08 junho, 2008

Aluno e professor - Professor e aluno

Existem pela blogosfera todo tipo de gente e de site. Um, por exemplo, arvora-se em defender o pobre aluno indefeso, vítima de professores truculentos, diretores arbitrários, governos omissos, enfim, do sistema que torna o aluno o oprimido e o professor, o opressor.

Há professores que humilham seus alunos? Sim, é claro. Há diretores que extrapolam suas funções e de forma autoritária impõe a alguns alunos normas, diretrizes e ordens constrangedoras? Sim. Mas o que assistimos, lemos e ouvimos é o professor, normalmente mulher, ser vítima de agressão, injúria e difamação. Quando esses relatos são apresentados a certas pessoas e blogs, alguns tem o cinismo de dizer que não trabalham com sitações-limite. Deixam claro que para eles o objetivo é denunciar as injustiças provocadas pelo sistema contra o pobre aluno indefeso. Tudo que fuja disso, são situações-limite e, por isso, não devem ser tratadas por eles.

O maior mal que um professor pode fazer a um aluno é lhe ensinar mentiras ou não ensinar corretamente os conteúdos, de forma objetiva. É doutrinar os alunos. É impor ao pobre aluno indefeso uma única visão de mundo. É convencer o pobre aluno indefeso que qualquer discurso que refute a bobagem do aquecimento global, do antiamericanismo bocó, do esquerdismo de miole mole, são discursos conservadores, feito por gente insensível que só pensa no próprio bem-estar. Que está vendido aos interesses dos Estados Unidos e do capital.

Infelizmente, as situações-limite, diariamente, estão estampadas nas páginas dos jornais. Professor é esfaqueado, agredido a socos e pontapés, humilhado, tem o carro apedrejado, é ameaçado de morte. O que acontece com esses meliantes que se escondem por trás da máscara impoluta e ingênua de aluno? Nada. Continuarão impunes.

Leiam com atenção esse trecho retirado de uma Ata de reunião que ocorreu numa escola pública do DF e que foi publicada pelo Correio web

Aos 29 dias de abril de 2008, a professora de português entrou em turma e esta se encontrava bastante agitada, pois os alunos estavam conversando alto. A professora colocou ordem na sala e sentou-se em sua mesa para fazer a chamada. Um aluno do fundo tacou uma pedra que por pouco não a atingiu. A professora chamou a direção, que descobriu o nome do agressor. O aluno em questão é agressivo, não cumpre as tarefas, não tem limites. Já havia dado uma bicuda nas costelas de uma colega. O mesmo foi retirado da sala e saiu xingando a professora de mula manca e vadia, dizendo que não ficaria assim. A professora é portadora de deficiência física. Saiu chorando, pois se encontrava nervosa e abalada.

Como ensinar, se o princípio da autoridade foi quebrado? Os alunos de escola pública e a própria escola pública são estigmatizados como incapazes, porque casos como esses, relatados na ata, são freqüentes, não provocam repúdio e não geram punição. Sem respeito, não há educação. Sem sanções disciplinares severas contra atos hediondos, os professores - os que podem fazer a diferença na vida de um aluno - não têm porque se submeter a tais riscos. Precisa-se, com urgência, restabelecer o princípio da autoridade em sala de aula. É preciso lembrar que o aluno merece e deve ser respeitado. Todavia, o detentor do conhecimento em sala de aula é o professor, e é a ele que cabe o papel de conduzir o processo de ensino-aprendizagem. Para isso, o aluno deve respeitá-lo e cumprir o seu papel estudando.

Você, Zé Paulo, é um professor conservador, neoliberal, direitista, capitalista, um infame! Não. Sou um professor que valorizo o meu trabalho. Que lê e que não vive repetindo o que está nos livros didáticos sem checar ou sem criticar. Sou um professor que reconhece que precisa sempre encontrar a melhor forma de ensinar um conteúdo, mas que tem a consciência de que as rédeas do processo está em minhas mãos, nas de mais ninguém. Professor, aperfeiçoe-se, leia, pesquise e no fim, ensine. Aluno, respeite, fique atento, estude e no fim, aprenda.

Assim, tenho certeza, funciona.

4 comentários:

Ricardo Rayol disse...

No fundo todo esse desiquilibrio é causado pelos exemplos diários de impunidade que vemos por aí.

Zé Costa disse...

Concordo, Rayol!

Lelec disse...

Olá Zé Costa,

Ótimo texto! Deveria ser lido por todos os professores e alunos do país. Infelizmente, é careta o aluno que gosta de estudar, além de ser tachado de "politicamente correto" quando respeita a autoridade do professor. A perversão de valores é total.

Em BH, há uma tradicional escola pública (Colégio Pedro II), situada em um lindo prédio histórico, que está sendo desativada porque não se consegue controlar o problema das gangues e do tráfico de drogas dentro dela. Um drama! E, nessas horas, ninguém fala dos "coitadinhos aluninhos"...

Abração,

Lelec

PS: Só não concordo com uma coisa: "aquecimento global" não é invenção, é um problema real e ameaçador...

rosa disse...

Como diz o ditado educação é bom e todo mundo gosta.
Quando fiz a sétima série, um aluno de 38 (desequilibrado) atacou a professora com palavras ofensivas,'foi uma situação constrangedora, porque a turma era noturna, não havia crianças.
Agora eu imagino o que não passa um professor nas mãos de certos adolescentes que sabem que são amparados pelo ECA, onde os país não se impoem e se puderem ajudam a jogar pedra.

Abraços Rosa