26 fevereiro, 2008

Palocci, o petista que faltava!


O ex-ministro da fazenda e atual deputado federal pelo PT de São Paulo, Antônio Palocci, foi, da cúpula petista, o mais preservado pelas oposições. Quando sugiram fortes indícios de que Palocci tinha negócios suspeitos e mal explicados na época em que ocupou a prefeitura de Ribeirão Preto e de que participava de orgias na mansão do lago sul em Brasília, onde supostamente, fechava acordos suspeitos; os senadores e os deputados de oposição, não só foram delicados com o então ministro nas perguntas que fizeram a ele, como também declararam-se satisfeitos com as explicações do ministro.

Palocci, pragmático, com tato e gentileza, seduzia os parlamentares da oposição sobretudo porque transformara-se no fiador da política econômica responsável, que herdara do governo anterior, impedindo que os acólitos do petismo, os vagabundos que queriam uma mudança radical na política macroeconômica, tivessem algum tipo de influência na condução da economia. Com essa postura, Palocci conquistou a simpatia e a admiração da oposição - dentro do PT e da base aliada ele tinha muito mais adversários - que temendo um assalto dos iracundos petistas que criticavam a política de juros do Banco Central e o superávit primário, ao ministério da fazenda, blindavam o ministro de toda e qualquer suspeita. E assim, Palocci foi seguindo, distribuindo sorrisos, refutando sem muito detalhes as denúncias e defendendo a austeridade fiscal do governo, até que...

No caminho de Palocci dois homens complicaram sua vida: o primeiro foi Rogério Burati, ex-secretário de Palocci em Ribeirão Preto, denunciou um esquema onde o então prefeito recebia 50 mil reais, como mesada, de empresas que fechavam contrato com a prefeitura; o outro, Francenildo dos Santos, caseiro humilde que disse ter visto Palocci, mais de uma vez, na famosa mansão do Lago Sul, onde, suspeita-se, tratavam-se de negócios nada republicanos.

A atitude do então ministro com essas duas pessoas foi distinta: embora acusado de corrupto por Burati, Palocci nunca o processou por calúnia, dizia não guardar ódio no coração. Recetemente, Rogério Burati desmentiu as denúncias que fizera contra o ex-ministro, ninguém sabe por quê. Aliás, até se sabe, não é? Quanto ao outro, Palocci agiu de forma bem diferente. Determinou que se quebrasse o sigilo bancário do caseiro, pois suspeitava-se que o mesmo tinha recebido um valor muito alto para fazer a denúncia. O objetivo era desqualificar as declarações de Francenildo dos Santos. Desesperado, Palocci não considerou que a quebra do sigilo bancário por uma autoridade do governo fosse um crime sério, o ministro apostava que, embora ilegal, a confirmação de que o caseiro falava a soldo, encobriria o crime da quebra ilegal do sigilo bancário.

Os deputados e os senadores protegeram o quanto puderam o ministro Palocci, mas a imprensa livre e a ação aloprada do ministro e de seus assessores, tornaram a defesa de Palocci impossível! A divulgação do extrato bancário do caseiro confirmou um depósito vultoso em sua conta, mas para a desgraça de Palocci, tratava-se de um depósito absolutamente legal. Um empresário de empresas de ônibus no Piauí, suposto pai biológico do caseiro, depositou o dinheiro na conta do caseiro a titulo de reconhecimento da paternidade. Diante da certeza de que a transação fora legal, só restou o crime de que o sigilo bancário do caseiro fora violado ilegalmente, pior: a mando do ministro.

Começou então uma verdadeira maratona para tentar encobrir a participação de Palocci no crime, mas as evidências eram tantas que não restou ao presidente Lula outra saída que não a demissão de Palocci. Era mais um da cúpula petista do governo que "pedia demissão" acusado por cometer um crime.

Eleito deputado em 2006, Antônio Palocci conquistou o direito ao foro privilegiado, de modo que só poderá ser julgado pelo STF. Por isso, cabe ao STF acatar ou não a denúncia feita pelo procurador geral da república, Antônio Fernando de Souza, de que foi o ministro o mandante da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo.

Palocci era o petista do alto escalão que faltava no rol dos acusados de crime. Todos os homens do presidente Lula cometeram crimes ou sabiam dos crimes cometidos pelo governo, o que os torna cúmplices, mas como é publico e notório, Lula não sabia nem sabe de nada.

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