02 maio, 2008

Os racistas são eles 3


O livro Não Somos Racistas do jornalista com formação em Ciências Sociais, Ali Kamel, foi publicado em 2006. A tese central do livro é afirmar que as desigualdades que tristemente caracterizam a sociedade brasileira são de natureza econômica e não racial.

" Ao longo do últimos anos, tenho me dedicado a debater todas essas questões. A minha ênfase tem sido refutar leituras apressadas de estatísticas oficiais, que distorcem a realidade em favor de um Brasil bicolor. Tenho procurado mostar que, mais que ao racismo, a má situação do negro no Brasil se deve à pobreza e que não existem atalhos fáceis para superá-la, como cotas ou políticas assistencialistas. O único caminho seguro para que o país se torne mais justo é a educação."

Para desmontar o argumento capcioso de que a política de cotas é temporária, Ali Kamel cita um estudo empírico realizado pelo professor norte-americano Thomas Sowell chamado Ação afirmativa ao redor do mundo. Diz Ali Kamel:

" O livro é uma pesquisa sobre o efeito das ações afirmativas e da adoção das cotas na Índia, na Malásia, no Sri Lanka, na Nigéria, nos Estados Unidos e em outros países. As conslusões, calcadas em fatos e números, são demolidoras. Quando as cotas surgiram na Índia, seus defensores diziam que elas durariam dez anos. Isso foi em 1949, e até hoje elas estão em vigor, ampliadas. O mesmo aconteceu em toda parte, em todos os países do mundo que adotaram a experiência. (...) O Brasil não será uma exceção no futuro: livrar-se das cotas será uma tarefa praticamente impossível numa democracia de massas como a nossa, em que a pressão de grupos organizados é decisiva na eleição de um parlamentar ou mesmo de um presidente."

O livro também faz um alerta. A se manter a política de cotas podemos ter no Brasil algo que nunca tivemos: o ódio racial. Mais uma vez deixemos Ali Kamel falar:

"Em todas as universidades que instituíram políticas assim, há discussões antes não conhecidas entre nós: negros acusando nem tão negros assim de se beneficiaremindevidamente das cotas; pardos tentando provar que o cabelo pode não ser pixaim, mas a pele é escura; e brancos se sentindo excluídos mesmo sendo tão pobres quanto os candidatos negros beneficiado pelas cotas. Dizendo claramente: corremos o sério risco de, em breve, ver no Brasil o que nunca houve, o ódio racial."

Em breve, o STF vai julgar se a política de cotas é ou não inconstitucional. Espero, sinceramente, que os ministros do Supremo corrijam essa distorção e evitem que o Brasil se tranforme naquilo que não é, uma nação bicolor, sujeita a um mal que não conhecíamos: o do ódio racial!

Para terminar esse post demasiadamente longo, reproduzo um pequeno poema de Manuel Bandeira, chamado Irene no Céu. Ei-lo:

Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor


Imagino Irene entrando no céu:
- Licença, meu branco!

E São Pedro, bonachão:

- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

Irene no céu pelos próprios méritos!

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