31 dezembro, 2008

O fim do Repórter Esso

Há exatos 40 anos era transmitido pela última vez o programa radiofônico de maior sucesso do Brasil, o “Repórter Esso”. Durante 27 anos (o programa estreou em 1941, na Rádio Nacional), as notícias do Brasil e do mundo chegavam às casas das pessoas pelas ondas do rádio.



A partir de 1 de abril de 1952, às 19:45, também passou a ser transmitido pela TV Tupi e suas afiliadas no Brasil. Contudo, nessa época, a TV estava longe de ser o veículo de massa que é nos dias atuais, de modo que a maior audiência ficava a cargo do programa de rádio.


Não havia, nos primórdios da TV, transmissão em rede nacional. Por isso, o “Repórter Esso” na TV era regionalizado, isto é, em cada cidade onde houvesse uma emissora de televisão afiliada a Tupi, havia um “Repórter Esso” com seu locutor específico. Em São Paulo, pela TV Tupi, teve Kalil Filho com o primeiro Repórter Esso. Na TV Tupi do Rio, Luis Jatobá esteve a frente do jornal por pouco tempo e depois Gontijo Teodoro o assumiu. Em Porto Alegre, na TV Piratini, Helmar Hugo; na TV Rádio Clube do Recife, Edson Almeida; e na TV Itacolomi, de Belo Horizonte, Luiz Cordeiro na apresentação.


Abaixo, duas relevantes fontes históricas sobre o fim do “Repórter Esso”. A primeira foi extraída da edição de 8 de janeiro de 1969 da revista Veja, página 57. Leia!


E atenção: acabou o Repórter Esso*


Vinte e quatro de agosto de 1954. Uma ambulância atravessa a toda velocidade a Rua do Catete, no Rio de Janeiro. Cinco minutos depois ouvia-se, pela Rádio Nacional: “Em edição extraordinária, alô, alô, Repórter Esso, alô!” Rufar de tambores, fanfarras. “Aqui fala o Repórter Esso, porta-voz radiofônico dos revendedores Esso e testemunha ocular da história. Atenção, atenção. Acaba de suicidar-se, com um tiro no peito, o presidente Getúlio Dorneles Vargas”. Durante 27 anos, o Repórter Esso deu em primeira mão as principais notícias do Brasil e do Mundo. Sua característica musical ( de autoria da dupla Haroldo Lobo - Maestro Carioca, satirizada pelos tropicalistas no LP “Panem ET circenses”), seus slogans ( “ O petróleo do Brasil pertencerá sempre ao Brasil, não importa quem o explore ou industrialize”) e principalmente a voz modulada e grave de Heron Domingues ( que fez fama e fortuna graças ao “Repórter Esso”, do qual foi locutor exclusivo durante dezoito anos), tornaram-se populares em todo o Brasil. O programa começou em 1941, na Rádio Nacional.


Preparado pela UPI (United Press International), seguia as normas rígidas e funcionais dos noticiários radiofônicos americanos. Mais de dez emissoras de rádio e TV do País vinham transmitindo regularmente o “Repórter Esso”, quando, no último dia de 1968, a Esso decidiu extingui-lo por “medida de economia”. Manterá, apenas, uma única edição diária, pela TV Tupi (Rio), onde é um dos dez programas de maior IBOPE, apresentado por Gontijo Teodoro. Pontual – muita gente costumava acertar o relógio ao ouvir suas fanfarras -, o “Repórter Esso” emprestou sua legenda para um dos mais famosos apelidos cariocas: Sérgio Porto chamava o jornalista Bricio de Abreu, especialista em reportagens de arquivo sobre o Rio antigo, de “testemunha ocular da história”


A segunda fonte é o áudio do último programa. Ouça-o e passe pela experiência de saber como, há 40 anos, as pessoas ouviam o noticioso mais famoso do Brasil. É particularmente emocionante ouvir a voz embargada do locutor Heron Domingues que com muito esforço anuncia a última transmissão radiofônica do “Repórter Esso.


Reporter Esso - A Ultima Edição - 31/12/1968 - Emocionante




A explicação oficial para o fim do programa dada pela patrocinadora, a multinacional de petróleo, Esso, foi por razões econômicas. É consenso entre os estudiosos que o crescimento da TV no Brasil está entre as razões para o fim do “Repórter Esso”. Da mesma forma, o crescimento da TV Globo e o sucesso do Jornal Nacional que estreou no dia primeiro de setembro de 1969, em rede nacional (fato inédito!) - cujos apresentadores eram Léo Batista e o famosíssimo, por causa do “Repórter Esso”, Heron Domingues - foi uma das razões para o fim do programa também na TV, em 31 de dezembro de 1970.


* Em 1969 as regras de acentuação gráfica eram diferentes das atuais, mas decidi, ao transcrever a matéria, não manter o texto como foi publicado na revista, à época. Aqui você pode conferir a matéria que está na página 57 da edição de 08 de janeiro de 1969.

24 dezembro, 2008

Feliz Natal 2

Abaixo, em dois vídeos, o Sermão da Montanha. Os vídeos são do filme The King of thr kings, de 1961.




Feliz Natal






Get this widget | Track details | eSnips Social DNA

Durante muito tempo quis dar a Cristo e a Deus Pai, a lógica dos homens. Acreditava que a justiça deles atendia aos mesmos preceitos da justiça humana. Mas, se assim fosse, em quê Eles seriam melhores do que nós?

O amor de Cristo nos aceita como somos e nos acolhe apesar de sermos o que somos.

Feliz Natal!

Ao saber da notícia de que um menino nascido por aquelas terras estava destinado a ser o rei dos judeus, Herodes decidiu exterminar todas as crianças que tivessem até 2 anos de idade. Esse episódio ficou conhecido como o Massacre dos inocentes.

O menino Deus, contudo, estava seguro, no Egito.

21 dezembro, 2008

As Testemunhas de Jeová, eu e o Blogildo.

Foi pelo tempo do Natal... como escreveu Cecília Meireles em seu livro Romanceiro da Inconfidência, que tive um - mais um nessa minha atividade de blogueiro - estranhamento com o Blogildo. Naqueles idos, revelei aqui que eu não entendia suas opiniões sobre o natal, a alma, o inferno, a trindade, a repulsa pela comemoração de aniversários até pesquisar e descobrir que o autor do blog pertencia a uma seita nascida nos Estados Unidos no século XIX, conhecida por Testemunhas de Jeová. Também na ocasião, afirmei que o autor do blog escondia de seus leitores que ele pertencia a essa seita e que isso não era uma atitude honesta. Foi nesse ponto que Blogildo se indispôs comigo. Provou-me que no próprio blog dele havia inúmeros - não tanto assim, diga-se - posts onde ele declarava a sua fé, portanto não era um desonesto. O fato de vários de seus leitores - eu me incluía nesse rol - desconhecer a sua religião era prova de que não eram seus leitores, argumentou.

O assunto ficou conhecido como a Polêmica e, coincidência ou não, hoje muita gente, mesmo leitores recentes, sabem que o Blogildo segue os ensinamentos dessa seita cristã. Volto a esse tema não para reavivar a polêmica, mas para deixar aqui um registro sobre a seita que foi publicada na revista Veja em 8 de janeiro de... 1969. A matéria aborda as profecias que a seita fez e que se confirmaram e chama a atenção para algumas novas profecias. É preciso conferir.

A matéria faz um resumo, acanhado, diga-se, das crenças básicas da seita, mas no conjunto, entendo, bastante positivo sobre a fé dos jeovitas. Para acessar a matéria clique aqui

PS: clique aqui e conheça um blog especializado em combater as doutrinas jeovitas e os anciãos de a Torre da Vigia

17 dezembro, 2008

chegou a hora de dizer adeus...




 Roberto Carlos - Despedida



As águas em Cataguases



As chuvas que provocaram a maior tragédia da história de Santa Catarina, agora ameaçam a pacata população de Cataguases, cidade mineira que fica a cerca de 320 km de BH e que é banhada pelo rio Pomba, que transbordou provocando a inundação que se vê acima.

As imagens são do centro da cidade.

As chuvas de verão são mesmo implacáveis! Aqui, em Brasília, desde ontem chove sem parar.

13 dezembro, 2008

AI 5 - Especial de 40 anos.

Acima, capa da revista Veja, em 04 de dezembro de 1968. Com 9 dias de antecedência, o jornalismo da revista já antevia o golpe final contra a democracia no Brasil. Aqui você tem acesso à esta edição que foi digitalizada

Em 13 de dezembro de 1968, numa reunião tensa, a cúpula do regime autoritário, incluindo o presidente Costa e Silva e o vice-presidente Pedro Aleixo, além de ministros, discutiam a viabilidade de se impor restrições cada vez maiores às liberdades democráticas. Único a discordar das medidas que em pouco tempo seriam adotadas pelo regime, o vice-presidente Pedro Aleixo foi voto vencido. Não sei se vocês terão paciência ou tempo de acompanhar a íntegra dessa fatídica reunião. O Estadão pôs em sua página da internet a íntegra do áudio da reunião que, há 40 anos, jogou o Brasil nos abismos da truculência.

Confiram o áudio, aqui.

Abaixo, transcrevo um post do jornalista Reinaldo Azevedo sobre o AI 5. Nele não há muita novidade para quem foi meu aluno de 3° ano, mas deixo-o aqui registrado para que alunos que foram ou que são enganados pelos livros ou pelos professores esquerdopatas, possam de descontaminar. Vale a pena conferir.

Há 40 anos, era editado no país o Ato Institucional nº 5, o famigerado AI-5, emblema e soma de uma política que tinha uma dimensão doméstica, mas que também espelhava dissensões que iam pelo mundo. O Brasil estava no mapa dos confrontos da Guerra Fria. E o golpe desfechado quatro anos antes era a maior evidência. Pode-se duvidar se as esquerdas marxistas conseguiriam ou não fazer a sua “revolução”, mas inegável é que se mobilizavam para tanto. Pode-se duvidar se a esquerda populista, liderada por João Goulart, seria bem-sucedida em desfechar um autogolpe, mas a tentação estava no ar. Pode-se duvidar se aqueles que se alinharam aos golpistas estavam interessados apenas na lei e na ordem — ou se tudo aquilo não passou do esforço, como dizem setores da esquerda, para a tomada do estado pelas forças do capital. Inegável é que os radicais de esquerda forneceram todos os pretextos, os verdadeiros e os apenas verossímeis, para o golpe (1964) e para o golpe dentro do golpe (1968). Tanto é assim que o regime militar brasileiro, à diferença de quase todos os seus congêneres latino-americanos, tinha apoio popular. Os brasileiros não endossavam os métodos da esquerda que se preparava para se armar e que acabou se armando. A ditadura fez água quando a economia abriu o bico.

O AI-5, sem dúvida, fez mal ao Brasil. Mas é pura mistificação, mentira das mais grotescas, atribuir o movimento de 1964 e o extremismo de 1968 apenas à ação dos “homens maus”. A democracia brasileira foi golpeada num ano e morta quatro anos depois não porque anjos lutassem contra demônios; não porque democratas lutassem contra tiranos. A liberdade só naufragou por falta de quem a defendesse, à direita e à esquerda. À diferença do que faz crer a mistificação dos egressos da esquerda armada, hoje no poder, eles não queriam um regime de liberdades. Queriam uma ditadura comunista. Não há um só documento produzido pela esquerda brasileira naquele período que defendesse a democracia. E não custa lembrar: ainda hoje, sempre que a dita-cuja é evocada, fica evidente seu caráter, vamos dizer, apenas tático. Tarso Genro, ministro da Justiça, por exemplo, diz que seu negócio é mesmo o socialismo... Dilma Rousseff, da Casa Civil e apontada como candidata do PT à Presidência, já expressou orgulho pelo seu passado. Ela pertenceu a uma organização que praticava atos terroristas. Mais do que isso: o líder de seu grupo redigiu um manual dito de guerrilha, mas que fazia a defesa aberta do terrorismo. Antes que retome o texto a partir daqui, uma pequena digressão – ou nem tanto.


A íntegra do Ai-5 está
aqui. Lendo o texto, não resta dúvida: trata-se de um ato que institui uma ditadura. Já o primeiro parágrafo do preâmbulo carrega naquela linguagem patética das ditaduras: “Considerando que a Revolução brasileira de 31 de março de 1964 teve, conforme decorre dos Atos com os quais se institucionalizou, fundamentos e propósitos que visavam a dar ao País um regime que, atendendo às exigências de um sistema jurídico e político, assegurasse autêntica ordem democrática, baseada na liberdade, no respeito à dignidade da pessoa humana, no combate à subversão e às ideologias contrárias às tradições de nosso povo, na luta contra a corrupção...” É... A ditadura buscava a “democracia autêntica”, como se vê. A esquerda radical, como vocês sabem, quer “a verdadeira democracia”. São adjetivos que servem de atalhos para ditaduras. O artigo 2º do ato não deixava a menor dúvida: “Art 2º - O Presidente da República poderá decretar o recesso do Congresso Nacional, das Assembléias Legislativas e das Câmaras de Vereadores, por Ato Complementar, em estado de sitio ou fora dele, só voltando os mesmos a funcionar quando convocados pelo Presidente da República.”

Assim, que, em nenhum momento, seja posto em dúvida o óbvio caráter ditatorial do texto. Mais: que, em nenhum momento, se suponha que se possa construir, com um ato daquela natureza, um país civilizado. Porque ninguém jamais conseguiu ou conseguirá fazê-lo. Não há um só regime, fora da democracia representativa, que mereça tal epíteto. E qualquer flerte com alternativas, como ainda há hoje em dia à esquerda e à direta, merece o repúdio de quem entende que a democracia representativa, nas economias de mercado, oferece aos homens a oportunidade para que busquem o que de melhor pode oferecer o gênio humano. Por isso Tio Rei não é relativista, não é multiculturalista nem é “pluralista” em matéria de regimes políticos. Tio Rei é só a favor da democracia representativa – nem a “autêntica” nem a “verdadeira”. Só a democracia representativa.

Posto isso, volto lá àquele segundo parágrafo. É mentira que as esquerdas brasileiras tenham aderido à luta armada apenas depois da decretação do AI-5 e que, portanto, a luta armada e o terrorismo fossem a única saída de quem queria “combater o regime” ou, como dizem hoje alguns cínicos montados da bufunfa de indenizações indecorosas, “lutar pela liberdade”. FARSA! FARSA DAS MAIS ASQUEROSAS! Não merecem outro nome os que, distorcendo o passado de maneira miserável, escondem debaixo do tapete da mistificação suas ilusões e delírios totalitários para posar apenas de vítimas dos homens maus.


Tal constatação tem alguma relevância hoje em dia? Tem, sim. Está aí o ministro Paulo Vannuchi, por exemplo, ele mesmo um ex-subordinado de uma organização terrorista, a querer encruar a história, como se ele próprio, naquele passado, tivesse integrado uma fileira de anjos. Morreram, segundo os próprios esquerdistas, 424 pessoas em decorrência das ações legais do estado e da atuação ilegal de agentes do regime ou a ele ligados. Nessa conta, estão os que tombaram de arma na mão — e ela também servia para matar... Os esquerdistas fizeram mais de uma centena de mortos. Considerando-se o tamanho das duas forças, a letalidade das esquerdas foi bem maior. E isso é um indício do que teria acontecido se tivessem vencido. Ninguém precisa se dedicar a especulações. Onde a guerrilha marxista triunfou, os mortos se contam aos muitos milhares, aos muitos milhões. Já demonstrei aqui: por 100 mil habitantes, Fidel Castro é umas 2.700 vezes mais assassino do que o regime militar brasileiro. E, no entanto, mereceu e merece a reverência da esuerdopatia nativa. Em nome do quê? Ora, do mesmo humanismo de quando esses puros pegaram na metranca.


O fato de o AI-5, com efeito, ter sido um horror não torna heróis os facínoras de ontem ou desculpa as tentações autoritárias de hoje. Não existem boas ditaduras ou ditadores virtuosos. Não??? Não para mim, para os liberais. Podem-se encontrar muitas diferenças, sem dúvida, entre o Getúlio Vargas do Estado Novo e o Regime Militar de 64. Mas, no que concerne à democracia – ou à falta dela -, há muitas semelhanças. Não obstante, o que a soma de populismo, nacionalismo bocó e esquerdismo verde-amarelo fizeram com ele? Transformaram-no num herói. Luiz Carlos Prestes, um comunista barbaramente torturado pela polícia do ditador, saiu da cadeia para subir no seu palanque. Entendeu que seu algoz ajudava a combater as forças reacionárias... Apanhou de Getúlio, mas queria mais Getúlio.

O AI-5, felizmente, se foi. As tentações autoritárias ainda estão estampadas na alma de muita gente para quem a adesão à democracia continua a ser apenas uma etapa. Afinal, uns a querem “autêntica”, outras a querem “verdadeira”. De fato, eles todos a odeiam e querem mesmo é ditadura.

O gabarito do CESPE - I Etapa

O Cespe já publicou em sua página na internet o gabarito, ainda preliminar, das provas do PAS da I, II e III etapas realizadas na semana passada.


Lembram que havia dois itens, na prova da I etapa, em que "minha equipe" discordou das respostas encontradas por outras equipes bem mais famosas e numerosas que a minha? Pois é... Vou destacar meus acertos nesses dois itens e, para não ser acusado de arrogante, um erro, no item 25; causado não pela ignorância, mas por uma leitura desatenta - basta conferir como justifiquei o item 25 - embora não menos indesculpável.

Comecemos pelos acertos.


Item 18: a maioria afirmava que o item estava errado. Na ocasião, comentei:


"As civilizações antigas, como a chinesa e a egípcia, diante do desafio do cultivo agrícola precisavam conhecer melhor uma série de varáveis que impactavam diretamente na produção agrícola. Dessa forma, saber o período chuvoso e o de estiagem, por exemplo, levaram muitos a uma observação dos fenômenos naturais e astronômicos. A necessidade de dividir os lotes, de mensurá-los de modo a obter uma melhor produtividade, ajudou no desenvolvimento da matemática, sobretudo da geometria. Portanto, a “ciência” dos antigos, como bem diz o item, atendia à necessidades do dia-a-dia.

Sociedades de cultura milenar, como a chinesa e a egípcia, foram pródigas em matéria de conhecimento matemático, astronômico e arquitetônico. É notória e reconhecida pelos próprios gregos antigos, a dívida que os seus geômetras tinham com os matemáticos egípcios. Enfim, o item, para mim, está certo.


Item 92 : Mais uma vez, os reis da floresta diziam: "está errado! Está errado!" E a manada seguiu repetindo o mantra. De novo, segui na contramão. Vejam como justifiquei minha resposta:


"Houve uma polêmica nesse item. Como de praxe, não fui seduzido pela manada. A reforma agrária esteve em pauta no Brasil desde o século XIX, mas foi no século XX que ganhou um viés mais político. A idéia de distribuir terras às famílias pobres como solução para a superação da miséria e das desigualdades esteve presente em trabalhos acadêmicos e em movimentos sociais.


A Guerra de Canudos (1896 – 1897), embora motivada por fatores políticos e com características messiânicas, teve, na sua origem, o problema da concentração de terra nas mãos dos coronéis da Bahia que exploravam os camponeses sem terra e a situação de abandono em que vivia a população sertaneja. Cansados da exploração e muito religiosos, homens e mulheres pobres seguiram o beato Antônio Conselheiro em suas andanças pelo sertão nordestino e com ele fundaram a comunidade de Belo Monte, em Canudos. Em certo sentido, a origem do movimento de canudos é o latifúndio improdutivo, causa das desigualdades e das tensões sociais nos sertões, principalmente em períodos de estiagem. O que os sertanejos desejavam era um pedaço de terra para plantar e uma vida digna. A proposta de Canudos, eles acreditavam, atendia aos seus interesses. Eu marcaria o item como correto. (A maioria dos professores considerou o item errado, lembrando que os canudenses não tinham uma pauta política definida e organizada. Afirmaram que embora rural, o movimento não indicava necessariamente a luta pela terra e, portanto, pela reforma agrária)


Lembro que o conteúdo Guerra de Canudos é do 3° ano do ensino médio. Ainda que os alunos do primeiro ano tenham visto esse conteúdo no 9° ano do ensino fundamental, isso não justifica o erro e o desrespeito da banca em cobrar um conteúdo da 3ª etapa, na primeira."

Agora, a desatenção que provocou o erro.

Para não dizer que acertei tudo, o item 25 da prova do PAS da I etapa está, no gabarito preliminar do Cespe, com uma resposta diferente da minha. Poderia argumentar a meu favor afirmando que nas escolas de Brasília onde pesquisei e que divulgaram seus gabaritos, elas também marcaram o item como correto. Estávamos todos enganados.


Leiam, abaixo, o item 25 e confiram onde errei.


"A conquista do Mediterrâneo foi essencial ao projeto expansionista de Roma, inclusive por lhe ter permitido controlar o comércio de trigo. Incapaz de garantir suficiente mão-de-obra escrava que sustentasse sua economia, o império romano entrou em crise pela ação dos invasores bárbaros que pressionaram suas fronteiras ocidentais"


A parte em negrito torna o item errado. Foi um engano de minha parte. Embora outros tantos professores também tenham incorrido no mesmo erro, não me sinto menos contrangido por isso. Contudo, meu erro não foi tão vexatório quanto o comentário que o ALUB fez sobre esse item. Leiam: "Item 25 C - A fragmentação do Ocidente Romano culminaria na montagem do feudalismo." Um comentário desses não é fruto de uma leitura desatenta, mas de analfabetismo funcional mesmo.


Não vou me esconder na multidão ou posar de vítima. Errei sim e me desculpo. O meu erro , reitero, foi mais pela leitura desatenta do item do que pela ignorância.


A crise do império não foi causada pela "ação dos invasores bárbaros", mas por uma conjuntura ( a partir do século III da era Cristã) marcada pela crise do escravismo, pela perda de prestígio do imperador, pela decadência econômica e etc. Enfim, quando os bárbaros começaram a pressionar as fronteiras ocidentais do império (por volta do século V), o mesmo já estava em crise, sendo, portanto, errado afirmar que o império entrou em crise pela ação dos invasores bárbaros.


Arrematando


Lembram como o ALUB justificou o famoso item 123? Não? Então, eu repito: "A crase em “à ruptura” dá a entender que os Estados Modernos sobrepuseram-se às Reformas Protestantes, o que é incorreto." Na ocasião, comentei: "Hummm... desconfio que o pessoal não saiba nem a função da crase nem o significado do verbo sobrepor. O item está correto. Mas ainda que estivesse errado, digam aí, o comentário esclareceu alguma coisa?" Agora, confiram a resposta do item 123 segundo o gabarito do Cespe.

11 dezembro, 2008

Assistam, assistam, assistam!

Não deixem de assistir a este vídeo. Dificilmente vocês encontrarão algo mais engraçado. Vejam vejam, vejam! E, claro, Divulguem! Abaixo, uma pequena transcrição do vídeo!

Do blog do Reinaldo Azevedo

Cansado desta sua vida capitalista e vazia? Insatisfeito com a situação da sua faculdade, do seu país, da sua vida e até da vida dos outros? Você tem vontade de salvar o mundo, mas as pessoas normais só querem ganhar dinheiro? Não basta apenas fazer um protesto, organizar um plebiscito ou panfleter nos corredores. Você precisa de mais. Você precisa do novo e inigualável kit Left Revolution.
Você que está aí sentado, me assistindo agora, eu sei, você sente aquele vazio no peito, o tédio te consumindo. Eu sei, você não tem mais o que fazer. Hoje eu venho aqui lhe apresentar a solução par a sua falta de problema: o kit Left Revolution.
O kit vem equipado com tudo o que você precisa para se tornar um verdadeiro líder de esquerda. O kit vem com megafone, barba malfeita, um tônico capilar para seus pêlos e cabelos crescerem, uma resenha do Manifesto Comunista, para não precisar ler o livro inteiro, bandeira do MST, camisetas e adesivos do Che Guevara, uma filiação ao PSOL e um bloco com cinco discursos contestadores prontos para proteger você de suas próprias gafes (...)

10 dezembro, 2008

Meu discurso

Abaixo, a íntegra do discurso que proferi esta noite na colação de grau da turma de 3° ano do colégio Santa Dorotéia.

Ilmos. Formandos. Ilmos. Senhores e Senhoras que compõem a mesa. Ilmos. Senhores Pais, Mães, Avôs, Avós, Convidados, Professores e Amigos dos que nesta noite celebram a conquista de mais uma etapa no processo de formação acadêmica.


Boa noite.


A lisonja com que vocês, meus caros, de forma unânime, concederam-me, muito me honra. Todavia, sinto pudores em aceitar tal honraria sozinho. Esses pruridos nada têm de falsa modéstia, mas vêm do reconhecimento de que pouco fiz para merecer, individualmente, essa homenagem. Por isso, vim para esta solenidade com a convicção de que aqui não sou eu o homenageado, mas todos os professores que tiveram a ventura de acompanhá-los nesse processo. É, portanto, com o sentimento de que represento um grupo muito maior, e com toda certeza, bem melhor do que eu que lhes dirijo algumas palavras.


Minha história nessa cidade, que começou, a rigor, em janeiro de 2004, é indissociável desta escola, das pessoas que há muito tempo nela trabalham ou já trabalharam e, claro, também está ligada à da turma de vocês. Foi há quase 5 anos que conheci boa parte dos que aqui estão. Vocês eram crianças. Estavam na sétima série e davam muito trabalho. Naquele ano, muitos devem recordar, eu não era para vocês e para tantos outros um professor, digamos, querido. Ao contrário, até. Sério, rigoroso, tenso. Sempre pronto a corrigir com severidade o que bem poderia ser corrigido com delicadeza. Não foi, portanto, sem razão que suscitei em muitos de vocês e em tantos outros, ódios secretos e declarados. Pensava, e acreditava piamente nisso, que minha obrigação era ensiná-los o conteúdo previsto e que para isso, não era imprescindível que vocês gostassem de mim.


Maquiavel, no texto clássico, ensina que um governante deve ser amado e temido pelo seu povo, mas, se tivesse que escolher entre um dos dois, que escolhesse ser temido. Sem me dar conta, como professor, segui esse conselho e só a duras penas reconheci que, não só em sala de aula, mas em qualquer relação de poder, ser temido quando não atrapalha, dificilmente ajuda no trabalho que precisa ser desenvolvido.


Alguns, que não me conhecem, talvez estejam pensando que passei dos modos de um casmurro, no sentido empregado no festejado clássico de Machado de Assis, para os modos de um professor efusivo, festivo, pândego. Daquele tipo que procura conquistar a simpatia do aluno pela fanfarronice. Não. Isso, vocês bem sabem, não combina comigo.


Muitas vezes, muitas mesmo, vocês foram duramente admoestados por mim. Muitas vezes, quando algum aluno ultrapassava o limite que – desculpem os que discordam – sempre dever existir na relação professor-aluno, advertia-o com firmeza, dizendo que ele tinha se excedido e que deveria se recompor. A diferença é que agora, havíamos estabelecido uma relação de confiança e respeito mútuos. Respeito e confiança. Sem essas duas coisas as relações humanas estão liquidadas. Assim, minha repreensão firme, que bem poderia ser encarada com desagrado e revolta, passou a ser vista como um convite amoroso à responsabilidade.


Finalmente, depois de alguns anos juntos, construímos essa relação saudável, alicerçada nos sentimentos recíprocos de admiração e transparência, de afeto e carinho.


Um professor, para o bem ou para o mal, sempre deixa marcas no aluno. Não deixa de ser curioso que os alunos lembrem, anos depois, mais das idiossincrasias dos professores que dos conteúdos que foram ensinados. Se me fosse dado o direito de escolher a maneira como vocês deveriam lembrar de mim, eu diria: "como o professor de história que ao invés de incentivá-los a militar, quando na faculdade, em algum movimento social, incentivava-os a estudar e a não perder tempo com essas coisas. Como o professor que detestava o discurso politicamente correto. Que não se assombrava com patrulhas ideológicas e que vivia repetindo: 'quando a maioria está de um lado, eu, geralmente, estou do outro'. Não sei se essas serão as “marcas” que eu deixarei em vocês, mas com certeza são as que ambiciono deixar.


Tenham certeza, porém, de que vocês deixaram em mim marcas indeléveis. O caráter e a hombridade de vocês serão inesquecíveis para mim. Esses valores, que vocês provaram ter, dão-me a segurança para afirmar: vocês serão pessoas de sucesso.


Nunca me escondi em discursos mornos, genéricos, esfíngicos. Sempre fui claro. Vocês sempre souberam o lado em que eu estava. Entretanto, nunca me neguei a falar sobre os “outros lados.” Vocês nunca foram cobrados em sala ou nas provas a reproduzir o que era a minha opinião sobre as coisas, porque a função de um professor não é a de doutrinar seu aluno, mas a de oferecer-lhe, honestamente, sem picaretagem, subsídios para que ele forme sua própria opinião. O nome disso, meus caros, é liberdade! Ninguém é livre, queridos, seguindo valores, idéias ou consciência de grupos organizados. Mas, reconhecendo, antes de tudo, que somos indivíduos e que temos nossos valores pessoais, nossas idéias, nossa consciência. Enfim, ser livre é assumir a responsabilidade individual por nossas escolhas. É não transferir para outrem aquilo que nos cabe. É não culpar os outros pelos nossos fracassos e erros. Ser livre é não ser como aquele que olha para o passado e sente pena de si mesmo.


Uma das alegrias nesse trabalho, queridos, é ter o reconhecimento agradecido dos alunos ao nosso esforço. Não há recompensa maior para quem trabalha com educação que ouvir de um aluno: “Muito obrigado, professor, por tudo”. Porém, neste ano em especial, o agradecimento que precisa ser feito, é o meu. Já disse em sala e repito, agora, em público: “Muito obrigado pelo que vocês fizeram por mim”. Quando minha motivação caiu e a tristeza se abateu sobre o meu trabalho, foi o carinho de vocês que me reanimou. Quando senti que tudo conspirava contra mim e senti minhas forças combalidas, foi o carinho de vocês que me sustentou. Por isso, nessa noite em que vocês recebem o grau de Ensino Médio, contrariando a ordem natural das coisas, eu é que lhes digo: muito obrigado, queridos, por tudo!


Boa noite.





07 dezembro, 2008

A picaretagem do ALUB

Dizem que pego no pé do ALUB. Pego mesmo. Mas a razão não é pessoal. O que me irrita no ALUB é a desfaçatez, a picaretagem, a fanfarronice dos comentários dos itens do PAS - falo especificamente dos comentários sobre os itens de história.

O ALUB precisa ser muito mais sério. Um dia, meus caros, a máscara vai cair e esses comentários rasteiros não vão passar desapercebidos. Ei, Alexandre, você está vendo isso? Você compactua com isso? É com esse nível de comentário que os alunos do ALUB aprendem história?

Ah, professor, mas o seu gabarito, em muitos itens, coincide com o do ALUB. Eu sei. Mas, à diferença deles, procuro ser consistente na argumentação e, claro, não invento nada, sempre me apóio em bibliografia. A maioria dos comentários que estão na página do ALUB, para dizer o mínimo, é picarentagem e pilantragem.

Quero destacar os comentários de três itens:

No item 98, aquele que fala dos sofistas, o ALUB marcou o item como certo e lascou o seguinte comentário: "O teocentrismo medieval submete o homem a Deus, externo à humanidade". Pilantras! Vocês leram mesmo o item? O item começa com uma citação clássica do sofista Protágoras de Abdera, associando essa escola filosófica a valores absolutos o que, obviamente, é falso. Tá bom. O pessoal do ALUB poderia ignorar isso. Mas o comentário que eles puseram no site diz o quê? Nada! O aluno, coitado, que marcou E no item 98 vai conferir esse comentário e ficará decepcionado. O que marcou C, vai ter um momento de alegria que vai durar até a hora do gabarito oficial, mas o que é pior: vai pensar que acertou, mesmo sem saber como e vai descobrir que foi enganado de várias formas.

Vejam o comentário do item 91: "A literatura dos anos 60 do século XX é engajada socialmente, mas Zé-do-Burro é política e socialmente alienado." Hã? O quê? Comeu banana? O que esse comentário tem a ver com o item? Ademais, beócios, o item 91 está certo, ok?

O ALUB considerou o item 123 errado por causa de uma crase. Vejam como eles comentaram esse item: "A crase em “à ruptura” dá a entender que os Estados Modernos sobrepuseram-se às Reformas Protestantes, o que é incorreto." Hummm... desconfio que o pessoal não saiba nem a função da crase nem o significado do verbo sobrepor. O item está correto. Mas ainda que estivesse errado, digam aí, o comentário esclareceu alguma coisa?

O meu gabarito diverge no itens 18 e 92 de importantes escolas do DF. Como minha equipe de história é formada por mim e por eu mesmo, enquanto as outras equipes estão sempre bem municiadas de pessoas brilhantes e competentes, relevem meus erros. Mantenho meu gabarito até ser convencido do contrário. Não sigo a manada!

I ETAPA DO PAS 2008

Item 11 : Aletrnativa C

Item 13: C

Item 14: E

Item 18: C

Item 24: C

Item 25: C

Item 26 : discursiva

Item 33: E

Item 42: C

Item 47: E

Item 49: E

Item 91: C

Item 92: C

Item 98: E

Item 121: C

Item 122: C

Item 123: C

Item 124: C


O gabarito dos itens em cores divergem do gabarito de outras instituições de ensino.


Ano passado, fiz uma dura crítica à prova da I etapa do PAS, sobretudo à falta de coerência entre os conteúdos vistos na 1ª série do ensino médio e aqueles que foram cobrados na prova do ano passado. Dessa vez, porém, a realidade foi bem diferente. À exceção do item 92 da prova deste sábado,dia 06, que cobrou um conteúdo de 3° ano, os demais itens respeitaram os conteúdos trabalhados no 1° ano.


Alguns itens, principalmente aqueles que pediram respostas discursivas, exigiram dos alunos concatenação de idéias, clareza, coesão e poder síntese. Em suma, habilidades e competências indispensáveis, mas ainda muito incipientes, quando não, deficientes em muitos alunos. Questões assim costumam separar o joio do trigo. Gostei.


Como é de praxe, passo agora ao gabarito dos itens de história e filosofia com os respectivos comentários.


Os erros e os acertos desse gabarito é responsabilidade minha.


Item 11 – Eu marcaria a alternativa C. O texto que dá suporte ao item reflete sobre a importância do domínio da natureza para o advento do sedentarismo. Lembra, porém, que apesar desse domínio ter muito da “vontade” dos primitivos grupos humanos, a natureza, com seus caprichos, também participou desse processo. Baseado nisso, considerei a alternativa C como a resposta correta. Ademais, as outras alternativas contêm enganos evidentes.


Item 13 – A imagem reproduz um típico manso feudal. Ao fundo, o castelo; no plano central, o servo e o seu arado puxado por um cavalo. O castelo medieval, como afirma o item, constituía-se no grande símbolo do poder da nobreza que era senhora das terras, dos servos a da atividade bélica. Não esqueça que na nomenclatura medieval, os nobres eram conhecidos como bellatores. Eu marcaria o item como correto.


Item 14 – Apesar do item não deixar claro se fala da Alta ou da Baixa Idade Média, por ele falar em “inovações técnicas”, associei-o à Segunda Idade Feudal. Ainda assim, marcaria o item como errado.


A agricultura medieval, ainda que pese as inovações agrícolas da segunda idade feudal, não atingiu o dinamismo que o item sugere ter havido. Por essa época e me apoiando em Marc Bloch, muito mais que a atividade agrícola, foi a atividade comercial o grande motor da economia do período e a grande responsável pela crise do feudalismo que caracterizou o fim da Baixa Idade Média. O aumento da produção agrícola e mesmo da produtividade dos campos, causadas pelas inovações técnicas, embora inegáveis, não impediram cenários de escassez nem foram capazes de alimentar a população européia que crescia de maneira significativa na época.

O item ficaria mais claro se a banca tivesse especificado qual dos dois períodos da Idade Média estava se referindo. No entanto, pelas razões expostas, eu marcaria errado.


Item 18 – É preciso decompor esse item em duas partes e comentá-las em separado:


I – As civilizações antigas, como a chinesa e a egípcia, diante do desafio do cultivo agrícola precisavam conhecer melhor uma série de varáveis que impactavam diretamente na produção agrícola. Dessa forma, saber o período chuvoso e o de estiagem, por exemplo, levaram muitos a uma observação dos fenômenos naturais e astronômicos. A necessidade de dividir os lotes, de mensurá-los de modo a obter uma melhor produtividade, ajudou no desenvolvimento da matemática, sobretudo da geometria. Portanto, a “ciência” dos antigos, como bem diz o item, atendia à necessidades do dia-a-dia.


II – Sociedades de cultura milenar, como a chinesa e a egípcia, foram pródigas em matéria de conhecimento matemático, astronômico e arquitetônico. É notória e reconhecida pelos próprios gregos antigos, a dívida que os seus geômetras tinham com os matemáticos egípcios. Enfim, o item, para mim, está certo.


Questão 24 – “Somos todos gregos”. Esse aforismo sintetiza a importância da civilização grega para a formação do mundo ocidental europeu e, logo, para todo o ocidente. Como síntese dessa civilização, a cidade de Atenas pelo seu dinamismo econômico e cultural – foi lá que os sofistas e Sócrates mudam o objeto da especulação filosófica, passando fenômenos físicos para a especulação de assuntos ligados à moral, à ética e à justiça.

Atenas também foi o berço do originalíssimo sistema político da época, a democracia. Todos esses fatores tornam Atenas o símbolo da pujança, isto é, a força dessa civilização. Eu marcaria o item como certo.


Item 25 – Após as Guerras Púnicas onde os romanos derrotaram os cartagineses, Roma se torna a maior potência do mar mediterrâneo, o Mare Nostrum, em latim. Expulsando os cartagineses da Sicilia e da Sardenha, os romanos ocuparam essas áreas quem eram grandes produtoras de trigo. Mais tarde com o domínio do Egito, a produção de trigo no império será fabulosa.


Por volta do século III da era cristã, contudo, atingindo a expansão territorial máxima, o império convive com a escassez de mão-de-obra escrava o que provoca o colapso de sua economia e dá início à decadência do império. Enfraquecida, a parte ocidental do império romano sucumbe às investidas dos povos germânicos, a quem os romanos chamavam de bárbaros. Eu marcaria o item como certo.


Item 26 – Nesse item, a banca expõe um quadro com diversas informações. Nele estão dispostas as etapas de domínio da natureza pelo homem, as formas de organização social, econômica, do espaço e o impacto dessas formas de organização no ambiente natural. A partir dessas informações, a banca pede ao aluno que elabore um texto em no máximo 15 linhas falando da evolução das etapas de conquista do ambiente natural pelos grupos humanos, desde a coleta até a agricultura moderna.


O importante aqui era o aluno conhecer, basicamente, o processo que levou os grupos humanos primitivos da fase da caça e da coleta à fase de domínio agrícola. Concatenar idéias, conceitos e expô-los de forma clara e coerente me parecem ter sido as habilidades e as competências exigidas nesse item.


O item 33 – Um lado do encontro entre europeus e ameríndios a partir do século XVI , geralmente ignorado, refere-se à introdução na dieta européia, de produtos tipicamente americanos Nas terras altas (cordilheira dos Andes e altiplano mexicano) o milho foi o principal produto agrícola. Nas terras baixas, essa primazia coube à mandioca. Portanto, essa raiz não foi trazida pelos africanos, ao contrário, era bastante conhecida dos indígenas. É um produto tipicamente americano. Eu marcaria como errado.


Item 42 - Bem diferente do que se imaginava na época do renascimento e do iluminismo, a Idade Média não foi uma época de treva e de atraso cultural. Nas bibliotecas dos mosteiros, os monges copistas preservavam muito do saber clássico. Ao lado disso, o domínio islâmico na península ibérica também contribuiu para o saber cultural medieval, e, claro, para a formação da civilização ocidental. Na literatura, no idioma, na medicina, na matemática e na filosofia, a contribuição muçulmana foi inestimável. Eu marcaria o item como certo.


O item 47 – O texto em que o item se baseia procura demonstrar a interação dos três grupos étnicos que formaram o povo brasileiro, a partir da culinária. O exemplo culinário dado no item, porém, exlcui a contribuição afriacana, tornando o item falso. Eu marcaria o item como errado.


Item 49 – Neste item, o que se exige é compreensão de texto. A introdução do azeite em nossa culinária é contribuição européia, enquanto o milho e a castanha de caju é contribuição americana. Eu marcaria o item como errado.


Item 91 – É tradicional a leitura que se faz – Manuel Correia de Andrade já falava sobre isso na década de 60 em A Terra e o homem do nordeste – a interpretação que busca no sistema de capitanias hereditárias e na distribuição das sesmarias feitas pelos donatários aos colonos, a origem do latifúndio e da concentração de terras no Brasil. Eu marcaria o item como correto.


Item 92 – Houve uma polêmica nesse item. Como de praxe, não fui seduzido pela manada. A reforma agrária esteve em pauta no Brasil desde o século XIX, mas foi no século XX que ganhou um viés mais político. A idéia de distribuir terras às famílias pobres como solução para a superação da miséria e das desigualdades esteve presente em trabalhos acadêmicos e em movimentos sociais.


A Guerra de Canudos (1896 – 1897), embora motivada por fatores políticos e com características messiânicas, teve, na sua origem, o problema da concentração de terra nas mãos dos coronéis da Bahia que exploravam os camponeses sem terra e a situação de abandono em que vivia a população sertaneja. Cansados da exploração e muito religiosos, homens e mulheres pobres seguiram o beato Antônio Conselheiro em suas andanças pelo sertão nordestino e com ele fundaram a comunidade de Belo Monte, em Canudos. Em certo sentido, a origem do movimento de canudos é o latifúndio improdutivo, causa das desigualdades e das tensões sociais nos sertões, principalmente em períodos de estiagem. O que os sertanejos desejavam era um pedaço de terra para plantar e uma vida digna. A proposta de Canudos, eles acreditavam, atendia aos seus interesses. Eu marcaria o item como correto. (A maioria dos professores considerou o item errado, lembrando que os canudenses não tinham uma pauta política definida e organizada. Afirmaram que embora rural, o movimento não indicava necessariamente a luta pela terra e, portanto, pela reforma agrária)


Lembro que o conteúdo Guerra de Canudos é do 3° ano do ensino médio. Ainda que os alunos do primeiro ano tenham visto esse conteúdo no 9° ano do ensino fundamental, isso não justifica o erro e o desrespeito da banca em cobrar um conteúdo da 3ª etapa, na primeira.


Item 98 – O autor do aforismo que inicia o item foi o famoso sofista Protágoras de Abdera. Como todo sofista, Protágoras rejeitava a idéia de uma verdade absoluta. Os sofistas eram os defensores de que a verdade é uma questão de opinião e, nesse sentido, minha verdade é tão correta quanto à sua. Os sofistas, portanto, eram relativistas.


Na Idade Média, a filosofia ficou sob o domínio da Igreja. Segundo Bertrand Russel, o período medieval subordinou a filosofia à teologia. Nesse aspecto, valores absolutos marcam a filosofia medieval, pois não se concebe relativismo em matéria de fé. Eu marcaria o item como errado.


Item 121 - As cidades de Veneza e Gênova destacaram-se no comércio europeu na Baixa Idade Média, sobretudo na venda de especiarias que elas compravam nos mercados de Constantinopla e Alexandria. O monopólio desse comércio e o acordo com os comerciantes árabes do oriente impediam que mercadores de outras cidades tivessem acesso diretamente e pelo mar mediterrâneo às mesmas fontes de produtos orientais, tendo que comprá-los dos mercadores de Veneza ou Gênova. Eu marcaria o item como correto.


Item 122 - A riqueza produzida pelo ativo comércio das cidades da península itálica além de enriquecer e fortalecer uma nova classe, a burguesia, contribuiu para o advento de uma nova forma de enxergar o mundo e de produzir arte. Nesse processo, a figura do mecenas, um patrocinador das artes, um protetor dos artistas, foi fundamental para a eclosão do movimento renascentista. Eu marcaria o item como correto.


Item 123 – A expansão Marítima européia iniciada pelo reino de Portugal no século XV e seguida por outros reinos no século seguinte, desenvolveu-se no contexto histórico do humanismo, do antropocentrismo e da renascença. Por essa época, as monarquias nacionais estavam se consolidando na Europa superando a fragmentação política que marcou, politicamente, a Idade Média. Também por essa época, a Reforma Protestante colabora para o quadro de profundas transformações pela qual passava a Europa. Eu marcaria o item como certo.


Item 124 – Um grupo de professores de filosofia argumentou na Sala dos Professores que este item peca pela falta de precisão. De fato, em se tratando de filosofia, a falta de proposições claras e inequívocas é um erro imperdoável. Iniciando o item “ Um filósofo inglês da primeira metade do século XX...” é um pouco demais, não é? Que filósofo, cara pálida? Seria o F H Bradley (1846 -1924)? Mas quem fala dele em sala de aula, sobretudo numa sala de aula de 1° ano?


Contudo, infere-se da sentença que o ser - humano pela sua capacidade de amar (por que não de odiar, também?) comparado aos seres inanimados – no caso aos grandes corpos celestes – é único e inigualável. Eu marcaria o item como correto, mas entraria com recurso também.