11 fevereiro, 2008

Dimenstein ou a suspeita militante

Gilberto Dimenstein é muito conhecido pelos alunos do Ensino Médio em Brasília. A Unb adota um lixo literário, escrito pelo jornalista, chamado Cidadão de Papel. Fui um dos poucos, dentro das escolas em que trabalho, a dizer que a tal obra é superficial na análise e não tem rigor com os números. Muitos me chamaram por isso de neoliberal, reacionário, "direitão", esses rótulos bobos. Pois bem. Querem uma prova de que Gilberto Dimenstein é um fanfarrão? Então, leiam abaixo:

No dia 07 de fevereiro, o colunista da Folha lançou suspeitas sobre os números da violência divulgados pelo governo de São Paulo. Com seu estilo ambíguo, fingindo estar acima de questões partidárias, ele escreveu em sua coluna: " ...na semana passada, relatórios oficiais indicaram uma queda de mais de 19% no número de homicídios registrados no ano passado, comparado com 2006.(...)
Uma informação lançada pela Folha coloca sob suspeita os números de mortes divulgados pelos governos Alckmin e Serra. Se as suspeitas não se confirmarem, ótimo: voltaremos a celebrar uma bela conquista social. Se forem confirmadas, estaremos diante de uma das maiores empulhações oficiais dos últimos tempos."

Percebam que ele finge torcer para que os números divulgados pelo governo estejam certos, mas, sem nenhum dado concreto, sem checar antes as suspeitas, diz que o governo pode ter enganado a população, configurando assim "uma das maiores empulhações dos últimos tempos". O sr Dimenstein, fosse sério e rigoroso, antes de lançar as suspeitas, deveria checar tudo, mas sabe como é, foi perguntar ao órgão do estado e, como são tucanos, ele não ficou convencido pelas explicações. Fosse o governo do PT, aposto, o sr Dimenstein estaria escrevendo colunas exultantes pela conquista social do governo. Prosseguindo:

"Conversei com técnicos da Secretaria da Segurança em busca de explicações, mas não consegui desfazer as suspeitas. Imaginei que obteria respostas rápidas e até simples sobre desvios metodológicos, mas não foi o que aconteceu. Não confirmaram o erro, mas não se sentiram em condições de negar. Pedi uma palavra oficial sobre os dados, sem resultado. (No dia seguinte, eles deram uma resposta que considerei razoável.)" Aqui, cabe uma ressalva: na coluna original, a informação em parenteses não existia. Foi acrescida, depois que a suspeição provou-se uma falácia

Qual o ponto da suspicácia de Gilberto Dimenstein? O fato de o número de mortes sem causa determinada ter crescido bastante. Segundo o desconfiado jornalista, isso seria um indício de que, talvez, o governo de São Paulo estivesse transformando mortes por homicídio em mortes sem causa determinada, o que explicaria a drástica redução no número de homicídios no estado São Paulo. Percebam que ele não se convenceu com as explicações dos técnicos da secretaria. E por quê? Porque ele queria respostas simples e rápidas. Se fosse sério, ele deveria esperar respostas certas, ainda que complexas. Em alguns casos, o simplismo serve mais para confundir que para esclarecer. Prestem atenção a esse trecho: "Não confirmaram o erro, mas não se sentiram em condições de negar." Como eles podiam confirmar um erro que só existe na suspeita de Gilberto Dimenstein? Não se sentiram em condições de negar? O que eles negariam? Será que eles disseram para Gilberto Dimenstein: "olha, os números são esses, mas nós não sabemos se houve manipulação." Será? Gilberto não esclarece. No fim do parágrafo, o jornalista diz, entre parênteses, que no dia seguinte recebeu uma resposta que considerou razoável. Essa tal razoabilidade foi suficiente para acabar com as suspeitas do jornalista? Ele não diz.

"Há abundantes sinais, captados das mais diversas fontes, de que a taxa de homicídios está mesmo caindo em São Paulo. É o que vejo conversando com lideranças comunitárias. Mesmo somando todas aquelas mortes indeterminadas como assassinatos haveria queda, embora, evidentemente, menor."

Aqui ele deixa uma porta de emergência aberta. Diz que é fato que o número de homicídios vem caindo no estado de São Paulo e indica que sua fonte mais importantes são as lideranças comunitárias com quem tem conversado. Atenção para a picaretagem. Os dados da secretaria são colocados sob suspeita, mas a opinião de "lideranças comunitárias", não. Ele não contesta a queda na taxa de homicídios, desconfia do seu tamanho. Vejam como ele conclui sua coluna:

"Mas enquanto não se informar com clareza sobre essa questão, vamos ter que suspeitar que fomos enganados pelos números de segurança dos governos Alckmin e Serra."

Com clareza? Então, a dúvida de um colunista passa a ser a base para se duvidar dos números de um governo? O colunista teve o cuidado de consultar todas as fontes? Não. Bastou um dado estranho para decretar que os números divulgados poderiam ser fruto de uma grande empulhação.

Todo jornalista que vem com papo de insentismo, é na verdade um jornatralha à serviço do PT. A Folha está cheio deles. Dimenstein é apenas o mais enrustido.

A militância revelada e desmoralizada

Um dia depois, a suspeita de Gilberto Dimenstein caiu por terra. 24 horas foram suficientes para provar que as suspeitas de Dimenstein foram fruto de ignorância, na melhor das hipóteses, ou da má fé do jornalista. O professor da USP, o dr. Carlos Alberto Souza Coelho, médico legista que trabalha há 32 anos no IML paulista disse que não há motivos para se suspeitar dos números da secretaria.

Ah, Zé Paulo, mas o próprio Dimenstein deu espaço para o desmentido, escrevendo a resposta do Professor e médico legista. O que queriam? Que diante da evidência de que os números estavam corretos, ele insistisse na mistificação? O que me espanta é que uma resposta tão simples foi suficiente para Dimenstein voltar atrás. Por que ele não foi antes ao IML para dirimir suas suspeitas? Porque ele queria lançar suspeição sobre o resultado expressivo obtido pelo governo de São Paulo. Porque ao invés de fazer jornalismo ele fez militância política. Esse pequeno exemplo mostra o rigor de Gilberto Dimenstein com números e estatísticas.

Na primeira coluna ele escreveu: "Uma das mais celebradas conquistas do PSDB é a redução da taxa de assassinatos em São Paulo, especialmente em sua região metropolitana..." Diante da confirmação dos números, Gilberto, fosse honesto, deveria terminar sua segunda coluna dizendo que essa conquista, do PSDB de São Paulo, merece ser celebrada, mas pelos paulistas que vivem um período de maior segurança, mau grado o desejo de muito petista e jornalista ressentido.

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