16 fevereiro, 2008

Ainda sobre o molestador Miranda.

Está no site www.pe360graus.com da Globo Nordeste, mais uma entrevista de Joanna Maranhão, 20 anos; sobre o abuso sexual que sofreu do seu treinador Eugênio Miranda, há 11 anos. Acompanhem:

Globo Nordeste: Por que só agora você quis falar sobre esse abuso?

Joanna Maranhão: Não existe um tempo certo para você falar de um trauma. O que aconteceu comigo foi que eu reprimi isso todos esses anos. Quando isso vinha na minha cabeça como memória, eu apagava, expulsava isso do pensamento. Até que eu comecei a fazer terapia, comecei a namorar e as lembranças começaram a vir com uma forma muito grande. Aí eu comecei a me lembrar de coisas que eu tinha apagado totalmente da minha mente. Foram anos complicados que eu precisei de muita ajuda. Hoje eu estou bem e em momento nenhum eu viria à imprensa falar sobre isso se estivesse muito triste, muito abalada. Se eu hoje falei isso é porque estou bem e forte para passar essa mensagem.

Globo Nordeste: E o que você espera disso?

Joanna: A minha denúncia já vem trazendo outras denúncias. Eu espero que venham aparecendo outras mais recentes para que ele seja punido. No meu caso, infelizmente, não há nada que possa acontecer. Mas pessoas desajustadas como ele nunca fica com uma só vítima. Eu espero que qualquer menina que tenha sofrido qualquer tipo de abuso dele venha e declare isso para a Justiça.

Globo Nordeste: O que você espera que os pais façam a partir disso?

Joanna: Eu espero que tantos os pais quanto os filhos estejam mais abertos ao diálogo. Como isso é uma coisa muito comum, tem que ser conversado desde o início para não acontecer o que aconteceu comigo. Na minha família, isso sempre foi tratado com muito pudor, porque era uma coisa que ninguém imaginava e eu não tive coragem de contar.

"Eu espero que tantos os
pais quanto os filhos estejam
mais abertos ao diálogo"

Globo Nordeste: O que você diria para as crianças e atletas que passam pelo que você passou?

Joanna: As crianças que sofrem isso não têm culpa. Criança não tem maldade nenhuma. Se isso acontecer, qualquer coisa, mesmo que seja pequena que você não tem a menor noção da gravidade, que elas contem para seus pais. Eu quero que isso sirva como alerta. Fico impressionada como isso é “normal” e acontece com freqüência nas famílias. Essas pessoas sempre procuram as crianças que elas têm mais intimidade para fazer esses abusos. O treinador mesmo é uma espécie de pai para a criança e professor de mandar. Ele chega e fala: você não tem direito de falar com ninguém, fique calada. É um medo, um nojo, uma ânsia de vomito que dá, é uma sensação que a criança entra em pânico e não fala.

Globo Nordeste: Você foi ameaçada?

Joanna: Ele sempre foi uma pessoa muito dócil comigo. Mas quando aconteciam esses abusos, ele falava que era para eu ficar calada, se não iria bater em mim. Eu gritava, chorava e ele dizia para eu ficar calma que ia passar.

"Quando aconteciam esses abusos
ele falava que era para eu ficar
calada, se não iria bater em mim"

Globo Nordeste: Você se arrepende de ter denunciado seu ex-treinador?

Joanna: De forma nenhuma. Eu fiz a coisa certa e fico feliz em saber que ele não vai trabalhar com mais nenhuma criança, nem acabar com a vida de mais ninguém.

"Fico feliz em saber que ele
não vai trabalhar com mais
nenhuma criança, nem acabar
com a vida de mais ninguém"

Globo Nordeste: Como você quer que as pessoas te tratem a partir disso?

Joanna: Eu não quero que me vejam como uma coitadinha. Quero que vejam como uma pessoa que passou por isso, teve oportunidade de se tratar, de dar a volta por cima e hoje ta aí com dois braços e duas pernas lutando pelos seus sonhos.

O advogado do professor de Educação Física que teria abusado sexualmente de Joanna Maranhão disse que o cliente dele nega as acusações da nadadora.

Nenhum comentário: