16 fevereiro, 2008

Adeus, inocência!

Pergunte a qualquer pai ou mãe como eles imaginam o futuro de seus filhos e a resposta será, com alguma diferença insignificante, a mesma: um futuro brilhante! Mas se tirarmos o foco da pergunta do futuro dos filhos para o futuro do mundo, a resposta pode surpreender.

Na semana que passou, eu trabalhei nas turmas de 8° ano - antiga 7a série - o iluminismo. Disse na aula que nos séculos XVIII e XIX a percepção que as pessoas tinham do futuro era extremamente otimista. Quando se falava, na época, sobre como seria o mundo nas décadas seguintes, de forma geral, as pessoas imaginavam que a ciência, a tecnologia, as invenções, enfim, o progresso; traria uma vida de conforto, de satisfação e, claro, de felicidade.

De escritores de ficção, como Júlio Verne, até as profecias furadas de Karl Marx, todos quando tratavam do "amanhã", criam que a felicidade era o destino dos homens. Quem não lembra do famoso trecho da Declaração de Independência dos Estados Unidos que diz que entre os direitos inalienáveis do homem estava o direito à felicidade?

As idéias iluministas, sobretudo aquelas mais ligadas à tradição inglesa, eram libertadoras porque nos livravam do julgo de um soberano absolutista e elegia o mérito como critério justo para as desigualdades de funções, garantindo a todos, os mesmos direitos perante à Lei. Excetuando um ou outro aristocrata reacionário, essas novas idéias que moveram revoluções nos séculos XVIII e XIX, eram vistas como uma prova de que exercício da razão, a difusão do conhecimento e o combate à ignorância, trariam, sem sombra de dúvida, uma época de prosperidade e assim, as pessoas seriam mais felizes.

O século XX com suas guerras e suas tragédias toldou essa esperança do Século das Luzes. Escolham qualquer autor de ficção do século XX que escreveu sobre o futuro e aposto, que a maioria, quem sabe todos, retrataram o futuro como algo absolutamente negativo. Os séculos do otimismo deu origem ao século do pessimismo.

Uma coisa, contudo, eu pensei que não mudaria: a compreensão saudável, natural, ingênua das crianças de que o mundo que a cerca não é tão feio quanto nós adultos sabemos que é. A inocência que caracteriza os pequeninos, se não era suficiente para mudar o mundo, dava-nos o conforto de que para eles, quem sabe, um dia, o mundo seria do jeito que a inocência deles apreendiam.

O século XXI radicalizou o pessimismo do século XX. Se no século anterior o futuro já era ameçador, as crianças, ao menos, pensavam que quando elas fossem adultas, o mundo seria melhor e mais feliz. As crianças, desconfio, não pensam mais assim.

Questionadas sobre como estaria o mundo, se melhor ou pior, quando tivessem 40 anos, a esmagadora maioria, para minha surpresa, respondeu: pior!



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