09 novembro, 2007

Monarquia ou República?

A MÍDIA GOLPISTA
Chamado de Rei Caju, por causa do queixo saliente, ou de Pedro Banana, em razão da sonolência provocada pelo diabetes, o imperador era criticado tanto por jornais monarquistas quanto republicanos, em que grassava a militância pela mudança de regime. Não se deixava abalar: "Os ataques ao imperador não devem ser considerados pessoais"


Um dos valores mais caros desse blog é a liberdade de expressão. Não há violência maior que a não poder escrever, falar e publicar o que pensa. Não há pior tolhimento que ser enxovalhado por imbecis que, por não concordarem com nossas idéias, impede-nos de nos expressar.

A matéria de capa de Veja traz uma visão muito curiosa do último imperador do Brasil, D Pedro II. Lendo a matéria percebe-se que a monarquia no Brasil caiu mais pelas virtudes do rei do que pelos seus equívocos. Muitos elogiam a simplicidade de D Pedro II; outros tantos, elogiam seu gosto pelo saber e pela cultura; Veja, de forma acertada, elogia seu amor pelas liberdades individuais, mormente a de imprensa. Quando a amante do imperador, Luísa Margarida Barral, reclamava da imprensa, ele respondia:"Os ataques ao imperador não devem ser considerados pessoais, mas apenas manejo ou desabafo partidário". Foi o monarca mais republicano da história.

Recentemente, foi lançado o livro Lula é minha anta, do colunista de Veja, Diogo Mainardi. A súcia petista está em polvorosa. Torceram pelo fracasso nas prateleiras, perderam. Nossos republicanos, não é de hoje, não convivem bem com a liberdade de imprensa. Vejam o exemplo do Marechal Deodoro da Fonseca, o amigo do imperador que depôs o monarca em 16 de novembro: assim que assumiu o país como presidente provisório, não suportou as críticas dos jornais e decidiu fechá-los.

Uma das mais ferozes críticas ao governo de D Pedro II e até hoje a grande mácula de seu longo reinado, foi a manutenção da escravidão. Lembram os apressados que o Brasil foi o último país ocidental a acabar com a escravidão, em 13 de maio de 1888. Esquecem-se ou ignoram que por essa época, o número de escravos no Brasil era mínimo. Muitas províncias, por conta própria, tinham abolido a escravidão, caso emblemático do Ceará em 1884. Muitos esquecem ou desconhecem que desde 1850, com a Lei Eusébio de Queirós, a instiuição da escravidão no país estava com os dias contados. O que talvez pouca gente saiba, é que a família real - a princesa Isabel e o próprio imperador eram abolicionistas. Na conturbada década de 1860, ele escrevia à sua amante Luísa Barral "A escravidão é uma terrível maldição sobre qualquer nação, mas ela deve, e irá, desaparecer entre nós"

D Pedro II, rei ou presidente, não importa o regime, seria uma referência moral, ética e lúcida na administração pública e na defesa dos interesses do país. Nosso problema, portanto, não é de regime, mas da escassez de homens públicos como D Pedro II. Homens em que as palavras brio, honra, gosto pelo saber não são para fazer pose.


2 comentários:

Suzy disse...

E a Inglaterra só queria o fim da escravidão como forma de abrir mercado para seus produtos manufaturados....
É, muita gente não valoriza a História mas é com ela que podemos fazer algumas boas análises do nosso tempo, como a que acabei de ler.
Mas deixa eu me corrigir, assim como muitos fazem o bom uso do conhecimento, muitos também o desvirtuam, geralmente em proveito próprio.
Um abraço

Blogildo disse...

Eu adorei esse artigo em Veja. Claro que pouca gente dará atenção a isso. E é justamente por isso que o Brasil só cai no quesito liberdade de expressão. Até quando?