01 novembro, 2007

A classe média, segundo Max Gonzaga.

Classe Média

Max Gonzaga

Composição: Max Gonzaga

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos”
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
Mas eu “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no “jardins”
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida




A obra - prima acima, é assinada por Max Gonzaga. Aqui você confere a performance do rapaz. Pela letra, pensei que se tratava do Zeca Baleiro, mas é do Max mesmo. Tem gente séria, que admiro de verdade, que gostou muito da música. Eu a achei bocó e, claro, com várias digitais esquerdistas. Analisemos alguns trechos.

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal

Esse trecho já evidencia que o compositor que vende discos para a classe média, não morre de amores por ela. O cara desconfia da mídia - é daquele tipo de esquerdopata que, a priori, considera toda notícia veiculada pela mídia, mentirosa. Ainda bem que ele vive numa democracia. Fosse cubano, teria que ouvir e ler mentiras sem reclamar. O quê? O que digo? Aposto que ele crê que a mídia esquerdista nunca mente. Que um Gramna sempre é imparcial.

Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos”
E vou de carro que comprei a prestação

Esse trecho é um dos mais estúpidos. Usar o cartão para pagar as compras, hoje em dia, é corriqueiro. O crítico da classe média considera essa prática, penso, elitista. É um vagabundo e um mentiroso. Os números comprovam que as classes C e D vêm, cada vez mais, usando o dinheiro de plástico.

Quem gosta de utilizar o ônibus - aqui em Brasília se chama de "bauzão" - quando se tem carro? Pergunte a quem não tem carro se, caso tivesse, preferiria deixá-lo na garagem ou usá-lo para se deslocar para o trabalho. Ademais, você conhece alguém que pagou o carro à vista? É pecado financiar um veículo?

Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual

A classe média não é a única que paga impostos, mas é fato, é a que mais paga. Quanto ao limite do cheque especial, bem... cada qual com sua política de gastos, não é? O pobre, não tem cheque especial, mas se tivesse, aposto, também entraria no limite do cheque. E quem disse que as classes mais pobres não se endividam? Já fizeram o estudo de quem mais se endivida nas Casas Bahia?

Mas eu “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda

Esse é o refrão da música. Nesse trecho a estupidez se amanceba com a impostura. O representante da classe média, segundo o compositor, é um alienado, um insensível e um egoísta. Você, leitor, que pertence à classe média, reconhece-se nesses versos? Duvido. Ademais, o artista, como bom esquerdista que é, explode a gramática ao usar a forma "que se exploda". O verbo explodir - falo isso para os esquerdofrênicos que vivem por aqui - é defectivo, não tem a 1a pessoa do Presente do Indicativo - eu explodo - por isso, não existe o Presente do Subjuntivo - " que se exploda"- é uma construção gramaticalmente incorreta. Pode ser usada numa letra de música? Claro! Isso se chama licença poética mas, insisto: esse tipo de conjugação está errado.

O mais engraçado nisso tudo é que quem ouve essa música, paga para assistir ao show desse poeta da MPB e compra seus discos, é a classe média, achincalhada por ele.

Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol

Querem coisa mais canalha do que esses versos? Acho difícil encontrar. Se o brasileiro ficasse mesmo indignado com o estado, muita coisa já teria mudado. Mais uma vez nós, da classe média, somos um bando de gente má, que detesta os pobres e os miseráveis. Não temos coração. Quem pensa neles, é óbvio, são os esquerdistas. Todavia, Max tem razão. Fico indignado com o estado por causa do mendigo, da criança que perde a infância limpando pára-brisas, vendendo chicletes ou fazendo malabarismo nos sinais desse país. É de se revoltar com o estado que dá uma bolsa-miséria e acha que já fez a sua parte. É como se déssemos as moedinhas para o pedinte e saíssemos felizes com a nossa boa ação do dia.

Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no “jardins”
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal

Oh Max, quem gosta de matar à "mancheias" são as esquerdas, meu caro. Ele, fica claro, é um defensor da tese bocó de que o criminoso é vítima da sociedade. Para Max, os assassinos de João Hélio cometeram o crime porque eram pobres, se não fossem... Querem preconceito maior? Ademais, as vítimas da violência que suscitaram o debate da pena de morte e da redução da idade penal foram gente da classe média baixa. Eram ricos os pais do Menino João Hélio?
Eu sou contra a pena de morte, mas a favor de reduzir a idade penal. Países com níveis baixos de educação, como a Inglaterra e a Dinamarca, vejam só, punem infratores com menos de 14 anos.

E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda

Quando os movimentos sociais convocam estudantes-militantes, sindicalistas e outros vagabundos da espécie, para uma passeata ou uma manifestação, são pessoas com consciência política. Agora, se a classe média se mobiliza numa passeata, então ela não passa de uma pobre massa manipulada, que só serve para aumentar as tiragens da mídia impressa e a audiência dos telejornais. Esse Max é um típico vagabundo de esquerda.

Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida

Que coisa meiga esse dois últimos versos. Lembrei de uma quadra de Mário Quintana que diz:

DOS NOSSOS MALES

A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais...

E acreditem, Quintana tinha razão. Pena de vida? Ai, eu poderia recorrer a João Cabral, mas para ficar no popular, recorro à Gonzaguinha, xará do Max:

"sempre desejada [ a vida] /por mais que esteja errada/ninguém quer a morte/só, saúde e sorte"

E há quem aplauda Max Gonzaga! Chega!

PS: o verbo aplaudir, ao contrário do verbo explodir, não é defectivo, mas regular.

10 comentários:

PATRICIA M. disse...

Realmente, a letra da musica eh totalmente de esquerda. Tem muito ze mane na classe media, ne, tanto eh que sao esses mesmos ze manes que compram o CD desse idiota ai que nunca ouvi falar. E de outros idiotas de periferia que glamourizam a pobreza e a violencia.

Gostei da analise, hehehe. Eu sempre comprei meus carros (no Brasil) a vista, qual o problema? Carro 1.0, claro, mas meu pai sempre dizia: nunca faca crediario, juros no Brasil sao escorchantes. Sempre segui o conselho. Negocio eh o seguinte, nao consegue pagar AGORA? Poupa, se esforca, e um dia consegue. Melhor do que comprar 1 carro no crediario pelo preco de 2...

PATRICIA M. disse...

Alias, quanto mais pobre, maior eh o talaozinho do crediario, hahahahahaha. O cara eh um babaca mesmo.

Ricardo Rayol disse...

Cuspir no prato que come, hábito dos políticos, está se reproduzindo.

O Matha Barata disse...

Ô Zé Ruela das Gramáticas,

Você não esconde as sua falta de cultura e intelecto corrigindo gramática. Gramática é para os burros. Estão sempre a pastar na grama das palavras.KKKKKKK
O verbo do outro pode ser defectivo. Mas o mote do seu texto é uma defecação completa. Se enxerga cara! Vai dar aulinhas para as crianças. E ensina direito. Não se meta à Reinaldo Azevedo. E preste atenção aos seus textos. Escrever depende de idéias, bons argumentos, tema e
uma boa conclusão. Vai estudar mané!

Costajr disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Suzy disse...

Adorei sua análise e a "barata" quadrúpede que comentou acima é a comprovação de que seu brilhantismo incomoda muita gente.

João Batista disse...

“Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal.”

Qual revista semanal, Carta Capital? IstoÉ? Época? Todo telejornal quer dizer um telejornal inteiro ou todos os telejornais? No primeiro caso, qual deles, já que são contraditórios? No segundo caso, justamente, o sujeito papagaia o telejornal do Boris Casoy metendo o pau no Lula ou o da Bandeirantes lambendo o saco do mesmo?

Sou cantor de merda, quer dizer, da média
Papagaio de toda universidade
Eu acredito
Na imparcialidade da propaganda eleitoral

“Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos”
E vou de carro que comprei a prestação”

Nos EUA, nos estados sem aliança suja com os sindicatos para banir o Self-service dos postos de gasolina, você tem de abastecer com cartão se não quiser entrar no posto para pagar no caixa. Como é você que abastece o carro, ao invés de um frentista, o que não é nada elitista, o preço da gasolina fica mais barato, o que também não tem nada de elitista. Sobre roupas, que eu saiba são os pobres que pagam em prestações aqui na 25 de março, no Brás e sei lá mais onde os sacoleiros e minha prima vão comprar roupa. Quanto à “coletivos”, qualquer pessoa os “odeia”, seja miserável, seja milionário, seja brasileiro, seja americano. Comprar carro a prestação é um excelente negócio nos EUA, onde comprando carros usados com empréstimos de um ano você lentamente sobe na escala de valor, e começando com um carreco de três mil dólares ou menos acaba dirigindo um carrão de quinze mil dólares. É um país onde os pobres podem ter carro, e carros cada vez melhores, se planejarem suas finanças e executarem o plano corretamente. No Brasil é impossível, você tem de comprar carro à vista ou pagar metade de um outro carro em juros. Azar do Brasil e dos pobres brasileiros, que penam para conseguir um carrinho. Bando de burros.

Sou cantor de merda, digo, da média
Compro roupa e gasolina com o dinheiro público dos pobres que subsidia meu show
Odeio indivíduos que não repetem o discurso coletivista
E vou de carro que meu irmão roubou para mim

“Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual”

“A classe média não é a única que paga impostos, mas é fato, é a que mais paga.”

A classe média é a que mais paga em volume, mas os pobres são os que mais pagam em relação à porcentagem total de sua renda. Não fosse a classe média pagando impostos, o Bolsa Família e o SUS viriam a baixo. Cancele as viagens e o mesmo acontece com relação à indústria do turismo nordestina, por exemplo.

Só gasto os impostos dos subsídios
Estou sempre no limite do imoral
Eu viajo pouco, no máximo tenho trabalho bimestral

“Mas eu “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda”

“O mais engraçado nisso tudo é que quem ouve essa música, paga para assistir ao show desse poeta da MPB e compra seus discos, é a classe média, achincalhada por ele.”

Não é engraçado, é extremamente triste. Ver uma gente tão animalesca e desprovida não só de senso crítico, mas de amor à verdade, que prefira antes o que é certo ao que é bacana para o grupo.

Mas eu to muito aí
Se o colega petista é quem manda no Brasil
Eu to muito aqui
Se tem gente burra para eu encher de merda
Eu quero é que “se exploda” a inteligência, a verdade e a realidade toda

“Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol”

1º lugar: os pedintes não são esfomeados. No cruzamento da Rebouças com a H.S., pelo menos semanas atrás, um grupo de meninos estava pedindo grana em troca de malabarismos variados de madrugada, porque há ali um McDonald’s 24h então o lugar fica movimentado. Como é ao lado do McDonald’s, supõe-se mesmo que tenham fome e queiram comida. Errado. Vi os moleques acendendo aquele troço de fumar crack, sei lá eu o nome, e deleitando-se com o cachimbo. Tem fome de droga, isso sim. Agora, os pedintes de farol ganham uma fortuna por mês. É por isso que os pontos são disputados a pontapés. Pedinte não passa fome. E quem os ensinou a fazer malabarismos foram as ONGs esquerdistas. Agora temos crianças na rua, de madrugada, catando dinheiro para seus pais ou donos e que, como ressaltado por Diogo Mainardi, não servem para nada, como antigamente serviam os limpadores de pára-brisa. Vão dormir! Vão estudar! Vão trabalhar!

Mas fico indignado com o estado quando ameaçam cortar meu bolsa-artista
Pelos esportistas esfomeados que me estendem a mão
O pote de ouro enlambuzado.
É lei-rouanet, incentivo fiscal
E as peripécias do governo malabarista da lavanderia de dinheiro público.

“Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no “jardins”
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal”

Moema e Jardins têm menos assaltos e assassinatos do que outros bairros porque os moradores daquela região são um pouco mais civilizados (para os padrões brasileiros) do que os pobres de diadema que saem matando os outros depois de beber no bar, obrigando a cidade a fechar os bares de madrugada. Não conheço um veículo de mídia que tenha como opinião a implantação da pena de morte. Mas redução de idade penal nada tem de regressa, como Costajr ressaltou levantando exemplo dos países regressos da Inglaterra e Dinamarca.

Mas se o assalto é nos cofres públicos
O assassinato é em Santo André (Celso Daniel) ou Campinas (Toninho)
A filha do presidente rouba dinheiro até o fim
Aí eu manifesto minha opinião regressa
De defender essa gente ou de que todo mundo é igual

“E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda”

A tiragem dos jornais só diminui, exceto por aquele novo jornal mineiro. A classe média definitivamente não é bem informada, porque votou no Lula, e porque vai ao show desse sujeito. E muito dificilmente faz passeata, como se viu na rara Fora Lula e no Cansei, nem musica de esquerda ficando de fora.

E eu que sou bem informado quanto ao discurso universitário/midiático o repito e faço música
Enquanto aumenta a audiência e a porcentagem eleitoral
Porque eu to muito aí
Se o Lula é quem manda no Brasil
Eu to muito aqui
Se eu mato a inteligência e encho o buraco de merda
Eu quero é que “se exploda” a verdade toda

“Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida”

Nenhuma tragédia me importa porque não tenho porta, só parede sólida de concreto reforçado com chapas de aço contra qualquer tentativa da realidade exterior adentrar no meu mundinho de fantasia imaginário.
Porque é mais fácil viver sem cumprir as exigências da responsabilidade.

Anônimo disse...

Faltou o VÍDEO, que é um dos sucessos do YOU TUBE. Realmente a LETRA bate no OSSO. E você se sente no chão. Quanto a questão de que é a classe média que paga mais impostos, gostaria que você mostrasse qual o percentual de impostos que representa um ítem no supermercado, se comparado com o meu, o seu, e o salário do porteiro.

Costajr disse...

Anônimo, você parece ser uma pessoa do bem, mas tá do lado errado da Força (hehehehe). Respondendo a você:

1 - o vídeo é mesmo um sucesso, e se você lesse com mais atenção, veria que há um link para ele. Ademais, fazer sucesso no youtube não é garantia de qualidade, bem pode ser de bizarrice.

2 - A letra bate no osso? Só se for nos seus. A mim, a letra provocou ânsia de vômito. É um nojo!

3 - Sua pergunta é um desafio tolo. 1 kg de feijão, é óbvio,tem o ICMS;que é pago por todos, até pelo porteiro. Contudo, o porteiro, o gari, os "informais", enfim, os de renda baixa, não são tungados pelo IR, já a classe média, sim. Por isso anônimo, acredite, a Classe Média é que sustenta o estado gastador, que na época de Lula é ainda mais perdulário.

4 - Ah, para você não errar mais: "quanto a questão de..." Ocorre crase, ok? Não esqueça de pôr o acento grave da próxima vez.

andre pires disse...

Acho que qualquer um tem o direito de recusar-se a aplaudir uma música que o ofenda. Mas quem escreveu os comentários acima achou que a letra condenava o uso do cartão eletrônico, as compras a prestação, as viagens turísticas tri-anuais, o uso do cheque especial, etc. Em nenhuma hipótese nada disso é condenável, e nem a letra do Max Gonzaga pretendeu criticar. Trata-se apenas de um retrato. Nada mais que isso. A crítica vem em outros versos como "eu quero é que se exploda a periferia toda" ou então "toda tragédia só me importa quando bate à minha porta". Aliás, houve comentários que disseram mais ou menos isso: "vão estudar ou trabalhar, vagabundos, parem de fazer malabarismos no farol". Ou "sou mesmo a favor da redução da idade penal". O que veio a confirmar a cara da classe média pintada pelo compositor, classe da qual - feliz ou infelizmente - eu faço parte, não dá pra negar uma evidência.