28 abril, 2008

Confesso meu crime.

Vocês conhecem a peça Édipo Rei, de Sófocles, não? Édipo, depois de empenhar-se na procura do assassino do antigo rei de Tebas, Laio, descobre que o assassino que tanto procurara, era ele mesmo. Pior: Laio era seu pai. A revelação é a catarse da peça de Sófocles.

Como Édipo, descobri que sou um assassino. Como Édipo, descobri que meu crime é uma infâmia! Não chegarei ao radicalismo de furar meus olhos e vagar sem eira nem beira pela Beócia. Mas qual o meu crime? Sou um assassino de frases. Um frasecida! Para purgá-lo, decidi comprar um livro que me ajudará a, no mínimo, diminuir os meus crimes.

Não é de hoje que separo por vírgula o sujeito do seu predicado. Esse é o pior crime que se comete na construção de uma frase. Esse erro que reiteradamente cometo, transforma-me num frasecida incorrigível. É meu único crime na redação de um texto? Infelizmente, não. Todavia, é o mais vexatório, penso.

PS: Quantas frases eu assassinei, acima?

Do blog da colunista Dad Squarisi

Frasecídio

A palavra vírgula vem de longe. Nasceu no latim. Lá, queria dizer varinha. Também significava pequeno traço ou linha. Depois, virou sinal de pontuação. Indica pausa rápida, menor que o ponto.

A mocinha atravessou os séculos. No caminho, suscitou discussões. Alguns afirmam que seu emprego é questão de gosto. A gente põe o sinalzinho onde tem vontade. Outros dizem que basta ler a frase. Parou pra respirar? Pronto. Taca-lhe a vírgula. Aí surge um problema. Como os gagos e os asmáticos vão se virar?

Outros, ainda, acham que devem usar todas as vírgulas a que têm direito – as obrigatórias e as facultativas. É o caso do amanuense Borjalino Ferraz. O homem estudou o assunto anos a fio. Aprendeu tudo. Esnobava o saber em ofícios e memorandos. Não deixava passar uma. O chefe reclamou do exagero. "Desse jeito'', disse ele, "o amigo acaba com o estoque. O município não tem dinheiro pra comprar vírgulas novas".

Por fim, existem os assassinos. Frasecidas, eles matam a oração. Como? Separam o sujeito do verbo. É o caso do autor do período que aparece no outdoor. "Quem faz Leonardo da Vinci" é o sujeito. "Emplaca", predicado. A vírgula separou a cabeça do corpo. Vai pro xilindró.


25 abril, 2008

Ziraldo e a indenização

Ziraldo, de maluquinho ele não tem nada.

Tá, tá certo, é notícia velha. Mas para um blog pouco visto, a rigor, todas as notícias são velhas. Além do mais, acho que ninguém abordou o assunto do ponto de vista que abordo aqui. Quando vejo as indenizações milionárias que o Governo Lula concede a gente como Carlos heitor Cony, Ziraldo e Jaguar, por causa de supostos prejuízos que a ditadura lhes causaram, lembro que há muito tempo, Chico Buarque, na música Apesar de você, cantou a pedra. Abaixo, a letra e a música. Fiquem atento aos versos em negrito.





Apesar De Você

Chico Buarque

Composição: Chico Buarque

(Crescendo) Amanhã vai ser outro día x 3

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.

(Coro) Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.

Quando chegar o momento Esse meu sofrimento Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada Nesse meu penar.
(Coro2) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.

Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.

E eu vou morrer de rir E esse dia há de vir antes do que você pensa.
Apesar de você

(Coro3)Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.

Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você

(Coro4)Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá…….

20 abril, 2008

Eles vão confessar, esperem!

Sim, assisti à entrevista exibida há pouco pelo Fantástico, do casal Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, indiciados pela polícia como assassinos da menina Isabela Nardoni, filha de Alexandre. Sim, eles choraram, repetiram, com um português tosco, que amavam Isabela, que sentem falta dela, que têm Deus como sua única testemunha, blá blá blá.

Minha impressão: eles agrediram a menina num acesso de fúria e pensando que ela tinha morrido, decidiram, como se fossem assassinos assírios, jogar a menina do sexto andar do edíficio London, mal sabiam que esse ato foi o que matou a menina.

A impressão que tenho é que eles, ainda que continuem alegando inocência, estão a um passo de uma confissão. Suponho que a madrasta está mais próxima disso. Aos poucos, penso, eles vão se dando conta da atrocidade que fizeram. Aos poucos, os parentes que insistem na defesa deles, sobretudo a mãe de Alexandre, passará a exigir de ambos uma confissão.

Há tempos defendo que diante da impunidade que grassa em nosso país, a sociedade civil é que deve mostrar aos facínoras, aos corruptos, aos assassinos frios, nossa repugnância a eles. Devemos deixar claro que a liberdade que gozam nos violenta e por isso, a presença deles no ambiente de trabalho, numa mesa de restaurante, num clube, na praia, no campo, em qualquer lugar deve ser rechaçada. Devemos mostrar para eles que embora soltos pela justiça, eles devem pagar com o nosso desprezo, com o nosso anátema, pelos crimes que a nossa justiça foi incapaz de puni-los adequadamente. Isso, em parte, já está ocorrendo com o casal.

19 abril, 2008

Dia do do índio

Em boa parte das escolas desses país comemorou-se nesta semana o Dia do Índio. Como a ignorância costuma grassar em muitos desses centros de saber, é provável que as "tias" tenham pedido aos "educandos" que pussessem na cabeça uma pena, pintassem o rosto e levassem a mão espalmada à boca, produzindo um som que simulasse um "grito de guerra", tudo muito estereotipado e, mesmo assim, tendo como modelo os índios dos filmes de Far West norte-americano.

O equívoco das "professorinhas" não é tão grave se comparado a um outro ainda maior, produzido e reproduzido pelos "professorões" que anda insistem na patifaria rousseauniana do Bom Selvagem. Rousseau, o iluminista mais famoso e um verdadeiro ídolo para os "pensadores" cheios de boas intenções, foi o mesmo que, famoso por ter escrito Emílio - um manual sobre a educação que tinha como um dos objetivos ensinar como transformar uma criança num adulto bom - na vida real abandonou seus cinco filhos num orfanato. Ainda hoje a melhor crítica feita às obras de Rousseau é de um seu contemporâneo, o também iluminista, Voltaire. Em carta a Rousseau, Voltaire escreveu que depois de ter lido o Discurso sobre a Desigualdade ficou com vontade de andar sobre 4 patas.

Os exemplos que contrariam a tese furada do bom selvagem vêm aos montes e não me cabe aqui enumerá-los. Todavia, ainda nas escolas desse país, os adolescentes aprendem que porque os índios, seres bons e afetuosos, foram dizimados pelos europeus, esses brancos maus e impiedosos, temos a obrigação de reparar essa injustiça. Em primeiro lugar, não me sinto responsável pelo genocídio do passado. Não somos índios, mas também não somos europeus. Somos o resultado de uma mistura étnica única e querer mudar essa realidade para satisfazer grupinhos de antropólogos e parecer bonzinho, pode ter um custo muito alto.

Os índios que habitam o território brasiliero são brasileiros também, e por isso mesmo, não podem ser tratados pela lei como seres especiais, diferentes, com direitos que fogem à maioria dos brasileiros. Integrá-los e não segregá-los é que deveria ser a tônica da política indigenista.

Infinitamente melhor do que minhas observações, é o artigo do professor da USP, Demétrio Magnolli publicado quinta-feira, 17 de abril, no jornal O Estado de São Paulo. Leiam esse artigo com muita atenção.


Roraima é aqui


O líder indígena Aki-Aboro, da etnia Kayapó, lê jornal no estacionamento do Palácio do Planalto, após encontro com o presidente Lula

Por Demétrio Magnoli

'Morrer se preciso for; matar, nunca' - esse era o lema de Cândido Mariano Rondon e dos pioneiros do Serviço de Proteção ao Índio, antes da degeneração da agência numa ponta-de-lança da espoliação dos índios. Rondon personificou o espírito de um tempo moldado pelo projeto de consolidação da unidade nacional. As suas idéias e ações adquirem significado sobre um pano de fundo formado por eventos como a Guerra do Paraguai, a incorporação do Acre, a delimitação final das fronteiras amazônicas e a elaboração dos planos ferroviários de integração nacional. Na visão rondoniana, a proteção estatal dos índios representava uma etapa na trajetória que conduziria até a sua integração à nação única. Quando se discute o impasse sobre a reserva Raposa Serra do Sol, o que está em jogo é o legado de Rondon.

Os indigenistas da tradição inaugurada por Rondon não indagavam se os índios seriam integrados à sociedade nacional, mas apenas como esse processo ocorreria - e dedicaram sua vida à tentativa de evitar que se integrassem como peões semi-escravizados nas fazendas ou miseráveis relegados às fímbrias da economia urbana. Nenhum deles imaginava que, no outono do século 20, emergisse, triunfante, uma doutrina empenhada na produção política de um país multinacional. Mas é disso que se trata quando se discute Roraima.

No debate sobre as terras indígenas de Roraima se contrapuseram as propostas de delimitação fragmentária e contínua das reservas. A primeira, inscrita no projeto da nação única, admitia a interação de índios e não-índios que habitam a região e tinha como horizonte a idéia de integração.

A segunda, que acabou por se impor, deriva da lógica multiculturalista da separação e tem como horizonte a criação de nações indígenas autônomas nas faixas limítrofes do Estado brasileiro. Hoje, ela demanda a expulsão dos não-índios estabelecidos na região e desenha os contornos da primeira guerra étnica no Brasil do século 21.

Por vias inesperadas, transversas, os índios se incorporam a uma 'sociedade mundial' antes de se integrarem à sociedade nacional. As notícias que chegam de Roraima dão conta da divisão dos indígenas em 'índios católicos', defensores da expulsão, e 'índios evangélicos', defensores da permanência dos colonos.

No cipoal de organizações globalizadas e missões religiosas que atuam em Roraima, existem entidades e figuras abnegadas que contribuíram para amenizar a tragédia sanitária a que, em razão da ausência do Estado, se encontravam entregues os índios ianomâmis nos anos 80 e 90. Mas, sobretudo, se destacam os arautos da criação de nações indígenas separadas, que enxergam os índios como objetos da engenharia internacional das etnias e como pretextos na conquista de fontes de financiamento para as ONGs multiculturalistas.

Quando se discute a questão indígena, o tema verdadeiro é a viabilidade do conceito de nação. Roraima não começa nem acaba em Roraima. Na Bolívia de Evo Morales o governo escreveu uma Constituição multiculturalista que nega a existência legítima da nação e demarca uma estrada jurídica para a emergência de diversas 'nações ancestrais'. Como fruto desse passo, os mineiros do estanho se preparam para abdicar de sua dupla identidade histórica de bolivianos e trabalhadores, substituindo-a pela identidade 'original' de indígenas. Os líderes da operação identitária já reivindicam a transferência da propriedade dos recursos do subsolo às novas nações 'ancestrais', o que lhes permitiria vender as minas a empresas de mineração. O saque das riquezas nacionais está na dobra da esquina da renúncia à nação.

A proposta de um 'arquipélago' de terras indígenas exprimia uma concepção sobre a fronteira entre os índios e a sociedade nacional. Aquele traço de limite deveria ser relativamente poroso, de modo a propiciar um intercâmbio vigiado pelo Estado. A delimitação contínua do 'continente' indígena, por seu turno, pretendeu implantar um território circundado por sólidas muralhas. Do lado de fora ficariam os não-índios e o Estado; do lado de dentro, os índios, as ONGs e os missionários. Esse tipo de fronteira só poderá ser traçado pelo recurso à violência.

Há 'nações indígenas' distintas da nação brasileira? A pergunta carece de sentido, pois nações não existem na natureza, como rios e montanhas, mas são inventadas na esfera da política. Os índios 'originais' não podem ser restaurados, mas sempre é possível inventar, debaixo dos escombros da idéia da nação única, 'nações indígenas' pós-modernas, financiadas por instituições multilaterais e lideradas por coalizões de ativistas bem conectados e índios globalizados.

Há, no Brasil, uma 'nação africana na diáspora', constituída pelos 'afrodescendentes'? Eis outra pergunta que não tem resposta objetiva, pois, nas palavras de Ernest Renan, 'a nação é um plebiscito cotidiano'. Um projeto multiculturalista em curso almeja fabricar essa nação, por meio de leis raciais, da revisão radical de nossa História e do cancelamento do imaginário nacional da mestiçagem. Nações indígenas autônomas poderiam existir ao lado do Brasil. Já a 'nação afrodescendente' só pode nascer pela substituição da nação brasileira por uma coleção de nações étnicas fundadas sobre a glorificação de supostas ancestralidades de sangue. Brasil, nessa hipótese, seria apenas um espaço geográfico confederal e um tênue pacto de convivência entre povos ciosos de suas diferenças.

Rondon, o marechal mestiço com ancestrais bororos e terenas, morreu há 50 anos. Homem de seu tempo, nacionalista e positivista, ele trocou o paradigma da catequese dos índios 'por um vago e eventual culto cívico à bandeira' (George Zarur, A Utopia Brasileira, Abaré/Flacso, 2003). Os índios não precisam desse culto, mas precisam menos ainda das bandeiras inventadas pelos novos fundamentalistas da etnicidade.

PS: Demétrio Magnoli é sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP.

13 abril, 2008

Aquecimento Global é para trouxas.

Zé Paulo é do contra! Zé Paulo é um reacionário, neoliberal, capitalista, direitista, homofóbico, misógino! Eis como algumas pessoas me qualificam pensando que com esses adjetivos me ofendem. Ofender-me-iam se me chamassem de esquerdista, petista, socialista, aí sim, eu ficaria bravo!

Alguns sabem que não dou pelota para esse papo politicamente correto de "aquecimento global". Acho toda essa história uma balela que tem mais de esquerdofrenia que de ciência. As viúvas do socialismo apegaram-se ao "ecologismo" como a derradeira bandeira contra o capitalismo. Criou-se a idéia de que o desenvolvimento econômico, as atividades industrais, o uso de combustíveis fósseis, o desmatamento, enfim, a ação humana, é a PRINCIPAL causa do aquecimento global. Pronto! Professores gente boa, ONG's que só querem o bem comum e dinheiro público, estudantes que plantam uma muda, tiram uma foto e voltam para casa com a sensação de que fizeram a sua parte, pululam em todo canto, afinal, além de chique, é nobre dedicar-se ao combate do aquecimento global. E, no entanto, o aquecimento global, antropogênico ou não, é uma INVENÇÃO! Leiam a entrevista, abaixo.

ESFRIAMENTO GLOBAL 13/04/2008 15:21
Cientista da Ufal diz que o homem não muda o clima e que o Protocolo de Kyoto é ridículo

Divulgação
O ex-vice-presidente dos EUA ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2007 por seus esforços contra o aquecimento global. Estava errado, segundo Molion

Por Renato Lima, de Economia do JC
Especial para o Blog/ JC Online

O cientista Luiz Carlos Baldicero Molion, diretor do Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Alagoas, sabe que sua posição está na contramão dos debates sobre clima global. Mas reage citando argumentos e disposição para o debate. Ele é membro do Grupo Gestor da Comissão de Climatologia da Organização Metereológica Mundial, como representante da América do Sul. Graduado em Física pela USP, doutor em Metereologia e Proteção Ambiental pela Universidade de Wisconsin, EUA. Nesta entrevista, Molion afirma que não é o homem que muda o clima (seja para aquecer ou esfriar), diz que o CO² não pode ser visto como venenoso e ainda classifica o Protocolo de Kyoto como ridículo.

Jornal do Commercio - Para onde caminha o clima?

Luiz Carlos Baldicero Molion - Se eu tivesse que apostar, certamente eu diria que é muito mais provável que tenhamos um resfriamento do que aquecimento nos próximos 20 anos. O Oceano Pacífico é um grande controlador do clima global. Ele ocupa 35% da superfície terrestre. E nós sabemos que a atmosfera é aquecida por debaixo. As mudanças climáticas que ocorreram no século XX coincidem com o clima do Pacífico. De 1925 a 1946 e depois de 1977 a 1998, períodos quentes, coincide com o Pacífico Tropical também quente. E o resfriamento que ocorreu entre 1947 a 1976 coincidiu com o período em que o Pacífico Tropical esteve frio. Então o pacífico é um grande controlador. E a partir de 1999 o Pacífico começou a dar sinais de que está esfriando. Obviamente isso é lento, passa por um período de transição.

JC - E quando começa essa transição?

Molion - Pode já ter começado. O inverno no Brasil no ano passado já foi severo. Nas Serras Gaúchas as temperaturas já chegaram a 5º abaixo de zero. E o inverno tem sido rigoroso também no Hemisfério Norte, que desde dezembro do ano passado até abril deste ano está sofrendo conseqüências de um inverno severo, com recordes de acúmulo de neve. São temperaturas baixas no Canadá, inferiores a 50º abaixo de zero, a 60º abaixo de zero na Sibéria. E o inverno rigoroso na China, em que mais de 200 milhões de chineses estavam sem ter o que comer por conta do inverno.

JC - E o que causou o recente aquecimento?

Molion - Parte do aquecimento é do sol, pela variação natural da produção de energia. E parte também vem do fato de que muito desses termômetros que são usados para medir as temperaturas estão hoje em grandes cidades. Na década de 60 havia 14 mil estações medindo temperatura na terra. Hoje tem menos de 2.000. E essas reduções foram feitas em locais de difícil acesso. Por exemplo, a Rússia fechou muitas estações na Sibéria, que tem zonas frias. E muitas estações foram fechadas nas zonas rurais, devido a dificuldades de manter essas estações. As zonas rurais registram temperaturas de 2º a 5º mais baixas do que as temperaturas urbanas.

JC – A gente está detectando uma sensação térmica urbana mais quente, por ter menos árvores e ser mais urbanizado, mas não o clima global?

Molion Isso. Basta comparar com os dados de satélite, em que as temperaturas medidas abrangem áreas maiores. A tendência nos últimos anos é de 0,12º por década, dentro da variabilidade natural do clima. Jamais poderíamos atribuir esse aumento que houve às atividades humanas. O aquecimento global não é antropogênico, ele não é produzido pelo homem.

JC - A proporção que o homem produz de CO² não seria suficiente?

Molion - Certamente que não. Estima-se que os fluxos globais de carbono entre oceano, solo, vegetação e atmosfera seja da ordem de 200 bilhões de toneladas por ano. Como são estimativas, admite-se facilmente que tenha um erro de 10% nisso. Estamos falando de 20 bilhões. Vinte bilhões é 3 vezes mais do que o homem coloca na atmosfera hoje, que é de 6 bilhões. E 20 bilhões é 70 vezes maior do que o que o Protocolo de Kyoto se propõe a reduzir, que é apenas 0,3 bilhão. Quer dizer, o Protocolo de Kyoto é ridículo. Pode ser muito bom para a recuperação ambiental, mas do ponto de vista de efeito estufa, diminuição e controle do CO², o Protocolo de Kyoto é ridículo.

JC – Como a ciência, que busca uma verdade objetiva, pode divergir tanto neste momento, neste assunto?

Molion – Não sei. Talvez haja interesses por detrás disso. Interesses econômicos envolvidos. Talvez alguns cientistas aproveitem da situação. Alguns que discordam também não falam, temem que seus projetos sejam cortados, seus empregos perdidos. Enfim, parece haver uma série de razões que levaram a adoção dessa hipótese do aquecimento global antropogênico ganhar um corpo tão grande. A comunicação hoje é muito fácil e o homem gosta mais de catastrofismo do que outra coisa. Existe interesses, não é questão de divergência. Os defensores do aquecimento global se baseiam em argumentos que não têm base científica sólida. Mas como eles fazem isso? Muito simples: a verba para o estudo climático nos EUA era, há 10 anos, US$ 600 milhões. Hoje passa de US$ 4 bilhões. Qualquer projetinho que venha lá dizendo que isso pode ajudar a entender o aquecimento global antropogênico recebe o seu dinheiro. Pode haver interesse das próprias companhias de petróleo. Sabendo que o petróleo vai terminar a curto prazo, 20, 30 anos, então se diminuir o consumo agora estica o domínio deles e permite até elevar o preço acima de US$ 110 o barril. E pode haver até outros interesses dos próprios políticos, de ver nisso uma oportunidade de colocar mais um imposto, mais uma taxinha.

JC – Então quem mora na beira-mar de Boa Viagem, de Maceió e do Rio de Janeiro não precisa se preocupar de que vai ficar sob água?

Molion – Essas projeções de que o nível do mar vai subir de 20cm a 60cm são baseadas em cenários hipotéticos que jamais vão ocorrer. São resultados de modelos de simulação de clima que não são adequados para fazer previsão nenhuma. Na realidade, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, o IPCC, não faz previsões. Ele faz projeções de cenários. De tal forma que esse aumento de 20cm a 60cm no nível dos mares é um mero exercício acadêmico. O que ocorreu nos últimos 100 anos foi que este nível subiu cerca de 13cm, mas existem muitas outras causas geológicas, como o movimento de placas tectônicas, do que certamente o ser humano. O ser humano é muito pequenininho em comparação com as forças naturais. Basta dizer que 71% da superfície terrestre é coberta por oceanos e 29% são continentes. Dos 29% de continentes, 15% são terras geladas, gelo e areia, desertos. Resta então ao homem apenas 14% para ele manipular. Desses 14%, metade é coberto por florestas naturais. O homem só opera em 7% da superfície terrestre. Não é possível que nesses 7% ele vá mudar o globo todo. Repito: não confundir conservação ambiental com mudança climática. A conservação é uma necessidade da espécie humana. E o CO² não tem nada a ver com mudança climática. Não confundir CO² com poluição. Quanto mais CO² na atmosfera, mais as plantas produzem.

Aqui, você acessa um vídeo que desmascara essa farsa.

Lula sabia! E como sabia.

"Sim, a ministra Dilma mentiu. Sim, toda a cúpula política do planalto, dos líderes do governo ao presidente Lula, sabem muito bem que a ministra Dilma está mentindo" Escrevi no dia 04 de abril de 2008.


"Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?

Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes
Embuçado nos céus?"
Castro Alves,Vozes d'África

Em época de líderes messiânicos, de gente que se comporta como fanáticos de uma causa, de grupos prontos a assaltar a constituição assim que seu líder mandar, nada como um clamor direcionado aos céus para nos livrar das trevas a que nos destinamos em 2003. Não, não se trata de um clamor de um ressentido, mas de quem compreende que quando as leis e as instituições, os valores democráticos e a liberdade estão sob constante ameaça, e a maioria dá de ombros, é porque estamos às vésperas de um sistema totalitário.

O Correio Braziliense desnuda o caso do Dossiê. Diz que toda a cúpula, não só sabia, como determinou que fossem levantados dados que pudessem constranger e intimidar os membros da oposição. A tática infame, garante a matéria, era evitar a CPI dos cartões corporativos ou, no mínimo, fazer um acordo por debaixo dos panos para não se tocar nos gastos do Palácio do Planalto. Desde sempre o Palácio quis evitar uma investigação mais séria sobre esses gastos e embora o plano não tenha dado certo em sua plenitude, o governo conseguiu transformar a CPMI numa pantomima que está servindo mais para lavar reputações do que para identificar crimes.

O "eu não sabia" nesse caso, não cola mais. Talvez por isso, haja na praça um movimento do governo em admitir que levantou sim, dados, mas apenas para controle interno. A história é sórdida, mais uma, e como sempre, a popularidade de Lula será levantada como um salvo conduto para os crimes perpetrados pelo presidente e seus acólitos. Leiam trechos da matéria do Correio Braziliense, colhidos no blog do Reinaldo Azevedo.

Um dossiê palaciano

A blindagem do governo à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tem razões que vão muito além da própria Dilma. A montagem de um dossiê, ou “banco de dados” como prefere o governo, com gastos da Presidência da República na gestão do tucano Fernando Henrique Cardoso é uma operação maior que a Casa Civil. Foi decidida pela coordenação política do governo, com conhecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dados sobre despesas da gestão FHC foram pensados como a principal munição governista na guerra em torno dos cartões corporativos. Uma espécie de bomba atômica. A idéia nunca foi apresentá-los publicamente, mas usá-los para intimidar a oposição e impedir que PSDB e DEM investigassem as contas do Palácio do Planalto no governo do PT.
(...)
A coordenação — da qual fazem parte Dilma e os ministros de Comunicação Social, Franklin Martins, e de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, entre outros — avaliou que a guerra dos cartões era uma “crise de mídia”. A conclusão foi que a oposição usaria as denúncias e a ameaça de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para desgastar o governo. Os ministros avaliaram que o governo tinha errado em crises anteriores por se deixar acuar e que desta vez deveria reagir. Em férias no litoral paulista, Lula não participou do encontro, mas acompanhou a distância e foi informado de tudo.

Tática e os funcionários
A reação do governo na crise dos cartões teve duas frentes. Na pública, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), antecipou-se e colheu assinaturas para abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Agiu para deixar a oposição sem discurso. Ao mesmo tempo, nos bastidores, iniciava-se a coleta de informações sobre o governo FHC. A operação começou logo depois do carnaval. O trabalho foi coordenado pela secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, braço direito da ministra Dilma. Contou com a participação, entre outros, de Maria de La Soledad Bajo Castrillo (chefe de gabinete de Erenice), Norberto Temóteo Queiroz (secretário de Administração da Casa Civil), Gilton Saback Maltez (diretor de Orçamento e Finanças da Casa Civil) e José Aparecido Nunes Pires (secretário de Controle Interno da Presidência).
(...)
A determinação era reunir munição para a guerra fria que se desenhava com a oposição sobre as despesas com cartões corporativos. E usar tal arsenal para impedir a instalação da CPI ou, na pior das hipóteses, fechar um acordo para esfriar as investigações ou mantê-las sob controle. Na avaliação dos governistas, o imbróglio criado não é pertinente, porque seria cercado de hipocrisia, uma vez que nos dois governos os gastos estariam dentro da normalidade, ressalvadas irregularidades pontuais. “É muita inocência achar que vão encontrar gastos da dona Marisa com botox ou compra de uma Ferrari por um filho do Lula”, diz um ministro.
A estratégia governista desandou porque o suposto dossiê vazou. O material era para consumo interno, para negociação de bastidor.

12 abril, 2008

Isabella Nardoni

Isabella Nardoni, de apenas 5 anos, no último dia 29 de março, foi defenestrada do apartamento do pai e da madrasta que fica no sexto andar do edifício London em São Paulo. Por quem? Eis uma, de muitas perguntas ainda sem resposta. Esse caso é monstruoso e tem uma série de detalhes que o deixa ainda mais confuso.

Os suspeitos naturais pelo infanticídio, falo aqui em tese, são o pai, Alexandre Nardoni, de 29 anos e a madrasta, Ana Carolina Jatobá, 24. A falta de uma prova cabal que os possa incriminar tem prolongado essa angústia já por duas semanas. Após um período de 9 dias em prisão preventiva, o casal foi solto, mediante um habeas corpus concedido pelo desembargador Caio Edurado Canguçu de Almeida. Enquanto estiveram presos, as investigações da polícia não progrediram como se imaginara. O assédio da imprensa, creio, tem dificultado o esclarecimento do caso na medida em que a busca desenfreada pelo “furo”, faz jornalistas repisarem teses sem provas, publicarem especulações, enfim, procurarem dramatizar um caso que pela circunstâncias em que aconteceu, já tem carga dramática de sobra. Com tanta emoção, esquecem os jornalistas, que para condenar um cidadão, não bastam indícios, é preciso provas!

O assassinato de uma criança é bárbaro por definição, todavia, se ficar provado que o pai e a madrasta são os autores do crime, o assassínio passa a ser aberrante. Nessa história sórdida, a postura da mãe de Isabella Nardoni, também Ana Carolina, provocou em mim um certo mal estar. Não quero e nem posso julgá-la, mas a maneira como reagiu ao assassinato da ÚNICA filha foi, no mínimo, estranha.

Alexandre Nardoni, que aos 29 anos não tem profissão e vive da dependência do pai, insiste que sua filha foi morta por uma terceira pessoa que invadira seu apartamento enquanto o mesmo estava na garagem pegando o resto da família. Contudo, não há sinais de furto nem de arrombamento no apartamento. A madrasta, segundo depoimentos, não desmente o companheiro, mas não acrescenta mais informações que possam sustentar a versão de Alexandre Nardoni. Tudo ainda está muito confuso.

Se o casal for inocente, estamos diante de um crime perfeito. Se forem culpados, estamos lidando com um casal frio, cruel e sem sentimentos de afeto. Quando eles aparecem nas imagens estão com aquele ar de que querem, antes de tudo, livrar a própria cara. Ele perdeu a sua filha de maneira brutal; ela, mãe de duas crianças, deveria saber o que uma perda dessa natureza, representa; e, no entanto, não vejo, sinceramente, no semblante de ambos, o luto, a dor, a incomensurável dor, da perda de um filho.

Investigadores e peritos não falam abertamente sobre o caso, mas em reserva dizem não haver dúvida de que o casal matou Isabella. Falta só encontrar provas definitivas!

Estaria Isabela ainda viva quando foi arremessada pela janela? Ao levar a filha nos braços quando chegou do supermercado, ela já não estaria morta? Que motivos - a não ser uma maldade inominável - levaria uma pessoa, ainda mais um pai, a matar sua filha, uma criança de apenas 5 anos, com tamanha violência? Por que, um ladrão, um bandido, entraria num apartamento, não levaria nada, apenas mataria uma criança com o requinte de atirá-la pela janela? Eis algumas perguntas sem resposta.

Se o pai tinha um desafeto a ponto desse inimigo ir até à sua casa para cometer crime tão selvagem, o que ele teria feito para provocar tanto ódio numa pessoa? Se a família Nardoni afirma que Alexandre é uma pessoa tranqüila, por que muitos garantem ter ouvido uma discussão séria, com palavrões, momentos antes do corpo da menina ser encontrado no jardim do prédio? Por que, então, no antigo endereço do casal, os vizinhos confirmaram que as brigas entre Alexandre Nardoni e Ana carolina, a madrasta, eram freqüentes e violentas? Por que, finalmente, há na polícia uma queixa da ex-namorada de Alexandre e mãe de Isabela, denunciando agressão do ex-namorado? Alexandre Nardoni pode ser inocente desse crime, mas está longe de ser uma pessoa tranqüila.

04 abril, 2008

Um gesto de grandeza

AFP PHOTO/Evaristo SA
A mãe do PAC meteu os pés pelas mãos. Alguma dúvida de que o dossiê tem o dedo da ministra Dilma?

Sim, a ministra Dilma mentiu. Sim, toda a cúpula política do planalto, dos líderes do governo ao presidente Lula, sabem muito bem que a ministra Dilma está mentindo. Tivesse um pouco de decoro, pediria demissão e voltaria a bombar seu chimarrão nos pampas. Mas o que digo? Tudo o que os membros desse governo não têm, é decoro.

A foto que ilustra o post resume a maneira como o governo trata a sociedade civil, as leis, o estado de direito e as instituições. Acabou-se, D. Dilma! A senhora não vai ficar. A senhora não é Renan Calheiros.

03 abril, 2008

Propaganda enganosa do Alub?

Notas Médias do Enem por Município e por Escolas
dos Alunos Concluintes do Ensino Médio em 2007
UF: Distrito Federal
Município: BRASILIA
Localização: Urbana
Rede de Ensino: Privada
Dep. Administrativa: TODAS
Modalidade de Ensino: Ensino Regular e Educação de Jovens e Adultos
MÉDIAS

BRASIL
UF
MUNICÍPIO
Média da Prova Objetiva
65,554 69,894 69,894
Média Total (redação e prova objetiva)
63,633 66,391 66,391
Média da Prova Objetiva com correção de participação
65,108 69,020 69,020
Média Total (redação e prova objetiva) com correção de participação
63,341 65,837 65,837
Nota Técnica: Método de correção Arquivo em Formato PDF

As notas acima são dos alunos das escolas privadas de Brasília no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2007. Em comparação com a média nacional, até que os alunos da rede particular de Brasília não estão ruins. Todavia, o que me chamou a atenção foi o resultado do colégio Alub, por quê?

Na página da escola na internet, há a informação de que o colégio apresenta recordes de aprovação no Enem, no PAS e no vestibular da Unb. Em primeiro lugar não existe isso de aprovação no ENEM. Esse exame não aprova aluno, apenas mede, teoricamente, a qualidade do ensino nas escolas de nível médio. O máximo que o Enem indica é se os alunos aprenderam alguns conceitos básicos no nível médio de ensino.

O Alub deve receber com constrangimento o resultado do último ENEM. A escola ficou sem conceito (SC). A razão desse vexame é que dos 124 alunos que concluíram o ensino médio na colégio, ano passado, apenas 06 fizeram a prova, quando o mínimo para receber uma nota são dez alunos.

Outras escolas de Brasília também ficaram sem conceito pelo mesmo motivo. Então, você pode perguntar, por que destacar o colégio Alub? Por uma razão simples. Eles têm a empáfia de dizer que tem recordes de aprovação no ENEM, quando, na verdade, não conseguem sequer pontuar no exame. Uma vergonha.

Aqui, confira os resultados do ENEM 2007 das escolas privadas de Brasília.