30 dezembro, 2007

Professor Ricardo Caldas, o senhor é um fanfarrão!

A Unb têm alguns professores de ponta... cabeça. Um desses é Marcos Bagno. O lingüista, com Phd, mestrado, doutorado, o diabo; está lotado no departamento de letras. O doutor Marcos, tão cheio de títulos, produziu um livro, que seria leitura obrigatória dos esquerdofrênicos, caso estes lessem alguma coisa, pois no tal livro ele defende que falar a língua portuguesa de maneira correta é coisa de classe dominante. Os oprimidos têm que falar é errado, mesmo.

O mais novo fanfarrão do clube dá aulas e orienta dissertações de Mestrado no Instituto de Ciência Política da universidade de Brasília. Seu nome é Ricardo Caldas. O ilustre tem cara de mau, parece ser bravo, adora cinema, gosta de parceiros para produzir livros e tem um poder de análise que me causa inveja.

Segundo o Blog do Jamildo, o professor Ricardo Caldas, em entrevista à Rádio Nacional, responsabilizou a oposição pela não prorrogação da CPMF, rejeitada no senado no último dia 13 de dezembro. Essa tese é velha, nasceu em jornais como a Folha de São Paulo, sob a pena do dublê de jornalista e vidente famoso, Kennedy Alencar.

Diz o acadêmico: "A oposição, infelizmente, atuou de forma eleitoreira" Para o cientista político, ao rejeitar a prorrogação da CPMF, a oposição não pensou "nos efeitos maléficos" que a falta do imposto fará a alguns estados.

A oposição foi eleitoreira? Então, quer dizer, que ela votou de acordo com o que a maioria dos eleitores brasileiros desejava: o fim da CPMF. Hum... A oposição, no senado, tem 27 votos, precisava de 33. Uma aritmética simples constata que ela, com os votos que tem, não ganharia a parada. O cientista também diz que a falta da CPMF trará malefícios para alguns estados. Porém, evita dizer quais.

Ele, além de professor de Ciência Política, é também economista, mas parece desconhecer que o C da CPMF significa contribuição, e, por isso, o Governo não é obrigado a dividi-lo com os estados, como acontece com os impostos federais. O que é repassado aos estados fica a critério da equipe econômica. O fim da CPMF foi um sopro de vida na democracia brasileira, combalida pelo mensalão, pelos sanguessugas e pelo priápico e cada vez mais sorumbático, Renan Calheiros.

Outro trecho: "A oposição de antigamente era aguerrida, não tinha foco e não negociava. Hoje é amena, mas é fisiológica e não sabe separar o interesse público do partidário. Não sabe fazer oposição e, quando faz, erra o alvo, como aconteceu com a CPMF".

A oposição de antigamente só pode ser o PT. Então, porque era o PT, a oposição era aguerrida, apesar de não ter foco, isto é, era contra a toda proposta que vinha do governo, por definição e como conseqüência, não negociava nada. Percebam o contraponto: ao comparar a “oposição de antigamente” com a oposição atual, fica claro que a de hoje é muito pior. Na análise desse cientista, a “oposição de antigamente” pelo menos não era fisiológica e sabia separar o interesse público do partidário. É mesmo, professor Caldas? Quando o PT votou contra a privatização das Telecomunicações em 1997 estava pensando no país? Quando o PT demonizou o Plano Real em 1994, estava pensando no país? Quando o PT impediu, ainda em 1996, junto com alguns deputados da Base do governo na época, a reforma previdenciária no governo FHC, estava colocando os interesses do país acima dos interesses do partido? Foi pensando no país, então, que em 2003, com Lula no poder, o governo aprovou uma reforma previdenciária ainda mais dura que aquela proposta por FHC em 1996. Então, porque (esse é junto...) antigamente o PT era a oposição, não havia interesses eleitoreiros? Antigamente, o PT, que foi contra o Plano Real, as privatizações, as metas de inflação, ao superávit primário – políticas que o tempo provaram acertadas, tão acertadas que o PT no poder não só as manteve como as aprofundou – sabia fazer oposição. Mas hoje, a oposição, amena e fisiológica, porque votou contra a CPMF,não sabe ser oposição? Esse professor não pode ser sério.

Eu até endossaria as palavras do professor Caldas quanto à incompetência dos atuais partidos de oposição – sobretudo do PSDB – mas por outros motivos. Para mim, ao dizer NÃO à CPMF, a oposição foi brilhante! Mas, repito: sem a ajuda de alguns senadores da Base Aliada, esse brilhantismo teria sido, do ponto de vista do resultado, inócuo.

Todo professor tem um cacoete. Quando fala ou escreve, está tentando ensinar algo. Com o professor Caldas não seria diferente. Ele ensina como deve agir a oposição. Observem: "A grande oposição tem de ser feita em termos de direitos do cidadão, de cidadania, pensar num sistema político para aperfeiçoá-lo e não pensar em ganhos de curto prazo como foi a CPMF em relação às eleições do ano que vem"

Acho que nem o governista mais tresloucado ou mesmo o petista mais canalha, teria dito algo tão estúpido. Ele quer limitar o papel da oposição. Em síntese o que ele disse foi o seguinte: oposição só em alguns casos, em outros não. Seria oportuno perguntar ao professor Caldas se o PT, que era a “oposição de antigamente”, aquela aguerrida, agia assim. Eu sei a resposta: não! Que tipo de Ciência Política ele ensina? Aquela de Gramsci? Que criou o conceito do totalitarismo perfeito baseado no Partido Príncipe? A oposição é eleita para fazer oposição. É simples, assim. A de hoje, ao contrário do que diz o cientista, não é intransigente como foi o PT no passado, é até boazinha demais para meu gosto. Ao votar contra a CPMF a oposição não foi irresponsável. Foi didática. Ensinou ao Executivo que o Poder Legislativo existe e quando cumpre seu papel é a democracia que ganha. Além do mais, a derrota da CPMF, imposta pelo Senado, desmascarou mais uma mentira governista: a de que o país não poderia abrir mão de 40 bilhões de reais. Ministros e parlamentares que previam uma hecatombe caso a CPMF fosse rejeitada, mudaram os discursos e concluíram que o mundo não acabaria, e mais: RECONHECERAM QUE O GOVERNO ERROU A ESTRATÉGIA NO SENADO. Só quem tachou a oposição de culpada pela derrota foram jornatralhas e alguns acadêmicos filo-petista, como o professor Caldas.

Para terminar, o professor Ricardo Caldas lança um olhar de comiseração sobre o parlamento. Como não fala do executivo, infiro que, para ele, o lado podre da Praça dos Três Poderes é mesmo o Congresso. Ele declarou que o cidadão brasileiro "mereceria ter uma representação política melhor do que tem". "A classe política no Brasil, desde a legislação passada, não faz juz ao cidadão". Disse alguma mentira? Não. O que ele esquece de dizer é que boa parte da classe política lotada no Congresso e que protagonizou os escândalos nacionais em 2007, 2006, 2005 e 2004, está na base do governo. A oposição de hoje, aquela fisiológica - em termos de escândalos - ficou apagada. Já os partidos da base... hein, professor!

Em tempo de fim de ano, pega mal ser pessimista. Por isso, o professor Caldas tem uma palavra de esperança para nós. Ele deseja que a nova legislatura, que se encerra em 2010, seja melhor – teria como ser pior? – que a passada. Nós também professor, acredite.

PS: Conheça mais sobre o pensamento do professor Ricardo Caldas, aqui e aqui.

Um comentário:

Ricardo Rayol disse...

É isso que gosto nos PhD's, são mestres da obviedade. Isso que é desmascarar um.