07 junho, 2008

Diálogos impertinentes 4

O Sr. Z estava aplicando uma avaliação de recuperação quando a secretária, a Sra E, entrou na sala e, discretamente, disse-lhe:

- Z., tem uma mãe lá embaixo, muito brava com você. Ela alega que em sua prova de recuperação foram cobrados conteúdos que você disse que não seriam cobrados. É bom ir lá.

Como quem atende a uma ordem aborrecida, o Sr Z dirigiu-se até a coordenação e encontrou uma senhora com um semblante carregado, cheia de razões e pronta para pegar o Sr Z pelo pé.

- Tudo bem, professor? Disse ela com a satisfação de quem está preste a dar um golpe certeiro.

- Tudo bem. Qual o problema? Disse o Sr. Z com sua objetividade característica.

- Alguns alunos terminaram sua prova há pouco e eles afirmam que havia conteúdos diferentes daqueles pré-definidos pelo senhor. O que o senhor me diz?

- A senhora poderia especificar quais seriam esses conteúdos?

- Não! Mas os alunos garantem que havia. – A mãe, com o livro na mão aberto na página do índice, chama um aluno, e pergunta:

- Meu amor, o que caiu na prova que não estava nos conteúdos pré-definidos?

- A Era Napoleônica. Não tinha esse conteúdo na Internet. - Respondeu o aluno com convicção.

Com afirmação tão categórica, a zelosa mãe olha para o Sr. Z com olhar triunfal, como se dissesse: “peguei o senhor!”.

- Vamos conferir o conteúdo disponível na Internet? Sugeriu o professor.

Depois de alguns instantes, apareceu na tela do computador os conteúdos que seriam cobrados na prova. O Sr. Z, então, chamou a mãe para conferir. Tudo estava lá, bem explicado, bem mastigado, inclusive a Era Napoleônica. A mãe, sem graça, ficou em silêncio. O Sr Z quebrou o gelo, dizendo:

- Não é incomum o aluno confundir alguns conteúdos, principalmente, quando ele está estudando para várias provas de recuperação. Não se preocupe.

A mãe deixou a sala sem se despedir. O senhor Z, então, pensou: “Se alguns pais pegassem no pé dos filhos como pegam no pé dos professores, talvez nossa educação fosse melhor”

2 comentários:

Lelec disse...

Olá Zé,

Não creio que a educação seria melhor se "os pais pegassem no pé dos seus filhos".

Seria melhor se os próprios pais tivessem amor aos estudos e à cultura, ensinando, pelo exemplo, o que deve ser valorizado.

É de matar ver pais que se barbiturizam vendo BBB e novelas globais e que depois reclamam que seus filhos não gostam nem de ler, nem de estudar.

Abraço,

Lelec

Zé Costa disse...

Sim, sim. Pais que estudam cobram mais de seus filhos, não há dúvida! Mas há aqueles pais que para justificar o fracasso escolar dos filhos, procuram, primeiro, a causa no professor.

Que se deve exigir do professor,competência, coerência e reponsabilidade, todos sabem. Todavia, é preciso, também, exigir dos filhos, estudo, responsabilidade e compromisso.