13 maio, 2008

As conseqüências

Em todos os lugares em que a política de cotas e ações afirmativas foram adotadas, um mesmo fenômeno aconteceu: Em busca de vantagens e/ou benefícios, o número de pessoas que se autodeclararam membros de uma minoria ou de um grupo discriminado, aumentou significativamente. Se isso aconteceu em outros países, por que não aconteceria aqui? Leiam essa notícia:

No dia em que o Brasil comemora 120 anos da abolição da escravatura, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentam o Mapa da Distribuição Espacial da População Negra. Segundo o estudo, nas regiões Norte e Nordeste, em praticamente todos os trechos - com exceção das áreas de reservas indígenas - as autodeclarações apontam para mais de 75% de negros.
Pelo mapa, é possível perceber que a população negra no Sudeste e Sul do País fica abaixo dos 40% - com destaque para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde ela fica abaixo dos 25%. Já em grandes trechos do Amazonas, do Pará, do Amapá e em pontos diversos da Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins o mapa aponta que os negros são mais de 85% da população.
O objetivo da pesquisa é orientar os gestores públicos, na hora da formulação de políticas voltadas para a igualdade racial, a observarem em que parte de seu Estado ou região está concentrada a população negra. O mapa foi montado com base no Censo de 2000, no qual a definição de cor é auto-declaratória.
Já em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e sul de Minas Gerais, as autodeclarações indicam que a população negra fica entre 40% e 75% do total. A pesquisa completa deverá será lançada na tarde desta terça no Palácio do Planalto.”

De repente, o Brasil se tornou um país majoritariamente negro (lembre-se, que aqui, esses percentuais somam os que se declaram pretos e pardos) Esses dados corroboram que se declarar negro hoje em dia é mais que “consciência racial” é uma saída para buscar alguma vantagem. Mais uma vez, Ali Kamel, na referida obra, já alertava para isso:

“ Quando, nos Estados Unidos, cotas foram adotadas para beneficiar descendentes de índios, houve um aumento exponencial de indivíduos, muitos deles louros e de olhos azuis, dizendo-se membro daquela minoria. O censo de 1960 mostrava que havia cinqüenta mil descendentes de índios entre 15 e 19 anos. Vinte anos depois, o número de descendentes de índios com idade entre 35 e 39 anos era mais de oitenta mil, uma impossibilidade biológica.*”

Se mais gente se declarou índio nos Estados Unidos para garantir benefícios, por que mais gente não se autodenominaria negra, no Brasil, para ter direito ao benefício da política de cotas? Os números do IBGE confirmam essa realidade.

* Não somos Racistas, Ali Kamel, 90 e 91.

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