28 abril, 2008

Confesso meu crime.

Vocês conhecem a peça Édipo Rei, de Sófocles, não? Édipo, depois de empenhar-se na procura do assassino do antigo rei de Tebas, Laio, descobre que o assassino que tanto procurara, era ele mesmo. Pior: Laio era seu pai. A revelação é a catarse da peça de Sófocles.

Como Édipo, descobri que sou um assassino. Como Édipo, descobri que meu crime é uma infâmia! Não chegarei ao radicalismo de furar meus olhos e vagar sem eira nem beira pela Beócia. Mas qual o meu crime? Sou um assassino de frases. Um frasecida! Para purgá-lo, decidi comprar um livro que me ajudará a, no mínimo, diminuir os meus crimes.

Não é de hoje que separo por vírgula o sujeito do seu predicado. Esse é o pior crime que se comete na construção de uma frase. Esse erro que reiteradamente cometo, transforma-me num frasecida incorrigível. É meu único crime na redação de um texto? Infelizmente, não. Todavia, é o mais vexatório, penso.

PS: Quantas frases eu assassinei, acima?

Do blog da colunista Dad Squarisi

Frasecídio

A palavra vírgula vem de longe. Nasceu no latim. Lá, queria dizer varinha. Também significava pequeno traço ou linha. Depois, virou sinal de pontuação. Indica pausa rápida, menor que o ponto.

A mocinha atravessou os séculos. No caminho, suscitou discussões. Alguns afirmam que seu emprego é questão de gosto. A gente põe o sinalzinho onde tem vontade. Outros dizem que basta ler a frase. Parou pra respirar? Pronto. Taca-lhe a vírgula. Aí surge um problema. Como os gagos e os asmáticos vão se virar?

Outros, ainda, acham que devem usar todas as vírgulas a que têm direito – as obrigatórias e as facultativas. É o caso do amanuense Borjalino Ferraz. O homem estudou o assunto anos a fio. Aprendeu tudo. Esnobava o saber em ofícios e memorandos. Não deixava passar uma. O chefe reclamou do exagero. "Desse jeito'', disse ele, "o amigo acaba com o estoque. O município não tem dinheiro pra comprar vírgulas novas".

Por fim, existem os assassinos. Frasecidas, eles matam a oração. Como? Separam o sujeito do verbo. É o caso do autor do período que aparece no outdoor. "Quem faz Leonardo da Vinci" é o sujeito. "Emplaca", predicado. A vírgula separou a cabeça do corpo. Vai pro xilindró.


3 comentários:

rosa disse...

Acho que vou cometer sepuku!
Sou uma tristeza com a sinalização.

Abraços

Ricardo Rayol disse...

decapitar-me-ei-me a mim mesmo

Zé Costa disse...

Só não faço a mesma coisa Rayol, por falta de coragem!