13 abril, 2008

Lula sabia! E como sabia.

"Sim, a ministra Dilma mentiu. Sim, toda a cúpula política do planalto, dos líderes do governo ao presidente Lula, sabem muito bem que a ministra Dilma está mentindo" Escrevi no dia 04 de abril de 2008.


"Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?

Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes
Embuçado nos céus?"
Castro Alves,Vozes d'África

Em época de líderes messiânicos, de gente que se comporta como fanáticos de uma causa, de grupos prontos a assaltar a constituição assim que seu líder mandar, nada como um clamor direcionado aos céus para nos livrar das trevas a que nos destinamos em 2003. Não, não se trata de um clamor de um ressentido, mas de quem compreende que quando as leis e as instituições, os valores democráticos e a liberdade estão sob constante ameaça, e a maioria dá de ombros, é porque estamos às vésperas de um sistema totalitário.

O Correio Braziliense desnuda o caso do Dossiê. Diz que toda a cúpula, não só sabia, como determinou que fossem levantados dados que pudessem constranger e intimidar os membros da oposição. A tática infame, garante a matéria, era evitar a CPI dos cartões corporativos ou, no mínimo, fazer um acordo por debaixo dos panos para não se tocar nos gastos do Palácio do Planalto. Desde sempre o Palácio quis evitar uma investigação mais séria sobre esses gastos e embora o plano não tenha dado certo em sua plenitude, o governo conseguiu transformar a CPMI numa pantomima que está servindo mais para lavar reputações do que para identificar crimes.

O "eu não sabia" nesse caso, não cola mais. Talvez por isso, haja na praça um movimento do governo em admitir que levantou sim, dados, mas apenas para controle interno. A história é sórdida, mais uma, e como sempre, a popularidade de Lula será levantada como um salvo conduto para os crimes perpetrados pelo presidente e seus acólitos. Leiam trechos da matéria do Correio Braziliense, colhidos no blog do Reinaldo Azevedo.

Um dossiê palaciano

A blindagem do governo à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tem razões que vão muito além da própria Dilma. A montagem de um dossiê, ou “banco de dados” como prefere o governo, com gastos da Presidência da República na gestão do tucano Fernando Henrique Cardoso é uma operação maior que a Casa Civil. Foi decidida pela coordenação política do governo, com conhecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dados sobre despesas da gestão FHC foram pensados como a principal munição governista na guerra em torno dos cartões corporativos. Uma espécie de bomba atômica. A idéia nunca foi apresentá-los publicamente, mas usá-los para intimidar a oposição e impedir que PSDB e DEM investigassem as contas do Palácio do Planalto no governo do PT.
(...)
A coordenação — da qual fazem parte Dilma e os ministros de Comunicação Social, Franklin Martins, e de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, entre outros — avaliou que a guerra dos cartões era uma “crise de mídia”. A conclusão foi que a oposição usaria as denúncias e a ameaça de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para desgastar o governo. Os ministros avaliaram que o governo tinha errado em crises anteriores por se deixar acuar e que desta vez deveria reagir. Em férias no litoral paulista, Lula não participou do encontro, mas acompanhou a distância e foi informado de tudo.

Tática e os funcionários
A reação do governo na crise dos cartões teve duas frentes. Na pública, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), antecipou-se e colheu assinaturas para abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Agiu para deixar a oposição sem discurso. Ao mesmo tempo, nos bastidores, iniciava-se a coleta de informações sobre o governo FHC. A operação começou logo depois do carnaval. O trabalho foi coordenado pela secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, braço direito da ministra Dilma. Contou com a participação, entre outros, de Maria de La Soledad Bajo Castrillo (chefe de gabinete de Erenice), Norberto Temóteo Queiroz (secretário de Administração da Casa Civil), Gilton Saback Maltez (diretor de Orçamento e Finanças da Casa Civil) e José Aparecido Nunes Pires (secretário de Controle Interno da Presidência).
(...)
A determinação era reunir munição para a guerra fria que se desenhava com a oposição sobre as despesas com cartões corporativos. E usar tal arsenal para impedir a instalação da CPI ou, na pior das hipóteses, fechar um acordo para esfriar as investigações ou mantê-las sob controle. Na avaliação dos governistas, o imbróglio criado não é pertinente, porque seria cercado de hipocrisia, uma vez que nos dois governos os gastos estariam dentro da normalidade, ressalvadas irregularidades pontuais. “É muita inocência achar que vão encontrar gastos da dona Marisa com botox ou compra de uma Ferrari por um filho do Lula”, diz um ministro.
A estratégia governista desandou porque o suposto dossiê vazou. O material era para consumo interno, para negociação de bastidor.

2 comentários:

Fernando Sampaio disse...

Até o Ministro da Justiça afirmou que é lícito fabricar dossiê! O PT está mesmo no limite da imoralidade...é de chorar.

Zé Costa disse...

Quando a gente acha Fernando, que o PT chegou no limite da imoralidade, ele sempre dará mais uma passo. A expressão não é minha, mas do Millor, e, como sempre, o Millor tende a estar certo.

Um abraço.