03 maio, 2008

O QI dos baianos ou dos nordestinos?


O famoso professor de História, Carlão, em mais uma de suas performances pouco ortodoxas, explicou assim o que é um fato histórico: “vocês sabem o que é um fato histórico? Fato histórico é um cocô bem pequenininho que um historiador põe fermento e transforma num cocozão”.

A ilustração, um tanto mal cheirosa, serve para explicar a importância que a mídia, na Internet pelo menos, deu à declaração do tal coordenador do curso de medicina da UFBA que justificou o resultado pífio dos alunos de medicina dessa universidade como conseqüência do baixo QI dos baianos.

A declaração é tão tosca e estúpida que a melhor resposta seria ignorá-la, ou por outra, respondê-la com bom humor, dando ao autor da declaração a dimensão de um patife. Mas não, a imprensa, os políticos, as “personalidades” encheram-se de altivez regional e como se tivessem sido atingidas na honra e no orgulho, levaram tão a sério o que dissera o tal professor que acabaram pondo fermento no excremento oral do coordenador do curso de medicina da Bahia.

Outros, porém, seguindo um velho adágio que diz: “onde caga um cagam vários”, resolveram, eles mesmos, contribuir com seus próprios excrementos. Chegaram a dizer que não só os baianos são burros e preguiçosos, mas todos os nordestinos também. Para esses, nascer, quem sabe, viver no nordeste é um atestado de burrice e preguiça. As provas que eles apresentam são muito convincentes: PIB pequeno, apoio acachapante ao presidente Lula, preguiça, falta de educação, etecétera e tal.

Eu poderia desmontar a tese diarréica exposta por alguns lembrando só um dado: quando FHC foi eleito presidente no primeiro turno em 1994 e 1998 recebeu no norte e nordeste uma votação igualmente consagradora. Será que quando os eleitores do norte/nordeste votaram em FHC também deram atestado de burrice? Eu poderia lembrar que PIB pequeno – e olhe que o da Bahia é o maior do Nordeste – tem outros fatores e está mais relacionado a baixos investimentos que à indolência ou insipiência de um povo.

Não se pode esperar daqueles que dobram a coluna, abanam o rabinho, dão a patinha e ainda exibem aquele ar bem comportadinho diante dos domesticadores que estão acima do equador - procurando assim, esconder uma origem da qual se envergonham - uma análise séria, instrutiva e construtiva, mas apenas um certo prazer pela ofensa gratuita e um escancarado preconceito regional.

6 comentários:

Lelec disse...

Olá Zé Costa,

Obrigado pela visita lá no Terceira Margem.

Gostei muito do seu blog e deste seu texto sobre a declaração do dirigente da UFBA.

Só não concordo com uma coisa: não dava para ignorar o que esse cara disse. Tinha mesmo que publicar. Um excremento como esse tinha que ser expulso a pontapés da UFBA.

Abraço,

Lelec

Ricardo Rayol disse...

meu amigo hoje em dia qualquer espaço na mídia por qualquer que seja o motivo está valendo.

Carlos Emerson Jr. disse...

O Rayol tem razão! Mesmo que seja para destilar tanto veneno e imbecilidades, como essa turma está fazendo.
Um abração

Anônimo disse...

Oi,Zé
Eu gosto dos teus textos,mas voce demora demais para colocar os últimos assuntos em pauta no Brasil.
Quanto aos baianos,a acusação de racismo é um estupidez. “Baiano”, agora, é raça? Que tal de “incompetente”, já que ele é coordenador do curso?

Zé Costa disse...

Caro anônimo(a)

Desculpo-me pela minha demora em tratar sobre "os últimos assuntos em pauta no Brasil". Não é preguiça, juro! É que dou aulas, preparo e corrijo provas, é só isso!

Volte sempre!

Suzy disse...

Oi, CostaJr, comentei por email esse post, vc recebeu?
Estou aqui para convidá-lo para comentar uma entrevista do Aluízio Amorim no blog novo que o Roça e eu criamos, o "Direto do Abismo".
O link é http://darkabysses.blogspot.com

Abs