10 novembro, 2007

A propaganda no GDF.

Alguém precisa demitir a pessoa responsável pelas propagandas oficiais do GDF. As duas últimas que vi, são, para dizer o mínimo, de péssimo gosto. Na primeira, uma menina conversa com o pai sobre dinheiro de plástico. Toda uma conversa fiada é construída só para divulgar a bilhetagem eletrônica nos coletivos do GDF. Para resumir, como diria o prof. Fábio, o slogan da campanha diz: O futuro chegou. De ônibus. Para o governo de Brasília, futuro é bilhetagem eletrônica, ainda que os ônibus sejam sujos, barulhentos e caros. Ademais, em Recife, por exemplo, a bilhetagem eletrônica tem uns dez anos. Pensando bem, aqui em Brasília o futuro chega tão atrasado que só poderia mesmo vir de ônibus.

A outra, acabei de ver. Passou no intervalo do Zorra Total. Na campanha do Detran-DF, chamada Paz no Trânsito, o marido de uma das vítimas dos irresponsáveis Paulo Timponi e do Marcelo alguma coisa, um certo músico, dá um depoimento emocionado em que pede com voz embargada, mais responsabilidade no trânsito. É notório e justificável como essa tragédia afetou esse senhor. Acredito, porém, que ao invés de pedir mais responsabilidade, ele deveria exigir punição para os assassinos de sua esposa, de sua cunhada e de sua amiga. Só haverá menos mortes no trânsito se a punição for exemplar e rápida. Mas tergiverso. No final, numa tela escura, vem o slogan infeliz: Era apenas um racha, mas rachou a família ao meio. Horrível! Macabro! Dantesco!

Aliás, de propaganda, José Roberto Arruda anda muito mal assessorado. Há cerca de um mês, publicou no Diário Oficial a demissão do gerúndio. Jogada de marketing? Pode ser, mas que foi de uma inutilidade, não há dúvida.

Um comentário:

João Batista disse...

Só isso? Já viu a propaganda do ministério da saúde contra a dengue? Um sujeito está em cima de uma escada, com um binóculo, observando a casa do vizinho. Sua mulher aparece e fica indignada, imaginando que o marido está espionando a mulher do vizinho. Nada disso. Ele explica que está checando por vasos de plantas, pneus e garrafas ao relento, etc. e tal. E termina falando para a câmera que temos que ficar espertos e alertas na luta contra a dengue (luta de classes?).

Ou seja, uma solução totalitária por parte de um governo de inspiração totalitária. O melhor que o ministério pôde conceber foi a bisbilhotice mútua entre vizinhos, provavelmente tendo como ideal a criação de um disque denúncia-dengue com pena de morte para detratores. Assim ficaríamos como Cuba. Não perca tempo, denuncie seu vizinho inimigo-do-regime que sabota o país em nome e ao soldo do imperialismo, espalhando propositadamente o mosquito da dengue, e ganhe uma recompensa financeira além de três meses de avanço na fila para uma vaga na universidade.