

Lendo as declarações de artistas, políticos e colunas de jornal sobre o falecimento da atriz, comoveu-me a maneira como todos se referiram à vida, à obra e à maneira de ser de Dercy. Educados e gentis, os comentadores prefiraram chamá-la de "irreverente" em vez de "desbocada". O engraçado é que se perguntassem à Dercy se ela se considerava irreverente, ela provavelmente responderia: "Irreverente uma porra! Eu sou é desbocada mesmo"

Rola pede impendimento, mas o gol foi legal!

O sindicalista Rola da CUT, secretário da seção Brasília da central sindical, enfiou, digo, enviou ao senado um pedido de impedimento contra o presidente do STF, o ministro Gilmar Mendes, por ter concedido, por duas vezes, habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas. Rola da CUT, ao que parece, julgou que o dito ministro não teve aquilo que no nordeste a gente diz que é roxo, para manter Daniel Dantas na cadeia, daí ser necessário "impichá-lo". É, "daquilo roxo" o Rola da CUT deve entender.

Definitivamente, nome é destino!

PS: Como pude esquecer! Criei dois blogs voltados exclusivamnete para as minhas atividades docentes. Ei-los, abaixo!

Histórias
Blog do ZePaulo

14 julho, 2008

O post 501 ou Sobre Thomas Malthus


Um dos efeitos mais visíveis da Revolução Industrial foi o crescimento demográfico. A partir de 1760, a população européia cresce num ritmo acelerado e traz à tona todos os problemas decorrentes desse crescimento. Nesse contexto, a obra Ensaio sobre a População, de 1798, tranformou o pastor anglicano, Thomas Malthus, num teórico de sucesso. A Teoria malthusiana sobre o crescimento demográfico pode ser resumida da seguinte maneira: A população mundial cresce em progressão geométrica enquanto a produção de alimentos em progressão aritmética.” A conclusão de Malthus era óbvia: se o ritmo do crescimento demográfico continuasse o mesmo, em breve, haveria fome na terra.

Malthus era um ferrenho crítico das políticas públicas do parlamento inglês que tinham como finalidade ajudar os mais pobres, contribuindo, segundo ele, para a degradação da sociedade, sem resolver o problema da miséria, uma vez que para Malthus esse problema não tinha solução. Num primeiro olhar, é claro, consideramos que a oposição de Malthus à ajuda do governo aos mais pobres comprova que os liberais, de forma geral, eram insensíveis aos sofrimentos dos mais pobres. Todavia, conhecendo de perto a questão, é possível, no mínimo, considerar que as críticas de Malthus tinham sua importância.

O que mais incomodava Thomas Malthus em relação aos pobres era o grande número de filhos que estes tinham. O governo, ao invés de inibir esse crescimento, seguia no caminho oposto ao aprovar a famosa Poor’s Law de 1834, que estimulava os mais pobres a continuarem tendo filhos mesmo sem condições econômicas para sustentá-los. Malthus entendia que os recursos destinados pelo governo aos mais pobres, além de manterem os pobres na pobreza, desencorajava-os a sair dela, pois assim perderiam o benefício concedido pelo Estado. O pensador inglês também afirmava que a transferência desses recursos dos mais ricos para os mais pobres, impedia o crescimento da economia e conseqüentemente, a redução da pobreza.

Malthus não foi o único que criticou a ajuda do governo britânico aos mais pobres e particularmente a Lei dos Pobres. Em 1835, Aléxis de Tocqueville, pensador francês, em viagem pela Inglaterra e pela Irlanda, relata alguns inconvenientes provocados por essa lei. Vejam esse caso:

“Lorde Radnor me disse: “ Acabais de ver, num quadro estreito, uma parte dos inumeráveis abusos que a lei dos pobres produz.

Aquele velho que se apresentou em primeiro lugar provavelmente tem do que viver. Mas acredita que tem direito a exigir que seja sustentado com conforto, e não cora de reclamar a caridade pública, que aos olhos do povo perdeu seu caráter degradante.

Aquela jovem mulher, que parece honesta e infeliz, seria certamente ajudada por seu sogro se não existisse a lei dos pobres. Mas o interesse retira desse último toda a vergonha, e ele descarrega sobre a esfera pública um ônus que ele deveria carregar

Finalmente, aqueles jovens que se apresentaram por último, eu os conheço. São da minha vizinhança. São indivíduos detestáveis. Dissipam nos cabarés o dinheiro que ganham, porque sabem que, em seguida, o Estado virá em seu socorro.”
Aléxis de Tocqueville. Viagens à Inglaterra e à Irlanda; pág 54.


As estatísticas de Malthus provaram-se equivocadas. O desenvolvimento tecnológico na agricultura e a redução no crescimento demográfico mostraram que os temores de Malthus, embora verossímeis, não se confirmariam. Todavia, o ponto central desse post é mostrar que a crítica que Malthus fez à política do governo inglês em relação aos pobres, é, no meu entender, pertinente ao Programa Bolsa-Família. Como no passado aconteceu à lei dos pobres, o programa assistencial do governo Lula não resolve o problema da pobreza; tira recursos que poderiam ser investidos no desenvolvimento econômico; vicia o cidadão a sempre depender do governo, e o que é pior: reproduz o círculo da pobreza.

Finalizo com as últimas palavras de Ali Kamel, sobre o assunto:

“Essa política condenará as crianças de hoje a continuar, como os seus pais, a depender do Bolsa-Família para ter um microondas, enquanto um investimento maciço em educação faria delas seres independentes, produtivos, indispensáveis para chegarmos ao bom futuro.”



O Post 500

Nos meus planos, o Post de número 500 deveria ser publicado no dia 18 de julho, dia em que este blog faz 2 anos. Todavia, a frustração do adiamento das minhas férias me obrigou a escrever umas bobagens para passar o tempo. O post de número 500, portanto, é este!

Em março deste ano, o prolífico Ali Kamel fez uma dura e corajosa crítica ao Programa Bolsa- Família do Governo Federal que este ano prevê um gasto de 10,9 bilhões de reais para as famílias carentes. Aproveitando o ensejo, vou falar, no post seguinte, sobre o pensamento de Thomas Malthus, um dos primeiros pensadores liberais a criticar esse tipo de auxílio aos mais pobres. Abaixo, trechos do artigo de Ali Kamel à guisa de mote para o post acima. (íntegra aqui)

" (...) A catadora de lixo Rosineide dos Santos, 47 anos, de Maceió, com três filhos, recebe R$ 76 do Bolsa-Família, mas declara uma renda total de R$ 200. Com isso, pegou um empréstimo de R$ 500 no Banco do Cidadão, uma instituição que opera com micro-crédito para empreendimentos populares. O release diz que ela já tem fogão, liquidificador, cafeteira e forno elétrico, mas que, assim que saldar a dívida, pretende comprar uma televisão. Ou seja, não usa o Bolsa-Família para se alimentar nem o Banco do Cidadão para um pequeno empreendimento: usa para aumentar a conta de luz. Patrícia Belmira Henrique, de 43, manicure mineira, recebe R$112,00 do Bolsa-Família. O dinheiro, diz o release, ajuda a pagar a máquina de lavar roupa. “Estou feliz, porque é a minha primeira máquina de lavar. Antes, tinha que lavar a roupa na mão. Dava um trabalho enorme.”

"Ninguém pode ficar contrariado sabendo que pessoas pobres, na ausência de fome, estão comprando eletrodomésticos. É bom olhar a PNAD, como faz o release, e constatar que entre 2002 e 2006, nas faixas de renda mais baixas, cresceu muito o número de lares que tem esses bens. Mas é angustiante olhar os dados das provas nacionais e internacionais que medem o conhecimento de nossas crianças e constatar que tudo vai de mal a pior. Se não há fome, por que gastar R$10,9 bi com o Bolsa-Família em vez de aplicar a maior parte disso em educação? Para aumentar artificialmente a venda de eletrodomésticos em áreas carentes?"






13 julho, 2008

FÉRIAS!


Porque dificilmente, o dia amanhecerá chuvoso, "I'll follow the sun"! Good vacations for all!



I'll follow the sun

One day you'll look to see I've gone
For tomorrow may rain,
so I'll follow the sun

Some day you'll know I was the one
But tomorrow may rain,
so I'll follow the sun

And now the time has come
and so, my love, I must go
And though I lose a friend
In the end you will know, oh

One day you'll find that I have gone
But tomorrow may rain,
so I'll follow the sun
But tomorrow may rain,
so I'll follow the sun

And now the time has come
and so, my love, I must go
And though I lose a friend
In the end you will know, oh

One day you'll find that I have gone
But tomorrow may rain,
so I'll follow the sun

12 julho, 2008

Guerra de Palavras ou Minardi X Nassif








Não entendo bulhufas do caso Dantas, Nahas, Pita e PF. Nesse imbróglio, não entendo sequer a celeuma entre o presidente do STF, o ministro Gilmar Mendes, e o juiz federal, Fausto de Sanctis. Sei que a discussão e o caso são importantes, mas o que me interessa é a Guerra de Palavras entre jornalistas que defendem a Lei e jornalistas que acreditam que as ações espetaculosas da Policia Federal, finalmente, comprovam que o país tem Lei. No primeiro caso, há o colunista Diogo Mainardi. No segundo, o jornalista Luís Nassif. Há outros? Sim. Mas os exemplos citados acima, ilustram bem essa Guerra de Palavras.

Nunca gostei do Luís Nassif e sou um admirador confesso do estilo do Mainardi. É evidente, portanto, que se fosse um jogo eu estaria torcendo pelo Diogo, não pelo Nassif. Mas o danado é que não é jogo, nem brincadeira. A coisa é séria! Está até na justiça! Se as coisas ficarem esclarecidas contra o Mainardi, ele nunca mais escreve, perderá credibilidade, o que seria uma pena. Mas se o Nassif for o desmascarado, resta a ele uma ajuda do BNDES.

Abaixo, reproduzo a coluna do Mainardi em Veja desta semana. Deveria, por ética jornalista, reproduzir a coluna do Nassif, mas quem disse que sou jornalista? Além do mais, de textos mal-escritos, sem humor, já bastam os meus, que são um pouquinho menos piores do que os textos do Nassif.

aqui você conhece um pouco mais dessa história. E aqui... bem, veja você mesmo.

Diogo Mainardi

Nassif, o banana

"Luis Nassif foi demitido da Folha pela suspeita de ter usado seus artigos no jornal para achacar o governo de Geraldo Alckmin. Falei sobre o episódio com o diretor da Folha. Ele confirmou. Com a carreira arruinada, Luis Nassif refugiou-se na internet, como Mengele em Bertioga"

Eu sou lobista de Daniel Dantas. É o que diz o blogueiro Luis Nassif. Como foi que eu ajudei Daniel Dantas? Acusando-o de ter financiado Lula. E também acusando Naji Nahas de ter financiado Lula. O fato de eu ter publicado uma série de documentos judiciais sobre Naji Nahas e a Telecom Italia me incrimina, segundo Luis Nassif. Entende-se: em meu lugar, ele teria picotado e obedientemente engolido esses documentos, que denunciam as ilegalidades cometidas pela empresa e pelo governo. Quem patrocina o site de Luis Nassif? A Telecom Italia. Quem impediu que ele falisse e perdesse até as cuecas? O BNDES.

Eu já ridicularizei Luis Nassif três anos atrás, demonstrando que ele reproduziu integralmente em sua coluna a nota de um lobista ligado a Luiz Gushiken. Ele foi demitido da Folha de S.Paulo pouco tempo depois, por causa de um fato ainda mais nauseabundo: a suspeita de ter usado seus artigos no jornal para achacar o governo de Geraldo Alckmin. Em 2004, Luis Nassif convidou o secretário Saulo de Castro para um fórum de debates organizado por sua empresa, Dinheiro Vivo. O detalhe sórdido era o seguinte: para o secretário poder participar do evento, o governo paulista teria de desembolsar 50.000 reais. Saulo de Castro negou o pedido.

Em 2005, Luis Nassif voltou à carga, cobrando uma tarifa ligeiramente mais modesta, de 35.000 reais. A assessora de Saulo de Castro mandou um e-mail para o chefe com este comentário: "Não é à toa que a empresa se chama Dinheiro Vivo". Saulo de Castro negou o pedido mais uma vez. Luis Nassif decidiu retaliar. Em sua coluna, passou a atacar sistematicamente o governo Alckmin, em particular o secretário Saulo de Castro. Quando o diretor da Folha de S.Paulo, Otavio Frias Filho, foi informado das suspeitas em torno de Luis Nassif, demitiu-o imediatamente. Nesta semana, falei sobre o episódio com Otavio Frias Filho. Ele confirmou.

Com a carreira no jornalismo arruinada, Luis Nassif refugiou-se na internet, onde seu passado era desconhecido, como o de Mengele em Bertioga. O bando de Luiz Gushiken arranjou-lhe uma sinecura no iG. Enquanto fazia um blog para meia dúzia de leitores, ele era obrigado a escapar de seus credores no BNDES, que queriam penhorar seus carros e apartamentos para tentar recuperar uma parte do rombo de 4 milhões de reais da Dinheiro Vivo. No fim de 2007, depois de um misterioso encontro com a diretoria do BNDES, ele conseguiu fechar um acordo judicial altamente lesivo para o banco, que lhe garantiu os seguintes mimos: o abatimento de 1 milhão de reais de sua dívida, o prazo de dez anos para saldá-la, a retirada de todas as garantias para o pagamento do empréstimo e a dispensa de uma multa de 300.000 reais. Algumas semanas depois, ele retribuiu a generosidade estatal usando o único método que conhece: uma campanha de mentiras descaradas contra mim e contra VEJA, tidos como inimigos do governo.

Luis Nassif é um banana. Ninguém dá bola para ele. Por isso mesmo, minha idéia era persegui-lo apenas judicialmente. De fato, estou processando o iG. Tenho uma tonelada de mensagens, documentos e testemunhas que desmoralizam toda a imundície publicada em seu blog. Mas suas calúnias ganharam outro peso depois que Daniel Dantas e Naji Nahas foram presos. Claramente, o pessoal que o emprega está preocupado com o rumo que esse inquérito pode tomar. Há um empenho para impedir que os dois sejam associados a Lula, como eu sempre fiz. Quando Daniel Dantas e Naji Nahas foram presos, eu comemorei. Luis Nassif deve ter pensado em todos os documentos que terá de picotar e engolir. E em todos os patrocinadores que poderá ganhar.

11 julho, 2008

Imparcial... Sei!

Há algo que não suporto no ser-humano: aquele ar angelical, de bom-moço, de quem se julga acima das divergências e das preferências ideológicas. Não há nada mais canalha do que a afirmação: "não sou nem grego, nem troiano".

Toda vez que uma voz pausada, articulada, mansa, com ar professoral vem com esse papo de que está acima do bem e do mal, de que é neutro, tenha certeza: trata-se de uma picaretagem! Quando me deparo com um bocó esquerzóide, lamento pelo seu discurso anacrônico, pueril e estúpido. Para um bocó de esquerda, a Mídia é a encarnação do mal, o capitalismo é o sistema desgraçado e o nosso consumismo, responsável pelo aquecimento global. Esse discurso seduz adolescentes, gente sem muitos meios de resistir à tamanha doutrinação, mas com o tempo, o adolescente amadurece, aprende em outras fontes e, finalmente, livra-se dessa bobagem esquerdopata. Claro que há aqueles que apesar de envelhecerem e por pura preguiça intelectual, continuam, mesmo com os cabelos esbranquiçados, pensando e falando como se fossem adolescentes. Para estes concedo minha comiseração, apenas.

O que me incomoda é um outro tipo de idiota de esquerda. Aquele que diz que não é de esquerda, mas acha que a Mídia – sobretudo a Rede Globo e a Veja – conspira contra os verdadeiros interesses populares. Não é de esquerda, mas endossa o cerceamento da liberdade de expressão em nome dos interesses dos mais pobres. Não é de esquerda, mas tem aquela visão romântica a respeito dos pobres, isto é, considera-os, a priori, pessoas do e de bem e que só estão na miséria porque há ricos, muito ricos, no mundo. Nem se questionam se esses ricos conquistaram essa riqueza com trabalho. Não é de esquerda, mas doutrina a juventude no antiamericanismo bocó, demoniza o lucro como coisa de insensíveis e cúpidos e chamam de movimentos populares o MST e outros do gênero.

Querem mais um exemplo? Do que se acusa a Veja e a Rede Globo? De que são órgãos parciais, que atendem antes aos interesses dos grandes grupos privados do país do que aos interesses do povo. Já ouvi, mas de uma vez, a seguinte demonstração de ignorância – na melhor das hipóteses – de algumas pessoas: “o que me incomoda na Veja, Zé Paulo, é que ela só mostra um lado. A Carta capital, não. É uma revista verdadeiramente imparcial”.

Não é de hoje que o maior celeiro da militância esquerdopata é a sala de aula. Os pobres alunos tornam-se vítimas de professores “gente boa”, com boas intenções, naturalmente - com suas residências confortáveis e carros caríssimos – mas que mesmo assim, ou talvez por isso mesmo, vivem repetindo em sala, asneiras e fanfarronices contra o Capitalismo e a Mídia. Para essa malta, Mídia boa é aquela que publica o que eles querem ler ou que esteja na contra-mão de Veja ou da TV Globo. É por isso que muitos idiotas tecem loas a Record e à Carta Capital porque enxergam nessas empresas aliados na luta contra a Globo e à Veja.

Estou defendendo a Globo e a Veja? Não. Só estou mostrando que dar à suas concorrentes um atestado de lisura - porque são suas concorrentes - é estupidez, burrice, ignorância, mais: é cinismo! Imagine, leitor, se a revista Veja, que tem mais de 1 milhão de assinantes, desse aos filiados de DEM ou do PSDB um desconto de 50% na assinatura da revista. Em pouco tempo os bocós esbravejariam contra o conluio entre uma revista de direita e partidos de direita. Seria, para eles, a prova de que estariam – a revista e os partidos – mancomunados contra os interesses do povo. Pois saibam, meus amigos, que a revista Carta Capital, mesmo com uma tiragem pífia, é a revista semanal que recebe mais recursos públicos em relação às outras. Saibam, meus amigos, que a revista Carta Capital, a imparcial e idônea, acaba de lançar uma promoção para os FILIADOS DO PT, dando a eles 50% de abatimento no preço da assinatura. Esse dado seria o bastante para, no mínimo, se desconfiar da idoneidade da revista, não é? Não para um esquerdista. Os malvados, os criminosos, os corruptos, nunca são de esquerda, não é?

A Veja é um lixo? Para 1 milhão de assinantes, não. Mas há quem a considere assim, é um direito. Agora, vir para cima de mim com esse papo de mané que a Carta Capital é imparcial, é o que não dá para engolir.

08 julho, 2008

O presidente Negro 2

(ler primeiro o post abaixo)


A atenção que esta obra de Monteiro Lobato vem ganhado deve-se, sobretudo, a que alguns apressados estão chamando de profecia. Na obra, há um aparelho, o porviroscópio, que permite ver o futuro. O autor do engenho é um velho professor, chamado de Benson que desenvolve seus estudos num castelo na cidade de Friburgo. Tem a ajuda de sua linda filha, Miss Jane e aí, como por acaso, entra na história o narrador-personagem, o limitado, mas esforçado, Ayrton, funcionário medíocre de uma empresa.

O porviroscópio permitiu à jovem Miss Jane saber como seria os Estados Unidos em 2228. Segundo a moça, nesse ano, três candidatos concorriam à presidência dos Estados Unidos: uma feminista, Evelyn Astor; o candidato à reeleição, o presidente Keerlog e o famoso Jim Roy, o candidato negro. Pronto. Isso bastou para que algumas pessoas enxergassem em Monteiro Lobato um profeta. Lendo o livro, percebe-se que o futuro imaginado por Lobato é aterrador!

No dia 26 de março de 2008, Roberto Pompeu de Toledo escreveu em Veja um artigo muito bom sobre o livro e que recomendo com entusiasmo. Nesse artigo você tem um bom resumo da obra. Minha intenção inicial era transcrever trechos do livro. Talvez faça isso, mas não prometo. De qualquer forma, acima, há um link para a Livraria Cultura onde você pode adquiri-lo.

A futurologia

O livro imagina um jornal onde as pessoas liam num aparelho, em casa, as informações em letras luminosas e coloridas. Imagina que nos EUA, em 2228, ninguém precisaria sair de casa para votar, e o resultado seria publicado em poucas horas. O livro também indica que o número de divórcios diminuiria bastante com a adoção das chamadas “férias conjugais.”

Há, todavia, aspectos horripilantes no livro. A Eugenia havia alcançado um estágio tão avançado que a “Lei Espartana” havia sido reeditada na América e, em muitos casos, levada às últimas conseqüências. Só um exemplo: nesse futuro, os casais só poderiam ter filhos depois de um rigoroso teste de pureza racial e de superioridade genética. Se um dos cônjuges não passassem no teste, o casal estaria impedido de gerar filhos.

15 anos antes de Hitler propor a Solução Final para os judeus, Monteiro Lobato imaginou como os americanos extirpariam o elemento negro do país. De forma ardilosa, o famoso inventor Dudley cria os raios ômega que têm a função de alisar o cabelo dos negros, capaz de transformar o mais ferrenho pixaim num cabelo liso e sedoso. O sucesso dos raios ômega entre os negros, foi imediato. Até o Jim Roy, o presidente negro, aderiu ao alisamento à base dos raios ômega. O ardil diabólico é que o efeito colateral desses raios era tornar os machos estéreis. Assim, numa questão de tempo, sem violência, os negros sumiriam dos Estados Unidos. Hitler foi menos engenhoso, convenhamos.

Ah, sim! Paralela a essa estória, há a paixão que o pobre-diabo do Ayton nutre pela distante, estóica, inteligente, e ainda por cima bela, Miss Jane. Na última página do livro, ele vence a timidez e dá um beijo de cinema na bela loira. E é correspondido, diga-se!

O livro não se resume a isso. Tem a crítica, acertada ao meu ver, ao feminismo. Tem uma certa crítica ao movimento modernista. E, claro, exalta-se os Estados Unidos como exemplo de Grande Nação. Lobato tinha interesses pessoais com esse livro. Queria desbravar o mercado editorial dos Estados Unidos, fracassou de forma redundante.

O Presidente Negro 1

Sabe quando se começa a leitura de um livro de maneira despretensiosa e o autor, seja pelo estilo, seja pelas idéias, seja pelos dois, cativa a atenção de uma forma que não há como não concluir o livro o mais depressa possível? Pois é.

O que eu sabia de Monteiro Lobato é o que sabe qualquer pessoa porcamente instruída. Era autor de livros infanto-juvenis, sendo o mais famoso o Sítio do PicaPau Amarelo. Até sabia, por causa do curso de história em que me graduei, que Lobato era um "reacionariozinho", um "vendido", um "nacionalista" exacerbado, um "racista", e outros "ismos" e "istas" que meus professores esquerdopatas viviam incutindo na cabeça dos alunos que se julgavam intelectualizado porque haviam lido um capítulo de Eric Hobsbawn.

Há duas semanas, quase sem querer, encontrei na casa de meu sogro um livro verde, capa dura, um tanto gasta e que havia sido editado em 1953. Por essa época, veja só, a ortografia e a acentuação gráfica eram bem diferentes. Escrevia-se “peor”, “outróra”, “veiu”, e por aí vai... O dito livro, na verdade, reunia duas obras: A Onda Verde e o Presidente Negro ou O Choque das Raças. Como eu já havia lido algo sobre o segundo livro em Veja e no blog do Reinaldo Azevedo, e como nada de melhor eu tinha para fazer, decidi ler o meu primeiro livro de Monteiro Lobato: O Presidente Negro.

O que me cativou nos 8 primeiros capítulos do livro foi o estilo da narrativa. Em seguida, um certo mistério foi espicaçando minha curiosidade e, para terminar, o quê de ficção de científica me prendeu de forma definitiva.

A partir do capítulo IX, contudo, o livro começou a me incomodar. Não, leitor apressado. O livro não ficou chato. Pelo contrário, o livro ficou cada vez mais instigante. O que me incomodou foi ler, a partir do capítulo IX, parágrafos, diálogos que hoje seriam – COM TODA JUSTIÇA DO MUNDO – chamados de racistas! Sem fazer o corte temporal, ignorando as idéias em voga na época em que o livro foi escrito – 1926 – o leitor desatento ou ignorante acredita que tem nas mãos um livro neofascista!

Chamar Monteiro Lobato de fascista seria ignorar que este autor foi um ferrenho adversário dessas ideologias totalitárias. Foi, inclusive, um feroz crítico do Estado Novo na Era Vargas. Todavia, em 1926, a pseudo-ciência da época - a eugenia – conquistava mentes de intelectuais, cientistas, gente de saber. E foi na crença de que a eugenia seria a salvação da humanidade, de que a “raça branca” era geneticamente superior às demais raças, sobretudo aos mestiços, que Monteiro Lobato constrói sua narrativa e expõe seus argumentos e sua utopia.

Vale a pena ler esse livro hoje? Não sei. Eu gostei. Aprendi um monte de coisas. Se você que porventura estiver lendo esse post se interessar, leia. Se não, sua vida não ficará diferente por isso.