20 novembro, 2007

Zumba ou Zumbi?

Reinaldo Azevedo fez um post bem sugestivo para o Dia Nacional da Consciência Negra. Nesse post ele sugere aos leitores uma pesquisa sobre duas figuras emblemáticas da resistência negra: Zumbi e Ganga Zumba. Pois bem, Há um ano eu publiquei um post com o título: Meus heróis negros. Fiz, portanto, nesse blog pouco lido, quase um blog marginal, o que Reinaldo Azevedo, de forma muito apropriada, sugere hoje aos leitores. Rebublico o post, então.

Meus heróis negros

Meus alunos sabem que detesto a postura do politicamente correto, sobretudo quando essa política flerta com a mentira e a desonestidade. Muitos não concordam comigo, ainda bem, a unanimidade é coisa de stalinista ou de fascista, não quero o apoio dessa gente. No entanto, eles sabem minha posição, não tergiverso, não enrolo, vou ao ponto.

O post que está abaixo só deixa dúvida nos mal intecionados. Não sou racista! Entendo racismo como uma ideologia que pretende eliminar um povo, um grupo de pessoas, uma etnia, por considerá-la nefasta e inferior. Se eu fosse racista não teria amigos negros, e os tenho, e não são poucos! Se eu fosse racista deveria renegar minha origem, e isso não faço nem nunca farei!

Zumbi é um herói, um símbolo da resistência contra a maldade dos brancos. Não aceitou o acordo de Ganga Zumba com os brancos em 1678, com branco não se negocia, ele pôde ter dito. Pouco depois Zumba morre envenenado e Zumbi vira o líder de Palmares. Ele é mesmo um herói. Não aceitou o acordo que dava liberdade aos negros nascidos em Palmares, além de terras na região, preferiu a resistência. Palmares acabou incendiado e Zumbi sem cabeça, e os negros de Palmares mortos ou escravizados, de novo. O sonho de liberdade foi maior que a chance de liberdade. Os negros perderam e Zumbi virou um herói.

Os negros que admiro são outros, e não é Pelé! Admiro André Rebouças que no século XIX realizou uma obra de engenharia que engenheiros brancos e europeus diziam ser impossível de realizar! Admiro Luiz da Gama que venceu a pobreza, assim como José do Patrocínio, pela dedicação aos estudos e se tornaram referências no Movimento abolicionista no final do século XIX. Numa sociedade que ainda convivia com a escravidão, eles, negros e pobres, estudaram e, sem cotas, com os próprios méritos e capacidades, provaram que eram tão e em muitos casos, até mais capazes que muitos brancos. Se os militantes do Movimento Negro deixassem um pouco de lado a cultura da reclamação e estudassem mais e se espelhassem nos exemplos de Rebouças, Luiz da Gama e Patrocínio, fariam um bem muito maior a si e ao Movimento.

3 comentários:

Ricardo Rayol disse...

Mandou bem duas vezes.

Daniel. disse...

É isso mesmo.

Patricia Haddad disse...

Gostei muito do teor do seu post. Parabéns! Concordo com tudo o que você escreveu. Quando puder, dê uma lida no texto que eu publiquei sobre o Dia da Consciência Negra.