14 dezembro, 2007

Com Paulo Freire, não dá!

No podcast, A Pedagogia dos Vencidos, digo, para espanto de alguns e indignação de muitos – houve quem, depois de ouvir o podcast, rasgasse as próprias vestes – que boa parte de nosso fracasso em leitura, ciências e matemática é culpa da pedagogia da estupidez que tem em Paulo Freire o seu Papa e em Rubem Alves e Tião Rocha, seus bispos. Claro, que na base da pirâmide estão pedagogos e professores, todos libertários e avessos aos conteúdos formais.

No dia que, à semelhança da Suíça no século XVI ou mesmo do império bizantino nos séculos VII a IX, fizermos um movimento iconoclasta contra essas figuras que são santificadas nos cursos de formação de professores, garanto: nossa educação dará um salto gigantesco de qualidade. O que é melhor, é que para isso, o custo é muito baixo, diria até que o custo é zero. As premissas são simples, mas, reconheço, difíceis.

Quem é professor ou pedagogo e já freqüentou aquelas aulas das disciplinas de Educação em qualquer universidade, sabe que do jeito que as coisas são ensinadas é um verdadeiro engodo. O aluno que está se preparando para ser professor percebe a falácia e entra no jogo do faz de conta. Somos chateados com um monte de teorias pedagógicas e psicológicas que não têm efeito prático algum. Se tivessem, desconfio, talvez estivéssemos em situação pior na educação.

Cursei, na UFPE, uma disciplina chamada Estrutura do Ensino. Quer disciplina mais estúpida para quem está se preparando para uma sala de aula? Que os pedagogos conheçam os dispositivos legais, os incisos e os parágrafos – duvido que todos saibam – vá lá, entende-se. Mas o professor? É ou não é perda de tempo?

Didática do Ensino foi outra disciplina cursada. A professora era gente boa, eu gostava dela. Até achei que tinha aprendido a matéria, mas quando comecei a dar aulas percebi que fui vítima de um embuste. As aulas de psicologia – Freud, Skinner, Piaget, Vygotsky – só servem para mim quando numa conversa com pedagogos e psicólogos eu me exibo citando suas idéias – o espantoso é que alguns desses interlocutores me olham como se tivessem conhecendo essas idéias pela primeira vez – no mais, para a realidade de sala de aula, não servem para nada.

No Correio Braziliense de ontem, saiu uma matéria que afirmava que os alunos do DF têm um dos melhores rendimentos do Brasil, em Matemática. Desconfiei, claro. A matéria falava de alunos do Colégio Militar de Brasília que na olimpíada de Matemática ficaram com os primeiros lugares.

Fazendo uma pesquisa rápida, constatamos que os excelentes resultados obtidos pelos alunos do colégio militar em diversas avaliações e concursos, devem-se a dois fatores básicos:

1 – alunos comprometidos com o saber. Nessas escolas, a média é formada por alunos esforçados e estudiosos, o que, claro, acarreta resultados satisfatórios.

2 – corpo docente avesso às esparrelas paulofreirianas e similares. Os professores não vêm com o papo de que querem libertar. O que eles querem, e os resultados comprovam a eficácia, é ensinar!

Muitos afirmam que a educação no Brasil só vai melhorar se os salários dos professores forem maiores. Será? Aqui no DF, os professores da rede pública têm um salário acima de média nacional – embora o custo de vida seja um assalto, ao menos no Plano – e o que ouvimos e constatamos por aí, é a indigência do saber da maioria dos alunos das escolas públicas do DF. (Há exceções, é claro!)

O primeiro passo para melhorar a educação no Brasil é enterrar Paulo Freire. Ou lembrá-lo como uma piada sem graça. Depois é acabar com essa idéia de que se não for pelo prazer, o aluno não aprende. Essa idéia torna os professores reféns, em sala de aula, sobretudos na rede particular. Se o professor não agrada – e agradar aqui é fazer a vontade de alguns, isto é, não ser exigente e cobrar os conteúdos de forma medíocre – logo ele é defenestrado da sala e do mercado, a não ser, claro, que se renda e participe do jogo.

Outra desgraça na nossa educação é o ECA, uma invenção petista, mais uma, que impede avanços em muitas áreas. O ECA, já disse, não protege a criança, o adolescente do bem. Esse estatuto só serve para proteger o meliante que não completou 18 anos. Querem uma prova? A menina de 15 anos estuprada no Pará – governo petista, claro – não teve o ECA para protegê-la.

Há muitos entulhos teórico-metodológicos e jurídicos que atravancam o desenvolvimento de nossa educação. Antes de aumentar os recursos – quase sempre roubados, como no Piauí e Maranhão, recentemente – é preciso demover Paulo Freire do altar, melhorar os cursos que formam os professores, exigir dos professores e dos alunos resultados e reavaliar o ECA, assim poderemos começar a pensar em melhorar a educação no Brasil.

3 comentários:

Carlos Emerson Jr. disse...

O ensino nos colégios militares, via de regra tem uma orientação bem diferente das escolas "civis".
Vai por esse caminho que você abordou mesmo.
E quanto ao ECA, uma boa lembrança. De que adiantou prá menina do Pará ?
Bom, aquelas mulas de lá acabaram dissendo que não sabiam que ela era menor... inacreditável!
Um abração.

Saramar disse...

Respeito muito suas opiniões, você sabe.
Há séculos, já percebera o que está dizendo neste excelente texto. As escolas fingem que formam professores.
ALém de sofrereme de uma esquizofrenia que não lhes permite saber se formam psicólogos de quinta categoria ou medíocres transmissores de conteúdo, as escolas privilegiam os campeões de aprovação.
A educação no Brasil tornou-se uma imensa e cruel farsa.

beijos

Anônimo disse...

BRAVO!!!!
ISSO PRECISA SER DITO EM ALTO E BOM SOM!!!
Essa pedagogia do oprimido é uma fraude!!
Sds.,
de Marcelo.
E Feliz Natal.