18 maio, 2008

Professores ignorantes 2

Recebi, por e-mail, alguns esclarecimentos sobre o concurso que reprovou 95 % dos candidatos a professores em Pernambuco. Segundo a pessoa que me mandou o e-mail, alguns professores entraram na Justiça contra a UPE, a organizadora da prova. Esses professores estão reclamando do tempo da prova - 3 horas para responder 80 questões - e do fato de pelo menos 14 questões terem sido copiadas de um concurso ocorrido no Rio Grande do Sul.

A prova foi dividida em três partes: conhecimentos específicos, língua portuguesa e pedagogia. O peso foi igual nas três partes. Outra exigência do edital foi que para ser considerado aprovado, o candidato deveria acertar, no mínimo, 60% em cada uma das três partes da prova. Segundo a remetente do e-mail, uma colega dela, mesmo com média geral 70, como não atingiu na parte pedagógica o mínimo de 60 %, foi eliminada. "O mais revoltante", diz a remetente, "é que houve candidatos aprovados com notas inferiores a 70, mas que atingiram o mínimo exigido nas três partes da prova."

O sindicato dos professores da rede pública em Pernambuco, aliás, teve uma reação típica: pôs a culpa no governo. Segundo alguns diretores, o concurso foi uma ação proposital para que o estado justifique os baixos salários da categoria.

Dando uma olhada na prova fico com a impressão de que quem deveria ser reprovado são aqueles que elaboraram as questões. Estão todas um pavor! Quando não pecam pela estupidez, pecam pela doutrinação ideológica. Na parte de História, por exemplo, 3 questões exigem do candidato que conheça com exatidão a produção historiográfica de Eric Hobsbawn. Na questão 51, por exemplo, a alternativa correta é uma transcrição da página 13 do livro A Era dos Extremos, podem conferir. Na questão 63, exigiu-se do candidato que lembrasse trechos exatos do capítulo 3 do livro A Era das Revoluções, precisamente nas páginas 71, 72, 73 e 76.

Professor bom, ao que parece, não só deve ler Hobsbawn, como memorizá-lo.


2 comentários:

Anônimo disse...

Pelas colocações desta professora que fez o concurso e pelo quantitativo docente se sentindo lesado pela prova, creio mesmo que ela foi elaborada sem muita atenção pedagógica (esta não deveria ser o ingrediente primordial de um concurso?). Não só este como tantos outros realizados por aí, cometem barbaridades, verdadeiros crimes contra os conhecimentos pedagógicos. Certa vez, fiz um que continha uma questão acerca das fases de desenvolvimento descritas por Piaget. Não encontrei uma resposta correta dentre as citadas. A dita "correta", conforme o gabarito, afirmava que a fase denominada operatório-formal (ou formal-abstrato) vai dos 12 as 15 anos!!! Mesmo sem conhecimento, porém por senso lógico, qualquer um faria a seguinte pergunta: e depois dos 15? Não há mais cognição??? O pior de tudo é a condição que muitos editais costumam colocar para os pedidos de anulação de questões: é preciso ir até uma central (muitas vezes, viajar para isso) e ainda pagar para afirmar o que é correto.
De qualquer forma, mesmo sem conhecer como foi o concurso citado, manifesto minha concordância de que os concursos no Brasil, de forma geral, deveriam ser elaborados com mais responsabilidade.
Faço apenas uma ressalva quanto à exigência de 60%,achei-a interessante e válida! Pense bem: um piloto de avião que tirou nota 10 na decolagem e 0 na aterrizagem poderia ser aprovado com média 5 (média considerada, inclusive, nos colégios públicos de determinadas regiões). No entanto, quem confiaria em voar com este piloto? Da mesma forma, muitos concursos, com critérios diferentes ao referido, aprovam professores que sabem muito da matéria que pretendem lecionar, no entanto, muitas vezes, são verdadeiros ignorantes pedagogicamente! Não sabem dar aulas, reproduzem saberes, não adequam sua comunicação, não usam de clareza e muito menos da atenção necessária à profissão docente no que se refere ao processo de aprendizagem do aluno. Já ocorreu em certa escola do país, certa vez, de, em um conselho de classe, uma coordenadora lamentar a "ausência de um aluno" (usou este termo). Um professor questionou, com olhos em seu diário, que o aluno, pelo menos com ele, estava freqüentando as aulas. O grupo docente ficou absmado com o fato deste profissional não ter notado a ausência do então falecido estudante. Quantos alunos passam despercebidos em salas de aulas, com a presença de pessoas de grande saber específico, porém pseudos-professores?
Esta situação me causa revolta: não a ignorância da língua portuguesa ou da matéria (afinal, sempre é possível pesquisar e aprender); mas a falta de comprometimento docente com a profissão!!!
Bem, é apenas uma opinião que não pretende contrariar suas palavras ou o grupo de professores reprovado no citado concurso, mas que aqui se faz aqui presente para manifestar um outro ponto polêmico, pouco discutido, porém de grande peso na situação educacional brasileira.

Yanna disse...

oi josé paulo, aqui é yanna carolina, n sei se vc lembra, mas fui sua aluna durante algum tempo.Tentei por varias vezes me comunicar com vc, mas enfim so consegui agora!Que BOM!Saudades enormes de você!Tava lembrando um dia desses das nossas aulas,da forma fascinante como vc me passava a história!Terminei o terceiro ano, ano passado, e entrei na UFPE ano passado também!Bom, eu nao poderia deixar de agradecer por tudo!Lembro de você com muito carinho, pq vc foi uma professor mto especial,uma pessoa acima de tudo que eu guardo uma lembrança mto carinhosa!Ainda tenho seu postal, que você me mandou uma vez, em resposta a uma carta q mandamos!
beijoo! saudadeeee!
vou deixar meu e-mail, responde
- yannacarol@hotmail.com
por favor!
aguardo noticias!