12 abril, 2008

Isabella Nardoni

Isabella Nardoni, de apenas 5 anos, no último dia 29 de março, foi defenestrada do apartamento do pai e da madrasta que fica no sexto andar do edifício London em São Paulo. Por quem? Eis uma, de muitas perguntas ainda sem resposta. Esse caso é monstruoso e tem uma série de detalhes que o deixa ainda mais confuso.

Os suspeitos naturais pelo infanticídio, falo aqui em tese, são o pai, Alexandre Nardoni, de 29 anos e a madrasta, Ana Carolina Jatobá, 24. A falta de uma prova cabal que os possa incriminar tem prolongado essa angústia já por duas semanas. Após um período de 9 dias em prisão preventiva, o casal foi solto, mediante um habeas corpus concedido pelo desembargador Caio Edurado Canguçu de Almeida. Enquanto estiveram presos, as investigações da polícia não progrediram como se imaginara. O assédio da imprensa, creio, tem dificultado o esclarecimento do caso na medida em que a busca desenfreada pelo “furo”, faz jornalistas repisarem teses sem provas, publicarem especulações, enfim, procurarem dramatizar um caso que pela circunstâncias em que aconteceu, já tem carga dramática de sobra. Com tanta emoção, esquecem os jornalistas, que para condenar um cidadão, não bastam indícios, é preciso provas!

O assassinato de uma criança é bárbaro por definição, todavia, se ficar provado que o pai e a madrasta são os autores do crime, o assassínio passa a ser aberrante. Nessa história sórdida, a postura da mãe de Isabella Nardoni, também Ana Carolina, provocou em mim um certo mal estar. Não quero e nem posso julgá-la, mas a maneira como reagiu ao assassinato da ÚNICA filha foi, no mínimo, estranha.

Alexandre Nardoni, que aos 29 anos não tem profissão e vive da dependência do pai, insiste que sua filha foi morta por uma terceira pessoa que invadira seu apartamento enquanto o mesmo estava na garagem pegando o resto da família. Contudo, não há sinais de furto nem de arrombamento no apartamento. A madrasta, segundo depoimentos, não desmente o companheiro, mas não acrescenta mais informações que possam sustentar a versão de Alexandre Nardoni. Tudo ainda está muito confuso.

Se o casal for inocente, estamos diante de um crime perfeito. Se forem culpados, estamos lidando com um casal frio, cruel e sem sentimentos de afeto. Quando eles aparecem nas imagens estão com aquele ar de que querem, antes de tudo, livrar a própria cara. Ele perdeu a sua filha de maneira brutal; ela, mãe de duas crianças, deveria saber o que uma perda dessa natureza, representa; e, no entanto, não vejo, sinceramente, no semblante de ambos, o luto, a dor, a incomensurável dor, da perda de um filho.

Investigadores e peritos não falam abertamente sobre o caso, mas em reserva dizem não haver dúvida de que o casal matou Isabella. Falta só encontrar provas definitivas!

Estaria Isabela ainda viva quando foi arremessada pela janela? Ao levar a filha nos braços quando chegou do supermercado, ela já não estaria morta? Que motivos - a não ser uma maldade inominável - levaria uma pessoa, ainda mais um pai, a matar sua filha, uma criança de apenas 5 anos, com tamanha violência? Por que, um ladrão, um bandido, entraria num apartamento, não levaria nada, apenas mataria uma criança com o requinte de atirá-la pela janela? Eis algumas perguntas sem resposta.

Se o pai tinha um desafeto a ponto desse inimigo ir até à sua casa para cometer crime tão selvagem, o que ele teria feito para provocar tanto ódio numa pessoa? Se a família Nardoni afirma que Alexandre é uma pessoa tranqüila, por que muitos garantem ter ouvido uma discussão séria, com palavrões, momentos antes do corpo da menina ser encontrado no jardim do prédio? Por que, então, no antigo endereço do casal, os vizinhos confirmaram que as brigas entre Alexandre Nardoni e Ana carolina, a madrasta, eram freqüentes e violentas? Por que, finalmente, há na polícia uma queixa da ex-namorada de Alexandre e mãe de Isabela, denunciando agressão do ex-namorado? Alexandre Nardoni pode ser inocente desse crime, mas está longe de ser uma pessoa tranqüila.

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