22 março, 2008

Saúde entregue aos mosquitos e aos bandidos!


Olha o mosquito da dengue! Ei, César Maia, Sérgio Cabral, ministro Temporão, presidente Lula, olhem o mosquito da dengue! As autoridades públicas dão um vexame a cada dia e se mostram incapazes de vencer a epidemia. Até agora, e não é de hoje, o Aedes aegypti vence, e, quando não derruba, mata o pobre cidadão do Rio de Janeiro.

Pelo platô central, a Unb, o seu reitor e mais uma fundação, reforçam a tese de que em Brasília, autoridade quando não tá roubando dinheiro púbico, tá se preparando para roubá-lo. Enquanto no berçário do HUB (Hospital Universitário de Brasília), faltam fraldas para os recém-nascidos da Unidade de Neonatologia do hospital, que estão sendo assistidos por doações de fraldas feitas por médicos, funcionários e enfermeiros da unidade; a funsaúde, fundação ligada a Unb e responsável pela saúde dos índios, usa os milhões do governo para comprar canetas de luxo, pagar viagens estranhas e conceder banquetes faustosos, enquanto os índios morrem por falta de atendimento adequado de saúde.

Casos como estes, dão a impressão de que a guilhotina seja a única punição justa e eficiente contra o corrupto e a autoridade pública negligente. Se a corrupção, ou a inépcia do agente público, não se cura com a pena capital, ao menos o corrupto ou o néscio, guilhotinados, não nos incomodarão mais. Claro que não sou a favor disso. A chance deles comprarem o carrasco, os juízes, o meirinho e acabarem levando pessoas decentes a pagar por eles, seria tão certa quanto a certeza de que muitos ricos daqui, e do país, só o são, lesando os cofres públicos.

A saúde pública no Rio de Janeiro não está entregue às moscas, mas aos mosquitos da dengue. Lá, todos sofrem com a epidemia, uma vez que o mosquito é democrático: pica o morador da Rocinha e o morador do Leblon. Infesta os bairros pobres da Baixada e as casas nobres da serra. Mas os ricos, quando doentes, tem o alívio do hospital privado. A “pobrada”, doente, com dor no corpo, espera horas, dias, para ser vista pelo médico e saber o que a enfermidade já lhe dissera: é mais um com dengue.

Enquanto isso, o prefeito, o governador, o ministro, o presidente, estão mais preocupados em achar o culpado pela epidemia, do que em tratar dos doentes e combater os focos do mosquito. Se amanhã, ou depois, o JN anunciar que a epidemia de dengue é mais uma das conseqüências do Aquecimento Global – hoje tudo é causado pelo Aquecimento Global - não duvido que um assessor, seja municipal, estadual ou federal, quem sabe todos juntos, repitam o gesto indecoroso daquele assessor de Lula quando viu no JN que o acidente da TAM foi causado mais por uma falha técnica e humana do que por um problema da pista. Naquele momento, o governo, com gestos, dizia: “tomem seus idiotas! Não temos nada com isso!”


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