21 fevereiro, 2008

Herança bendita.

E se nós tivéssemos seguido os conselhos do PT? E se nós tivéssemos dado ouvido à retórica dos esquerzóides de sempre e de todos os tempos? E se acreditássemos nos discursos idiotas daqueles que criticavam - ainda criticam! - a política econômica neoliberal? Onde estaríamos agora?

Lembro, assim, de relance, dois momentos na história do Brasil em que os nacionalistas bocós e os esquerdistas míopes ficaram efusivos com a decisão do governo brasileiro de não pagar os juros da dívida externa e romper com o famigerado - para eles, é claro - FMI. A primeira foi no governo JK. Juscelino, com seu "desenvolvimentismo a caneladas", com sua insistência na meta-síntese: a construção de Brasília. Desorganizou as contas externas brasileiras e quando a situação degringolou, apelou para o FMI. Na impossibilidade de fechar um acordo com a instituição financeira, que exigia austeridade, JK preferiu jogar para a torcida rompendo com o FMI e ganhando o apoio dos idiotas nacionalista. As esquerdas, sempre burras, comemoraram como se tivéssemos dado o grito de independência, expulsando "uzamericanu" do país.

A verdade, porém, é que no governo Jânio, além de uma inflação galopante herdada da irresponsabilidade dos anos JK, as contas externas brasileiras estavam à beira de uma bancarrota. E lá fomos nós, com o pires na mão, mendigar dinheiro externo.

Na década de 80, no governo Sarney, a situação de nossas contas externas voltou a ficar crítica. Com uma hiperinflação, com um governo perdulário, o FMI condicionou os empréstimos que nos salvaria da caos econômico, a uma política de austeridade nos gastos públicos, a uma política séria para conter a inflação e o déficit público. Como no passado, o governo acusou o FMI de ingerência nos assuntos internos. A esquerda vociferava novamente suas maluquices retóricas de que estávamos submissos ao capital financeiro, aos inescrupulosos banqueiros. O povo, a massa ignorante, aplaudia a retórica estúpida e quando Funaro decretou a moratória da dívida externa, gritos efusivos de "Fora FMI", de liberdade e independência foram novamente ouvidos. A situação econômica, porém, ficou ainda mais crítica e, como no passado, retomamos a negociação com o FMI e fizemos, sempre com atraso e com mais sofrimento, o que o FMI sugeria.

Lembro, agora, que quando estava na faculdade, um monte de gente com camisa vermelha, exibindo a efígie de Che Guevara, com buttons do PT, com a cara barbuda e prometendo amanhãs que cantam - com o apoio da CNBB e tudo - passavam um abaixo- assinado pedindo o "não pagamento da dívida externa." Por essa época já iniciávamos as mudanças que nos levaria a situação privilegiada de hoje. Mas como de praxe, os estúpidos diziam que levaríamos o país e o povo à desgraça.

A partir de 1993, com uma política macroeconômica batizada de "neoliberal", iniciamos uma série de reformas econômicas, buscamos a austeridade fiscal e o equílibrio nas contas do governo. Um trabalho lento, penoso, mas com foco, foi criticado pelos asnos de sempre. Para nossa sorte, quando os asnos assumiram o poder em 2003, mantiveram os mesmos princípios, e o resultado é que pela primeira vez na história - sem rompimento com o FMI, com superávit primário - lembram como se criticava o superávit? - com seriedade na condução da política macroeconômica, o Brasil passa a ter em reservas 4 bilhões de dólares a mais que a sua dívida externa. Hoje, somos credores, não mais devedores.

Se o presidente Lula merece um elogio é o de ter tido a coragem de, na economia, não ter seguido os áulicos de sempre, os estúpidos cheios de boas intenções. Enfim, merece elogio por ter mantido longe das garras do PT, a política macroeconômica herdada do governo anterior.

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