27 junho, 2008

Os "bons" selvagens.

"Tribo desconhecida no Acre". Eis como os jornais no Brasil noticiaram a lorota, devidamente desmascarada pelo periódico inglês The Guardian

Já faz um certo tempo ouvi estupefato um militante da causa indígena dizer em alto e bom som: "meu povo - os xavantes - enquadra-se no conceito do Bom Selvagem de Rousseau." A platéia não foi às lágrimas por comedimento, mas percebi, claramente, que todos ficaram emocionados com a frase do militante. Todos, não! Mais uma vez eu fiquei do outro lado.

No mês de abril, escrevi um post sobre o Dia do Índio e lá, disse, e aqui, repito: que a Teoria do Bom Selvagem de Rousseau é uma patifaria sociológica. Aliás, como diria Voltaire, ler Rousseau nos predispõe a andar sobre quatro patas.

O Jornal Correio Braziliense desta sexta-feira traz uma matéria pavorosa. Uma menina indígena de 16 anos, com problemas neurológicos e de locomoção, que veio à capital federal para tratamento médico, morreu no HUB após sofrer violência sexual e ser empalada por um objeto perfurante na Casa de Apoio à Saúde Indígena, administrada pela Funasa. (Assista aqui a uma matéria da TV Brasília sobre o caso.)

Não há, ainda, pistas sobre o autor da agressão e da violência sexual. Mas aposto o mindinho que foi um índio. Casos de estupros, embriaguez e agressões são muito comuns entre os indígenas. Conheço muitos profissionais de saúde que trabalham no HUB (Hospital Universitário de Brasília) que foram ameaçados ou mesmo agredidos por índios e índias porque esses homens da floresta discordavam das condutas médicas adotadas pelos profissionais de saúde.

Esse papo bocó, de gente que finge ser estúpida, de que devemos sacrificar nosso desenvolvimento por causa de um punhado de índios, irrita-me bastante. Aqui mesmo no DF, 27 índios, de três etnias, recusam-se a deixar uma área pública destinada a transformar-se num novo bairro, o noroeste, porque dizem que desenvolveram uma relação sagrada com o lugar. Uma lorota tão grande que nem o presidente da Funai foi capaz de defendê-la. Eu usaria o poder de polícia e o DIREITO de os tirar de lá, na marra! Mas sabe como é, né? São índios e porque são índios, o tratamento deve ser outro.

Não faz tempo, foi noticiado com pompa e circunstância fotos de um "povo desconhecido" encontrado no Acre. Logo o Acre, o estado que nos últimos anos lidera, proporcionalmente, o ranking de desmatamento da Amazônia. Foi preciso um jornal britânico, o The Guardian, revelar a fraude. O povo não era desconhecido, pelo contrário, desde 1910 se tinha ciência dele. Mais: o que pareceu obra do acaso, foi na verdade planejado e confessado pelos fraudadores. Os militantes reconheceram que o objetivo era criar um fato jornalístico para denunciar que a exploração de madeira na Amazônia ameaça a sobrevivência desses povos. Numa palavra: mentiram, mas justificaram a fraude dizendo que era por uma boa causa! Indecente, como a maioria desses militantes.

Índio não é extraterrestre. Como homens, têm as mesmas inclinações tanto para as virtudes quanto para as más ações. Não são seres especiais, bons por natureza. Se alguns, sóbrios, são capazes das mais torpes atitudes, imagine quando embriagados? E a embriaguez, podem pesquisar, é uma praga entre os índios. Crimes como esses revelam o discurso idiota e estúpido de gente que enxerga nos índios criaturas angelicais e acima de qualquer suspeita.

É revoltante, por exemplo, saber que esse criminoso que vitimou a menina indígena, dificilmente será punido ou mesmo julgado. Continuará lépido e fagueiro a cometer seus crimes e a se esconder debaixo do pensamento bocó de que como indígena merece tratamento diferente.

4 comentários:

Lelec disse...

Olá Zé,

Falar sobre índios é polêmica na certa.

Também considero um absurdo a idéia de atrasar o desenvolvimento de determinada região por causa de uns cinco ou seis "índios" alcoólatras.

Também considero que o Estado tem obrigação moral de intervir em tribos em que os costumes ofendam os direitos humanos (infanticídio, etc.)

Mas é bom lembrar: há índios e índios. Há aqueles que falam português, bebem cachaça, fazem negócios inescrupulosos com brancos inescrupulosos e por aí vai. Esses "aculturados" deveriam tratados e julgados como qualquer outro cidadão brasileiro.

Mas há também índios que não tiveram contato algum com a civilização. É o caso, segundo parece, da tribo a que se refere o Guardian. Veja bem: já se sabia a existência deles desde 1910, mas, pelo que andei lendo, até hoje eles estão alheios à civilização, sem contato algum com o branco. São raros exemplos assim, mas existem (especula-se que haja no Brasil cerca de 15 tribos que não tiveram contato algum com o branco). Esses devem ser tratados diferentemente. Não porque sejam "bons" ou "melhores". Apenas porque não tiveram contato algum com o nosso mundo. Isso deve ser levado em conta.

Não existe bom selvagem. O "Senhor das moscas", de William Golding, é um petardo contra a balela rousseauniana.

Abraço,

Lelec

Fernando Sampaio disse...

Esse povo acha que índio deve ficar lá na reserva como se fosse bicho no zoologico em vez de integrá-los à vida economica e social do país.
Esses sao verdadeiros criminosos.

Fernando Sampaio disse...

Esse povo acha que índio deve ficar lá na reserva como se fosse bicho no zoologico em vez de integrá-los à vida economica e social do país.
Esses sao verdadeiros criminosos.

Thalita Coisa e Tal disse...

Olá Zé Costa... preciso entrar em contato com vc por causa de um dos seus posts intitulado "Fidel, Frei Beto e a Democracia" de 04 Agosto de 2006.
por favor, tire-me uma dúvida: a primeira foto é mesmo do Tomás de Aquino? Aos meus olhos pareceu-me uma montagem.... mas a minha dúvida maior é a segunda imagem que ñ abre nem no meu computador e nem em outros que já tentei, poderia me dizer o que é?! Ou enviar-me?

Obrigada pela atenção

Thalita - thalitachagas@gmail.com