28 fevereiro, 2008

Como diria Jack, o estripador, vamos por partes!

Talvez não tenha sido a melhor solução, mas foi a única que a minha proverbial incapacidade de lidar com esses recursos, conseguiu. Como quem esquadrinha informações em alfarrábios poerentos e tenta, com algum esforço, reunir as informações esparsas; peço, um tanto constrangido, que cliquem em cada uma das 4 imagens que elas serão ampliadas. Perde-se um pouco a noção do todo, mas ajuda em alguma coisa.

A Veja só tornará a página pública daqui há duas semanas, infelizmente.



27 fevereiro, 2008

Kosovo independente?

Atualizado em 28/02/2008, às 14:28

Pessoal, a Veja bloqueou o acesso ao infográfico, vou tentar encontrar um jeito de dispor o material no blog, ok? Desculpem o contratempo.



Pouca gente está dando a atenção devida ao problema do Kosovo, província da Sérvia de maioria albanesa e de religião muçulmana que declarou, na semana em que Fidel pediu para sair, a independência; criando, ou recriando na região um clima de tensão local e continental. Com o apoio dos Estados Unidos, Inglaterra e França à declaração unilateral da independência e a rejeição da Rússia e da Espanha, que vivem em seus territórios o fantasma do separatismo, a situação, até agora congelada, pode ganhar contornos dramáticos nos próximos meses. Com mais tempo volto ao tema, por hora deixo um link para você acessar um infográfico bastante esclarecedor sobre a crise. Abaixo, reproduzo a matéria publicada em Veja desta semana:

Separação turbulenta

Kosovo declara independência da Sérvia e
o mundo se divide entre apoiar ou não a cisão


Há uma semana, quando Kosovo declarou sua independência da Sérvia, da qual era província, milhares de kosovares foram às ruas para celebrar. A população local, 90% de origem albanesa e muçulmana, há muito queria sair da tutela da Sérvia, onde predomina a população eslava, de religião cristã ortodoxa. A decisão de Kosovo foi um duro golpe no nacionalismo dos sérvios, que enxergam a província como o berço simbólico da nação. Enfurecidos com o reconhecimento imediato da independência por parte da maioria dos países da União Européia, e também pelos Estados Unidos, os sérvios fizeram manifestações violentas nas ruas da capital, Belgrado. O principal alvo foi a embaixada americana, depredada e incendiada. Cerca de 100 pessoas ficaram feridas no confronto com policiais. Muitos países não reconheceram a independência de Kosovo sob a alegação de que ela pode abrir um perigoso precedente para movimentos separatistas na Europa. O País Basco e a Catalunha querem independência da Espanha. Na Bélgica, os flamengos já não querem mais saber de sustentar seus vizinhos mais pobres, os valões. "A independência de Kosovo pode desestabilizar uma região há tempos conhecida justamente por ser um barril de pólvora no continente", disse a VEJA o cientista político americano Alan Kuperman, da Universidade do Texas.

A região dos Bálcãs é um mosaico de etnias e credos religiosos no sudeste europeu. Depois da II Guerra, tentou-se uma união forçada entre os diferentes povos da região com a criação da Iugoslávia*, desmembrada em seis países depois do colapso do regime comunista. Após a dissolução da Iugoslávia, os habitantes de Kosovo passaram a exigir maior autonomia em relação ao governo da Sérvia. Criaram-se milícias separatistas que recebiam armas da vizinha Albânia. Tropas sérvias passaram a reprimir o movimento e mataram 10.000 kosovares. O banho de sangue só não foi maior por causa da intervenção militar da Otan, que bombardeou a região por onze semanas consecutivas em 1999. Desde então, Kosovo passou a ser administrado pela ONU e ficou sob proteção militar da Otan.

A declaração de independência de Kosovo traz enormes desafios para seus governantes. A nova nação tem uma renda per capita similar à de países africanos como Chade e Senegal. Metade da população está desempregada e uma das principais atividades econômicas da região é o crime organizado, que trafica cigarros e heroína pelo continente europeu. Nos próximos anos, o país vai permanecer sob tutela da União Européia, que enviará cerca de 500 milhões de dólares e uma força de 1 800 policiais, advogados e promotores para fortalecer o sistema jurídico do país. De qualquer maneira, Kosovo dificilmente conseguirá o reconhecimento da ONU e, como Taiwan, não poderá se sentar à mesa nas negociações internacionais. Isso porque a Rússia e a China, também preocupadas com os movimentos separatistas em seus territórios, usarão seu poder de veto no Conselho de Segurança para barrar qualquer tentativa nesse sentido. Mesmo assim, os kosovares não se cansam de comemorar.

Com reportagem de Roberta de Abreu Lima

* O termo Iugoslávia significa "eslavos do sul". Após a I Guerra Mundial; Sérvia, Croácia e Eslovência formaram o reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, mas desentendimentos internos entre croatas e sérvios deram ao novo reino uma grande instabilidade. Em 1929, o rei Alexandre impôs uma ditadura e mudou o nome do reino para Reino da Iugoslávia.

Com o advento da Segunda Guerra Mundial, a unidade política do reino desmoronou e somente em 1945, através do líder revolucionário Josip Broz Tito, líder comunista croata que lutou contra as forças do Eixo, criou a Iugoslávia Democrática Federal, país comunista. Esse país existiu até 1991, quando as províncias voltaram a se separar e hoje formam cerca de seis nações. Kosovo pretende ser a sétima.

Mais informações, clique aqui.




26 fevereiro, 2008

Isaltino, dança o créu para Fidel?

Que a juventude seja de esquerda, compreende-se, afinal, quem não fica comovido com a idéia de promover um mundo mais justo e menos desigual? Além do mais, o jovem ainda tem muito o que ler e o que estudar e quanto mais ele fizer isso, não tenho dúvida, a bactéria "Esquerdisinia pestis" fará menos efeito, até ser extirpada por completo. Costumo dizer que nem todo ignorante é de esquerda, mas todo militante de esquerda é ignorante. Por isso, os ignorantes, os sem estudo, os sem leitura, são as vítimas mais comuns do pensamento da esquerda.

Alguns, no entanto, nunca se curam desse mal. A bactéria, então, começa a provocar algumas alterações de caráter: a pessoa passa a mentir sem pejo; passa, de forma cínica, a defender facínoras como Che Guevara e Fidel Castro; passa a justificar o roubo do PT com o argumento de que os outros também roubavam, por isso tá tudo certo e tudo bem; passa a relativizar as mortes patrocinadas por Stálin, Fidel, Mao, Pol Pot e outros assassinos, com o argumento falso de que o capitalismo matou muito mais. Isso é mentira, mas se fosse verdade o que o esquerdofrênico está dizendo é que tudo uma questão de números: o socialismo matou, mas o capitalismo matou mais. Nada mais asqueroso. Leia qualquer artigo de um esquerdista e fique certo de que a primeira vítima dele é a verdade e, para tanto, falseiam a história.

Diretamente do blog do Jamildo, o deputado estadual pelo PT de Pernambuco, Isaltino Nascimento - um homenzarrão boa praça a quem conheci pessoalmente numa churrascaria em Piedade, na comemoração do aniversário de um amigo comum, que recebeu do deputado um mimo, isto é, uma camisa oficial do queridíssimo Sport Club do Recife - escreveu um artigo onde de forma cínica defende a ditadura de Fidel Castro. Leiam e constatem como um militante de esquerda é mentiroso e ignorante. Ele em vermelho. Eu em azul.

Muito se falou sobre Fidel Castro após sua renúncia à presidência de Cuba, na última terça-feira (19 de fevereiro).

Em todo o mundo, o que mais se destacou sobre o líder que por quase meio século desafiou o poderio dos Estados Unidos foi a sua pecha de tirano. Enquanto simpatizantes, também em várias partes do planeta, exaltavam-no como herói.

Esse debate ainda vai durar muitos e muitos anos, com posições apaixonadas de ambos os lados. Aqui acrescento a minha visão sobre o que considero o legado de Fidel Castro para a humanidade.

Oh, Isaltino, quer indicações de livros para você não falar tantas bobagens? Parece que você se formou na Unb e leu os livros da USP, cara! Cuba nunca desafiou os Estados Unidos, sua relevância para o Tio Sam esteve ligada à influência da URSS na ilha e à preocupação dos Estados Unidos de que as idéias socialistas, a partir de Cuba e com dinheiro soviético, não se difundissem na América Latina, isso na distante década de 60! De lá para cá, os EUA mantiveram o embargo pois não podem ajudar um país hostil e sem valores democráticos, mas não se preocuparam mais com a ilha. O fato de os Estados Unidos esquecerem o problema Fidel é só uma prova da irrelevância do ditador e de sua ilha. Quem vez por outra discursava contra o governo dos Estados UNidos era o assassino, na tentativa de resgatar o mito revolucionário.

Muitos simpatizantes? É mesmo? tirando os esquedocínicos do Brasil e da América Latina, ninguém mais defende o ditador. Nem os cubanos que fugiram, nem os cubanos que ainda permanecem na ilha. O regime acabou e, como Fidel, resiste como uma carcaça velha e apodrecida.


Apesar de toda crise democrática vivenciada, após tomar o poder, em 1959, Fidel Castro não apenas resgatou a ilha do domínio dos EUA, como a transformou em um local com os melhores serviços de educação e saúde pública do Terceiro Mundo. E isso não há como contestar. Assim, Cuba, que antes era um verdadeiro prostíbulo dos EUA, com jovens e idosos explorados, passou a ter dignidade."

Apesar de toda crise democrática? O que Isaltino defende é muito perigoso. Pode-se em nome de uma "justiça social" solapar os valores democráticos? Então, se um dia disserem: "Ei, vocês vão ter um sistema de saúde, acesso à educação e um emprego, mas para isso vocês terão que abrir mão de suas liberdades individuais, tudo bem?", as pessoas terão que aceitar? Não! Primeiro porque Cuba nunca teve esses índices sociais que a esquerdofrenia divulga. Antes de Fidel, Cuba tinha o 3° maior PIB da América Latina, depois de algumas décadas sob o regime socialista, caiu para 15°. É mentira que metade da população cubana era analfabeta, e sim 22 % da população. É mentira que Cuba tenha se transformado numa referência no sistema de saúde. Não acreditam? Vão lá tratar alguma doença, ora! Procurem saber como os médicos brasileiros se referem aos médicos cubanos que vêm, vejam só, fazer residência no Brasil.

Então, antes da revolução, Cuba era um prostíbulo dos Estados Unidos? É mesmo? E agora, na época de Fidel, não é o chamado turismo sexual o "negócio" que mais faz entrar dólares na ilha? Isaltino, vai ler, rapaz!

Em Cuba há problemas sérios causados pelo embargo norte-americano, mas não se pode dizer que haja desigualdades tão gritantes como as existentes no vizinho Estados Unidos ou, como aqui mesmo, no Brasil.

Desigualdades que geram ilhas de pobreza tão cruéis que fazem existir gente (aqui e nos EUA) comendo lixo e vivendo em extrema degradação, enquanto outros moram em fortalezas e usam helicópteros como via de transporte. Tudo isso gerado pelo "sagrado" capitalismo.

Os problemas em Cuba não são ou foram causados pelo embargo dos Estados Unidos, mas pela escolha do governo cubano em demonizar o país. O que é isso? chamam os americanos de fedidos, cúpidos, de tudo o que é ruim e ainda querem ajuda americana? Em que mundo esse povo vive?

Isaltino disse que em Cuba as desigualdades não são tão gritantes quanto nos Estados Unidos ou mesmo no Brasil; claro, lá a miséria é bem distribuída,a exceção são os dirigentes do PC cubano que desfrutam as regalias do poder, não é, Isaltino? Sugiro ao deputado, viver em Cuba. Já disse aqui: quem acha que um cubano que fugiu da ilha é um traidor, troque de lugar com ele. Isaltino, troque de lugar com um cubano que queira deixar a ilha, ninguém se importará com isso, aposto. Fica claro que o melhor dos mundos para Isaltino é que todos comam lixo, afinal seriam iguais na miséria, não é?

Fidel fincou seu nome na história mundial a partir do momento que resolveu investir em saúde, educação e esportes.

Com isso, obrigou outros países da América Latina a repensarem sua forma de tratar a população. Até mesmo os Estados Unidos foram obrigados a reformularem seu mundo capitalista e passar a trabalhar com políticas voltadas ao bem-estar social.

Reputo isso à fibra do homem que, aos 32 anos, desceu a Serra Maestra para derrubar o ditador Fulgencio Batista, e durante mais de quatro décadas foi um zeloso guardião do comunismo em Cuba.

Fidel fincou seu nome na história quando se tornou, em números proporcionais, o maior assassino da história. Nenhuma ditadura da América Latina matou, em proporção, mais gente que a cubana: 97 mil mortos, sendo deste número, 9.500 execuções sumárias, aproximadamente.

Olha a graça de Isaltino. Cuba obrigou os demais países da América, inclusive os Estados Unidos, a investir mais no social? Seria cômico se não fosse trágico! Fidel, um homem de fibra, que desceu da Sierra Maestra para depor Fulgêncio Batista e se tornar ele próprio um ditador ainda pior do aquele que ele apeou do poder em 1959.

Nem mesmo o colapso da União Soviética, em 1991, abalou Cuba, que superou uma de suas piores crises econômicas graças à aliança estratégica com o presidente venezuelano Hugo Chávez.

Aqui ele faz a defesa explícita de outro proto-ditador, o presidente Hugo Chavez. Dizem-me com quem andas que eu te direi quem és, diz um velho adágio popular.

Ninguém melhor do que o próprio Fidel para avaliar sua passagem pelo comando de Cuba: "Cometi erros, mas nenhum estratégico, simplesmente tático... Não tenho nenhum átomo de arrependimento do que fizemos em nosso país", afirmou recentemente.

Pela riqueza literária, a pérola acima bem que poderia ter sido dita por Lula, não acham? Erros? mandar executar 17 mil pessoas que divergiam do regime foi um erro? Não se arrependa Fidel, porque Marx, Stálin, Trótsky, Mao Tsé, Hitler, Pinochet, Mussolini e seu grande amigo, Che Guevara o aguardam no inferno.

Com a saúde precária desde 2006, quando se submeteu a uma cirurgia para conter uma hemorragia intestinal, Fidel ainda dá demonstrações de aguço estrategista.

Sua última jogada contra os Estados Unidos, que durante décadas tentou derruba-lo ou elimina-lo com ajuda da CIA, foi amarrar a sucessão ainda em vida.

Isaltino, rapaz, não delira! Os Estados Unidos estão se lixando para Cuba, mané! Malgrado seu e de seus congêneres de esquerda é que a ÚNICA chance de Cuba sair do atraso, é com a ajuda americana, mas para isso, claro, precisa antes se render, como disse o Mainardi.

Aos 81 anos, conseguiu fazer seu irmão Raúl, de 76 anos, novo chefe de Estado cubano, alimentando ainda mais a polêmica sobre seu modo de governar. No melhor estilo de quem pode ostentar o título de ser a última lenda viva da esquerda revolucionária.

Entenderam a piada? Fidel, o mão de ferro, o assassino sanguinário, o dono da ilha, "conseguiu" fazer o sucessor, como se houvesse uma disputa pelo cargo, como se a última palavra não fosse dele. Quem você pensa enganar, Isaltino? os trouxas de esquerda? os militantes de fralda, mesmo que geriátrica? Esses são estúpidos o bastante para cair na sua lorota.

A última lenda viva da esquerda revolucionária é a versão de Isaltino para a frase de Lula que disse semana passada que Fidel era o último mito vivo da história da humanidade. Os petistas gostam de frases bombásticas - tá, eles gostam mais de dinheiro público - que são um misto de nada com coisa nenhuma.

Isaltino, representa bem o que foi, o que é e o que sempre será o PT.

Conheça o digníssimo clicando ao lado (www.isaltinopt.com.br)

Palocci, o petista que faltava!


O ex-ministro da fazenda e atual deputado federal pelo PT de São Paulo, Antônio Palocci, foi, da cúpula petista, o mais preservado pelas oposições. Quando sugiram fortes indícios de que Palocci tinha negócios suspeitos e mal explicados na época em que ocupou a prefeitura de Ribeirão Preto e de que participava de orgias na mansão do lago sul em Brasília, onde supostamente, fechava acordos suspeitos; os senadores e os deputados de oposição, não só foram delicados com o então ministro nas perguntas que fizeram a ele, como também declararam-se satisfeitos com as explicações do ministro.

Palocci, pragmático, com tato e gentileza, seduzia os parlamentares da oposição sobretudo porque transformara-se no fiador da política econômica responsável, que herdara do governo anterior, impedindo que os acólitos do petismo, os vagabundos que queriam uma mudança radical na política macroeconômica, tivessem algum tipo de influência na condução da economia. Com essa postura, Palocci conquistou a simpatia e a admiração da oposição - dentro do PT e da base aliada ele tinha muito mais adversários - que temendo um assalto dos iracundos petistas que criticavam a política de juros do Banco Central e o superávit primário, ao ministério da fazenda, blindavam o ministro de toda e qualquer suspeita. E assim, Palocci foi seguindo, distribuindo sorrisos, refutando sem muito detalhes as denúncias e defendendo a austeridade fiscal do governo, até que...

No caminho de Palocci dois homens complicaram sua vida: o primeiro foi Rogério Burati, ex-secretário de Palocci em Ribeirão Preto, denunciou um esquema onde o então prefeito recebia 50 mil reais, como mesada, de empresas que fechavam contrato com a prefeitura; o outro, Francenildo dos Santos, caseiro humilde que disse ter visto Palocci, mais de uma vez, na famosa mansão do Lago Sul, onde, suspeita-se, tratavam-se de negócios nada republicanos.

A atitude do então ministro com essas duas pessoas foi distinta: embora acusado de corrupto por Burati, Palocci nunca o processou por calúnia, dizia não guardar ódio no coração. Recetemente, Rogério Burati desmentiu as denúncias que fizera contra o ex-ministro, ninguém sabe por quê. Aliás, até se sabe, não é? Quanto ao outro, Palocci agiu de forma bem diferente. Determinou que se quebrasse o sigilo bancário do caseiro, pois suspeitava-se que o mesmo tinha recebido um valor muito alto para fazer a denúncia. O objetivo era desqualificar as declarações de Francenildo dos Santos. Desesperado, Palocci não considerou que a quebra do sigilo bancário por uma autoridade do governo fosse um crime sério, o ministro apostava que, embora ilegal, a confirmação de que o caseiro falava a soldo, encobriria o crime da quebra ilegal do sigilo bancário.

Os deputados e os senadores protegeram o quanto puderam o ministro Palocci, mas a imprensa livre e a ação aloprada do ministro e de seus assessores, tornaram a defesa de Palocci impossível! A divulgação do extrato bancário do caseiro confirmou um depósito vultoso em sua conta, mas para a desgraça de Palocci, tratava-se de um depósito absolutamente legal. Um empresário de empresas de ônibus no Piauí, suposto pai biológico do caseiro, depositou o dinheiro na conta do caseiro a titulo de reconhecimento da paternidade. Diante da certeza de que a transação fora legal, só restou o crime de que o sigilo bancário do caseiro fora violado ilegalmente, pior: a mando do ministro.

Começou então uma verdadeira maratona para tentar encobrir a participação de Palocci no crime, mas as evidências eram tantas que não restou ao presidente Lula outra saída que não a demissão de Palocci. Era mais um da cúpula petista do governo que "pedia demissão" acusado por cometer um crime.

Eleito deputado em 2006, Antônio Palocci conquistou o direito ao foro privilegiado, de modo que só poderá ser julgado pelo STF. Por isso, cabe ao STF acatar ou não a denúncia feita pelo procurador geral da república, Antônio Fernando de Souza, de que foi o ministro o mandante da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo.

Palocci era o petista do alto escalão que faltava no rol dos acusados de crime. Todos os homens do presidente Lula cometeram crimes ou sabiam dos crimes cometidos pelo governo, o que os torna cúmplices, mas como é publico e notório, Lula não sabia nem sabe de nada.

24 fevereiro, 2008

E por falar em tramóia...

E por falar em tramóia envolvendo petistas e amigos de petistas, a revista Isto É - da qual desconfio desde a matéria do dossiê fajuto que tentou melar a candidatura Serra para o governo de São Paulo em 2006, e, talvez por isso, esteja, com a matéria desta semana, dizendo para o governo que precisa de mais atenção - revela que as investigações da PF sobre a Operação Navalha, aquela da Gautama, incriminam o ex-ministro de Minas e Energia, afilhado de José Sarney, Silas Rondeau; o governador do Piauí, o petista Wellington Dias e o presidente da eletrobrás, Walter Cardeal.

O Ministério Público com base nas investigações da PF está prestes a pedir o indiciamento dos 42 envolvidos na operação Navalha, entre eles, os nomes acima. Fiquem com alguns trechos da reportagem:

"Nos depoimentos que prestaram ao Superior Tribunal de Justiça, que conduz o inquérito, Rondeau e Ivo divergem. O ex-ministro diz que não há registro de visita de Zuleido a seu gabinete. Ivo, por sua vez, confirma que Zuleido esteve uma vez com Rondeau, junto com o lobista Sérgio Sá. Procurado por ISTOÉ, o advogado do ex-ministro, José Gerardo Grossi, não se pronunciou."

O governador Wellington Dias aparece com destaque no diagrama produzido pela PF. Dias e seu ex-vice Osmar Júnior, hoje deputado pelo PCdoB piauiense, surgem no quadro da PF simbolizados como homenzinhos verdes. É o mesmo tipo de desenho que identifica o ex-ministro Rondeau. Dias é citado 17 vezes no relatório de inteligência da PF sobre o Luz Para Todos, precedido por Rondeau, mencionado 18 vezes. “Eu lamento profundamente ver meu nome nisto”, diz o governador. “Nunca vi o Zuleido na minha vida.” Ele admite, porém, ter tido reunião no Ministério com a participação de Sérgio Sá."

Finatec, a fundação do PT ou para o PT?

A Unb não é só uma universidade onde o esquerdismo bocó triunfa mais do que nas outras. A Unb, é também, das universidades federais, onde o crime com digitais petistas apareceu primeiro. “A cada enxadada uma minhoca”, afirma um velho adágio caipira. A Finatec, fundação criada em 1992 por 12 professores da Unb para captar recursos que ajudassem na pesquisa científica, ganhou notoriedade recentemente, não por ter ajudado em alguma descoberta relevante em ciência, mas por ter gastado com o reitor da Unb mais de 500 mil reais mobiliando o apartamento da reitoria na 310 norte e comprando um carro de luxo importado para uso exclusivo do reitor da universidade. O que seria “apenas” um desvio de finalidade, escondia na verdade algo muito pior: a Finatec atuava também como laranja, como fachada para empresas de consultoria, cujos donos são ligados ao Partido dos Trabalhadores.

“A Finatec estaria sendo usada como uma espécie de fachada por empresas de consultoria para fechar contratos com órgãos públicos, sem precisar disputar concorrência. Aproveitava-se uma brecha na legislação, que permite a contratação de fundações ligadas a entidades de ensino sem a necessidade de licitação pública.”

A citação acima está na matéria da revista Época que também revela que o dinheiro pago por administrações municipais e estaduais, a maioria petistas, à Finatec, era destinado na verdade à duas empresas de consultoria: Intercorp Consultoria Empresarial e Camarero & Camarero Consultoria Empresarial Ltda., pertencentes ao casal Luís Antônio Lima e Flávia Maria Camarero. O senhor Luís Antônio Lima é um gaúcho que trabalhou na prefeitura de Porto Alegre na época da administração petista e é apontado pelo MP como o homem que fazia o contato e fechava o contrato com os municípios e os governos estaduais, a maioria do PT, com a Finatec. Esses contratos renderam, entre 2000 e 2005, 50 milhões de reais à Finatec, que repassou às ditas empresas cerca de 22 milhões de reais dos 50 que recebeu das administrações petistas no país.

“No papel, a contratada, para prestar assessoria em programas de modernização gerencial, era sempre a Finatec. Mas quem recebia pagamentos na ponta, pelos serviços realizados, era a Intercorp e a Camarero & Camarero. Além da Prefeitura de São Paulo, comandada por Marta Suplicy, fizeram pagamentos à Intercorp e à Camarero & Camarero, por meio da Finatec, as prefeituras de Fortaleza, Vitória, Recife, Nova Iguaçu e Maringá e o governo do Piauí – todos comandados pelo PT.”

Leiam a reportagem completa e vejam vocês mesmos os detalhes escandalosos que revelam a promiscuidade entre as administrações municipais comandadas pelo PT, a Finatec e duas empresas de consultoria privadas, cujos donos têm ligações históricas com o Partido dos Trabalhadores.

Onde estão os indícios de crime? Em vários lugares, ora! Primeiro, há uma expressa recomendação para fundações não subcontratarem empresas para realizarem o trabalho dela; segundo, os contratos fechados com a Finatec nada tem a ver com sua função, que é financiar projetos de pesquisa científica. Dois exemplos dessa função esdrúxula da Finatec foi a contratação, em 2003, da fundação pela administração petista de Marta Suplicy, para construir, em Brasília, um escritório da prefeitura de São Paulo. O valor desse contrato foi de 358 mil reais. Para onde foram? Advinhem! Descobriu-se também que a tal fundação discutia a construção de um shpping center na cidade, estranho demais para uma fundação ligada a projetos científicos. Os indícios de crime não param: ao direcionar os contratos fechados com governos municipais para as ditas empresas de consultoria, há um claro favorecimento a essas empresas. Essa prática, em si, revela outro crime: o de burlar a lei de licitações. Não acabou, tem mais: os serviços realizados, quando foram realizados, foram de uma completa inutilidade. Serviram apenas para desperdiçar, quando não, desviar para fins políticos e pessoais, o dinheiro do contribuinte.

Procurados para comentar as denúncias, o senhor Luís Antonio de Lima disse não poder falar pois o seu acordo com a Finatec prevê a cláusula de confidencialidade, o que o impede de dar entrevistas. Quem se manifestou foi o advogado da Finatec, o senhor Francisco Queiroz Caputo Neto, que disse não haver irregularidade na subcontratação das ditas empresas de consultoria. O MP, porém, pensa diferente e tem documentos relevantes para desconfiar dessa prática. A assessoria da fundação explicou, segundo a matéria, que a Finatec usou os serviços do senhor Luís Antônio de Lima pois ele tinha um programa de reforma administrativa para atender as prefeituras. Essa desculpa não se sustenta e vejam porquê:

“...se a Finatec não tinha o conhecimento necessário para assessorar as prefeituras, por que foi contratada por elas? Se a tecnologia pertencia a Luís Lima, por que ele e suas empresas não se submeteram ao processo de concorrência pública? Quando a lei abriu a possibilidade de dispensa de licitação na contratação de fundações ligadas a universidades, o objetivo era ajudá-las a captar mais recursos públicos para pesquisas científicas. No caso da Finatec, a ciência por trás dos contratos com as prefeituras ainda está longe de ser bem explicada.”

22 fevereiro, 2008

Vai de retro Edson!

Um político ou apenas um militante, sendo eles de esquerda, não resistem às elementares noções de lógica. Em Recife, no blog do Jamildo, um tal de Edson Silva, presidente estadual do PSOL e pré-candidato à prefeitura do Recife, escreveu para o blog um artigo onde critica a atual gestão do PT, mas também as anteriores, do PMDB e do PFL. Suas propostas são um misto de porra-louquice e fantasia. Fico pensando que enquanto formos um país de pouca leitura e pouca instrução, sempre haverá espaço para gente como Edson Silva e seus congêneres de esquerda. Atenção para alguns trechos do artigo.

"A população do Recife vivencia e sente com mais força a violência e o desemprego como os seus principais problemas. Segundo o Mapa dos Municípios 2008, Recife é a capital mais violenta do país. Simultaneamente, sofremos, de forma dramática, com a falta de habitação e saneamento. Falta também atendimento básico à saúde.

Segundo o Ministério da Educação, a educação em Recife é a pior entre as capitais brasileiras. Parte significativa dos recifenses não tem acesso a transporte público. Faltam políticas públicas para a juventude, para a melhor idade, para o meio-ambiente, para comunicação, enfim, a lista seguiria.

A situação da cidade está assim após sete anos de gestão do PT e do PC do B. Os defensores da atual gestão dizem que a situação antes era pior. E nisso concordamos com eles. A gestão atual é menos pior que as imediatamente anteriores, razão pela qual partidos e políticos que já administraram a cidade não têm autoridade política para fazer uma oposição conseqüente. São oportunistas, buscando retornar à teta, hoje dedicada a outras bocas."

Ora, se o Recife hoje é a capital mais violenta do país, segundo o Mapa dos Municípios de 2008, se os índices de saneamento são deploráveis, se somos a pior capital em qualidade na educação, se falta atendimento básico à saúde da população, se a juventude está esquecida e mesmo assim, a atual gestão do petista João Paulo - que está há 7 anos no poder - foi apenas menos pior que as anteriores, como não deveria ser o Recife entre 1992 a 2000? Ao rotular a atual gestão de "menos pior", Edson Silva revela a solidariedade esquerdofrênica com o PT. Criticar o PT até pode, mas tem que dizer que os outros foram bem piores.


Há um trecho no artigo que me causou apreensão: diz o arauto da ideologia da morte: " Contudo, não basta coragem, é preciso ter força. E a força está no povo e na sociedade civil organizada e mobilizada, no controle social implacável por parte da população." Quando um esquerdista diz que é preciso ter força e controle social implacável, acreditem, não é retórica nem figura de linguagem. Os crimes da esquerda sempre foram encobertos pela idéia da mobilização popular e pelo interesse do povo, quando atendiam, em verdade, aos interesses da burocracia do partido. Vai de retro Edson Silva! Canta para subir, coisa ruim! Quem te mandou que te receba! Leva para longe essa ameaça marxista-leninista, seja de linha trotskista ou stalinista!

Fazendo uma piada involuntária, Edson Silva lembra que: " Prefeitos já foram assassinados por, supostamente, apenas tentar alterar a velocidade dessas engrenagens, vide Celso Daniel, ex-prefeito petista de Santo André (SP). Mas o PSOL tem a coragem necessária para buscar desmontar estes esquemas." Esse Edson é um fanfarrão! Todos sabem, até a família do prefeito assassinado, que o crime está ligado ao esquema de arrecadação para Caixa Dois de empresas que tinham contrato com a prefeitura. Celso Daniel não foi morto porque descobriu o esquema, pelo contrário, ele não só sabia do roubo com foi um dos arquitetos da ação criminosa. Ele morreu porque perdeu o controle da quadrilha que ele lotou na prefeitura de Santo André, e quando quis pôr freio ao roubo, morreu! A verdade é essa.

O PSOL tem coragem para desmontar? É mesmo? Meu maior medo não é o PSOL desmontar a máquina da corrupção, mas a de criar outras, como a da violação dos direitos individuais e da democracia representativa. Além do mais, onde tem um esquerdista, sempre haverá um crime!


Quem tiver saco para ler o artigo na íntegra, vai ver que o dirigente do PSOL acredita que se o Recife apresenta índices sociais tão ruins é apenas por culpa e incompetência das administrações anteriores que foram corruptas e descompromissadas com o povo. Claro que político algum gostaria de ser lembrado por ter melhorado os índices de segurança pública, educação, saúde e saneamento. Só o PSOL é que com uma abstrata mobilização popular, com uma anacrônica crítica às privatizações, com o tal "controle social implacável" vai transformar a cidade do Recife em outra cidade. Não tenho dúvida! Ponham isso em prática e garanto, aqueles cubanos que fugiram da prisão caribenha para viverem na cidade, vão começar a pensar em voltar para a ilha do "capetel" Fidel! (Ele não é mais presidente, mas enquanto aquele cádaver que esqueceu de deitar ainda respirar, ele mandará na ilha!)




21 fevereiro, 2008

Herança bendita.

E se nós tivéssemos seguido os conselhos do PT? E se nós tivéssemos dado ouvido à retórica dos esquerzóides de sempre e de todos os tempos? E se acreditássemos nos discursos idiotas daqueles que criticavam - ainda criticam! - a política econômica neoliberal? Onde estaríamos agora?

Lembro, assim, de relance, dois momentos na história do Brasil em que os nacionalistas bocós e os esquerdistas míopes ficaram efusivos com a decisão do governo brasileiro de não pagar os juros da dívida externa e romper com o famigerado - para eles, é claro - FMI. A primeira foi no governo JK. Juscelino, com seu "desenvolvimentismo a caneladas", com sua insistência na meta-síntese: a construção de Brasília. Desorganizou as contas externas brasileiras e quando a situação degringolou, apelou para o FMI. Na impossibilidade de fechar um acordo com a instituição financeira, que exigia austeridade, JK preferiu jogar para a torcida rompendo com o FMI e ganhando o apoio dos idiotas nacionalista. As esquerdas, sempre burras, comemoraram como se tivéssemos dado o grito de independência, expulsando "uzamericanu" do país.

A verdade, porém, é que no governo Jânio, além de uma inflação galopante herdada da irresponsabilidade dos anos JK, as contas externas brasileiras estavam à beira de uma bancarrota. E lá fomos nós, com o pires na mão, mendigar dinheiro externo.

Na década de 80, no governo Sarney, a situação de nossas contas externas voltou a ficar crítica. Com uma hiperinflação, com um governo perdulário, o FMI condicionou os empréstimos que nos salvaria da caos econômico, a uma política de austeridade nos gastos públicos, a uma política séria para conter a inflação e o déficit público. Como no passado, o governo acusou o FMI de ingerência nos assuntos internos. A esquerda vociferava novamente suas maluquices retóricas de que estávamos submissos ao capital financeiro, aos inescrupulosos banqueiros. O povo, a massa ignorante, aplaudia a retórica estúpida e quando Funaro decretou a moratória da dívida externa, gritos efusivos de "Fora FMI", de liberdade e independência foram novamente ouvidos. A situação econômica, porém, ficou ainda mais crítica e, como no passado, retomamos a negociação com o FMI e fizemos, sempre com atraso e com mais sofrimento, o que o FMI sugeria.

Lembro, agora, que quando estava na faculdade, um monte de gente com camisa vermelha, exibindo a efígie de Che Guevara, com buttons do PT, com a cara barbuda e prometendo amanhãs que cantam - com o apoio da CNBB e tudo - passavam um abaixo- assinado pedindo o "não pagamento da dívida externa." Por essa época já iniciávamos as mudanças que nos levaria a situação privilegiada de hoje. Mas como de praxe, os estúpidos diziam que levaríamos o país e o povo à desgraça.

A partir de 1993, com uma política macroeconômica batizada de "neoliberal", iniciamos uma série de reformas econômicas, buscamos a austeridade fiscal e o equílibrio nas contas do governo. Um trabalho lento, penoso, mas com foco, foi criticado pelos asnos de sempre. Para nossa sorte, quando os asnos assumiram o poder em 2003, mantiveram os mesmos princípios, e o resultado é que pela primeira vez na história - sem rompimento com o FMI, com superávit primário - lembram como se criticava o superávit? - com seriedade na condução da política macroeconômica, o Brasil passa a ter em reservas 4 bilhões de dólares a mais que a sua dívida externa. Hoje, somos credores, não mais devedores.

Se o presidente Lula merece um elogio é o de ter tido a coragem de, na economia, não ter seguido os áulicos de sempre, os estúpidos cheios de boas intenções. Enfim, merece elogio por ter mantido longe das garras do PT, a política macroeconômica herdada do governo anterior.

El Coma Andante

Vocês gostam de punk rock? Eu não! Mas o grupo cubano Porno para Ricardo fez uma música chamada "El Coma Andante" que vale a pena conferir no youtube. O refrão da música, pelo que entendi, é: "no toma tanta pinga coma andante". Conselho que bem poderia ser aproveitado pelo nosso presidente, não acham?

Confiram também outro hit do grupo, aqui.

Não sei porque eu perco tanto tempo com Cuba. Nada é mais irrelevante do que essa ilha. Ficam por aí dizendo: "e os Estados Unidos hein? O que farão agora com Cuba?" Eu respondo: nada! Qual a relevância de Cuba? Nenhuma, ora.

Algumas almas pias, gente de bem, mas sem muita leitura, ainda vive repetindo que Fidel, ainda que ditador, tornou Cuba um lugar melhor para viver. Transformou a educação e fez da medicina cubana um exemplo na América Latina. Isso cansa, mas é importante reestabelecer a verdade. Leiam abaixo:

O Coma Andante 1 - Não há ambigüidade: Fidel é um dos maiores assassinos da história


"Tenho um pouco de vergonha da minha profissão. Com as exceções de sempre e de praxe, afirmo de modo categórico: está tomada por pusilânimes, por idiotas, por cretinos incapazes de escolher entre o bem e o mal, entre a democracia e a ditadura, entre a vida e a morte. Li, quero crer, tudo o que a imprensa relevante publicou, no Brasil e no mundo, a respeito da renúncia de Fidel Castro, que deixou formalmente a presidência de Cuba, depois de uma ditadura de 49 anos. Não fiz uma contabilidade, mas creio que 90% dos textos apelam a uma covardia formidável: seu legado seria ambíguo; Fidel nem é o herói de que falam as esquerdas nem o facínora apontado pela direita. Até parece que ele é apenas um objeto ideológico sujeito a interpretações. Não por acaso, esquece-se de abordar, então, o seu legado segundo o ponto de vista da democracia.

A mais estúpida de todas as leituras é aquela que poderia ser assim sintetizada: “Fidel liderou uma ditadura, mas melhorou os índices sociais”. Isso que parece ingênuo, de uma objetividade crua e descarnada de qualquer ideologia, é, de fato, uma impostura formidável; aí está a fonte justificadora do mais assassino de todos os regimes políticos jamais inventados pela humanidade. A ditadura comunista viria, assim, embalada pelo mito da reparação social: "Não se tem liberdade, mas, ao menos, há saúde e educação para todos". Pergunto: uma ditadura de direita, então, se justificaria segundo esses mesmos termos?

Mas atenção! Não se trata apenas de criticar esse postulado indecente que aceita trocar liberdade por conquistas sociais. O milagre social da revolução cubana foi criado em cima de mentiras objetivas. Em 1952, Cuba tinha o terceiro PIB per capita da América Latina. Em 1982, estava em 15º lugar, à frente apenas de Nicarágua, El Salvador, Bolívia e Haiti. A fonte? La Lune et le Caudillo, de Jeannine Verdes-Leroux. O livro, de 1989, tem o sugestivo subtítulo de “O sonho dos intelectuais e o regime cubano”. Estuda como se implantou e consolidou o regime comunista no país entre 1957 (a revolução é de 1959) e 1971. Não foi só essa mentira. Ao chegar ao poder, Fidel afirmou que 50% da população da ilha era analfabeta. Mentira! Em 1958, a taxa era de 22%, contra 44% da população mundial.

Um ano depois da revolução, já não havia mais no governo nenhum dos liberais e democratas que também haviam combatido a ditadura de Fulgêncio Batista. Tinham renunciado ao poder, estavam exilados ou mortos. Logo nos primeiros dias da revolução, antes mesmo que se explicitasse a opção pelo comunismo, Fidel e sua turma executaram nada menos de 600 pessoas. Em 1960, pelo menos 50 mil pessoas oriundas da classe média, que haviam apoiado a revolução, já haviam deixado Cuba. Três anos depois, 250 mil. A Confederação dos Trabalhadores Cubanos, peça-chave na deposição do regime anterior, foi tomada pelos comunistas. Em 1962, imaginem, a CTC cobra de Fidel a “supressão do direito de greve”!!! O principal líder operário anti-Batista, que ajudou a fazer a revolução, David Salvador, foi encarcerado naquele ano.

Só nos anos 60, o regime de Fidel fuzilou entre 7 mil e 10 mil pessoas. Caracterizá-lo como um assassino não é uma questão de gosto, mas de fato; não se trata de tomar essa característica como parte de seu legado supostamente ambíguo. Não há nada de ambíguo em fuzilar 10 mil. É coisa de facínora. Como é incontroverso que ele e seu amiguinho, o Porco Fedorento Che Guevara, criaram campos de concentração na ilha, os da UMAP (Unidade Militar de Apoio à Produção), formados por prisioneiros políticos, que chegaram a 30 mil!!! Ali estavam religiosos, prostitutas, homossexuais, opositores do regime, criminosos comuns... Os movimentos gays, que costumam ser simpáticos à esquerda, deveriam saber que a Universidade Havana passou por uma depuração anti-homossexual. Isso mesmo. Em sessões públicas, os gays eram obrigados a reconhecer seus “vícios” e a renunciar a eles. As alternativas eram demissão e cana (em sentido literal e metafórico).

Segundo O Livro Negro do Comunismo, desde 1959, estima-se em 100 mil o número de pessoas que passaram pela cadeia ou pelos “campos” de reeducação no país. Os fuzilamentos são estimados entre 15 mil e 17 mil pessoas."

FONTE: Blog do Reinaldo Azevedo


20 fevereiro, 2008

Fidel, o "capetel"

Caramba! O trabalho nesse início de ano letivo tem me consumido e me tirado a satisfação de postar no blog. Além do mais, o pequeno e bravo Estêvão já começa a ensaiar algumas palavras e no idioma incognoscível dos bebês, penso que ele protesta demandando minha atenção. Diante dos apelos de um bebê, confesso: paro tudo e fico com ele.

Ontem, o assassino, o facínora, o Belzebu idolatrado pelos esquerdiotas daqui; pediu para sair. Foi um afastamento com 49 anos de atraso. O engraçado é que todo mundo fica se perguntando: o que mudará em Cuba com a renúncia de Fidel? Nada! Fidel era o simbolo da morte, da intolerância, do atraso; mas esses valores malignos que nortearam o pensamento de Fidel ainda existe naqueles que o sucederão. Cuba, enfim, continuará uma prisão!

Li na Folha que o Brasil tem o dever de ser o canal entre a Cuba sem Fidel e os Estados Unidos. Fôssemos mesmo um país sério e que defendesse os valores democráticos, deveríamos condicionar essa nossa "mediação" à abertura política da ilha. Sem democracia, não quero saber de Cuba. Ainda bem que os EUA, com ou sem mediação do Brasil, desde 1961, sempre vai pensar assim.

17 fevereiro, 2008

Acho que seja correto dar espaço para a primeira declaração oficial do professor, treinador de natação e ao que tudo indica, molestador de crianças, Eugênio Miranda, acusado pela atleta Joanna Maranhão e por outra nadadora de ter abusado sexualmente delas quando eram crianças.

Num primeiro momento, o professor dissera que entraria na Justiça por ter tido seu nome revelado pela mãe da atleta. Agora, nega as acusações e promete para a próxima semana mover processo contra a médica Teresinha Maranhão e a nadadora Joanna Maranhão. Leiam a nota. Volto depois.

Desejo aqui enfatizar que nunca, jamais, em tempo algum, pratiquei conduta de abuso sexual na nadadora Joana Maranhão, nem tampouco em qualquer outra pessoa. As acusações feitas não são verdadeiras, não têm o menor fundamento. Qualquer pessoa do povo sabe perfeitamente que nenhuma vítima, nenhuma mãe, nenhum pai, demoraria 12 anos para denunciar um crime praticado contra sua pessoa, ou contra sua filha. Isso é muito estranho, muito estranho mesmo.

Um fato que merece destaque e que pode ser provado, vez que aconteceu na presença de muita gente, é que, no ano de 2004, após as Olimpíadas de Atenas, a nadadora Joana Maranhão recebeu uma homenagem em um grande Colégio em Olinda. Nesse evento ela me tratou de maneira simpática e cordial, inclusive autografou a minha camisa, o que foi visto por todos. Será que uma pessoa vítima de abuso sexual, carregando marcas e ressentimentos profundos, teria esse comportamento cordial e até mesmo carinhoso com o seu algoz e ex-treinador ? Essa é uma indagação que faço e deixo para que seja avaliada e respondida pela inteligência da opinião pública.

Além disso, sou professor de natação e educação física há 28 anos. Me formei pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1986. Durante todos esses anos, ensinei em vários colégios e clubes sociais do Recife e de Olinda. Sempre lidei com crianças e adolescentes e jamais, nesses 28 anos de atividades ininterruptas, nenhuma aluna, nenhuma mãe, nenhum pai, nenhum diretor de escola ou de clube, havia questionado a minha conduta moral e pessoal no relacionamento com os alunos.

Não sei ao certo as razões que levaram Joana Maranhão e a Sra. Terezinha Maranhão, sua mãe, a inventar essa história fantasiosa capaz de destruir a minha reputação profissional e pessoal. Todavia, raciocinando no meio das agruras e sofrimentos extremos pelos quais eu e minha família temos passado, bem como ouvindo opiniões de pessoas várias e de todos os níveis sociais, desconfio de um motivo determinante para tudo isso. Esse possível motivo será exposto no processo criminal que estarei ingressando até meados da semana, através do meu advogado, Professor João Olympio Mendonça, quando então a Imprensa e a Sociedade em geral poderão raciocinar sobre o mesmo e concluir pela possibilidade de sua procedência, ou não.

No momento me encontro muito fragilizado emocionalmente diante das acusações dirigidas a minha pessoa, todas inverídicas. Nem mesmo a minha família foi respeitada. Inventaram que eu teria sido demitido de um colégio após haver engravidado uma aluna, a qual depois teria se tornado minha esposa. Esse fato não é verdadeiro. Isso não aconteceu . Minha esposa jamais foi minha aluna. A verdade é que, na época, no início do casamento, ela engravidou do nosso primeiro filho e estudava em uma escola em Aldeia, onde morávamos. Eu já era professor de um colégio grande e conceituado no Recife e, nessa condição, consegui uma "bolsa" para minha esposa que ali cursou todo o segundo grau. Ela nunca foi minha aluna, é a minha primeira e única esposa, nos damos muito bem, e estamos unidos há 21 anos.

Desejo aqui também agradecer à solidariedade e apóio que tenho recebido da minha dedicada esposa ( que nunca duvidou e nem duvida da minha retidão de conduta ), dos meus filhos que estão sofrendo muito, dos meus parentes de uma maneira geral, de alunos, ex-alunos e pais de alunos, dos meus colegas professores do conceituado Colégio onde estava eu exercendo as minhas atividades profissionais.

A todos digo: acreditem em mim. Quem me conhece de perto sabe perfeitamente que não sou capaz de praticar as condutas que me estão sendo atribuídas.. Só acho que estou atravessando um grande "pesadelo". Tenho fé em Deus de que a verdade virá à tona, e que tudo isso vai passar.

Olinda, 16 de fevereiro de 2008
Professor Eugênio José Oliveira de Miranda"


O professor diz que surgiram boatos de que ele tinha engravidado uma aluna sua e que depois, e só depois, é que tinha casado com ela. Ele nega. Confessa porém , que sua atual esposa ainda era estudante de 1° grau (Ensino Fundamental II) em Aldeia, quando ficou grávida dele, mas eles já seriam casados e aí, segundo o professor, ele conseguiu uma bolsa de estudos para a esposa num colégio tradicional do Recife. É preciso apurar para confirmar a estória, mas digo, desde já, que a estória é muito estranha. Pelo que conheço das escolas de Recife, sobretudo as tradicionais, acho muito difícil que um colégio permitisse que a esposa de um professor da escola, sobretudo grávida, estudasse na mesma escola onde o profissional trabalha. Se, às vezes, cria-se constrangimentos quando há relacionamento afetivo entre professores, que dirá entre um professor e uma aluna, ainda que casados. Em todo caso, verdadeira ou falsa, uma coisa é evidente: o professor sente atração por gente mais nova. Bem mais nova.

Há um trecho na carta mais relevante. De fato, em 2004, a atleta Joanna Maranhão foi ao colégio Santa Emíia - fato confirmado na nota oficial que a escola divulgou - para ser homenageada e se encontrou com seu antigo professor. A atitude carinhosa da atleta com seu professor - segundo Eugênio- não condiz com a atitude de quem está na frente de seu algoz. Ele esquece, porém, que o abuso ocorreu quando a atleta tinha 9 anos e parece desconhecer os mecanismos psíquicos que reprimem um trauma dessa natureza. Ele diz estranhar que os pais da atleta não agiram quando souberam da acusação de Jonna: "...nenhuma mãe, nenhum pai, demoraria 12 anos para denunciar um crime praticado contra sua pessoa, ou contra sua filha. Isso é muito estranho, muito estranho mesmo." Ele esquece que a mãe de Joanna só acreditou no relato da filha, anos depois. O que ele estranha, é, na verdade, infelizmente, muito normal. Os pais, a vítima, tendem a pôr uma pedra no assunto, na tentativa de não reviver o drama. O drama, porém, fica lá, no inconsciente, e quase sempre é uma bomba de efeito tardio. Para ser desativada, precisa ser revelada.

O professor também tem suas suspeitas mas, aí sim, de forma estranha, não revela na carta suas suspeitas. Limita-se a dizer que na Justiça ele confirmará ou não suas desconfianças sobre o motivo que levou Joanna fazer tal acusação. O que está em jogo não é a Justiça. Dificilmente ele será condenado. O que está em jogo é a verdade ou a falsidade da acusação. Se ele tem ou sabe de algo que desqualifique a acusação, se a carta foi escrita para dar uma satisfação à sociedade pernambucana, por que ele prefere deixar para o processo jurídico esse trunfo?

O professor Eugênio Miranda, através de seu advogado, José Olympio, fez o que podia fazer: defendeu-se. Mas perdeu uma ótima oportunidade de convencer os amigos, seus alunos, seus colegas de trabalho e a sociedade, com a verdade.

16 fevereiro, 2008

Ainda sobre o molestador Miranda.

Está no site www.pe360graus.com da Globo Nordeste, mais uma entrevista de Joanna Maranhão, 20 anos; sobre o abuso sexual que sofreu do seu treinador Eugênio Miranda, há 11 anos. Acompanhem:

Globo Nordeste: Por que só agora você quis falar sobre esse abuso?

Joanna Maranhão: Não existe um tempo certo para você falar de um trauma. O que aconteceu comigo foi que eu reprimi isso todos esses anos. Quando isso vinha na minha cabeça como memória, eu apagava, expulsava isso do pensamento. Até que eu comecei a fazer terapia, comecei a namorar e as lembranças começaram a vir com uma forma muito grande. Aí eu comecei a me lembrar de coisas que eu tinha apagado totalmente da minha mente. Foram anos complicados que eu precisei de muita ajuda. Hoje eu estou bem e em momento nenhum eu viria à imprensa falar sobre isso se estivesse muito triste, muito abalada. Se eu hoje falei isso é porque estou bem e forte para passar essa mensagem.

Globo Nordeste: E o que você espera disso?

Joanna: A minha denúncia já vem trazendo outras denúncias. Eu espero que venham aparecendo outras mais recentes para que ele seja punido. No meu caso, infelizmente, não há nada que possa acontecer. Mas pessoas desajustadas como ele nunca fica com uma só vítima. Eu espero que qualquer menina que tenha sofrido qualquer tipo de abuso dele venha e declare isso para a Justiça.

Globo Nordeste: O que você espera que os pais façam a partir disso?

Joanna: Eu espero que tantos os pais quanto os filhos estejam mais abertos ao diálogo. Como isso é uma coisa muito comum, tem que ser conversado desde o início para não acontecer o que aconteceu comigo. Na minha família, isso sempre foi tratado com muito pudor, porque era uma coisa que ninguém imaginava e eu não tive coragem de contar.

"Eu espero que tantos os
pais quanto os filhos estejam
mais abertos ao diálogo"

Globo Nordeste: O que você diria para as crianças e atletas que passam pelo que você passou?

Joanna: As crianças que sofrem isso não têm culpa. Criança não tem maldade nenhuma. Se isso acontecer, qualquer coisa, mesmo que seja pequena que você não tem a menor noção da gravidade, que elas contem para seus pais. Eu quero que isso sirva como alerta. Fico impressionada como isso é “normal” e acontece com freqüência nas famílias. Essas pessoas sempre procuram as crianças que elas têm mais intimidade para fazer esses abusos. O treinador mesmo é uma espécie de pai para a criança e professor de mandar. Ele chega e fala: você não tem direito de falar com ninguém, fique calada. É um medo, um nojo, uma ânsia de vomito que dá, é uma sensação que a criança entra em pânico e não fala.

Globo Nordeste: Você foi ameaçada?

Joanna: Ele sempre foi uma pessoa muito dócil comigo. Mas quando aconteciam esses abusos, ele falava que era para eu ficar calada, se não iria bater em mim. Eu gritava, chorava e ele dizia para eu ficar calma que ia passar.

"Quando aconteciam esses abusos
ele falava que era para eu ficar
calada, se não iria bater em mim"

Globo Nordeste: Você se arrepende de ter denunciado seu ex-treinador?

Joanna: De forma nenhuma. Eu fiz a coisa certa e fico feliz em saber que ele não vai trabalhar com mais nenhuma criança, nem acabar com a vida de mais ninguém.

"Fico feliz em saber que ele
não vai trabalhar com mais
nenhuma criança, nem acabar
com a vida de mais ninguém"

Globo Nordeste: Como você quer que as pessoas te tratem a partir disso?

Joanna: Eu não quero que me vejam como uma coitadinha. Quero que vejam como uma pessoa que passou por isso, teve oportunidade de se tratar, de dar a volta por cima e hoje ta aí com dois braços e duas pernas lutando pelos seus sonhos.

O advogado do professor de Educação Física que teria abusado sexualmente de Joanna Maranhão disse que o cliente dele nega as acusações da nadadora.

Nota Oficial

Abaixo, a nota oficial do colégio Santa Emília, publicada no site da escola em 14 de fevereiro, sobre o desligamento de seu quadro de professores, do treinador de natação, professor de educação física e, ao que tudo indica, molestador de crianças, Eugênio Miranda. Leiam!

O Colégio Santa Emília, fiel à sua missão educacional fundada nos princípios da ética, da integridade moral e da honestidade, diante da denúncia da nadadora Joanna Maranhão envolvendo o professor Eugênio Miranda, vem prestar à sociedade pernambucana os seguintes esclarecimentos:

1. O professor de natação Eugênio Miranda integrou a equipe de professores do Colégio, na qual ingressou em virtude da sua formação técnica e das boas referências, obtidas por sua passagem como técnico de natação de grandes clubes e escolas pernambucanas;

2. No período em que integrou a equipe de professores da natação, sempre se conduziu dentro dos valores exigidos pela instituição, quais sejam, disciplina, ética, idoneidade moral e responsabilidade;

3. A nadadora Joanna Maranhão, brilhante atleta pernambucana, é admirada e respeitada nacionalmente. Após a sua participação nas Olimpíadas de Atenas em 2004, foi homenageada pelo Colégio Santa Emília, tendo atendido, gentilmente ao convite.

4. Frente à gravidade da denúncia, que coloca o referido professor sob suspeição, e como impositivo da missão e das responsabilidades do Colégio Santa Emilia, o professor Eugênio Miranda foi desligado da equipe de professores;

5. O Colégio Santa Emília, ciente da notoriedade e da responsabilidade das pessoas envolvidas, bem como dos constrangimentos e sofrimentos gerados, resguarda-se de não fazer qualquer juízo de veracidade de afirmações feitas por quaisquer das partes. Apenas pauta suas decisões nos princípios da ética, da integridade moral e da honestidade, sempre atento ao resguardo e à proteção de seus alunos.

6. Salientamos que nenhum professor e/ou funcionário foi autorizado a dar declaração em nome do Colégio.


A DIREÇÃO
Maria Inês Rabêlo Lucchese
Francisco Lucchese Júnior
Simone Lucchese

Adeus, inocência 2

A entrevista da nadadora pernambucana Joana Maranhão publicada em Veja desta semana, é de causar revolta e indignação. A ação covarde e mostruosa de um treinador, mesmo Joana evitando entrar em detalhes sobre o abuso que sofreu quando tinha 9 anos, revela-se.

O nome do monstro é Eugênio Miranda, professor de educação física e treinador de natação. Soube que ele foi afastado da colégio Santa Emília, localizado no bairro de Jardim Atlântico, na cidade de Olinda. Segundo a direção da escola, para preservar o professor.

Diante da revelação do seu nome pela mãe da atleta, a médica Terezinha Maranhão, o treinador declarou que vai processar a Dra. Terezinha por ela ter revelado seu nome à imprensa. O que ele queria? Continuar anônimo? Se ele processasse porque está sendo vítima de uma mentira, tudo bem. Mas, porque teve seu nome revelado? Aí não dá!

O jornal Diário de Pernambuco, de hoje, traz a notícia de que mais uma nadadora acusou o treinador Eugênio Miranda de tê-la abusado quando ela tinha oito anos e treinava no Sport Club do Recife. A estória você pode conferir aqui.

Segue, abaixo, a entrevista de Joana Maranhão, na íntegra.

"NINGUÉM SUPERA ISSO"


Satiro Sodrê/CBDA
A nadadora Joanna Maranhão: silêncio de onze anos rompido agora


Você lembra o que passou pela sua cabeça quando começou a ser molestada?

Na primeira vez que aconteceu, eu não tinha a menor noção de sexualidade. Muitas coisas passaram pela minha cabeça. Será que isso é normal? Será que ele tem o direito de fazer isso? Eu só sabia que era uma coisa que doía, me machucava e não me fazia bem. Eu estava sozinha com ele na piscina. Foi um susto. E doía.

O que ele falava?
Ele me mandava ficar calada e às vezes me mandava rir. Pedia para eu guardar segredo. Eu dizia: "Pelo amor de Deus, pára".

Você já tinha começado a desenvolver corpo de adulta?
Só menstruei com quase 16 anos. Eu era uma criança, com corpo de criança.

Você achava que ele fazia o mesmo com outras meninas?
Não. O relacionamento que a gente tinha era muito próximo. Não conseguia imaginá-lo fazendo isso com outra criança.

Você sabia que ele estava fazendo uma coisa errada?
Não sabia se era certo ou errado. Comecei a querer distância quando aconteceu um episódio na casa dele. Foi o pior de todos, prefiro não entrar em detalhes. Ali eu me acabei de chorar e falei: "Me leve para casa agora".

Na casa dele?
Foi quando as coisas realmente aconteceram, entendeu? Depois do treino, ele estava me levando para casa e parou antes na casa dele. A mulher estava trabalhando e as crianças estavam na escola.

A sua família e a dele eram amigas?
Sim. Éramos muito amigos. Ele, a mulher e os filhos ficavam sempre com a gente nos fins de semana. Eu ia muito à casa deles. Uma noite, eu estava dormindo com a filha dele, uns três anos mais nova, e vi que ele se aproximava. A imagem que me vem é a da sombra dele parado, me olhando. Nessa noite, eu comecei a chorar, chamei a mulher dele e disse: "Quero ir para casa". E foi a última vez que fui à casa dele.

Por quanto tempo você foi molestada?
Uns dois meses. Eu treinava de manhã e estudava à tarde. A equipe era pequena, por isso ele tinha mais oportunidade. Mudei para a tarde, mesmo perdendo aulas. Como havia mais gente, ele parou. No fim do ano, falei para a minha mãe que não estava nadando bem e queria sair. Para ele, nem falei nada. Depois das férias, troquei de colégio e de clube. Foi uma tentativa de mudar tudo e começar do zero.

Quando você disse para sua mãe que queria mudar, tentou explicar o motivo?
Foi a única vez que tentei tocar no assunto. Disse algo assim: "Acho que ele fez alguma coisa, mas não tenho certeza". Esperava que ela entendesse, mas ela falou: "Não, minha filha, você interpretou errado, é coisa da sua cabeça. Nunca mais pense nisso e vamos tocar a vida para a frente".

Em 2005, seu rendimento na piscina baixou. Você diz que nesse mesmo ano o abuso que tinha sofrido voltou à lembrança. As duas coisas estão relacionadas?
Mais ou menos. As lembranças não voltaram da noite para o dia. Eu sempre soube o que tinha acontecido comigo, mas não recordava todos os fatos nem a gravidade deles. Quando lembrava, pensava em outra coisa. Aí decidi fazer terapia, por vários motivos, mas principalmente porque não estava conseguindo retomar minha vida. Comecei a reviver tudo. Aos 9 anos, quando já tinha mudado de clube, tive pânico de dormir sozinha e passei três anos me tratando com uma psicóloga, mas nunca falei sobre os abusos. Quando ela me perguntava por que só queria dormir com meus pais, eu falava que era medo de filme e de escuro.

O que a levou a revelar tudo para sua mãe em 2006?
Eu estava muito debilitada, com depressão, dormia mais de catorze horas por dia. Como me senti melhor depois de falar com meu terapeuta, resolvi contar para minha mãe e para o meu namorado, com quem estou há três anos. Parece que eu vomitei tudo e me senti 300 quilos mais leve. Você não tem noção da felicidade que sinto sabendo que minha família e meus amigos compreendem o que aconteceu.

Sua mãe deve se arrepender muito de não ter tentado entendê-la desde o começo.
É verdade. Mas ela não tem culpa de nada. Quando eu finalmente contei tudo, ela me pediu desculpas, como faz até hoje, e chorou muito. Era como se quisesse me colocar no colo. Meu pai sabe por alto. Quando falei com minha mãe, ela e meu pai já estavam separados. Ele deve estar sofrendo calado.

Fazendo terapia e tendo revelado seu drama, você acha que superou o trauma ou só aprendeu a conviver com ele?
Aprendi a conviver, e essa foi minha maior vitória até agora. É o tipo de coisa que ninguém supera. Até hoje, não consigo falar tudo. Sinto alguma coisa muito ruim quando começo a verbalizar. Não sei nem se é dor. É um aperto que dá.

Sandra Brasil

Adeus, inocência!

Pergunte a qualquer pai ou mãe como eles imaginam o futuro de seus filhos e a resposta será, com alguma diferença insignificante, a mesma: um futuro brilhante! Mas se tirarmos o foco da pergunta do futuro dos filhos para o futuro do mundo, a resposta pode surpreender.

Na semana que passou, eu trabalhei nas turmas de 8° ano - antiga 7a série - o iluminismo. Disse na aula que nos séculos XVIII e XIX a percepção que as pessoas tinham do futuro era extremamente otimista. Quando se falava, na época, sobre como seria o mundo nas décadas seguintes, de forma geral, as pessoas imaginavam que a ciência, a tecnologia, as invenções, enfim, o progresso; traria uma vida de conforto, de satisfação e, claro, de felicidade.

De escritores de ficção, como Júlio Verne, até as profecias furadas de Karl Marx, todos quando tratavam do "amanhã", criam que a felicidade era o destino dos homens. Quem não lembra do famoso trecho da Declaração de Independência dos Estados Unidos que diz que entre os direitos inalienáveis do homem estava o direito à felicidade?

As idéias iluministas, sobretudo aquelas mais ligadas à tradição inglesa, eram libertadoras porque nos livravam do julgo de um soberano absolutista e elegia o mérito como critério justo para as desigualdades de funções, garantindo a todos, os mesmos direitos perante à Lei. Excetuando um ou outro aristocrata reacionário, essas novas idéias que moveram revoluções nos séculos XVIII e XIX, eram vistas como uma prova de que exercício da razão, a difusão do conhecimento e o combate à ignorância, trariam, sem sombra de dúvida, uma época de prosperidade e assim, as pessoas seriam mais felizes.

O século XX com suas guerras e suas tragédias toldou essa esperança do Século das Luzes. Escolham qualquer autor de ficção do século XX que escreveu sobre o futuro e aposto, que a maioria, quem sabe todos, retrataram o futuro como algo absolutamente negativo. Os séculos do otimismo deu origem ao século do pessimismo.

Uma coisa, contudo, eu pensei que não mudaria: a compreensão saudável, natural, ingênua das crianças de que o mundo que a cerca não é tão feio quanto nós adultos sabemos que é. A inocência que caracteriza os pequeninos, se não era suficiente para mudar o mundo, dava-nos o conforto de que para eles, quem sabe, um dia, o mundo seria do jeito que a inocência deles apreendiam.

O século XXI radicalizou o pessimismo do século XX. Se no século anterior o futuro já era ameçador, as crianças, ao menos, pensavam que quando elas fossem adultas, o mundo seria melhor e mais feliz. As crianças, desconfio, não pensam mais assim.

Questionadas sobre como estaria o mundo, se melhor ou pior, quando tivessem 40 anos, a esmagadora maioria, para minha surpresa, respondeu: pior!



14 fevereiro, 2008

Um texto incrível de Cora Rónai

Há textos que me dão a sensação de que por mais que eu me esforçasse, eu jamais conseguiria me aproximar da clareza e da elegância deles. Reproduzo abaixo, um desses textos que li no blog do Reinaldo Azevedo. A autora é a jornalista Cora Rónai que o publicou em O Globo, de hoje.


Não há ideologia que justifique

Eu ainda acredito, como diz o Millôr, que imprensa é oposição, o resto, armazém de secos e molhados (para quem chegou ontem: pequena loja de bairro, precursora dos supermercados). Acho o jornalismo uma das mais nobres profissões, sobretudo em sua filosofia básica; o mesmo eu poderia dizer da filosofia da profissão médica, por exemplo, embora, numa e noutra profissão, muitos nem percebam a glória do que fazem, tornando-se indignos da "missão" que exercem.

Pode ser efeito colateral do joelho quebrado, pode ser ataque de saudosismo, mas o fato é que já vivi um tempo em que o, digamos, “ecossistema”, me dava mais alegrias. É claro que havia, como sempre houve, jornalistas a favor – há quem diga a soldo -- do governo. Bajular os poderosos dá lucro, quando não prestígio, que tantos perseguem.

Mas as águas de então estavam bem divididas: eles eram “eles”, nós éramos “nós”. Havia um inimigo comum. Além do que, e não é pouco!, tínhamos menos de 30 anos, às vezes pouco mais de 20. “Eles” tinham colunas e empregos públicos, candidatavam-se, enveredavam pela política sem constrangimento. “Nós” acreditávamos, sem duvidar, que o papel da imprensa era combater a ditadura, e que, derrotada esta, estariam derrotadas também a corrupção e a impunidade. Ganhávamos pouco, às vezes ridiculamente pouco. Não chegávamos, como a Amélia, a achar bonito não ter o que comer -- mas não faltava muito para isso.

Até que, um dia, apareceu um agrupamento político chamado PT, e o meio de campo começou a embolar. Isso não ficou claro à primeira vista, pelo menos não para aqueles de nós que ou éramos mais ingênuos, ou já não andávamos diretamente envolvidos em política. Eu me enquadrava nas duas categorias, e ia em frente. Mas minha ficha caiu quando, um dia, voltando de uma feira de tecnologia, com a jaqueta enfeitada com lindos pins e buttons de sistemas operacionais e de chips, levei um dedo no nariz de uma estagiária do JB que, até então, me parecera boa pessoa:

— Por que não está usando o button do PT?!

Levei um susto. Aquele gesto e aquela voz autoritária podiam ter saído de qualquer zona histórica "alienígena", sinistra.

— Exatamente por causa disso, respondi, mas acho que ela não entendeu. Eu, porém, entendi. Não havia mais "nós" e "eles". Havia patrulha e rancor, também entre "nós". Não havia mais o bom combate ou o livre pensar; havia apenas uma ideologia, como todas muito cômoda, construída com bloquinhos de lugares comuns que não exigiam grande raciocínio de ninguém. Ai de quem não compactuasse.
* * *
Quando Lula ganhou as eleições, achei que o mundo das redações voltaria à normalidade. Poder é poder. Imaginar que existe poder "de esquerda" é de uma ingenuidade que não combina com o cinismo e a desconfiança que, em tese, andam de mãos dadas com o jornalismo. Mas, obviamente, maior ingenuidade ainda é supor que quem se ajeita a uma bitola ideológica, por interesse ou por idealismo, guarda alguma capacidade de pensar por conta própria. Sobretudo quando a tal bitola começa a se mostrar lucrativa.
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Já me prometi mil vezes não falar mais nisso e esquecer que hay gobierno soy contra, até porque o governo não está nem aí para o que nós, imbecis também conhecidos como contribuintes, achamos ou deixamos de achar. Quando o sangue me ferve nas veias (vale dizer todos os dias, quando pego o jornal), brinco de faz-de-conta: tento acompanhar o noticiário como se morasse em outra galáxia. O diabo é que há coisas que não há Star Trek que resolva. Agora mesmo, não sei o que me deixa mais perplexa e indignada na farra dos cartões corporativos, se o roubo descarado do nosso dinheiro, ou o contorcionismo mental de colegas, que já considerei gente de boa reflexão, tentando defender essa nojeira.

Os argumentos são espantosos. Aquela ex-ministra racista, que acha tão normal negros odiarem brancos, está, obviamente, sendo vítima de pessoas que não a conhecem; ora, se até o Zé Dirceu já garantiu que ela não agiu por má-fé! Roubou sem querer, a coitada, e a Grande Imprensa, branca e machista, lá, nos seus calcanhares. O outro comprou uma tapioca de míseros oito reais, e a Grande Imprensa, uivam os jornalistas amestrados, dá o fato em manchete. Como se o que estivesse em discussão não fosse o como, mas o quanto. Para não falar na eterna ladainha do governo, repetida como um press-release que, a essa altura, sequer tem o benefício da novidade: “na época do FhC era a mesma coisa”. Mas, perdão: não foi para isso que a atual corja foi eleita?! Para mudar tudo o que estava errado?! Para implantar um sentido ético no trato da coisa pública?!
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O pior é que tanto faz quanto tanto fez. Enquanto o nosso dinheiro paga qualquer leviandade protegido pelo manto putrefato da “Segurança Nacional”, enquanto jornalistas arrastam a profissão na lama defendendo a corrupção, os poderosos, às nossas costas, se entendem. As famiglias ficarão a salvo.

“Eles” venceram.

A Queda!

Circula no youtube um vídeo genial. Deixo-o aqui mais para registro do que para divulgar uma novidade, afinal esse vídeo já foi visto por mais de 90 mil pessoas. "Vamu ri!"

11 fevereiro, 2008

Dimenstein ou a suspeita militante

Gilberto Dimenstein é muito conhecido pelos alunos do Ensino Médio em Brasília. A Unb adota um lixo literário, escrito pelo jornalista, chamado Cidadão de Papel. Fui um dos poucos, dentro das escolas em que trabalho, a dizer que a tal obra é superficial na análise e não tem rigor com os números. Muitos me chamaram por isso de neoliberal, reacionário, "direitão", esses rótulos bobos. Pois bem. Querem uma prova de que Gilberto Dimenstein é um fanfarrão? Então, leiam abaixo:

No dia 07 de fevereiro, o colunista da Folha lançou suspeitas sobre os números da violência divulgados pelo governo de São Paulo. Com seu estilo ambíguo, fingindo estar acima de questões partidárias, ele escreveu em sua coluna: " ...na semana passada, relatórios oficiais indicaram uma queda de mais de 19% no número de homicídios registrados no ano passado, comparado com 2006.(...)
Uma informação lançada pela Folha coloca sob suspeita os números de mortes divulgados pelos governos Alckmin e Serra. Se as suspeitas não se confirmarem, ótimo: voltaremos a celebrar uma bela conquista social. Se forem confirmadas, estaremos diante de uma das maiores empulhações oficiais dos últimos tempos."

Percebam que ele finge torcer para que os números divulgados pelo governo estejam certos, mas, sem nenhum dado concreto, sem checar antes as suspeitas, diz que o governo pode ter enganado a população, configurando assim "uma das maiores empulhações dos últimos tempos". O sr Dimenstein, fosse sério e rigoroso, antes de lançar as suspeitas, deveria checar tudo, mas sabe como é, foi perguntar ao órgão do estado e, como são tucanos, ele não ficou convencido pelas explicações. Fosse o governo do PT, aposto, o sr Dimenstein estaria escrevendo colunas exultantes pela conquista social do governo. Prosseguindo:

"Conversei com técnicos da Secretaria da Segurança em busca de explicações, mas não consegui desfazer as suspeitas. Imaginei que obteria respostas rápidas e até simples sobre desvios metodológicos, mas não foi o que aconteceu. Não confirmaram o erro, mas não se sentiram em condições de negar. Pedi uma palavra oficial sobre os dados, sem resultado. (No dia seguinte, eles deram uma resposta que considerei razoável.)" Aqui, cabe uma ressalva: na coluna original, a informação em parenteses não existia. Foi acrescida, depois que a suspeição provou-se uma falácia

Qual o ponto da suspicácia de Gilberto Dimenstein? O fato de o número de mortes sem causa determinada ter crescido bastante. Segundo o desconfiado jornalista, isso seria um indício de que, talvez, o governo de São Paulo estivesse transformando mortes por homicídio em mortes sem causa determinada, o que explicaria a drástica redução no número de homicídios no estado São Paulo. Percebam que ele não se convenceu com as explicações dos técnicos da secretaria. E por quê? Porque ele queria respostas simples e rápidas. Se fosse sério, ele deveria esperar respostas certas, ainda que complexas. Em alguns casos, o simplismo serve mais para confundir que para esclarecer. Prestem atenção a esse trecho: "Não confirmaram o erro, mas não se sentiram em condições de negar." Como eles podiam confirmar um erro que só existe na suspeita de Gilberto Dimenstein? Não se sentiram em condições de negar? O que eles negariam? Será que eles disseram para Gilberto Dimenstein: "olha, os números são esses, mas nós não sabemos se houve manipulação." Será? Gilberto não esclarece. No fim do parágrafo, o jornalista diz, entre parênteses, que no dia seguinte recebeu uma resposta que considerou razoável. Essa tal razoabilidade foi suficiente para acabar com as suspeitas do jornalista? Ele não diz.

"Há abundantes sinais, captados das mais diversas fontes, de que a taxa de homicídios está mesmo caindo em São Paulo. É o que vejo conversando com lideranças comunitárias. Mesmo somando todas aquelas mortes indeterminadas como assassinatos haveria queda, embora, evidentemente, menor."

Aqui ele deixa uma porta de emergência aberta. Diz que é fato que o número de homicídios vem caindo no estado de São Paulo e indica que sua fonte mais importantes são as lideranças comunitárias com quem tem conversado. Atenção para a picaretagem. Os dados da secretaria são colocados sob suspeita, mas a opinião de "lideranças comunitárias", não. Ele não contesta a queda na taxa de homicídios, desconfia do seu tamanho. Vejam como ele conclui sua coluna:

"Mas enquanto não se informar com clareza sobre essa questão, vamos ter que suspeitar que fomos enganados pelos números de segurança dos governos Alckmin e Serra."

Com clareza? Então, a dúvida de um colunista passa a ser a base para se duvidar dos números de um governo? O colunista teve o cuidado de consultar todas as fontes? Não. Bastou um dado estranho para decretar que os números divulgados poderiam ser fruto de uma grande empulhação.

Todo jornalista que vem com papo de insentismo, é na verdade um jornatralha à serviço do PT. A Folha está cheio deles. Dimenstein é apenas o mais enrustido.

A militância revelada e desmoralizada

Um dia depois, a suspeita de Gilberto Dimenstein caiu por terra. 24 horas foram suficientes para provar que as suspeitas de Dimenstein foram fruto de ignorância, na melhor das hipóteses, ou da má fé do jornalista. O professor da USP, o dr. Carlos Alberto Souza Coelho, médico legista que trabalha há 32 anos no IML paulista disse que não há motivos para se suspeitar dos números da secretaria.

Ah, Zé Paulo, mas o próprio Dimenstein deu espaço para o desmentido, escrevendo a resposta do Professor e médico legista. O que queriam? Que diante da evidência de que os números estavam corretos, ele insistisse na mistificação? O que me espanta é que uma resposta tão simples foi suficiente para Dimenstein voltar atrás. Por que ele não foi antes ao IML para dirimir suas suspeitas? Porque ele queria lançar suspeição sobre o resultado expressivo obtido pelo governo de São Paulo. Porque ao invés de fazer jornalismo ele fez militância política. Esse pequeno exemplo mostra o rigor de Gilberto Dimenstein com números e estatísticas.

Na primeira coluna ele escreveu: "Uma das mais celebradas conquistas do PSDB é a redução da taxa de assassinatos em São Paulo, especialmente em sua região metropolitana..." Diante da confirmação dos números, Gilberto, fosse honesto, deveria terminar sua segunda coluna dizendo que essa conquista, do PSDB de São Paulo, merece ser celebrada, mas pelos paulistas que vivem um período de maior segurança, mau grado o desejo de muito petista e jornalista ressentido.