13 maio, 2008

Sumiram com os pardos

O título do post é uma cópia fiel do título de um dos capítulos do livro Não Somos Racistas, de Ali Kamel. Lembrei dele porque hoje mais um passo para a farsa do racialismo, foi dado. Dessa vez, números do IPEA e do IBGE procuram legitimar com dados estatísticos que a política de cotas não só deve ser mantida, como ampliada. Leiam esse trecho:

“A população negra deverá ser maior do que a branca no Brasil ainda neste ano, segundo projeção feitas pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) (...)De acordo com a pesquisa, feita com base nos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil terá a maioria de sua população negra, ou seja, mais da metade dos brasileiros, em 2010. A pesquisa considera negros os brasileiros que se declaram pretos (termo utilizado pelo IBGE) e pardos.”

Para os pesquisadores, “população negra” é a soma daqueles que se declaram pretos e pardos. Com essa ginástica, é óbvio que a população negra será mesmo maior do que a branca. Pronto, o Brasil está na África! Minha pergunta é: por que os pardos são colocados no saco dos pretos e não no saco dos brancos? Afinal, quem é pardo? Deixemos Ali Kamel responder:

“ A funcionária do IBGE que me ajuda com os números se disse parda ao censo, ‘parda como a Glória Pires”. Mas, para muitos, a Glória Pires é branca. Digo isso com real preocupação: quem é pardo? O pardo é um branco meio negro ou um negro meio branco? Chamar um pardo de afro-descendente é mais do que inapropriado, é errado. (...)

Somar pardos e negros, portanto, seria apenas um erro metodológico se não estivesse na base de uma injustiça sem tamanho. Por que todas as políticas de cotas e ações afirmativas se baseiam na certeza estatística de que os negros são 65,8% dos pobres, quando, na verdade, eles são apenas 7,1%. Na hora de entrar na universidade ou no serviço público, os negros terão vantagens, os pardos não. (...) Na hora de justificar as cotas, os pardos são usados para engrossar ( e como!) os números. Na hora de participar do benefício, são barrados. Literalmente.

Pardos, usados para aumentar os números dos negros, são excluídos, totalmente, na hora de se beneficiar pelas cotas ou pelas ações afirmativas. A novidade agora é ampliar essa política para o mercado de trabalho. Querem garantir aos negros reservas de vagas, privilegiando-os na hora da busca por um emprego. Para sustentar esse absurdo afirmam que não basta garantir o ingresso dos negros no ensino superior, mas é preciso garantir a esses negros, vaga no mercado de trabalho. Aqui também, os pardos são usados para justificar a política de cotas, mas impedidos de se beneficiar dela.

Volto a perguntar: quem são os pardos? Será que com esse beiço gordo eu seria um pardo?

* Não somos Racistas, Ali Kamel, pág 51 e 52

3 comentários:

Anônimo disse...

Bem,se for por aí,eu coloco silicone, colágeno,ou elastina,até para ficar com os lábios a la Angelina Jolie. já até existem batons a base de pimenta, menta ou ainda de substâncias tensoras como o colágeno, os gloss ou os batons costumam prometer um aumento de lábio de 2 a 20%.
Cristina

Lelec disse...

Oi Zé Costa,

Há alguns dias, um amigo me disse: "Antes, eu não tinha problema algum em me consultar com um médico negro. Agora, tenho receio. Talvez, ele só tenha entrado para a faculdade por ser negro, não por ser inteligente."

Taí. A política de cotas cria uma outra tensão entre brancos e negros. Os brancos, com razão, podem dizer: "entramos na universidade porque sou capazes, vocês por terem a cor que têm."

Aqui na França, os censos populacionais não levam em consideração a cor da pele da pessoa. Não há estatística oficial sobre "raças francesas". Apenas contam a pessoa e pronto. Talvez fosse melhor assim. Evitaria bobagens como essas que estamos assistindo no Brasil.

Abraço,

Lelec

Fernando Sampaio disse...

É um absurdo e um crime que esta discussão esteja acontecendo no Brasil. Esse povo deveria reler Gilberto Freyre.
Vamos criar um apartheid onde antes não existia essa diferença de cor.
Cambada de imbecis.