29 março, 2008

Mais uma vez a mesma história e o mesmo fim!

O que é aborrecido nesse governo e nos seus acólitos é a falta de originalidade nas desculpas esfarrapadas que dão para explicar o inexplicável. Segundo o governo, o dossiê - digo, o levantamento de dados sobre as despesas do ex-presidente FHC e de sua mulher, feito para chantagear e constranger a oposição - foi uma decisão exclusiva da secretária executiva da ministra da Casa Civil, a alopradinha Erenice Guerra. A decisão de escarafunchar as contas tipo B do governo anterior, não passou pela "mãe do PAC", nem o presidente Lula sabia, claro. Como sempre, os aloprados do governo seguem o mesmo roteiro de escândalos anteriores: negam o fato e, depois, diante das provas, escolhem um alopradinho para pagar o pato e saem com a desculpa de que os mandachuvas não sabiam de nada.

O que mais me espanta no Brasil não é exatamente a popularidade de Lula, mas a coragem de certos jornalistas de defender o indefensável. Sei, há os que escrevem para garantir a marmita, esses "clientes" do poder não fazem jornalismo, fazem outra coisa. São proxenetas das fontes oficiais. Todavia, há gente de bem que para não parecer tendecioso, insiste que o dossiê não merece toda a celeuma que está provocando.

Eu sinto uma enorme vergonha - e confesso isso porque se não confessasse essa culpa me acompanharia e me martirizaria para sempre - de um dia ter acreditado e votado no PT. De todos os erros que cometi na vida, estes - o voto e a crença no PT - foram os mais desastrosos, ao menos para a minha consciência.

Quando vejo na TV Ideli Salvati e Luís Sérgio, lembro na hora do verso de Augusto dos Anjos que diz: "Que ventre produziu tão feio parto?" Quando essas figuras falam na CPI dos cartões corporativos, os meus instintos mais primitivos afloram e sinto gana de cometer uma loucura. O farsante, o canalha, o pau mandado de Zé Dirceu, o deputado carioca Luís Sérgio, relator da CPMI dos cartões corporativos, diante das provas - provas! - de que fora a secretária executiva da ministra Dilma, a responsável pelo "levantamento de dados", vulgo dossiê; declarou que não vê fato suficiente para pedir a convocação da ministra para esclarecer o caso na CPMI. Diz o meliante: "Não vejo motivos de convocar. Qual a razão para isso a não ser o processo da disputa política? A oposição, ao longo do processo, tem uma estratégia em curso de atacar todos os nomes de figuras públicas do PT que ganham notoriedade nacional. A ministra Dilma está sendo atacada porque ela, no Gabinete Civil, deu uma demonstração clara de que é a gerente que o Lula estava precisando. Ganhou credibilidade interna no governo, externa da população." Há como ser civilizado com um canalha dessa natureza?

Em Alagoas, depois de se superar nas bobagens ditas em Pernambuco, o aloprado-mor voltou a atacar a oposição como se ela tivesse esbulhado as instituições. Como se ela fosse a culpada pelo estado policial que esse governo inaugurou. Num palanque, finalmente, ele pagou pelo silêncio de Renan Calheiros, fazendo ao priápico senador alagoano, elogios rasgados. E como acredita que é um ungido, o presidente Lula decretou a inocência de Severino Cavalcanti e de Renan Calheiros. Lula é assim: basta ele dizer que alguém é inocente, é probo, pronto, as provas em contrários são inutéis. Um acinte! Na moral do presidente, o valor de uma acusação não são as provas, mas a dita moral do acusador. Lula declarou em Alagoas que sentiria vergonha de ser acusado por uma mulher ou por um homem honesto, mas ser acusado por quem não tem autoridade moral, isso não! Com essa lógica esquisita, o presidente deu tiro no próprio pé. Quando ele acusar alguém de desonesto, que autoridade moral ele terá? Lula é hoje o mais imoral de todos os presidentes imorais que nós tivemos!

Derrubar Dilma resolve o problema? Não. Já caíram Palocci, Dirceu, Genoíno, já foram pegos com a mão na merda o Marco Aurélio Garcia, o Ricardo Berzoini, a Marta Suplicy e de nada adiantou. Eles continuam serelepes a dar as cartas. O que eles precisam, todos eles, é serem exemplarmente punidos! Os crimes que eles cometeram não foram só contra o estado de direito e a democracia, mas crimes previstos no código penal e sujeitos à penas de reclusão. Cadeia para todos eles! Contudo, ainda que eles fossem punidos, acreditem, esses crimes voltariam a acontecer porque é da natureza do partido.

Sinto vergonha de minha crença pretérita, mas sinto ainda mais vergonha de gente instruída que como um fiel fanático, reconhece que o governo errou, mas justifica o crime dizendo que os outros também erravam. Esse argumento não é de quem pensa ou de quem assumiu a postura ereta e caminha sobre duas pernas, muito pelo contrário.

27 março, 2008

A popularidade do presidente e o descalabro das instituições


A pesquisa CNI/Ibope, constatou que a popularidade do governo Lula é a maior desde março de 2003, quando o primeiro levantamento foi feito. Naquela época, a avaliação boa e ótima do governo era de 51%, três meses após a posse. No levantamento divulgado hoje, esse número subiu para 58%. Toda vez que números tão alvissareiros chegam ao conhecimento do presidente Lula, sua verborragia petralha, seu discurso canhestro, sua glossolalia, saltam aos olhos e causa constrangimento a todo brasileiro sério, instruído e decente. A malta que festeja os números, exibe a alegria dos ímpios. Refestelam-se nos bueiros de onde vieram e aos quais, ainda que se perfumem, não deixarão nunca de pertencer.

Em Pernambuco, onde esteve fazendo campanha eleitoral com dinheiro público, aproveitou o ensejo para mentir, escarnecer, fazer pilhéria e provocar. Em tom jocoso, declarou que ligou para o presidente Bush para ele resolver a sua crise, lá. Disse que nós tínhamos experiência em salvar os bancos, e, se ele quisesse, o Brasil poderia ensinar. Mentiu, quando disse que o acordo entre a CEF e a compesa só não saíra antes, porque o então governador Jarbas Vasconcelos - hoje senador pelo PMDB de Pernambuco e ferrenho crítico do governo e do presidente - atrapalhara as negociações. Isso é simplesmente, mentira!

O senador Jarbas Vasconcelos respondeu às críticas hoje, no plenário do senado federal. Fiquem com alguns trechos do discurso de Jarbas, colhido no blog do Jamildo, no JC on Line.

PAC ELEITORAL

Lideranças precárias e primitivas defendem constantemente o Governo, a exemplo do que fez a Líder do PT ontem (senadora Idelli Salvatti), que nos acusa de fazer prática eleitoral aqui. E, no âmbito da CPI, diz que a ministra (Dilma Roussef) vai ser mais importante ainda em 2010.

Ela não está fugindo do contexto, porque o Presidente da República, no meu Estado, ontem (26), disse que – usando palavras chulas como sempre – a Oposição tirasse o seu cavalinho da chuva, porque quem ia ganhar a eleição era o Governo. Foi a Pernambuco no avião presidencial e montou o palanque do PAC, que tem servido de palanque eleitoral.

CAMPANHA COM DINHEIRO PÚBLICO

Não vale ele dizer que não está em campanha, porque é inelegível e não irá disputar a eleição em 2010, pois está indicando pessoas e fazendo campanha eleitoral com dinheiro público; com avião, com gasolina e no chamado palanque do PAC. E ainda diz que vai para os outros Estados; e vai para os outros Estados.

O que temos que fazer é gritar, é protestar, é bater na porta da Justiça, mostrar que o presidente da República está em campanha eleitoral. Ele pode dizer a toda hora e a todo instante que estamos contra o povo, que estamos isso, que estamos aquilo, que queremos tolhê-lo, que queremos deixá-lo aqui em Brasília ouvindo os discursos da oposição. Isso é problema dele. Mas ele não pode usar o dinheiro público para ir aos Estados com tanto tempo de antecedência da eleição, fazendo campanha eleitoral, querendo fazer este Congresso, a mídia, a opinião pública e o povo do Brasil de imbecis.

PRESIDENTE GOZADOR

Como o País já se encontra completamente desmoralizado – Senado e Câmara dos Deputados desmoralizados pelo Governo, pelo PT e pelo PMDB, que ajuda o PT –, o Presidente da República está levando essa coisa na gozação e na ironia. Já desmoralizou e acuou o Judiciário. Não vejo movimentação aqui dos grandes partidos, como o PSDB e o Democratas, no sentido de irem ao Supremo e à Justiça Eleitoral denunciar o Presidente da República.

POPULARIDADE E DITADURA

Lideranças precárias aqui dentro defendem isso, defendem dentro da CPI (dos Cartões)que a Ministra (Dilma Roussef) vai ser mais importante ainda em 2010, fazem a defesa neste plenário de que a Ministra não deve ser convocada porque não tem nada a ver. Tem! Este não é um País de idiotas. Este País não deve se surpreender, porque Lula tem 70% de aprovação. Garrastazu Médici, em plena ditadura militar, um dos mais cruéis ditadores que este País teve, alcançou – eu era deputado estadual à época – 84% de aprovação. E deu no que deu. Quer dizer, Lula não chegou nem aos 80% ainda e pode chegar a esse patamar, usando dinheiro público, fazendo campanha eleitoral. Mistificando, como tem mistificado, o povo brasileiro, é possível que chegue aos 80%.

DILMA E O DOSSIÊ

Qual o inconveniente de a ministra (Dilma) vir aqui na próxima semana? Porque esses dados estavam dentro da Casa Civil e, se estavam dentro da Casa Civil, vazaram. Se é mentira ou não da Veja, é outra história. É outra história se é mentira ou se é verdade. A verdade é que se diz que há um dossiê e que o Governo o soltou. Não é a primeira vez que o Governo desmente isso. O dossiê contra José Serra em 2006 continua aí. Os aloprados palitando os dentes, soltos, nenhum, nenhum deles foi algemado. Continuam trabalhando dentro do Palácio, continuam trabalhando fora do Palácio e são do PT.

Mostraram um saco de dinheiro. Os aloprados mentiram. Aquele dossiê não deu em nada. Esse também não vai dar em nada. Essa CPI não vai dar em nada, porque esta Casa está completamente desmoralizada.

PODERES DEMORALIZADOS

O Presidente da República disse que não vai abrir mão de medidas provisórias. Já mandou uma enxurrada na semana passada, continua mandando agora e vai mandar mais amanhã, porque o Presidente quer desmoralizar este País, porque, desmoralizando este País, vai haver uma onda para um terceiro mandato.A justiça já está desmoralizada. O Poder Judiciário já está desmoralizado, quando enfrentou, topou, peitou um Ministro do Supremo, Presidente do Superior Tribunal Eleitoral e ficou por isso mesmo. Vai para os Estados fazer campanha eleitoral. Atribui a nós, oposição, essa responsabilidade. Suas Lideranças – para usar um termo muito comum ao nosso Presidente dos Tucanos, Sérgio Guerra – precárias e primitivas, aqui dentro ficam a gritar e a dizer que estão certas e que a oposição é que está errada e fica por isso mesmo.

CAMINHO DO ARBÍTRIO

Na semana passada empurraram goela adentro uma TV pública por medida provisória. Eu, por exemplo, votaria uma TV pública se fosse mediante projeto de lei, mas não medida provisória. De forma que estamos em marcha batida para um terceiro mandato de Lula. As instituições serão desmoralizadas, porque ele não leva em conta a mídia, não leva em conta o Congresso. Ele já desmoralizou o Poder Judiciário. Já disse que o Tribunal de Contas da União era um acampamento de políticos aposentados. Então, não sei mais quem é que falta a Lula desmoralizar neste País para continuar essa marcha no itinerário do arbítrio.

24 março, 2008

Por que Atenas e não Esparta?

O cenário das Guerras Médicas e das disputas entre Atenas e Esparta.

(clique na imagem para ampliá-la)


O declínio da civilização helênica esteve ligado às guerras fratricidas entre as cidades-estados gregas após a derrota que estas, unidas, impuseram aos persas em 480-479 a C. Para Toynbee, em sua História do Helenismo, a vitória dos helenos nas Guerras Médicas abriu uma oportunidade ímpar para os gregos buscarem, no mínimo, uma aliança confederada. Ainda segundo esse historiador, o desenvolvimento econômico dos séculos VII e VI a C, imporia, mais cedo ou mais tarde, algum tipo de unificação política às póleis; mas, para isso, a cidade que liderasse esse movimento deveria, com prudência, não descambar para o domínio agressivo de suas cidades irmãs. Foi tudo o que Atenas, no século V a C, não fez.

A Liga ou Confederação de Delos, criada em 478 a C para se precaver contra o um novo ataque persa, nasceu sobre um péssimo augúrio: a decisão de Esparta - até então, a líder militar da Hélade - de não tomar parte nela, abrindo espaço para a atuação única de Atenas. Considerada pelos estados helênicos do Egeu e da Ásia Menor como a grande responsável pela derrota dos persas, Atenas tornou-se a grande referência dessas cidades. Sem Esparta, pôde exercer sua liderança sem um rival à altura, e, talvez por isso, não tenha resistido ao canto da sereia do imperialismo.

Se hoje sabemos, que Esparta, com sua decisão de não participar da Liga, ajudou Atenas a construir seu imperialismo, é importante lembrar que esse perigo não foi estranho aos lacedemônios. Ora, cabe a pergunta: por quê, então, os espartanos não exerceram, eles mesmos, a liderança da Hélade? Ou por outra: por quê, ao menos, não dividiram com Atenas essa liderança? Quem nos oferece uma resposta é Rostovtzeff, em sua História da Grécia.

Para o historiador russo, Esparta tinha duas limitações que lhe impediam de exercer a liderança do mundo grego após as Guerras Médicas. A primeira era sua constituição e seus problemas internos. Com efeito, se Esparta estivesse disposta a liderar o mundo grego logo após às Guerras Médicas precisaria expandir seu exército e sua influência para além do Peloponeso. Todavia, essa saída era impossível. A força de Esparta, o seu poder, estavam na opressão a que submetia os habitantes da Messênia, transformados em hilotas, isto é, em servos dos espartanos. Deslocar sua força para fora do Peloponeso implicaria em desguarnecer a lacônia e a messênia, ameaçando seu domínio na península. A opressão de seu exército escravizava os hilotas, mas a postura sempre rebelde destes, condenava os espartanos a uma vida rigidamente controlada por um estado sufocante que exigia de seus cidadãos uma vida voltada para a guerra e uma obediência cega ao governo. Outro grave limite para a liderança de Esparta eram seus parcos recursos. Esparta era essencialmente agrícola; uma agricultura basicamente de subsistência. Sua indústria e seu comércio eram tão tímidos que não tinham importância econômica. Para exercer a liderança seria preciso mobilizar recursos que o estado espartano, por mais que quisesse, não dispunha. Entre o imperialismo sobre as cidades gregas e o autodeterminismo dessas cidades, Esparta optou pelo segundo porque não poderia exercer o primeiro.

Se Esparta, por mais que quisesse, não poderia liderar o mundo grego após as Guerras Médicas; Atenas, ainda que não quisesse, seria impelida pelas circunstâncias a exercer esse papel de liderança. Em verdade, a Liga de Delos foi o resultado de um temor real: uma nova investida persa sobre o mundo grego. Se, para Esparta, a tarefa de combater os persas foi concluída após as batalhas de Salamina, Platéia e Mícale quando os persas foram expulsos da Grécia européia e já não representavam uma ameaça ao Peloponeso; para Atenas, e, principalmente, para as ilhas do mar Egeu e para as cidades da Jônia (Ásia Menor), os persas tinham sido derrotados, mas não definitivamente vencidos. A Liga, portanto, foi uma aliança militar preventiva que, sob a liderança de Atenas, passou a ser cada vez mais agressiva contra os persas, expulsando-os do Egeu e do litoral da Ásia Menor, devolvendo às cidades gregas subjugadas pelos exércitos persas, a liberdade.

Após a expulsão dos persas, Atenas se viu diante de um dilema: dissolver a Confederação de Delos e voltar à situação de antes das Guerras Médicas, ou transformar as cidades da Liga de aliadas, à subordinadas. A opção escolhida foi a do imperialismo, como sabemos. Contudo, cabe a pergunta: Atenas poderia renunciar ao seu destino de líder da Liga, sem prejuízos para sua economia e sem a ameaça de convulsão social? Tanto Rostovtzeff quanto Toynbee respondem que não.

Na semana que vem, mais um capítulo dessa história.

22 março, 2008

Saúde entregue aos mosquitos e aos bandidos!


Olha o mosquito da dengue! Ei, César Maia, Sérgio Cabral, ministro Temporão, presidente Lula, olhem o mosquito da dengue! As autoridades públicas dão um vexame a cada dia e se mostram incapazes de vencer a epidemia. Até agora, e não é de hoje, o Aedes aegypti vence, e, quando não derruba, mata o pobre cidadão do Rio de Janeiro.

Pelo platô central, a Unb, o seu reitor e mais uma fundação, reforçam a tese de que em Brasília, autoridade quando não tá roubando dinheiro púbico, tá se preparando para roubá-lo. Enquanto no berçário do HUB (Hospital Universitário de Brasília), faltam fraldas para os recém-nascidos da Unidade de Neonatologia do hospital, que estão sendo assistidos por doações de fraldas feitas por médicos, funcionários e enfermeiros da unidade; a funsaúde, fundação ligada a Unb e responsável pela saúde dos índios, usa os milhões do governo para comprar canetas de luxo, pagar viagens estranhas e conceder banquetes faustosos, enquanto os índios morrem por falta de atendimento adequado de saúde.

Casos como estes, dão a impressão de que a guilhotina seja a única punição justa e eficiente contra o corrupto e a autoridade pública negligente. Se a corrupção, ou a inépcia do agente público, não se cura com a pena capital, ao menos o corrupto ou o néscio, guilhotinados, não nos incomodarão mais. Claro que não sou a favor disso. A chance deles comprarem o carrasco, os juízes, o meirinho e acabarem levando pessoas decentes a pagar por eles, seria tão certa quanto a certeza de que muitos ricos daqui, e do país, só o são, lesando os cofres públicos.

A saúde pública no Rio de Janeiro não está entregue às moscas, mas aos mosquitos da dengue. Lá, todos sofrem com a epidemia, uma vez que o mosquito é democrático: pica o morador da Rocinha e o morador do Leblon. Infesta os bairros pobres da Baixada e as casas nobres da serra. Mas os ricos, quando doentes, tem o alívio do hospital privado. A “pobrada”, doente, com dor no corpo, espera horas, dias, para ser vista pelo médico e saber o que a enfermidade já lhe dissera: é mais um com dengue.

Enquanto isso, o prefeito, o governador, o ministro, o presidente, estão mais preocupados em achar o culpado pela epidemia, do que em tratar dos doentes e combater os focos do mosquito. Se amanhã, ou depois, o JN anunciar que a epidemia de dengue é mais uma das conseqüências do Aquecimento Global – hoje tudo é causado pelo Aquecimento Global - não duvido que um assessor, seja municipal, estadual ou federal, quem sabe todos juntos, repitam o gesto indecoroso daquele assessor de Lula quando viu no JN que o acidente da TAM foi causado mais por uma falha técnica e humana do que por um problema da pista. Naquele momento, o governo, com gestos, dizia: “tomem seus idiotas! Não temos nada com isso!”


20 março, 2008

Mais do que um conselho. Uma divisa!

"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.
Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."

Graciliano Ramos, em entrevista concedida em 1948

Há quem não goste de minha obstinação pela escrita esmerada. Há quem considere isso pedantismo. Tudo bem, prefiro a companhia de gente como Graciliano Ramos.

16 março, 2008

Diálogos impertinentes 3

- Sr. Z! Pode vir até a minha sala, por favor?

- Pois não.

- Sr. Z, mais do que ninguém, eu sei de suas capacidades. Argumentei com a cúpula, mas eles foram irredutíveis. Querem um outro nome... , com mais "cancha". O senhor entende, não?

- Sim. Isso não me surpreende. Achava mesmo pouco provável que o meu nome fosse aceito.

- Sr Z, estou nesse cargo há 10 anos. Antes de conquistá-lo, foram muitos anos na fila. Tenha paciência. Lutarei por você.

- Claro, claro, Sr. C. Já disse, não foi surpresa para mim! Aliás, o que me surpreende nessa história toda é entender como o senhor, sabendo o que sabe, tenha chegado aonde chegou.

Entenderam porque o Sr Z nunca terá uma chance?

14 março, 2008

TV Lula é para isso.

Ninguém assiste à TV do Lula. Estou vendo agora o Programa Sem Censura e, como eu sou ninguém, posso reafirmar: ninguém assiste à TV do Lula.

O tema do programa de hoje são as Farc. Há três convidados: Ricardo Soares, jornalista que mal esconde sua admiração pelas "forças revolucionárias"; um professor de história da UFRJ que com brinquinho na orelha esquerda e anelzinho no polegar - adornos que meu preconceito e senso de decoro repelem, sobretudo porque o acadêmico já passou da idade de usar essas bizarrices juvenis - prefere atacar os Estados Unidos e a Mídia internacional e brasileira. O mais comedido, mas igualmente admirador dos guerrilheiros, é o pesquisador colombiano Jesus Izquierdo, aí, vocês já sabem, né? Sobrenome é destino.

Para os convidados, as Farc não são terroristas. Não, meu caros leitores avulsos. Eles não dizem isso direto, assim na lata! Respondem, com certa covardia e cinismo, que a denominação de terrorista dada às FARC é obra da política externa dos Estados Unidos e reproduzida pela Grande Mídia. Ou seja, as Farc só são terroristas para o governo dos EUA e para a Mídia. Atacam mais o governo Uribe, a quem culpa pelo fim das negociações para a libertação dos reféns em poder das Farc, como se esse grupo tivesse legitimação política; do que os bandoleiros da selva colombiana.

Quando Chavez pediu que as Farc deixassem de ser consideradas terroristas, não custa lembrar que além do governo americano, a União Européia também não caiu na esparrela do presidente da Venezuela. As Farcs, portanto, continuam - queiram ou não queiram os cínicos e os covardes - com o estatuto de terrorista, pela simples razão de serem, de fato, terroristas.

Os convidados, sem poder negar os seqüestros das Farc, lembram que os paramilitares de direita que perseguem os simpatizantes do grupo terrorista, também seqüestram colombianos e, mais uma vez cinicamente, tentam fazer um paralelismo, como se dissessem: "as Farc seqüestram, mas os direitões também fazem isso!" Na moral deles, uma coisa absolve ou justifica a outra. Não! Paramilitares que seqüestram colombianos são tão terroristas quanto os guerrilheiros das Farc. Ambos merecem a cadeia se se entregam, ou a vala, se resistem.

Um convidado fixo, chamado pela mediadora Leda Nagle de "debatedor", resume bem o objetivo do programa e dos convidados. Diz o carnavalesco: "vocês não estão aqui defendendo as Farc, apenas mostrando uma outra visão da guerrilha". Mais explícito impossível!

Eis aí a grande finalidade da TV Pública. Usar nosso dinheiro para fazer proselitismo barato e mentir, é claro. Acusem a Veja, a TV Globo, o diabo de manipularem o noticiário, mas se eles fazem isso, fazem sem tungar o nosso bolso. Com a TV Pública, 500 milhões - por baixo - são gastos para dar emprego a gente sem competência e que destila um esquerdismo bocó e abraça teses há muito vencidas.

Passei mal, vendo o programa. Nunca vi tanta torpeza reunida! Ainda bem que a TV Lula é insignificante. Pena, que é uma insignificância cara, muito cara!

09 março, 2008

Cronos devorando seus filhos


As Farc, como ensinou a história tantas vezes, está devorando seus próprios filhos. Abaixo, um artigo do jornalista Reinaldo Azevedo, que, no mínimo, é uma excelente aula de história. Leiam com atenção:

Vocês todos já sabem a esta altura, não? Iván Ríos, um dos sete do secretariado da Farc, foi morto, sim. Mas não pelas forças colombianas. Foi assassinado pelo chefe de sua segurança pessoal, um tal “Rojas”, famoso por seu gosto pela violência. O assassino do “companheiro” disse que eliminou o chefe porque se encontrava sob forte pressão. Acuados pelas forças colombianas, o grupo queria se entregar, mas Ríos determinou que continuassem a resistir, proibindo que falassem ou acendessem fogueira no esconderijo para não atrair a atenção de seus perseguidores. O grupo que fazia a segurança de Ríos, liderado por Rojas chamou então o chefinho para uma conversa atrás na moita. E... O que vai agora é o relato que está no jornal colombiano El Tiempo:

Às 18h de quinta-feira, por meio de um telefone celular, Rojas se comunicou com o posto da polícia de Aguardas e pediu um contato com o comandante das operações militares. Um novo telefonema, minutos depois, determinou a rendição de três guerrilheiros a um grupo militar que já os tinha cercado. Rojas chegou com seu uniforme ensopado e visivelmente fatigado. Tinha uma pistola e um fuzil. Seus dois companheiros traziam os AK-47 e munição, que entregaram aos militares.

Não comemos desde segunda-feira”, foi a primeira coisa que disseram. O guerrilheiro pediu para falar com o oficial a cargo da unidade e contou uma história provocou calafrios nos militares. “Eu sou o chefe da segurança de Iván Ríos. Nós o matamos e trago aqui as provas”. Para assombro da tropa, Rojas entregou um laptop, a cédula de identidade e o passaporte do membro do secretariado. Trazia além disso um pacote macabro: uma mão direita que, assegurou, era de seu chefe

Reproduzindo um texto de 2004, o jornalista dá mais uma vez uma prova de sensatez, conerência e elegância.

O Termidor do PT

Revoluções engolem os seus, e, mais de uma vez, já usamos neste site esta mesma imagem apavorante que se vê ao lado, de Goya. É Saturno engolindo os próprios filhos, uma visão, sem dúvida, macabra. Quando mandou massacrar os marinheiros anarquistas de Kronstadt, Trotsky, o mais brilhante da geração que fez a Revolução Russa de 1917, comentou com Lênin: “É o nosso Termidor”. Aquele que viria a ser o “profeta traído da revolução”, no dizer do biógrafo Isaac Deutscher, experimentaria ele próprio a mão pesada da história que ajudou a escrever, assassinado que foi a mando de Stálin em 1940. Bem, voltemos: ao falar no “nosso Termidor”. Trotsky reconhece que os marinheiros estão à esquerda de um novo poder que não tem como se consolidar se eles não forem eliminados. Ou seja, o decreto de morte daqueles que antes foram úteis é condição para a sobrevivência do novo modelo.

A referência histórica é o golpe contra Robespierre — o jacobino que liderou a fase do Terror da Revolução Francesa —, desfechado no dia 27 de julho de 1794, ou 9 Termidor do ano 2, segundo o calendário novo que se tentou implementar. A esquerda tem dessas paixões inaugurais, como se sabe, tentada sempre a crer que a história é um processo que tem de ser passado a limpo. E dessa vocação não escapam estatísticas do IBGE ou o calendário. Vá lá, no caso de Robespierre, o que o levou a perder o pescoço foi a anunciada intenção de combater os que considerava traidores da revolução e corruptos. Ameaçou a Convenção com uma lista. Assinava, assim, a sua sentença de morte. Já havia eliminado os que estavam à sua direita e à sua esquerda. Foi derrubado por um golpe, preso e executado. Experimentou a guilhotina de que tanto fez uso para consolidar o seu poder.

Mas vamos com calma. Aqui já se adianta um pouco a história e se complicam os paralelos. Afinal, quem é o Robespierre de nossa farsa cabocla? É Heloísa Helena a reproduzir os últimos dias do líder radical ou será Lula a mimetizar as ações do líder no auge de sua potência? Nem uma coisa nem outra. A força do paralelo e sua virtude para o entendimento estão apenas em reconhecer que a consolidação de um poder, por mais mudanças que proponha, passa por fases de acomodação com os conservadores — o que foi verdade mesmo para a mãe de todas as revoluções, segundo os parâmetros de esquerda, que foi a Russa. A exceção a essa regra da acomodação talvez tenha sido o delírio de Pol Pot. Deu no que deu.

Assim, ainda que, numa hipótese remota, os quatro parlamentares petistas não sejam guilhotinados, a guinada foi feita, o retrocesso (segundo o ponto de vista do mudancismo petista, é claro) está decidido, e os antigos “revolucionários” (e ponham-se aspas aqui...) se oferecem para governar agora um PT bem mais conservador do que aquele que ganhou a eleição — com ou sem Carta ao Povo Brasileiro, este verdadeiro work in progress, que, a cada dia, autoriza uma mudança ou uma lambança nova. Lula, a Articulação, Zé Dirceu e o núcleo duro já botaram antes a “direita” do partido para fora; agora, silenciam um pedaço da esquerda. O flerte inclui, sem pudor, João Pedro Stedile e Abílio Dinis. Todos vão se unindo, felizes, em seus dons carismáticos, cada um na sua área, cada um na sua praia.

O Termidor da Revolução Francesa, assim como o da Russa (na expressão de Trotsky ao menos), se fez com muito sangue. O do PT se faz com tentativas (provavelmente bem-sucedidas) de banimentos e enquadramentos obsequiosos, que obrigam os discordantes ao silêncio. Enquanto isso, a idéia de uma pax lulista, que inclui tanto os mercados como os sem-terra, tanto os bancos como os sindicatos, vai sendo vendida como a solução.

Aí, sim, se nos permitem, cabe uma lembrança a título de advertência. Há uma boa possibilidade de que entremos em algo parecido com a era do Diretório, com, vamos dizer, banqueiros pressionando em favor da Restauração, e os sans-culottes a cobrar a prometida justiça. Aquela brincadeira terminou no golpe do 18 Brumário (novembro de 1798), o original, não a farsa relatada por Marx. Em 1804, a França revolucionária, aquela que ousara sonhar com a pátria dos iguais, tinha um imperador, Napoleão Bonaparte. Um sinal de que mesmo processos termidorianos podem fugir do controle. A sorte está lançada.

Do blog do Reinaldo Azevedo

07 março, 2008

Frevo Mulher no dia delas.

Não seria justo, como pernambucano cheio de saudade de minha gente e de minha terra, não homenagear as mulheres com um dos frevos mais eletrizantes que já foram compostos. Num arranjo empolgante e com a voz cavernosa de Zé Ramalho, fiquem com Frevo Mulher.

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Frevo Mulher

Zé Ramalho

Composição: Zé Ramalho

Quantos aqui ouvem
Os olhos eram de fé
Quantos elementos
Amam aquela mulher...

Quantos homens eram inverno
Outros verão
Outonos caindo secos
No solo da minha mão...

Gemeram entre cabeças
A ponta do esporão
A folha do não-me-toque
E o medo da solidão...

Veneno meu companheiro
Desata no cantador
E desemboca no primeiro
Açude do meu amor...

É quando o tempo sacode
A cabeleira
A trança toda vermelha
Um olho cego vagueia
Procurando por um...(2x)

Quantos aqui ouvem
Os olhos eram de fé
Quantos elementos
Amam aquela mulher...

Quantos homens eram inverno
Outros verão
Outonos caindo secos
No solo da minha mão...

Gemeram entre cabeças
A ponta do esporão
A folha do não-me-toque
E o medo da solidão...

Veneno meu companheiro
Desata no cantador
E desemboca no primeiro
Açude do meu amor...

É quando o tempo sacode
A cabeleira
A trança toda vermelha
Um olho cego vagueia
Procurando por um...(4x)

Dia Internacional da Mulher

Ano passado, na data em que as feministas saem da toca e exibem suas axilas mal cuidadas e sua verborragia esquerdalha, escrevi um texto que gerou uma certa celeuma. Esse ano, cansado de brigas e de incompreensões, vou postar duas músicas em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

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Mulheres de Atenas

Chico Buarque

Composição: Chico Buarque

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas

Quando amadas se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas, cadenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas

Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obcenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas

Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas

Elas não tem gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não tem sonhos, só tem presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas, morenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas

As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
As suas novenas
Serenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas


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Prefiro, confesso, a música que vai abaixo.




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Mulher nova, bonita e carinhosa

faz o homem gemer sem sentir dor

(Zé Ramalho e Otacílio Batista)

Numa luta de gregos e troianos
Por Helena, a mulher de Menelau
Conta a história de um cavalo de pau
Terminava uma guerra de dez anos
Menelau, o maior dos espartanos
Venceu Páris, o grande sedutor
Humilhando a família de Heitor
Em defesa da honra caprichosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor

Alexandre figura desumana
Fundador da famosa Alexandria
Conquistava na Grécia e destruía
Quase toda a população Tebana
A beleza atrativa de Roxana
Dominava o maior conquistador
E depois de vencê-la, o vencedor
Entregou-se à pagã mais que formosa
Mulher nova bonita e carinhosa
Faz um homem gemer sem sentir dor

A mulher tem na face dois brilhantes
Condutores fiéis do seu destino
Quem não ama o sorriso feminino
Desconhece a poesia de Cervantes
A bravura dos grandes navegantes
Enfrentando a procela em seu furor
Se não fosse a mulher mimosa flor
A história seria mentirosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor

Virgulino Ferreira, o Lampião
Bandoleiro das selvas nordestinas
Sem temer a perigo nem ruínas
Foi o rei do cangaço no sertão
Mas um dia sentiu no coração
O feitiço atrativo do amor
A mulata da terra do condor
Dominava uma fera perigosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor

04 março, 2008

Mídia Independente, de quem?

Segunda-feira, dia 03 de Março. Depois da minha última aula, fui, como de costume, até à sala dos professores e ouvi um comentário sobre um site que já tinha ouvido falar, mas que de tão esquerdofrênico, não dei muita bola para ele. Trata-se do Mídia Independente. Ouvindo um pouco o teor da conversa que tratava de um episódio envolvendo um repórter da TV Globo, Sérgio Brito - atualmente esse repórter está na TV Record e comanda um programa de variedades, pela manhã - percebi que havia uma certa alegria em noticiar o que se chamou de "poder de manipulação da TV Globo". Quando eu era pequeno, assim bem mirrado, esse papo de que a Globo é a representação do mau já não me seduzia, e, agora, depois de grande e de alguns livros, encaro essas insinuações apenas como picaretagem.

Não existe independência, em mídia, em jornalismo, em nada. Esse papo de que há pessoas acima do bem e do mal, que vocifera idéias como se não estivessem atreladas à nada é desonestidade pura e simples. Vejam como o tal site se define: "O Centro de Mídia Independente (CMI) Brasil é uma rede anticapitalista de produtores/as de mídia autônomos/as e voluntários/as. Com o objetivo de construir uma sociedade livre, igualitária e que respeite o meio ambiente; o CMI procura garantir espaço para que qualquer pessoa, grupo (de afinidade política, de ação direta, de artivismo) e movimento social - que estejam em sintonia com esses objetivos - possam publicar sua própria versão dos fatos."

Eu quero só um exemplo onde um governo foi anticapitalista e manteve a imprensa livre? Não preciso de dois, apenas de um. Esse site é esquerdofrênico por definição e, se é esquerdofrênico, onde está a independência dele? Ser independente é falar mal da TV Globo? A Record seria um rede independente porque critica a TV Globo? Tem muita gente honesta e séria que cai nessa esparrela de Mídia Independente. Isso é uma falácia!

Querem uma prova? Eu dou. Aqui, vocês vêem o que é essa tal independência do CMI (Centro de Mídia Independente) Um artigo que se dizia satisfeito com a morte do líder e terrorista das Farc, Raúl Reyes e que condenava as práticas das Farc foi vetado pelo CMI. A justificativa? "...um artigo preconceituoso ou discriminatório, um ataque pessoal, propaganda comercial ou de partido político ou apenas um artigo que contraria a missão do CMI."

Ora, o tal CMI, um antro de petistas e esquerdistas disfarçados de jornalistas independentes, considera a condenação às FARC uma discriminação e um preconceito. Vejam de que lado essa gente torpe está!

Ah, Zé Paulo, como você pode dizer que o CMI é um antro de petistas e de esquerdistas? Calma, eu falo e provo. Vá agora no site do CMI é veja que a notícia é sobre um tal julgamento político de um bandido travestido de militante, cujo nome é Marcelo Pomar, sobrinho do Válter Pomar, dirigente do PT nacional e ex-candidato a presidente do PT. Este senhor, em 2006, convocou a militância eletrônica para cercear a liberdade de expressão na internet contra aqueles que não caíam nas esparrelas do PT. Vejam como o CMI trata o arruaceiro e me digam onde está a independência desse site.


Prefiro um país onde a TV Globo possa dizer as suas "mentiras" e eu seja livre para dizer: "Isso não é verdade!" A viver num país com uma tal de Mídia Independente que defende uma ideologia onde a primeira vítima será a liberdade, tudo em nome do belo, do justo e do meio ambiente, é claro.

Acessem a página e encontre uma só notícia que não defenda a ilegalidade e que não demonize o poder público, vistos como a encarnação do mal.

Há certos consensos que nos transformam numa pessoa mais palatável. Numa pessoa do grupo. Esses consensos podem até nos transformar em uma pessoa com muitos amigos, mas não nos torna mais certos ou mais inteligentes. Alguns consensos são:

1 - Achar que o homossexualismo é tão válido quanto o heterossexualismo.

2 - Achar que as cotas para negros é uma forma justa de reparar o mal causado aos negros pela escravidão.

3 - Achar que a Grande Mídia, em especial a TV GLOBO e a Revista Veja, manipulam as informações contra os "maiores e mais verdadeiros interesses populares"

4- Criticar o consumismo e o capitalismo dizendo que ambos estão destruindo o planeta.

5 - Culpar o ser humano pelo tal do aquecimento global.

Defenda o que vai acima e você será chamado de humanista, politizado, inteligente e "não-manipulável". Discorde, e você será o do contra, o direitista, o reacionário, o tolo ou o representante do mal!

03 março, 2008

Petrolina... Juazeiro. Juazeiro... Petrolina!


PONTE PRESIDENTE DUTRA ENTRE PETROLINA/JUAZEIRO (BAHIA E PERNAMBUCO)



Minhas pontes não são bonitas. Não são sequer famosas. Mas são minhas, ora! Abaixo, uma música do compositor pernambucano Jorge de Altinho que, claro, também escreveu sobre pontes. Fiquem com a composição.

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Petrolina-Juazeiro

Jorge de Altinho

Composição: Jorge de Altinho

Nas margens do São Francisco nasceu a beleza
E a natureza ela conservou
Jesus abençoou com sua mão divina
Pra não morrer de saudade vou voltar pra Petrolina
Do outro lado do rio tem uma cidade
Que na minha mocidade eu visitava todo dia
Atravessava a ponte, mas que alegria
Chegava em Juazeiro, Juazeiro da Bahia
Petrolina, Juazeiro
Juazeiro, Petrolina
Todas as duas eu acho uma coisa linda
Eu gosto de Juazeiro
Mas adoro Petrolina
Ainda me lembro dos meus tempos de criança
Esquisita era a carranca e o apito do trem
Mas achava lindo quando a ponte levantava
E o vapor passava num gostoso vai-e-vem




01 março, 2008

As pontes, o rio, os poetas!

Ao fundo, o pedaço da ponte que atravessava na minha infância. Desde aquela época, temia-se assaltos, mas hoje, teme-se morrer no assalto! No primeiro plano, é o bairro de Casa Forte. O que eu morava fica do outro lado do rio.


Algumas pontes do centro do Recife. À noite, sempre são mais bonitas!


Na minha infância, no subúrbio do Recife, costumava atravessar a ponte que liga o meu bairro - Monsenhor Fabrício - ao bairo de Casa Forte. Uma outra maneira de chegar nesse bairro era atravessando o Capibaribe de bote. A travessia durava 10 minutos, mas quando se tem pouca idade e não se sabe nadar; quando a embarcação é frágil e os braços do remador inspiram pouca confiança, aquela travessia para ir vender bermuda na feira de casa amarela transformava-se na minha pequena odisséia.

Conta minha mãe e, em alguma medida, também meu meu pai, que na cheia de 1977, ela, grávida de meu irmão, atravessou o rio de bote e quase foi arrastada pela correnteza. Eu estava a salvo, na casa de minha avó, mas meu irmão, ao que tudo indica, escapou por pouco. Essa história era contada em tom de epopéia familiar!

Hoje, embaixo daquela ponte, há uma favela que torna a travessia de um bairro a outro tão perigosa quanto a Linha Amarela ou a Faixa de Gaza. Quanto ao passeio de bote... quase ninguém mais o faz.

Abaixo, versos de três poetas que trataram de pontes e do rio Capibaribe!

—— Seu José, mestre carpina,
que habita este lamaçal,
sabe me dizer se o rio
a esta altura dá vau?
sabe me dizer se é funda
esta água grossa e carnal?

—— Severino, retirante,
jamais o cruzei a nado
quando a maré está cheia
vejo passar muitos barcos,
barcaças, alvarengas,
muitas de grande calado.

—— Seu José, mestre carpina,
para cobrir corpo de homem
não é preciso muito água:
basta que chega o abdome,
basta que tenha fundura
igual à de sua fome.

—— Severino, retirante
pois não sei o que lhe conte
sempre que cruzo este rio
costumo tomar a ponte
quanto ao vazio do estômago,
se cruza quando se come.

—— Seu José, mestre carpina,
e quando ponte não há?
quando os vazios da fome
não se tem com que cruzar?
quando esses rios sem água
são grandes braços de mar?

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Recife. Ponte Buarque de Macedo.
Eu, indo em direção à casa do Agra,
Assombrado com a minha sombra magra,
Pensava no Destino, e tinha medo!

Lembro-me bem. A ponte era comprida,
E a minha sombra enorme enchia a ponte,
Como uma pele de rinoceronte
Estendida por toda a minha vida!

Ali! Com certeza, Deus me castigava!
Por toda a parte, como um réu confesso,
Havia um juiz que lia o meu processo
E uma forca especial que me esperava!

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Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois
— Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância

(...)

Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora...
...onde se ia pescar escondido
Capiberibe
— Capiberibe
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Banheiros de palha
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Fiquei parado o coração batendo
Ela se riu
Foi o meu primeiro alumbramento