17 fevereiro, 2008

Acho que seja correto dar espaço para a primeira declaração oficial do professor, treinador de natação e ao que tudo indica, molestador de crianças, Eugênio Miranda, acusado pela atleta Joanna Maranhão e por outra nadadora de ter abusado sexualmente delas quando eram crianças.

Num primeiro momento, o professor dissera que entraria na Justiça por ter tido seu nome revelado pela mãe da atleta. Agora, nega as acusações e promete para a próxima semana mover processo contra a médica Teresinha Maranhão e a nadadora Joanna Maranhão. Leiam a nota. Volto depois.

Desejo aqui enfatizar que nunca, jamais, em tempo algum, pratiquei conduta de abuso sexual na nadadora Joana Maranhão, nem tampouco em qualquer outra pessoa. As acusações feitas não são verdadeiras, não têm o menor fundamento. Qualquer pessoa do povo sabe perfeitamente que nenhuma vítima, nenhuma mãe, nenhum pai, demoraria 12 anos para denunciar um crime praticado contra sua pessoa, ou contra sua filha. Isso é muito estranho, muito estranho mesmo.

Um fato que merece destaque e que pode ser provado, vez que aconteceu na presença de muita gente, é que, no ano de 2004, após as Olimpíadas de Atenas, a nadadora Joana Maranhão recebeu uma homenagem em um grande Colégio em Olinda. Nesse evento ela me tratou de maneira simpática e cordial, inclusive autografou a minha camisa, o que foi visto por todos. Será que uma pessoa vítima de abuso sexual, carregando marcas e ressentimentos profundos, teria esse comportamento cordial e até mesmo carinhoso com o seu algoz e ex-treinador ? Essa é uma indagação que faço e deixo para que seja avaliada e respondida pela inteligência da opinião pública.

Além disso, sou professor de natação e educação física há 28 anos. Me formei pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1986. Durante todos esses anos, ensinei em vários colégios e clubes sociais do Recife e de Olinda. Sempre lidei com crianças e adolescentes e jamais, nesses 28 anos de atividades ininterruptas, nenhuma aluna, nenhuma mãe, nenhum pai, nenhum diretor de escola ou de clube, havia questionado a minha conduta moral e pessoal no relacionamento com os alunos.

Não sei ao certo as razões que levaram Joana Maranhão e a Sra. Terezinha Maranhão, sua mãe, a inventar essa história fantasiosa capaz de destruir a minha reputação profissional e pessoal. Todavia, raciocinando no meio das agruras e sofrimentos extremos pelos quais eu e minha família temos passado, bem como ouvindo opiniões de pessoas várias e de todos os níveis sociais, desconfio de um motivo determinante para tudo isso. Esse possível motivo será exposto no processo criminal que estarei ingressando até meados da semana, através do meu advogado, Professor João Olympio Mendonça, quando então a Imprensa e a Sociedade em geral poderão raciocinar sobre o mesmo e concluir pela possibilidade de sua procedência, ou não.

No momento me encontro muito fragilizado emocionalmente diante das acusações dirigidas a minha pessoa, todas inverídicas. Nem mesmo a minha família foi respeitada. Inventaram que eu teria sido demitido de um colégio após haver engravidado uma aluna, a qual depois teria se tornado minha esposa. Esse fato não é verdadeiro. Isso não aconteceu . Minha esposa jamais foi minha aluna. A verdade é que, na época, no início do casamento, ela engravidou do nosso primeiro filho e estudava em uma escola em Aldeia, onde morávamos. Eu já era professor de um colégio grande e conceituado no Recife e, nessa condição, consegui uma "bolsa" para minha esposa que ali cursou todo o segundo grau. Ela nunca foi minha aluna, é a minha primeira e única esposa, nos damos muito bem, e estamos unidos há 21 anos.

Desejo aqui também agradecer à solidariedade e apóio que tenho recebido da minha dedicada esposa ( que nunca duvidou e nem duvida da minha retidão de conduta ), dos meus filhos que estão sofrendo muito, dos meus parentes de uma maneira geral, de alunos, ex-alunos e pais de alunos, dos meus colegas professores do conceituado Colégio onde estava eu exercendo as minhas atividades profissionais.

A todos digo: acreditem em mim. Quem me conhece de perto sabe perfeitamente que não sou capaz de praticar as condutas que me estão sendo atribuídas.. Só acho que estou atravessando um grande "pesadelo". Tenho fé em Deus de que a verdade virá à tona, e que tudo isso vai passar.

Olinda, 16 de fevereiro de 2008
Professor Eugênio José Oliveira de Miranda"


O professor diz que surgiram boatos de que ele tinha engravidado uma aluna sua e que depois, e só depois, é que tinha casado com ela. Ele nega. Confessa porém , que sua atual esposa ainda era estudante de 1° grau (Ensino Fundamental II) em Aldeia, quando ficou grávida dele, mas eles já seriam casados e aí, segundo o professor, ele conseguiu uma bolsa de estudos para a esposa num colégio tradicional do Recife. É preciso apurar para confirmar a estória, mas digo, desde já, que a estória é muito estranha. Pelo que conheço das escolas de Recife, sobretudo as tradicionais, acho muito difícil que um colégio permitisse que a esposa de um professor da escola, sobretudo grávida, estudasse na mesma escola onde o profissional trabalha. Se, às vezes, cria-se constrangimentos quando há relacionamento afetivo entre professores, que dirá entre um professor e uma aluna, ainda que casados. Em todo caso, verdadeira ou falsa, uma coisa é evidente: o professor sente atração por gente mais nova. Bem mais nova.

Há um trecho na carta mais relevante. De fato, em 2004, a atleta Joanna Maranhão foi ao colégio Santa Emíia - fato confirmado na nota oficial que a escola divulgou - para ser homenageada e se encontrou com seu antigo professor. A atitude carinhosa da atleta com seu professor - segundo Eugênio- não condiz com a atitude de quem está na frente de seu algoz. Ele esquece, porém, que o abuso ocorreu quando a atleta tinha 9 anos e parece desconhecer os mecanismos psíquicos que reprimem um trauma dessa natureza. Ele diz estranhar que os pais da atleta não agiram quando souberam da acusação de Jonna: "...nenhuma mãe, nenhum pai, demoraria 12 anos para denunciar um crime praticado contra sua pessoa, ou contra sua filha. Isso é muito estranho, muito estranho mesmo." Ele esquece que a mãe de Joanna só acreditou no relato da filha, anos depois. O que ele estranha, é, na verdade, infelizmente, muito normal. Os pais, a vítima, tendem a pôr uma pedra no assunto, na tentativa de não reviver o drama. O drama, porém, fica lá, no inconsciente, e quase sempre é uma bomba de efeito tardio. Para ser desativada, precisa ser revelada.

O professor também tem suas suspeitas mas, aí sim, de forma estranha, não revela na carta suas suspeitas. Limita-se a dizer que na Justiça ele confirmará ou não suas desconfianças sobre o motivo que levou Joanna fazer tal acusação. O que está em jogo não é a Justiça. Dificilmente ele será condenado. O que está em jogo é a verdade ou a falsidade da acusação. Se ele tem ou sabe de algo que desqualifique a acusação, se a carta foi escrita para dar uma satisfação à sociedade pernambucana, por que ele prefere deixar para o processo jurídico esse trunfo?

O professor Eugênio Miranda, através de seu advogado, José Olympio, fez o que podia fazer: defendeu-se. Mas perdeu uma ótima oportunidade de convencer os amigos, seus alunos, seus colegas de trabalho e a sociedade, com a verdade.

Um comentário:

Ricardo Rayol disse...

esepro que depois de tudo apurado ele seja retalhado em pequenos pedaços e dado aos porcos.