24 fevereiro, 2008

Finatec, a fundação do PT ou para o PT?

A Unb não é só uma universidade onde o esquerdismo bocó triunfa mais do que nas outras. A Unb, é também, das universidades federais, onde o crime com digitais petistas apareceu primeiro. “A cada enxadada uma minhoca”, afirma um velho adágio caipira. A Finatec, fundação criada em 1992 por 12 professores da Unb para captar recursos que ajudassem na pesquisa científica, ganhou notoriedade recentemente, não por ter ajudado em alguma descoberta relevante em ciência, mas por ter gastado com o reitor da Unb mais de 500 mil reais mobiliando o apartamento da reitoria na 310 norte e comprando um carro de luxo importado para uso exclusivo do reitor da universidade. O que seria “apenas” um desvio de finalidade, escondia na verdade algo muito pior: a Finatec atuava também como laranja, como fachada para empresas de consultoria, cujos donos são ligados ao Partido dos Trabalhadores.

“A Finatec estaria sendo usada como uma espécie de fachada por empresas de consultoria para fechar contratos com órgãos públicos, sem precisar disputar concorrência. Aproveitava-se uma brecha na legislação, que permite a contratação de fundações ligadas a entidades de ensino sem a necessidade de licitação pública.”

A citação acima está na matéria da revista Época que também revela que o dinheiro pago por administrações municipais e estaduais, a maioria petistas, à Finatec, era destinado na verdade à duas empresas de consultoria: Intercorp Consultoria Empresarial e Camarero & Camarero Consultoria Empresarial Ltda., pertencentes ao casal Luís Antônio Lima e Flávia Maria Camarero. O senhor Luís Antônio Lima é um gaúcho que trabalhou na prefeitura de Porto Alegre na época da administração petista e é apontado pelo MP como o homem que fazia o contato e fechava o contrato com os municípios e os governos estaduais, a maioria do PT, com a Finatec. Esses contratos renderam, entre 2000 e 2005, 50 milhões de reais à Finatec, que repassou às ditas empresas cerca de 22 milhões de reais dos 50 que recebeu das administrações petistas no país.

“No papel, a contratada, para prestar assessoria em programas de modernização gerencial, era sempre a Finatec. Mas quem recebia pagamentos na ponta, pelos serviços realizados, era a Intercorp e a Camarero & Camarero. Além da Prefeitura de São Paulo, comandada por Marta Suplicy, fizeram pagamentos à Intercorp e à Camarero & Camarero, por meio da Finatec, as prefeituras de Fortaleza, Vitória, Recife, Nova Iguaçu e Maringá e o governo do Piauí – todos comandados pelo PT.”

Leiam a reportagem completa e vejam vocês mesmos os detalhes escandalosos que revelam a promiscuidade entre as administrações municipais comandadas pelo PT, a Finatec e duas empresas de consultoria privadas, cujos donos têm ligações históricas com o Partido dos Trabalhadores.

Onde estão os indícios de crime? Em vários lugares, ora! Primeiro, há uma expressa recomendação para fundações não subcontratarem empresas para realizarem o trabalho dela; segundo, os contratos fechados com a Finatec nada tem a ver com sua função, que é financiar projetos de pesquisa científica. Dois exemplos dessa função esdrúxula da Finatec foi a contratação, em 2003, da fundação pela administração petista de Marta Suplicy, para construir, em Brasília, um escritório da prefeitura de São Paulo. O valor desse contrato foi de 358 mil reais. Para onde foram? Advinhem! Descobriu-se também que a tal fundação discutia a construção de um shpping center na cidade, estranho demais para uma fundação ligada a projetos científicos. Os indícios de crime não param: ao direcionar os contratos fechados com governos municipais para as ditas empresas de consultoria, há um claro favorecimento a essas empresas. Essa prática, em si, revela outro crime: o de burlar a lei de licitações. Não acabou, tem mais: os serviços realizados, quando foram realizados, foram de uma completa inutilidade. Serviram apenas para desperdiçar, quando não, desviar para fins políticos e pessoais, o dinheiro do contribuinte.

Procurados para comentar as denúncias, o senhor Luís Antonio de Lima disse não poder falar pois o seu acordo com a Finatec prevê a cláusula de confidencialidade, o que o impede de dar entrevistas. Quem se manifestou foi o advogado da Finatec, o senhor Francisco Queiroz Caputo Neto, que disse não haver irregularidade na subcontratação das ditas empresas de consultoria. O MP, porém, pensa diferente e tem documentos relevantes para desconfiar dessa prática. A assessoria da fundação explicou, segundo a matéria, que a Finatec usou os serviços do senhor Luís Antônio de Lima pois ele tinha um programa de reforma administrativa para atender as prefeituras. Essa desculpa não se sustenta e vejam porquê:

“...se a Finatec não tinha o conhecimento necessário para assessorar as prefeituras, por que foi contratada por elas? Se a tecnologia pertencia a Luís Lima, por que ele e suas empresas não se submeteram ao processo de concorrência pública? Quando a lei abriu a possibilidade de dispensa de licitação na contratação de fundações ligadas a universidades, o objetivo era ajudá-las a captar mais recursos públicos para pesquisas científicas. No caso da Finatec, a ciência por trás dos contratos com as prefeituras ainda está longe de ser bem explicada.”

Um comentário:

Ricardo Rayol disse...

no mundo corporativo público é só deixar uma fresta para entrar a privada.